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Entre clima, custos e desvalorização produtor adota cautela na definição da área de milho em MT

A comercialização do milho em Mato Grosso avança, mas em um ritmo diferente do observado em safras anteriores. Mesmo com boa parte da produção já negociada, o produtor entra no planejamento do próximo ciclo com cautela, pressionado por custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas que ampliam o risco da atividade.
No estado, a venda do milho da safra 2024/25 já ultrapassa 83% da produção estimada. O percentual é considerado elevado, porém segue abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, reflexo principalmente da retração da demanda internacional, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Para a temporada 2025/26, os negócios caminham com mais lentidão. O atraso no plantio da soja, somado ao aumento dos custos de produção e à perda de competitividade dos preços, mantém o produtor mais seletivo tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área a ser plantada.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o aumento dos custos na safra 2024/25 acabou sendo parcialmente compensado por uma produtividade maior, favorecida por um clima mais regular. O problema, na leitura do dirigente, está no cenário projetado para o próximo ciclo. “Quando a gente coloca nessa conta o atraso da soja, o risco climático aumenta e o milho segunda acaba sendo implantado fora da melhor janela”, explica ao projeto Mais Milho.
Nesse contexto, Bertolini avalia que a combinação entre tendência de queda nos preços e custos em alta deixa a atividade com “uma margem muito estreita e negativa”, o que exige do produtor mais cautela na exposição ao risco.

Ajustes no campo e redução de risco
No campo, a reação tem sido reduzir riscos e enxugar a estrutura produtiva. Em Rosário Oeste, a estratégia foi deixar o algodão de lado, concentrar os investimentos na soja e no milho de segunda safra e mudar a forma de conduzir a propriedade para atravessar um ano considerado decisivo.
O agricultor Almir Ferreira Pinto avalia que, com juros elevados, financiar integralmente a lavoura se tornou inviável, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas. Para ele, nos moldes atuais, “não fecha a conta, porque se você captar dinheiro no banco para plantar e ainda tiver que pagar arrendamento, o lucro praticamente não existe”. Ao somar todos os custos, seria necessário colher acima de 70 sacas de soja por hectare apenas para empatar.
Diante desse cenário, a saída foi reduzir estrutura e área. Almir conta que chegou a trabalhar com doze funcionários, mas hoje mantém cinco, além da família, conduzindo o negócio de forma mais cautelosa. A mesma lógica se aplicou às áreas arrendadas. “Chegamos a ter contrato de 2 mil hectares, porém repassei por um ano porque o cenário é ruim”, relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
A expectativa é retomar essa área apenas na safra 2026/27, aguardando um melhor equilíbrio entre custos e preços. Para ele, o momento exige prudência: “não dá para arriscar, porque perder hoje, com o custo da lavoura é duro de recuperar”.

Clima pesa na definição da área
No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra do país, a definição da área para a próxima temporada ainda é marcada pela incerteza. As chuvas irregulares e os longos períodos de estiagem têm provocado atrasos no calendário agrícola e comprometido o desenvolvimento da soja, fator que pesa diretamente na decisão do produtor sobre o plantio do milho.
O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, relata que muitos produtores iniciaram o plantio mais cedo, apostando na regularização das chuvas, o que não se confirmou. “O pessoal entrou plantando cedo, parecia que iria firmar as chuvas, mas daí parou, chovendo a cada sete, 10 dias e em algumas regiões pontuais sem chuva”, explica.
A soja entrou em fase reprodutiva sob estresse hídrico, com abortamento de vagens e menor enchimento de grãos. Na comparação com o ano passado, Bilibio avalia que “já dá para dizer que entre 5% e 10% já perdemos [da produção]”, o que aumenta a apreensão do produtor quanto ao milho. “[Agora é] torcer para que o milho consiga uma boa produtividade e as chuvas se estenderem, porque agora na soja está preocupando”.
Em Nova Mutum, o cenário também é de alerta. O presidente do Sindicato Rural do município, Paulo Zen, aponta estresse hídrico elevado, com muitas áreas praticamente sem chuva. De acordo com ele, o volume acumulado em dezembro está muito abaixo do necessário. “Estamos falando em 350 milímetros hoje. Em dezembro é pouca chuva e creio que isso vai refletir lá na colheita”, avalia.
Mesmo com uma janela de colheita mais longa prevista para 2026, a insegurança climática pesa na decisão, e o produtor tende a ser mais conservador quanto ao milho, “que na dúvida o produtor vai preferir nem plantar”.
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Oferta restrita mantém escalas curtas e preços do boi gordo firmes

