Sustentabilidade
Saiba os preços de soja na primeira sexta-feira de 2026

O mercado brasileiro de soja encerrou o dia sem registro de negócios, com preços apenas nominais, utilizados como referência. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário foi de baixa participação dos agentes e ausência de ofertas firmes ao longo da sessão.
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Segundo o analista, o mercado começa a atravessar uma transição gradual entre preços da safra velha e da safra nova. “Hoje isso ficou claro: nos portos, as ofertas já são relativas à safra nova, enquanto no interior ainda aparecem referências da safra velha”, explica.
No ambiente externo, Silveira destaca que a Bolsa de Chicago vem acumulando recuos nas últimas semanas, movimento que voltou a se repetir nesta sessão. Além disso, o dólar apresentou forte queda nas duas últimas sessões, enquanto os prêmios permaneceram relativamente estáveis.
“Esse conjunto de fatores acabou pressionando os preços, sobretudo nos portos”, observa o analista.
Ele ressalta ainda que poucos players estiveram ativos ao longo do dia, reflexo do período de férias de parte dos agentes do mercado. “Foi um dia bastante esvaziado, sem reporte de ofertas firmes”, resume.
Preços de soja no mercado físico
- Passo Fundo (RS): caiu de R$ 138,00 para R$ 136,00 por saca
- Santa Rosa (RS): caiu de R$ 139,00 para R$ 137,00 por saca
- Cascavel (PR): caiu de R$ 136,00 para R$ 135,00 por saca
- Rondonópolis (MT): caiu de R$ 123,00 para R$ 110,00 por saca
- Dourados (MS): caiu de R$ 126,00 para R$ 125,00 por saca
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 126,00 para R$ 125,00 por saca
- Paranaguá (PR): caiu de R$ 141,00 para R$ 128,00 por saca
- Rio Grande (RS): caiu de R$ 143,00 para R$ 132,00 por saca
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a sessão com preços mais baixos para o grão e o farelo, enquanto o óleo registrou alta. O mercado segue pressionado pela expectativa de entrada de uma safra volumosa no Brasil, cuja colheita tem início neste mês.
As exportações líquidas norte-americanas de soja da temporada 2025/26, iniciada em 1º de setembro, somaram 987,1 mil toneladas na semana encerrada em 18 de dezembro. Para a temporada 2026/27, o saldo ficou negativo em 4,8 mil toneladas, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Contratos futuros de soja
O contrato da soja em grão com entrega em janeiro de 2026 fechou em US$ 10,29 1/2 por bushel, com queda de 1,00 centavo ou 0,09%. A posição março de 2026 recuou 1,75 centavo, ou 0,16%, para US$ 10,45 3/4 por bushel.
Entre os subprodutos, o farelo para março de 2026 caiu US$ 3,40, ou 1,13%, para US$ 296,00 por tonelada. Já o óleo de soja com vencimento em março de 2026 avançou 0,74 centavo, ou 1,52%, fechando a 49,30 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,24%, cotado a R$ 5,4198 para venda e R$ 5,4178 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,4170 e R$ 5,4765. Na semana, o dólar acumula desvalorização de 2,25%.
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Sustentabilidade
Bancada do Agro propõe ajustes na subvenção ao diesel e busca soluções para crise dos fertilizantes – MAIS SOJA

