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25 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Tripes em soja: Danos, controle e recomendações de manejo – MAIS SOJA

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Embora sejam consideradas pragas secundárias da cultura da soja, os tripes podem causar perdas significativas, especialmente sob condições ambientais adequadas ao desenvolvimento da praga. Os danos à produtividade variam de acordo com a espécie, densidade populacional da praga e período em que infestam a soja. Estudos indicam que as perdas de produtividade em função da ocorrência de tripes em soja variam em 10% a 25%, podendo resultar em perdas de produtividade de até 10 sacas por hectare. Dentre as principais espécies de expressão econômica, destacam-se a espécie Frankliniella occidentalis, a Frankliniella schultzei e a Caliothrips phaseoli (Zanattan; Nunes; Madaloz, 2023).

Além de causar danos diretos em função da alimentação (figura 1), os tripes são responsáveis pela transmissão do vírus que causa a doença “queima-do-broto” pode resultar em sérios prejuízos à soja (Sosá-Gómez et al., 2023). Além dos danos característicos  nas folhas da soja, um estudo conduzido por Neves et al.  (2022) demonstrou que os tripes também são capazes de reduzir estruturas fisiológicas da planta importantes para a formação dos grãos, mais especificamente, as flores.

Figura 1. Danos característicos de tripes em soja.

De acordo com os autores, há uma relação significativa entre densidade de tripes e a redução do número de flores de soja, demonstrando que, para cada 2,44 tripes por amostra, perde-se 1% de flores de soja por abortamento (amostra compostas por bandeja de 40x25x3cm, totalizando 0,1 m²).

Figura 2.  Regressão linear das perdas de rendimento (%) em função da densidade de tripes em plantas de soja na fase reprodutiva. Cada círculo representa os dados de uma das 80 repetições.
Adaptado: Neves et al. (2022)

Tendo em vista o impacto dos tripes tanto na fase vegetativa quando reprodutiva da soja, o controle eficaz dessas pragas é determinante para a manutenção do potencial produtivo da cultura, especialmente quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento desses insetos (condições de baixas precipitações e/ou períodos de estiagem).

Baseado nas recomendações técnicas para a cultura da soja, recomenda-se que o controle químicos de tripes seja realizado  ao atingir o nível de infestação de aproximadamente 20 tripes por folíolo. No entanto, em função do curto ciclo de vida desses insetos, o controle efetivo da praga é extremamente difícil tornando necessário realizar reaplicações de inseticidas.

Produtos com ação translaminar, como clorfenapir, são os mais indicados para o controle de tripes. Ao serem aplicados na superfície superior das folhas, esses inseticidas são capazes de translocar para o lado inferior, onde ninfas e adultos estão localizados em maior número (Pozebon, 2022). Sobretudo, visando um controle eficiente dos tripes, deve-se dar preferência por inseticidas de maior performance, rotacionando mecanismos de ação, a fim de reduzir o risco de selecionar indivíduos resistentes.

Avaliando a variação geográfica e suscetibilidade de espécies de tripes a diferentes inseticidas Warpechowski et al. (2023) observaram que, no geral, as populações de F. schultzei e C. phaseoli foram suscetíveis e apresentaram baixa variação na suscetibilidade a espinetoram, metomil, espinetoram + metoxifenozida e profenofos + cipermetrina.

Com base nos resultados obtidos, os autores também constataram que, C. phaseoli foi mais suscetível a acefato, clorfenapir e abamectina do que F. schultzei. Em contraste, populações de ambas as espécies apresentaram reduzida suscetibilidade a abamectina, imidacloprido, lambda-cialotrina, lambda-cialotrina + sulfoxaflor e bifentrina + carbosulfano.

Sendo assim, os resultados observados por Warpechowski et al. (2023) demonstram que as espécies de tripes F. schultzei e C. phaseoli, apresentam variação geográfica e interespecífica na suscetibilidade a inseticidas, sendo que, ambas as espécies apresentaram suscetibilidade a espinetoram, metomil, espinetoram + metoxifenozida e profenofos + cipermetrina (figura 3 e figura 4).

Figura 3. Mortalidade conjunta de populações de F. schultzei e C. phaseoli expostas ao campo concentração de campo de inseticidas de modo de ação único. Barras (± SE) com as mesmas letras minúsculas letras minúsculas dentro de cada mistura e aquelas com as mesmas letras maiúsculas dentro de cada espécie não são significativamente diferentes.
Fonte: Warpechowski et al. (2023)
Figura 4. Mortalidade conjunta de populações de F. schultzei e C. phaseoli expostas ao campo concentração de campo de misturas de inseticidas pré-formuladas. Barras (± SE) com as mesmas letras minúsculas letras minúsculas dentro de cada mistura e aquelas com as mesmas letras maiúsculas dentro de cada espécie não são significativamente diferentes.
Fonte: Warpechowski et al. (2023)

Logo, assim como a eficiência dos inseticidas deve ser observada para o posicionamento desses defensivos no controle químico dos tripes, as espécies da praga também devem ser levadas em consideração, uma vez que há variação quando a suscetibilidade a inseticidas e distribuição geográfica das populações de tripes.

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Referências:

POZEBON, H. O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE TRIPES EM SOJA: Mais Soja, 2022. Disponível em: < https://maissoja.com.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-tripes-em-soja/#:~:text=Os%20tripes%20s%C3%A3o%20insetos%20raspadores,phaseoli%20(tripes%2Dcarij%C3%B3). >, acesso em: 05/01/2025.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS NA CULTURA DA SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 269, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152855 >, acesso em: 05/01/2026.

WARPECHOWSKI, L. F. et al. WHY DOES IDENTIFICATION MATTER? THRIPS SPECIES (Thysanoptera: Thripidae) FOUND IN SOYBEAN IN SOUTHERN BRAZIL SHOW HIGH LEVELS OF GEOGRAPHICAL AND INTERSPECIFIC VARIATION IN SUSCEPTIBILITY TO INSECTICIDES. UFSM, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/handle/1/31045 >, acesso em: 05/01/2026.

ZANATTA, F.; NUNES, M.; MADALOZ, J. OCORRENCIA DE TRIPES NAS CULTURAS DE SOJA E MILHO. PIONNER AGRONOMIA, CROP FOCUS, 2023. Disponível em: < https://www.pioneer.com/content/dam/dpagco/pioneer/la/br/pt/files/Crop_focus_ocorrncia_de_tripes_em_soja_e_milho.pdf >, acesso em: 05/01/2026.

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Sustentabilidade

Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

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O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.

Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.

Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.

Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.

Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.

Resultados em sementes de baixo vigor

Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.

De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.

Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).

Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Crop Evo® = bioinsumo a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total, nitrogênio, enxofre, boro, cobalto, ferro, cobre, manganês, molibdênio e zinco.
Fonte: Machado et al. (2026)

Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.

Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!


Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja



Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.

MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

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Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

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O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

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As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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