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média nas principais regiões produtoras do Brasil. A oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo escalas de abate encurtadas em grande parte do país.
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As pastagens ainda apresentam boas condições em grande parte do país, oferecendo boa capacidade para cadenciar o ritmo de negócios entre os pecuaristas. A guerra no Oriente Médio e a progressão da cota chinesa ainda são elementos de grande importância para a formação de preço no curtíssimo prazo, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Allan Maia.
Nas principais praças do Brasil, os preços ficaram:
- São Paulo (SP): ficou em R$ 353,42 na modalidade a prazo
- Goiás (GO): ficou em R$ 338,57
- Minas Gerais (MG): ficou em R$ 342,65
- Mato Grosso do Sul (MS): ficou em R$ 340,45
- Mato Grosso (MT): ficou em R$ 346,42
Atacado
No mercado atacadista, o cenário ainda é de manutenção dos preços da carne bovina. A semana registra escoamento mais lento entre atacado e varejo, considerando o menor apelo ao consumo. Além disso, proteínas concorrentes seguem com maior competitividade em relação à carne bovina, especialmente a carne de frango.
O consumidor brasileiro ao longo do ano tende a priorizar a demanda por proteínas mais acessíveis, como ovo, carne de frango e embutidos, disse Maia.
No atacado, os cortes seguem nos seguintes níveis:
- Quarto traseiro: R$ 27,30 por quilo
- Dianteiro bovino: R$ 21,00 por quilo
- Ponta de agulha: R$ 19,50 por quilo
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,2543 para venda e R$ 5,2523 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2432 e a máxima de R$ 5,2797.
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Plantio de milho avança no Brasil, enquanto soja mantém ritmo na colheita, aponta Datagro

O plantio do milho de inverno no Brasil atingiu 94,6% da área esperada até 19 de março, segundo levantamento da consultoria Datagro. O índice está em linha com a média dos últimos cinco anos e próximo ao registrado no mesmo período do ano passado, indicando um avanço consistente dos trabalhos no campo.
De acordo com a analista da Datagro, Luiza Ezinatto, as condições climáticas, especialmente na região Centro-Oeste, têm sido favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, o que sustenta a expectativa de uma boa produção na safra atual.
“A gente observa um plantio bastante alinhado com a média histórica, com clima colaborando principalmente no Centro-Oeste, o que reforça uma perspectiva positiva para a produção de milho nesta safra”, afirma.
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No caso da soja, a colheita alcança cerca de 68,8% da área estimada no Brasil, também em linha com o comportamento médio dos últimos anos. Apesar de um início mais lento, causado pelo excesso de chuvas, o ritmo dos trabalhos se intensificou ao longo das últimas semanas.
“O início da colheita foi mais desafiador por conta das chuvas, mas o ritmo evoluiu bem e não deve trazer impactos relevantes ao longo da safra”, destaca Luiza.
No cenário internacional, os Estados Unidos já embarcaram cerca de 29,1 milhões de toneladas de soja no atual ciclo comercial, o que representa aproximadamente 68% da estimativa do USDA. Para o milho, os embarques somam cerca de 44,5 milhões de toneladas, equivalentes a 53% do total projetado para a temporada.
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Estudo com IA mapeia áreas agrícolas abandonadas no Cerrado

Uma nova ferramenta desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Brasília (UnB) promete ajudar a mapear áreas agrícolas que hoje estão abandonadas no país.
Com o uso de inteligência artificial e sensoriamento remoto, o sistema identifica regiões que já foram utilizadas para produção, mas que deixaram de apresentar produtividade ao longo do tempo.
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O estudo monitorou o bioma Cerrado durante quatro anos. Foram classificadas como áreas abandonadas aquelas que, embora tenham sido convertidas para uso agrícola no passado, não registraram atividade produtiva durante o período analisado.
Um dos principais exemplos está no município de Buritizeiro, região norte de Minas Gerais, onde mais de 13 mil hectares de terras agrícolas foram identificados como abandonados entre 2018 a 2022, o equivalente a cerca de 5% da área observada no início do estudo.
Segundo a Embrapa, entre os fatores que explicam o abandono estão o aumento dos custos de produção, a baixa produtividade e a mudança no uso da terra.
Com o mapeamento concluído, os dados já foram repassados a estados e municípios, a pesquisa alcançou 95% de precisão. A expectativa é que essas áreas possam ser destinadas à restauração ambiental, ao sequestro de carbono, reintegração às produções com qualidade e estudo de base para corredores ecológicos.
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