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6 de julho de 2026

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Era Bio e tecnologia devem marcar a safra de milho em Mato Grosso

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milho mais milho foto Israel Baumann
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A safra de milho 2026 começou antes mesmo da semeadura em Mato Grosso. Com o plantio da soja que registrou atrasos, custos elevados e uma janela encurtada, produtores fazem contas e ajustam estratégias em um ano que especialistas já classificam como um dos mais desafiadores da década.

Em Itiquira, no sul do estado, o agricultor Marcelo Fernando Vankevicius se prepara para plantar dois mil hectares e resume o ambiente de cautela que domina o campo. Ele explica que, diante da instabilidade e de margens mais apertadas, cada decisão pesa. “Eu não consigo mais aceitar o fato de você ter uma única safra até por uma questão econômica. Nós e vários produtores se obrigam a ter duas safras por ano. No meu caso em específico, eu tenho balizado muito essa questão de milho e integração lavoura”.

No manejo, relata que o nível de exigência técnica cresceu. “Virou o que eu chamo de engenharia da complexidade, você tem que estudar muito para plantar. Antigamente parecia que a gente era mais braçal, hoje é menos braçal e muito mais intelectual”, frisa ao projeto Mais Milho.

milho mais milho foto Israel Baumann
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Clima instável, pragas no radar e menor investimento

O clima irregular amplia a preocupação com o aumento da pressão de pragas, especialmente lagartas. A pesquisadora de fitotecnia Daniela Aparecida Dalla Costa, da Fundação MT, lembra que a última safra já apresentou perda de eficiência das biotecnologias para o controle de spodoptera frugiperda.

Segundo ela, a combinação entre rentabilidade reduzida e soja semeada tardiamente exige maior rigor técnico. “É um ano difícil, porque tivemos uma semeadura da soja de uma forma muito tardia em várias regiões do estado. O manejo do milho para controle de pragas vai começar agora na cultura da soja. E a tendência, especialmente da região centro-sul, onde nós tivemos esse cenário de semeadura mais tardia, é que o produtor reduza o nível de investimento na soja e, consequentemente, no milho que vai ser plantado mais tardiamente tenha um menor nível de investimento”.

A pesquisadora entomologista Mariana Ortega, também da Fundação MT, reforça que 2026 deve exigir atenção ainda maior ao monitoramento. “Tem sim uma certa incerteza de como será essa safra de milho principalmente, como serão essas infestações”, afirma. A especialista alerta que perder o início das pragas compromete o controle. “Hoje nós estamos vivendo um cenário bem crítico porque a utilização excessiva de algumas moléculas pode gerar um risco também para perda de eficiência dessas moléculas”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mercado incerto e margens apertadas

Na comercialização, o sentimento é de apreensão. A safra 2024/25 já superou 80% de vendas, mas o ritmo da safra nova é mais lento, pressionado por oscilações do mercado externo e por um câmbio instável.

Na avaliação de André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult, esse cenário reforça o peso da produtividade. “O preço é importante, o custo é importante, mas o que vai fazer muita diferença é a produtividade final e aí a gente precisa de clima”, pontua. Ele lembra que o milho deixou de ser apenas opção e passou a ser necessidade para compor renda. “As margens tanto de soja quanto de milho são margens apertadas”.

O avanço do etanol de milho segue como uma luz no horizonte. “A gente tem lá um consumo em torno de 20, 25 milhões de toneladas para produção de etanol e é um mercado que deve continuar crescendo ao longo dos próximos anos”, diz Debastiani em entrevista ao projeto Mais Milho, destacando que isso traz segurança para o produtor continuar investindo no cereal.

Arsil Garcez, coordenador de Desenvolvimento Agrícola da FS, explica que a demanda por descarbonização e novos biocombustíveis abre caminhos para ampliar o valor agregado. “O agricultor está condicionado a produzir mais. Ele percebeu que o milho não é mais uma cobertura como era há dez anos atrás. Essa rentabilidade aumentou. Se expandir é fator limitante agregar é fator relevante”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Era Bio aponta tendências para a próxima década

Com tantos desafios no horizonte, o 6º Encontro Técnico do Milho, realizado em Cuiabá recentemente, abriu espaço para discussões sobre tecnologia, manejo e as oportunidades da chamada Era Bio. Para Luiz Carlos de Oliveira, gerente de Pesquisas, Serviços e Operações da Fundação MT, a cultura segue sendo crucial para o equilíbrio financeiro das fazendas.

