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23 de junho de 2026

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Com endividamento em alta, Fiagro pode ser alternativa de crédito no agronegócio

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Foto: Freepik

Os recursos disponibilizados pelo Plano Safra não são suficientes para suprir as necessidades do agronegócio brasileiro. A afirmação, que é quase unanimidade entre produtores e especialistas em crédito, foi reforçada durante evento realizado no início de dezembro, na capital paulista. Em discussão, o papel dos investimentos privados nesse vazio deixado pelos recursos públicos.

“Os Fiagros são a palavra-chave”, diz Moacir Teixeira, sócio-fundador da Ecoagro, empresa que oferece soluções financeiras ao agro. Segundo ele, a aproximação do setor com o mercado de capitais vai complementar essa necessidade de financiamento.

Em 2025, o governo federal disponibilizou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar. O volume de contratação, porém, está abaixo do esperado. “O agronegócio não precisa só de custeio. Ele precisa de dinheiro de mais longo prazo para poder se organizar melhor operacionalmente”, reforça Teixeira.

É diante dessa demanda que os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, aparecem como alternativa na captação de recursos para o campo. Com mais opções de financiamento, o produtor rural passa a depender menos de crédito bancário ou linhas oficiais subsidiadas, como é o caso do Plano Safra.

Desmistificando os Fiagros e o mercado de capitais

É comum associar o mercado de capitais a riscos imediatos, como o que acontece ao comprar e vender ações na bolsa de valores. A estrutura do Fiagro atua como uma ponte entre produtores rurais que precisam de recursos e investidores que buscam retorno financeiro com exposição ao agronegócio. De acordo com especialistas, a volatilidade das commodities existe, mas deve ser encarada como uma característica natural do mercado.

Para Teixeira, o grande diferencial está em garantir que o “recurso vai estar lá na hora certa”. Os riscos estão na falta de organização em alguns segmentos, como os hortifrútis. Segundo ele, o custo de implantação é alto e os produtores não têm como acessar esse tipo de financiamento de forma direta. Por outro lado, as cadeias de soja, milho, algodão, cana e café aparecem como exemplos de organização.

Nesse sentido, a solução passa pela atuação de cooperativas e distribuidores. Na avaliação do executivo, é por meio da forma indireta que o mercado de capitais consegue financiar pequenos e médios produtores rurais. “Basicamente o produtor sozinho não consegue, então esse é o caminho”, complementa.

Um desses exemplos que se encaixam na fala de Teixeira é o CNA Fiagro, um fundo de microcrédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) voltado a pequenos e médios produtores rurais, atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial do Senar. O sócio-diretor da Ecoagro ressalta que “é o dinheiro mais barato que tem no Brasil” se comparado com linhas oferecidas pelo governo.

“O Pronaf, assim como outros programas, tem muita burocracia. Mas com esse tipo de Fiagro o produtor consegue financiar qualquer coisa; é a palavra-chave do financiamento”, diz.

O cenário promissor, no entanto, ocorre em meio a um momento delicado para o agronegócio. Isso porque o setor vive uma explosão nos pedidos de recuperação judicial e aumento da inadimplência. Conforme dados do setor, o nível de endividamento no campo estão em patamares históricos. “É uma luta, mas vamos tocando”, conclui.

Moacir Teixeira é sócio-diretor da Ecoagro. (Foto: Reprodução/LinkedIn)

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Conheça o aplicativo que promete diagnóstico rápido de doenças na soja

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Com apoio da inteligência artificial, pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo tecnologias capazes de identificar doenças na soja ainda nos estágios iniciais, auxiliando produtores rurais na tomada de decisão e reduzindo perdas nas lavouras.

A inovação mostra como a agricultura digital avança no país por meio de pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além de desenvolver robôs e equipamentos para coleta de dados dentro das propriedades rurais, os pesquisadores trabalham na integração de câmeras especiais, GPS, sensores, computadores e sistemas automatizados para transformar informações do campo em soluções práticas para os produtores.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Thiago Teixeira Santos, o processo envolve a construção de protótipos voltados para uso nas fazendas. Após a validação da tecnologia, a expectativa é transferir os projetos para empresas parceiras capazes de industrializar os equipamentos ou oferecer os serviços em escala comercial.

Falta de mão de obra acelera automação

O avanço da automação no campo também responde a um desafio crescente enfrentado pela agropecuária mundial: a escassez de mão de obra para atividades que exigem esforço físico, como poda, pulverização e colheita.

“Você precisa de um contingente de trabalhadores temporários, que é cada vez mais difícil de conseguir. Isso afeta o grande produtor, o médio e o pequeno”, destaca Santos. Nesse cenário, máquinas e sistemas automatizados surgem como alternativas para tornar as tarefas menos desgastantes e aumentar a eficiência das operações.

A expectativa é que, futuramente, diversas atividades possam ser executadas de forma autônoma, permitindo maior produtividade mesmo com menos trabalhadores disponíveis no campo.

Aplicativo identifica doenças na soja por foto

Uma das tecnologias em desenvolvimento utiliza inteligência artificial para diagnosticar doenças na soja a partir de imagens captadas pelo celular.

O funcionamento é semelhante ao processo de aprendizagem humana, os pesquisadores alimentam o sistema com milhares de imagens de plantas saudáveis e doentes, ensinando a inteligência artificial a reconhecer padrões característicos de enfermidades como ferrugem asiática e míldio.

Atualmente, o aplicativo já está em fase de testes com produtores rurais. A ferramenta analisa a fotografia enviada e apresenta uma avaliação sobre o possível problema encontrado na lavoura.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Jayme Garcia Barbedo o objetivo é disponibilizar uma tecnologia altamente precisa, próxima de 100% de acerto, antes de seu lançamento definitivo.

Solução pode chegar a mais de 20 culturas

Embora o desenvolvimento mais avançado esteja voltado para soja e milho, os estudos já incluem mais de 20 culturas agrícolas.

A construção dos modelos depende diretamente da participação dos produtores, que autorizam a coleta de imagens e dados em suas propriedades. Essas informações servem de base para treinar os algoritmos e aumentar a precisão dos diagnósticos.

O sistema possui duas versões, uma delas utiliza conexão com a internet para enviar as imagens a servidores mais robustos, garantindo maior precisão nas análises. A outra funciona diretamente no celular, dispensando conectividade, embora apresente um nível de acerto um pouco menor.

“O cérebro humano é fantástico. Uma criança com alguns poucos exemplos, ela já aprende perfeitamente aquele objeto. O computador normalmente precisa de bem mais exemplos, bem mais exemplos, ele vai aprendendo e aos poucos ele então aprende a identificar aquele padrão”, afirma Barbedo.

Diagnóstico rápido reduz prejuízos

Segundo os pesquisadores, as doenças estão entre as principais causas de perdas nas propriedades rurais. Muitas vezes, a identificação precoce depende da visita de especialistas ou técnicos de extensão rural, que nem sempre conseguem atender a demanda existente.

Nesse contexto, a inteligência artificial atua como uma ferramenta de apoio, oferecendo uma resposta rápida ao produtor e permitindo que medidas de controle sejam adotadas antes que o problema se espalhe pela lavoura.

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Preços do arroz cedem após meses de alta e exportações reagem depois de queda em abril

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Foto: Freepik

Os preços do arroz voltaram a recuar após dois meses consecutivos de valorização, encerrando o dia 11 de junho em R$ 59,27 por saca de 50 kg, queda de 5% em relação ao início de maio, conforme relatório do Itaú BBA.

Com a colheita da safra 2025/26 já finalizada, o mercado passou a concentrar esforços na comercialização. No entanto, o comportamento dos agentes tem sido distinto. “Parte dos produtores permanece retraída nas vendas, diante de preços considerados insuficientes para cobrir os custos de produção. Outra parte ampliou a oferta, motivada por necessidade de caixa e cumprimento de obrigações financeiras”, destaca o documento.

A consultoria agro do banco ainda pontua que, do lado da indústria, o movimento tem sido de cautela, com compras pontuais e baixo interesse na formação de estoques, refletindo a desaceleração das vendas de arroz beneficiado no varejo.

“Ao mesmo tempo, estoques considerados mais baixos em alguns elos da cadeia alimentam a expectativa de eventual retomada das compras para recomposição.”

A oferta disponível também foi influenciada pela realização de leilões da Companhia Nacioanl de Abastecimento (Conab) entre maio e o início de junho, por meio dos mecanismos de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).

O relatório enfatiza que as operações contribuíram para o escoamento do excedente, embora de forma insuficiente para reequilibrar o mercado, ainda marcado por pressão de sobreoferta.

Já no cenário das exportações, alternativa relevante para o escoamento da produção, houve recuperação em maio após a queda expressiva de abril. Assim, os embarques somaram 141 mil toneladas, acima do registrado em 2025, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos. “O início de junho também registrou bons volumes, favorecidos pela valorização do dólar”, finaliza.

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Produtor reduz ritmo das vendas de soja à espera por preços mais atrativos; confira as cotações

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou um dia de comercialização lenta nesta terça-feira (23), mesmo com a melhora das cotações ao longo da sessão. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a valorização do dólar, a volatilidade da Bolsa de Chicago e a firmeza dos prêmios contribuíram para a formação de preços mais atrativos.

Segundo o analista, os prêmios continuaram sustentando boas indicações, especialmente nos portos, enquanto a indústria também atuou com valores mais elevados na tentativa de originar soja.

  • Saiba as notícias mais recentes sobre a soja na comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Apesar desse cenário, a liquidez permaneceu limitada. Os produtores seguem segurando volumes, buscando preços melhores e acompanhando os movimentos do mercado de milho.

Assim, mesmo diante de preços firmes e oportunidades de negociação, o volume de negócios ficou abaixo do esperado ao longo do dia.

Preços da soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 126,00 para R$ 128,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 127,00 para R$ 129,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 121,50 para R$ 124,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 113,00 para R$ 114,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 115,00 para R$ 116,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 115,00 para R$ 117,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 132,50 para R$ 135,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 133,00 para R$ 135,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram o pregão de forma mista na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), próximos da estabilidade. Após duas sessões consecutivas de perdas, o mercado apresentou uma recuperação técnica, embora limitada pelo cenário fundamental considerado baixista.

As lavouras norte-americanas seguem em boas condições, reforçando as expectativas de uma produção recorde nos Estados Unidos e ampliando a oferta global da oleaginosa. Além disso, a queda do petróleo e a valorização do dólar frente a outras moedas exerceram pressão adicional sobre os contratos.

As atenções do mercado estão voltadas para uma possível retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos e para o relatório que será divulgado na próxima semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), trazendo dados sobre a área plantada em 2026 e os estoques trimestrais em 1º de junho.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 1,25 centavo de dólar, ou 0,11%, a US$ 11,17 por bushel. A posição agosto encerrou cotada a US$ 11,24 por bushel, com alta de 1,50 centavo de dólar, ou 0,13%.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para julho avançou US$ 3,10, ou 1,03%, para US$ 302,90 por tonelada. Já o óleo de soja com vencimento em julho fechou a 70,59 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 0,56 centavo, ou 0,78%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 0,84%, cotado a R$ 5,1856 para venda e R$ 5,1836 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1619 e a máxima de R$ 5,1914.

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