Connect with us
11 de maio de 2026

Business

Agricultura familiar: projeto da Embrapa gera quase R$ 3 em retorno social para cada R$ 1 investido

Published

on


Foto: Francisco Evangelista/Embrapa

Um estudo de avaliação de impacto conduzido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social revelou que o Projeto Lagos do São Francisco gerou R$ 2,92 em benefícios sociais para cada R$ 1 investido. A iniciativa foi executada entre 2019 e 2024 pela Embrapa Semiárido, com foco no fortalecimento da agricultura familiar e na promoção de práticas produtivas sustentáveis no Semiárido brasileiro.

A análise utilizou a metodologia internacional SROI (Retorno Social do Investimento), amplamente aplicada para mensurar impactos sociais, ambientais e econômicos. Segundo o levantamento, o valor social total gerado pelo projeto alcançou R$ 20,5 milhões, a partir de um investimento de R$ 7 milhões, indicando alta eficiência na aplicação dos recursos.

Financiado pela Axia Energia, antiga Eletrobras Chesf, o projeto contou com parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio de prefeituras locais. As ações abrangeram 12 municípios no entorno das barragens do Rio São Francisco, nos estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.

Impacto direto na vida dos produtores

Ao longo de cinco anos, 508 produtores rurais foram diretamente atendidos. Além disso, mais de 5,2 mil pessoas participaram de capacitações, dias de campo e eventos técnicos promovidos pelo projeto. Os impactos positivos alcançaram agricultores, suas famílias e também técnicos agropecuários envolvidos na execução das ações.

O levantamento, realizado com 265 produtores, mostrou avanços expressivos em diferentes dimensões da qualidade de vida. Entre os entrevistados, 78% relataram melhora na alimentação da família, 85% afirmaram maior segurança financeira e 74% disseram ter reduzido a preocupação com dívidas e falta de recursos.

Advertisement

Na esfera do bem-estar individual e social, os resultados também chamam atenção. 97% dos beneficiados afirmaram sentir satisfação ao compartilhar conhecimentos com outros agricultores. Outros 94% relataram aumento da motivação para o trabalho, enquanto 91% passaram a enxergar com mais otimismo a possibilidade de viver da própria produção.

Foto: Francisco Evangelista/Embrapa

Ganhos ambientais e práticas sustentáveis

Além dos benefícios sociais e econômicos, o Projeto Lagos do São Francisco apresentou impactos ambientais relevantes. Mais da metade dos participantes, 56%, passou a preservar ou reflorestar novas áreas em suas propriedades. O movimento foi acompanhado pela adoção de práticas agroecológicas e pelo uso mais racional da água, aspecto estratégico para a convivência produtiva com o Semiárido.

Essas mudanças foram impulsionadas pelos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs), áreas demonstrativas implantadas diretamente nas propriedades dos produtores. Com apoio técnico e fornecimento de insumos, os CATs funcionaram como verdadeiros laboratórios a céu aberto, permitindo a aplicação prática de tecnologias adaptadas às condições locais.

CATs: base da transformação no campo

Ao todo, foram implantados 508 Campos de Aprendizagem Tecnológica (CAT), respeitando a vocação produtiva de cada município e os macrotemas definidos nos planos de ação do projeto. Nesses espaços, os produtores receberam mudas, sementes, ferramentas e orientação técnica contínua.

Os CATs contemplaram uma ampla diversidade de atividades produtivas. Entre as culturas agrícolas, destacaram-se cebola, tomate, melancia, milho, feijão, mandioca, manga, goiaba, coco, citros e banana. Na pecuária, houve ações voltadas à criação de caprinos, ovinos, bovinos, galinhas e abelhas. Os espaços também se tornaram referência em recuperação ambiental, manejo do solo e uso eficiente da água.

Outro ponto central foi a articulação institucional. Parcerias com prefeituras e entidades de assistência técnica fortaleceram a execução das ações em campo e ampliaram o alcance do projeto. A realização de eventos técnicos e capacitações contribuiu para a disseminação do conhecimento em toda a região.

Advertisement

Avaliação positiva também entre técnicos

Os impactos não se restringiram aos produtores. Entre os técnicos agropecuários entrevistados, 100% relataram aumento da motivação, do reconhecimento profissional e da satisfação pessoal por contribuir diretamente para o desenvolvimento das comunidades atendidas.

Para o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Semiárido, Rebert Coelho, os resultados superaram as expectativas. Segundo ele, o trabalho reforça o papel da pesquisa, da assistência técnica e da articulação institucional na promoção do desenvolvimento sustentável.

“O Lagos do São Francisco teve foco na agricultura familiar, que representa uma parcela essencial dos produtores do País. No Semiárido, esse trabalho ganha ainda mais relevância, por atender comunidades historicamente desassistidas. O projeto mostrou que, com tecnologias, assistência técnica e protagonismo do produtor, é possível gerar renda e fortalecer a convivência produtiva com o Semiárido”, afirmou.

Já a vice-presidente de Sustentabilidade da Axia Energia, Camila Araújo, destacou a importância das ações de responsabilidade socioambiental da empresa. Para ela, os resultados comprovam que investimentos bem direcionados geram impactos duradouros para as pessoas e para o meio ambiente.

O relatório do IDIS indica ainda que 81% do valor social gerado se traduziu em melhorias diretas nas condições de vida das famílias, como reformas nas moradias, aquisição de bens, melhor alimentação e redução do endividamento. Um resultado que reforça o papel estratégico da agricultura familiar no desenvolvimento regional do Semiárido brasileiro.

Advertisement

O post Agricultura familiar: projeto da Embrapa gera quase R$ 3 em retorno social para cada R$ 1 investido apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement

Business

Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

Published

on


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

Advertisement

Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

Advertisement

.

O post Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

Published

on

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

Advertisement

Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

Advertisement

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

Advertisement
Continue Reading

Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

Advertisement

Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT