Connect with us
11 de maio de 2026

Business

Ex-nadador troca a rotina das piscinas pelo desafio do confinamento no campo

Published

on


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A vida de Antoniel Olochove sempre foi marcada por treinos intensos, competições e a rotina do esporte de alto rendimento. Desde os oito anos, a natação ocupou o centro de seus dias, com participações em campeonatos brasileiros e até no mundial escolar, disputado no Marrocos. O futuro parecia traçado dentro das piscinas, até que a pandemia mudou os planos e abriu espaço para uma virada inesperada: o retorno para junto da família e o início da construção de um sonho no campo.

A mudança significou trocar o ritmo acelerado das competições por uma rotina bem diferente, entre silagem, manejo e confinamento de gado, na Chácara Confiança, em Tangará da Serra. “A mudança foi demais porque vivia num mundo completamente diferente, no meio do esporte e tudo mais, nadando”, conta. Ao chegar à propriedade da família, o contraste foi imediato. “Cheguei aqui e, tipo, querendo ou não o campo mais calmaria, não era tanto correria assim”.

O contato diário com os animais despertou uma nova vocação. “Gostei muito de começar a trabalhar aqui, ver o gado, trabalhar com animais e a vocação foi trabalhar com gado”, afirma Antoniel, que passou de ajudante dos pais a responsável direto pela atividade.

Localizada a menos de 15 quilômetros do centro de Tangará da Serra, a Chácara Confiança reúne áreas de silagem, confinamento e o cuidado visível nos detalhes. O verde do campo se mistura às flores cultivadas por Marilucia Olochove, mãe de Antoniel, refletindo o capricho de uma família que decidiu trocar a cidade pela vida rural.

Advertisement

A história da propriedade começou em 2014, quando a família deixou Sorriso e se mudou para Tangará da Serra. Marilucia lembra que trabalhava como feirante e que a mudança veio junto ao desejo do marido de investir em uma chácara. “Moramos em Sorriso sete anos e eu trabalhei em feira por aproximadamente três anos”, recorda em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Segundo ela, ao surgir a oportunidade de transferência do esposo, a decisão foi clara: “Ele falou assim: ‘Ao invés de comprar uma casa, eu quero comprar um sítio, uma chácara’”.

A visita à área definiu o futuro da família. “A gente veio até essa propriedade aqui, é uma chácara muito gostosinha, bacana e a gente ficou por aqui mesmo”, relata.

confinamento ateg bovinocultura de corte senar transforma foto israel baumann canal rural mato grosso1
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Crescimento e profissionalização

O sonho de viver no campo também trouxe de volta outra vontade antiga: trabalhar com gado. A criação começou pequena, com poucos animais, e foi crescendo gradualmente. “Começamos com 10 cabeças e foi aumentando. Foi para 15, 20”, conta Marilucia. Com pouco pasto disponível, a família passou a tratar o gado no cocho e, mais tarde, adotou o semi-confinamento. “Quando vimos já tínhamos ali mais 50 cabeças. Aí começamos fazer um semi-confinamento”.

Com o retorno de Antoniel, a atividade ganhou novo ritmo e passou a ser pensada de forma mais estratégica. Ele percebeu que, apesar dos bons resultados, havia espaço para avançar. “O gado em semi-confinamento está bom, está engordando e tudo mais, mas gado confinado, ele acaba engordando um pouco mais”, explica, ao destacar a possibilidade de “uma lucratividade melhor”.

A decisão de investir veio mesmo sem estrutura. “Não tinha trator, não tinha misturador, então era trabalho braçal”, relembra. A rotina incluía cortar silagem, misturar com milho e tratar o gado manualmente.

Conforme Antoniel, a virada aconteceu com uma escolha da família. “Meu pai: ‘Bom, então a gente vende um pouco de gado, diminui, investe e compra um trator que vai ajudar muito’.” O resultado foi imediato. “Fez isso, dito e feito aumentou bastante”.

Advertisement
confinamento ateg bovinocultura de corte senar transforma foto israel baumann canal rural mato grosso2
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Técnica, metas e sucessão

O avanço da atividade se consolidou com a assistência técnica do Senar Mato Grosso, por meio da ATeG em Bovinocultura de Corte. A técnica de campo Janaína Rosolem dos Santos Lima explica que ajustes simples foram decisivos. “O primordial foram três: a idade dos animais, o planejamento alimentar e a ensilagem”, afirma.

Ela destaca que o sistema passou a trabalhar com dois lotes em menos tempo, garantindo maior ganho de peso. “Confinaram dois lotes, tiveram maior ganho de peso também, porque foi em menos tempo. Se você for fazer as contas, eles terminaram quase 33 animais por hectare/ano”, relata. Para Janaína, os resultados colocam a propriedade como referência. “Ao meu ver, é um exemplo de produtividade”.

Hoje, a Chácara Confiança trabalha com confinamento na seca, planejamento ao longo do ano e metas claras de crescimento. “Meu planejamento é chegar daqui uns dois anos e conseguir girar 800 cabeças por ano”, diz Antoniel ao Canal Rural Mato Grosso. Para isso, ele aposta em eficiência e conforto animal. “A gente colocou sombrite neles para ter o maior conforto. Um gado que não se estressa, ele tem o rendimento melhor”.

O desafio diário no campo lembra, para ele, a trajetória no esporte. “Vai batalhando todo dia, tem seus perrengues, tropica ali, mas consegue dar uma caminhada legal”.

Para Marilucia, mais do que os números, o retorno do filho fortaleceu a sucessão familiar. “A gente confia que Deus nos dá a prosperidade”, afirma. Ela destaca que, depois de anos distante, a presença do filho representa união. “O meu filho está aqui próximo da gente, está aqui em casa, a gente está vendo-o todo dia”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

Advertisement

O post Ex-nadador troca a rotina das piscinas pelo desafio do confinamento no campo apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading
Advertisement

Business

Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

Published

on


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

Advertisement

Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

Advertisement

.

O post Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

Published

on

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

Advertisement

Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

Advertisement

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

Advertisement
Continue Reading

Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

Advertisement

Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT