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26 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Uso de inseticidas em milho Bt: estratégias para a manutenção da eficiência Bt e manejo da resistência a inseticidas – MAIS SOJA

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A biotecnologia Bt (Bacillus thuringiensis) foi um marco na agricultura, contribuindo expressivamente para o manejo de pragas. Os genes Bt são inseridos geneticamente em algumas das principais culturas agrícolas como, milho, possibilitando o controle das principais pragas que acometem a lavoura, especialmente lagartas.

O Bacillus thuringiensis (Bt) é uma bactéria Gram positiva, que pode ser caracterizada pela sua habilidade de formar cristais proteicos durante a fase estacionária e/ou de esporulação. O mecanismo de ação das proteínas Cry de Bt envolvem a solubilização do cristal no intestino médio do inseto, causando sua morte (Carneiro et al., 2009).

Figura 1. Esquema da ação das toxinas Bt no intestino médio de insetos suscetíveis.
Fonte: Loguercio; Carneiro; Carneiro (2002)

Para a manutenção da eficácia da tecnologia Bt, alguns cuidados são necessários, evitando a seleção de indivíduos resistentes e a perda de funcionalidade Bt. A principal estratégia adotada com esse intuito, envolve o cultivo de áreas de refúgio. As áreas de refúgio, consistem em áreas cultivadas sem a tecnologia Bt, que permitem a multiplicação de pragas entre áreas (Bt e não Bt), resultando em indivíduos suscetíveis a tecnológica e facilmente controlados por ela.

 

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Figura 2. Representação esquemática da estratégia de alta dose e refúgio.
Fonte: Bernardi et al. (2016)

As áreas de refúgio devem ser cuidadosamente planejadas no sistema de produção, atendendo alguns requisitos básicos, como tamanho correspondente a 10% da área cultivada de milho, as áreas de refúgio devem ser semeadas com híbridos ou variedades não Bt, o ciclo da variedade ou híbrido semeado no refúgio deve ser similar ou mais próximo possível a cultura Bt, e deve ser semeado ao mesmo tempo das áreas Bt. Além disso, o refúgio deve ser formado por um bloco de plantas não Bt, que se encontra a menos de 800 metros da área de cultivo Bt, sendo 800 metros a distância máxima entre qualquer planta Bt e uma planta da área de refúgio.

Figura 3. Opções de configurações de áreas de refúgio.
Fonte: Bernardi et al. (2016)

Sobretudo, embora muitas vezes o manejo de insetos seja focado nas áreas Bt, as áreas de refúgio também devem receber cuidados para o controle das pragas. Conforme recomendações técnicas, o manejo de insetos em áreas de refúgio deve seguir as orientações dos fornecedores das sementes quanto ao limite de pulverizações foliares para o controle de pragas, devendo-se não exceder duas pulverizações de inseticidas em áreas de refúgio, as quais deverão ser realizadas até o estádio V6 (IRAC-BR, 2018).  É importante enfatizar que, se tratando do controle de lagartas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em áreas de refúgio, o nível de ação pré-estabelecido para o controle deve ser considerado, atuando de forma eficaz, ao atingir os níveis de controle.

Tabela 1. Nível de ação para o controle de lagartas em milho Bt e áreas de refúgio, com foco no controle da lagarta lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).
Fonte: IRAC-BR (2018)

Além disso, visando o manejo da resistência de pragas a inseticidas, boas práticas como a rotação de culturas, a eliminação de plantas voluntárias (tiguera) e a rotação de inseticidas com diferentes modos de ação são determinante para a manutenção da eficiência dos inseticidas. Não menos importante, visando um controle químico eficiente no milho refúgio, é essencial adotar janelas de aplicação de inseticidas, realizando aplicações somente quando a densidade populacional da praga atingir o nível de controle, dando preferência por inseticidas seletivos a inimigos naturais, e inserindo no programa de aplicações, inseticidas de distintos modos de ação, a exemplo de inseticidas fisiológicos como o Fiera.

Figura 4. Orientações para o manejo da resistência de lagartas em milho Bt, milho não-Bt e áreas de refúgio.
Fonte: IRAC-BR (2018)

Também é importante não repetir a mesma mistura pronta de inseticidas. Caso for utilizada uma mistura, recomenda-se não utilizar inseticidas que apresentem o mesmo mecanismo de ação na próxima janela ou em rotação. Além disso, deve-se evitar inseticidas para os quais há casos comprovados recentemente de resistência na região do cultivo (IRAC-BR, 2018).

Essas orientações constituem algumas das principais e mais importantes estratégias de manejo para um controle pragas em milho Bt e áreas de refúgio, sendo portanto, essenciais para a manutenção da eficácia da tecnologia Bt e para um controle efetivo de pragas em milho.

Referências:

BERNARDI, O. et al. MANEJO DA RESISTÊNCIA DE INSETOS A PLANTAS Bt. PROMIP: Manejo Integrado de Pragas, 2016. Disponível em: < http://www.aenda.org.br/wp-content/uploads/2020/04/anexo-cir1274-manual_promip_manejo-da-resistencia-de-insetos-a-plantas.pdf >, acesso em: 19/12/2025.

IRAC-BR. MANEJO DA RESISTÊNCIA A INSETICIDAS E PLANTAS Bt: Spodoptera frugiperda; Helicoverpa armigera; Chrysodeixis includens. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, 2018. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/2bed6c_029627fdae5a499ca06c3eb4cb2fba0a.pdf >, acesso em: 19/12/2025.

LOGUERCIO, L. L.; CARNEIRO, N. P.; CARNEIRO, A. A. MILHO Bt.: ALTERNATIVA BIOTECNOLÓGICA PARA CONTROLE BIOLÓGICO DE INSETOS-PRAGA. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, n. 24, 2002. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/50711/1/milho-bt.pdf >, acesso em: 19/12/2025.

 

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Sustentabilidade

Soja: Tratamento de sementes com fungicidas é crucial para reduzir a incidência de doenças no estabelecimento da lavoura – MAIS SOJA

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O bom estabelecimento da lavoura de soja é fundamental para a obtenção de boas produtividades. Além da influência de fatores associados a plantabilidade da cultura, o estabelecimento da soja pode ser influenciado por uma série de fatores bióticos e abióticos, a exemplo das condições climáticas e ambientais, bem como a ocorrência de pragas e patógenos que podem afetar o desenvolvimento das plantas.

Nesse contexto, medidas como o tratamento de semente com fungicidas específicos exercem um papel central na proteção inicial da lavoura. O tratamento de sementes de soja com fungicidas visa erradicar ou reduzir aos níveis mais baixos possíveis os fungos nas sementes, além de protegê-las dos patógenos presentes no solo, em diferentes condições de semeadura (Utiamada et al., 2025).

Dentre os principais patógenos que podem acometer a soja nas fases iniciais de desenvolvimento, destacam-se fungos dos gêneros Diaporthe, Cercospora e Fusarium, além das espécies Colletotrichum truncatum, Corynespora cassiicola, Sclerotinia sclerotiorum, Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina. A ocorrência desses patógenos pode provocar lesões e danos aos tecidos vegetais, comprometer o estabelecimento das plântulas e, em casos mais severos, causar a morte das plantas, reduzindo o estande da lavoura e o potencial produtivo da cultura.

Figura 1. Fusarium spp. em plantas de soja.

Nesse contexto, o tratamento de sementes com fungicidas eficazes constitui uma importante estratégia para a proteção inicial da soja. O correto posicionamento desses produtos, considerando seu espectro de ação e sua eficácia contra os patógenos-alvo, é fundamental para favorecer o estabelecimento da lavoura e preservar o potencial produtivo, especialmente em safras cujas condições ambientais favorecem a sobrevivência, a disseminação e o desenvolvimento desses agentes fitopatogênicos.

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Resultados sumarizados dos experimentos cooperativos da safra 2024/2025 demonstram a eficiência de alguns dos principais fungicidas utilizados no controle de fungos de sementes e de solo, contribuindo para um melhor posicionamento desses produtos no campo. Conforme destacado por Utiamada et al. (2025), todos os fungicidas avaliados (tabela 1) apresentaram menor incidência de Fusarium spp. em relação à testemunha inoculada, sendo que o maior controle foi verificado com fludioxonil + metalaxil M + tiabendazol (T3 – 89%) e tiofanato metílico + fluazinam (T6 – 88%).

Tabela 1. Fungicidas utilizados nos experimentos de tratamento de sementes de soja (nome comercial e ingrediente ativo), doses do produto comercial (p.c.), do ingrediente ativo (i.a.), volume de calda (mL/100 kg de sementes) e empresa fabricante, safra 2024/2025.
Fonte: Utiamada et al. (2025)
Tabela 2. Incidência de Fusarium spp. (%) nas sementes no Blotter Test e controle (%) em relação à testemunha inoculada, em função dos diferentes fungicidas aplicados nas sementes de soja, safra 2024/2025.
Fonte: Utiamada et al. (2025)

Já para (Diaporthe spp.), patógeno frequentemente associado a anomalia da vagem e podridão da haste, todos os fungicidas analisados proporcionaram controles superiores a 90%, variando de 91% a 93%. Para o controle de Colletotrichum truncatum, os melhore resultados foram obtidos com o uso de tiofanato metílico + fluazinam (92%), entretanto, os autores destacam que todos os tratamentos proporcionaram controle superior a 80%.

No controle de Cercospora spp., os maiores controles foram verificados com os tratamentos tiofanato metílico + fluazinam (T6 – 71%), metominostrobina + fluazinam (T7 – 70%), tiofanato metílico + clorotalonil (T5 – 69%) e fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol (T3 – 62%) (Utiamada et al., 2025), enquanto que para o controle de Macrophomina phaseolina, os melhores resultados no controle desse patógeno presente nas sementes foram obtidos pelos fungicidas metominostrobina + fluazinam (T7 – 91%), fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol (T3 – 90%) e tiofanato metílico + fluazinam (T6 – 90%).