Pressão geopolítica levou governo a interceder
Em meio à crise no Oriente Médio que fez subir a cotação do petróleo, o governo brasileiro editou Medida Provisória 1.340 de 2026, que estabelece uma subvenção econômica para produção e importação de diesel. O objetivo é impedir um efeito inflacionário cascata, uma vez que o referido combustível é majoritariamente usado no transporte rodoviário nacional, inclusive aqueles que envolvem commodities agropecuárias. A bancada parlamentar em defesa do setor apoia a medida, mas também já debate sugestões ao texto.
Entre os pontos que podem ser colocados está uma alteração para também conceder a isenção das alíquotas de PIS e Cofins sobre o biodiesel. O entendimento da bancada é de que o anúncio do governo de zerar esses impostos sobre o diesel acaba prejudicando a competitividade do biodiesel. Até mesmo porque a Constituição prevê um regime fiscal favorecido para os biocombustíveis, introduzido pela Emenda 123/2022.
“Quando o acordo do governo diminui a tributação do diesel, ele teria que manter essa diferença para o biodiesel, e isso foi neutralizado com essa medida”, disse o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP). Além disso, os parlamentares da bancada junto com o setor produtivo devem enviar um ofício aos membros do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pedindo que o grupo analise uma ampliação da mistura dos biocombustíveis na gasolina e no diesel. No caso, a proposta é que o aumento seja de 15% (B15) para 16% (B16) ou 17% (B17) no diesel, e de 30% (E30) para 32% (E32) na gasolina.
Neste sentido, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) publicou nota oficial quanto ao tabelamento nacional dos fretes, assunto que há tempos mobiliza atenções, por impactar os custos embutidos nos alimentos. Para a bancada, há um entendimento claro no setor agropecuário de que o modelo adotado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não reflete a realidade do transporte no país, ao desconsiderar fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota, o que acaba gerando distorções relevantes e desalinhadas com a prática de mercado.
Por isso, em ofícios enviados, ainda em 2025, aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, foi solicitada a abertura de um diálogo técnico para revisar a metodologia da tabela de frete. A FPA lembra que o transporte rodoviário está diretamente pressionado pelo custo do diesel, o que provoca aumento artificial dos custos logísticos. A nota conclui defendendo política de transição energética mais previsível e eficaz, citando justamente o caso do biodiesel.
Escassez de fertilizantes também preocupa parlamentares
Outro ponto em que a FPA pretende avançar é em relação ao Projeto de Lei 699 de 2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Conforme Jardim, uma pauta prioritária deve ser entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e essa matéria estará nesses pedidos de celeridade. O Brasil sofre com a dependência externa desses produtos, sobretudo por virem de regiões conflagradas e distantes, conforme o Portal SNA aborda com frequência.
As medidas também têm o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, “é o momento ideal para nós aprovarmos o Profert”. Além disso, medidas de curtíssimo prazo, como do aumento da mistura são importantes para mitigar a subida de preços que os produtores vêm relatando. “O principal ponto de reclamação que nós temos recebido é o aumento abusivo de preços”, disse o diretor em reunião com a FPA na semana passada.
Entre os impactos no agro brasileiro do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, os fertilizantes trazem um nível de preocupação maior. De acordo com a CNA, os preços da ureia subiram entre 30% e 35% desde o início dos ataques. Além disso, o fornecimento desse insumo também pode ser comprometido, já que aproximadamente 35% do fertilizante nitrogenado vêm do Oriente Médio. A preocupação se agravou com a notícia recente de que a China, outro importante fornecedor desses produtos, suspendeu por tempo indeterminado a exportação de suas reservas, para proteger os produtores locais, conforme reportou a Agência Reuters.
O país é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o país representou 11,5% das compras brasileiras do produto em 2025, totalizando mais de US$ 93 milhões.
Fonte: SNA
Autor: Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Site: SNA
Sustentabilidade
Milho em destaque: 1ª Tarde de Campo reunirá especialistas para compartilhar conhecimento técnico – MAIS SOJA

A cultura do milho possui grande importância no contexto da produção de grãos no Brasil e, especialmente, no Rio Grande do Sul. A adoção de técnicas de manejo adequadas é fundamental para maximizar o desempenho das lavouras e os resultados produtivos.
A 1° Tarde de Campo em Plantas de Lavoura, com foco em ecofisiologia e manejo da cultura do milho, tem como objetivo socializar conhecimentos técnicos junto à comunidade acadêmica, produtores e profissionais do setor que desejam aprofundar seu entendimento sobre a cultura.
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Confira os palestrantes confirmados
Redação: Diego Follmann
Sustentabilidade
Estresse térmico é uma das principais causas da perda de produtividade no Brasil – MAIS SOJA