Tabela 3. Incidência de Cercospora spp. (%) nas sementes no Blotter Test e controle (%) em relação à testemunha, em função dos diferentes fungicidas aplicados nas sementes de soja, safra 2024/2025.
Fonte: Utiamada et al. (2025)

Vale destacar que, independentemente do patógeno avaliado, os resultados apresentados por Utiamada et al. (2025) demonstram que o tratamento de sementes de soja com fungicidas contribuiu para reduzir a incidência de doenças nas plantas tratadas. Esses resultados reforçam a importância dessa prática para a proteção sanitária inicial da cultura, favorecendo o estabelecimento das plantas e contribuindo para a manutenção do estande e do potencial produtivo da lavoura.

Confira a Circular Técnica completa com os resultados da eficiência do tratamento de sementes de soja com fungicidas, no controle dos principais fungos de sementes e de solo, safra 2024/2025, clicando aqui!



Referências:

UTIAMADA, C. M. et al. EFICIÊNCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA COM FUNGICIDAS, NO CONTROLE DOS PRINCIPAIS FUNGOS DE SEMENTES E DE SOLO, SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 223. 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1183594/1/Circ-Tec-223.pdf >, acesso em: 26/10/2026.

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Sustentabilidade

Novembro vai ser calorão ou o frio vai permanecer? Veja onde as temperaturas vão subir no Brasil

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A previsão para os próximos dias indica contrastes entre frio, calor e chuva no Brasil. Enquanto uma massa de ar frio mantém as temperaturas baixas em parte do país, áreas do Norte devem enfrentar calor intenso, com máximas próximas de 40 °C. A chegada de uma frente fria também favorece a ocorrência de pancadas de chuva, temporais e rajadas de vento em diferentes regiões.

No Centro-Oeste e em áreas do Matopiba, a chuva pode contribuir para a reposição da umidade do solo, importante para o desenvolvimento das lavouras de soja. Apesar disso, a distribuição das precipitações deve ser irregular, especialmente no Brasil Central durante o início de novembro.

Massa de ar polar no Sul

A atuação de uma massa de ar polar atípica deve manter o frio em boa parte da Região Sul nos próximos dias. Nesta terça-feira (27), a Serra Gaúcha e áreas de Santa Catarina ficam sob risco de geada. Na Baixada, as temperaturas mínimas podem chegar a 10 °C, mas sem risco de formação do fenômeno.

O cenário, porém, deve mudar ao longo da semana. Entre quarta e quinta-feira, as temperaturas máximas podem superar os 28 °C nos três estados da região.

Além da variação térmica, a previsão aponta uma semana marcada por umidade e chuvas passageiras. Na primeira semana de novembro, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros no sul do Rio Grande do Sul. Já na segunda semana do mês, a chuva volumosa também pode atingir o norte gaúcho e o norte do Paraná, com acumulados próximos de 100 milímetros.

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Sudeste e Centro-Oeste

A influência do ar frio também deve ser sentida em São Paulo, no sul de Minas Gerais e no sul de Mato Grosso do Sul, onde as temperaturas podem ficar abaixo dos 15 °C.

Em contrapartida, o início de novembro deve ser marcado por calor e chuva irregular em áreas do Brasil Central. Em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins e no oeste da Bahia, os acumulados podem chegar a 50 milímetros em pontos da região.

Na Zona da Mata mineira, a previsão indica volumes de aproximadamente 40 milímetros.

O tempo no Norte e Nordeste

O calor deve ganhar força nos próximos cinco dias em áreas do Norte e do Nordeste. Em Santarém, no Pará, e no norte do Piauí, as temperaturas podem atingir 40 °C.

Ao mesmo tempo, a passagem de uma frente fria deve favorecer a ocorrência de chuva no Nordeste e no Centro-Oeste. Nesta terça-feira, há possibilidade de temporais, rajadas de vento e até queda de granizo em áreas atingidas pelas instabilidades.

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No Matopiba, em Mato Grosso e no sul do Pará, as precipitações podem ajudar a recompor a umidade do solo e favorecer o avanço do plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras de soja.

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Expectativa de safra volumosa pressiona cotações para 2027 – MAIS SOJA

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As expectativas de uma safra volumosa de soja em 2026/27 têm pressionado os preços para embarque no próximo ano. Segundo o Cepea, a paridade de exportação para 2027 atingiu, na última semana, o menor patamar desde agosto, em meio às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil e dos Estados Unidos.

De acordo com pesquisadores do Cepea, boa parte dos consumidores esteve resistente a fechar negócios envolvendo grandes volumes, tanto para entrega imediata quanto ao longo de 2027, o que reduziu a liquidez no mercado brasileiro.

Ainda de acordo com o Centro de Pesquisas, em geral, esses agentes estão abastecidos para o curto e o médio prazos e têm feito aquisições pontuais. A estratégia é concentrar as compras na entrada da nova safra brasileira, quando são esperados preços menores – expectativa respaldada pela curva de preços para o próximo ano.

Segundo representantes de indústrias brasileiras consultados pelo Cepea, a menor demanda pela matéria-prima também está atrelada à redução no volume de vendas de farelo e de óleo de soja nos últimos dias. No caso do farelo, parte dos consumidores intensificou as aquisições em setembro, formando estoques, o que reduziu expressivamente as negociações no spot nacional.

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Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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