As adversidades climáticas e ambientais, especialmente os fatores abióticos que impactam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas agrícolas, como estresse hídrico, estresse térmico e desequilíbrio nutricional, estão entre os principais responsáveis pela redução da produção agrícola, com sua relevância variando conforme as diferentes regiões de cultivo.
Além de reduzir a produtividade das culturas agrícolas, o estresse provocado por condições abióticas limita o potencial produtivo das plantas, mesmo quando fatores bióticos estão em níveis ótimos. Além disso, diferentes fontes de estresse podem atuar de forma combinada, intensificando os danos à produtividade.
Do ponto de vista fisiológico, o enfrentamento desses estresses demanda maior gasto energético pelas plantas para manter a resiliência, resultando, entre outros efeitos, na redução da taxa fotossintética. Isso compromete a produção, a translocação e o acúmulo de fotoassimilados nos grãos, impactando diretamente o rendimento final das culturas.
Embora o déficit hídrico seja frequentemente associado a principal causa da redução da produtividade de cereais como milho, arroz, trigo e soja, nem sempre esse estresse é o principal fator responsável pelas maiores perdas de produtividade na produção agrícola. De acordo com Bailey-Serres et al. (2019), essa influência varia de acordo com o ambiente de cultivo e período, sendo que, a nível de Brasil, o estresse térmico resultante de altas temperaturas é um dos principais fatores associados a perdas de produtividade (figura 1).
Figura 1. Perda de produtividade prevista em escala nacional para milho, arroz, trigo e soja. Os mapas indicam as perdas de rendimento causadas pelo estresse hídrico, em média, de 1950 a 2000 (a), pelo estresse térmico, em média, de 1994 a 2010 (b) e pelo estresse nutricional em 2009 (c). (d) Número de grandes eventos de inundação de 1985 a 2010 por país.
O estresse térmico tende a ser mais expressivo em culturas altamente responsivas à soma térmica. Nessas espécies, a disponibilidade de calor exerce influência direta sobre o crescimento e o desenvolvimento vegetal. De modo geral, temperaturas elevadas aceleram o metabolismo das plantas, enquanto temperaturas mais baixas o reduzem, prolongando o ciclo de desenvolvimento. Abaixo da temperatura basal inferior não há crescimento, assim como acima da temperatura basal superior (Bergamaschi & Bergonci, 2017).
De forma geral, a fotossíntese líquida é positiva dentro da faixa térmica de adaptação da espécie ou cultivar, delimitada pelas temperaturas basais inferior e superior. Fora desses limites, a assimilação líquida torna-se negativa, uma vez que o metabolismo é comprometido e a planta entra em condição de estresse térmico.
Quando o estresse térmico é causado por temperaturas acima da temperatura basal superior, além da redução da fotossíntese líquida, observa-se aumento da taxa respiratória. Embora algumas espécies possuam mecanismos de tolerância ao calor, em muitos casos o incremento da respiração intensifica o consumo de reservas energéticas e pode elevar a perda de água para a atmosfera, agravando os efeitos do estresse hídrico.
Figura 2. Metabolismo das plantas e temperaturas cardeais: mínima basal ou base inferior (Tb), ótima (Tótima) e máxima basal ou base superior (TB).

Vale destacar que a sensibilidade a temperaturas extremas varia ao longo do ciclo de desenvolvimento das plantas e entre espécies. Entre os fatores associados à perda de produtividade, tanto de natureza biótica quanto abiótica, o avanço genético desempenha papel fundamental. O melhoramento genético, com o desenvolvimento de novas cultivares e híbridos, especialmente em milho, proporcionou ganhos expressivos de produtividade, sendo esse o principal foco das pesquisas por longo período. No entanto, evidências indicam que, em alguns casos, o aumento do potencial produtivo tem sido acompanhado por uma redução da resiliência das plantas a condições de estresse, particularmente ao estresse térmico.
Nesse contexto, torna-se crescente a necessidade de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de soluções genéticas e biotecnológicas que permitam preservar a produtividade das culturas sob temperaturas elevadas. O estresse térmico representa uma ameaça cada vez mais relevante, especialmente em regiões tropicais, onde condições de alta umidade reduzem a eficiência do resfriamento foliar por transpiração. Isso ocorre porque os estômatos, responsáveis por regular o equilíbrio entre a absorção de CO₂ e a perda de água, tornam-se menos eficientes nessas condições, intensificando os efeitos do calor sobre o metabolismo vegetal.
Confira o estudo completo desenvolvido por Bailey-Serres e colaboradores (2019) clicando aqui!

Referências:
BAILEY-SERRES, J. et al. GENETIC STRATEGIES FOR IMPROVING CROP YIELDS. Nature, 2019. Disponível em: < https://www.nature.com/articles/s41586-019-1679-0.pdf >, acesso em: 24/03/2026.
BERGAMASCHI, H.; BERGONCI, J. I. AS PLANTAS E O CLIMA: PRINCIPIOS E APLICAÇÕES. Agrolivros, 2017.
BERGAMASCHI, H.; MATZENAUER, R. O MILHO E O CLIMA. Emater/RS-Ascar, 2014. Disponível em: < http://www.fepagro.rs.gov.br/upload/20140923150828livro_o_milho_e_o_clima.pdf >, acesso em: 24/03/2026.

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