“O milho em termos de rentabilidade ele está até melhor do que a cultura da soja hoje. Para fechar as contas, a segunda safra tem um papel importantíssimo dentro do sistema de produção do produtor e é uma cultura de alta tecnologia para você ter produtividade”, diz. Ele reforça que alta produtividade depende de informação confiável, pesquisa e debate.

Marcelo Vankevicius, que participou do encontro, avalia que o evento ajuda a testar novas ideias. “A gente aprende muito, acho que quebra alguns paradigmas, traz inspirações seja algum tipo de manejo diferenciado, seja algum tipo de tomada de decisão que a gente nunca ousou pensar”.

Entre as tendências mais citadas está a combinação entre biológicos e novas biotecnologias para reduzir riscos e custos. Uma estratégia que, segundo os especialistas, deve ganhar protagonismo já em 2026.

O diretor de R&D da Agrivalle, João Oliveira, explica, ao Canal Rural Mato Grosso, que o uso integrado das ferramentas é o caminho para lavouras mais equilibradas. “Cada planta é uma espiga e cada espiga é uma parte da sua produtividade, então ele precisa cuidar planta a planta”.

Ele destaca que a pressão de pragas evolui mais rápido que os métodos de controle. “Os biológicos eles vão cultivar o ambiente, eles vão trazer esse equilíbrio de volta”, diz. Conforme Oliveira, a tendência mundial é clara: produzir mais com base em recursos renováveis e sustentáveis, apoiados por tecnologia e informação.

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Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da demanda e menor ritmo dos frigoríficos

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Foto: Lorran Lima/Idaf

O mercado físico do boi gordo encerrou junho em forte movimento de correção, com queda nas cotações da arroba em praticamente todas as principais regiões produtoras do Brasil. Segundo a Safras & Mercado, o cenário foi influenciado pelo ajuste da indústria frigorífica diante da redução temporária das compras chinesas, principal destino da carne bovina brasileira.

De acordo com o analista Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram a capacidade de abate e passaram a anunciar férias coletivas em diversas unidades para adequar a produção ao menor ritmo das exportações previsto para o terceiro trimestre.

O primeiro semestre também foi marcado por intensa volatilidade no mercado do boi gordo. As constantes mudanças relacionadas à salvaguarda chinesa provocaram oscilações nos preços, levando as indústrias a reagirem rapidamente às informações do mercado. Diante desse cenário, a recomendação é que os pecuaristas utilizem ferramentas de proteção de preços para reduzir riscos.

Entre as praças pecuárias, São Paulo registrou arroba a R$ 335, queda de 5,63% em relação ao fim de maio. Em Goiânia (GO), o preço recuou para R$ 320 (-3,03%). Em Uberaba (MG), a arroba caiu para R$ 315 (-3,08%). Já em Dourados (MS), a retração foi de 8,57%, com a arroba cotada a R$ 320. Em Cuiabá (MT), o preço caiu 7,04%, para R$ 330, enquanto em Vilhena (RO) a arroba encerrou o mês em R$ 320, baixa de 4,48%.

Atacado

Segundo Iglesias, o mercado atacadista também registrou queda nas cotações ao longo de junho, mesmo durante o período da Copa do Mundo, quando tradicionalmente há expectativa de maior consumo. O desempenho foi limitado pela menor competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, principalmente a carne de frango, que seguiu mais atrativa ao consumidor.

No fechamento do mês, o quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,00 por quilo, recuo de 2,33% em relação aos R$ 21,50 registrados no fim de maio. Já os cortes do traseiro bovino encerraram junho cotados a R$ 25,50 por quilo, queda de 5,56% frente aos R$ 27,00 praticados no mês anterior.

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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

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Foto: Embrapa

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.

O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.

Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.

Saúde das colônias

Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.

As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.

A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.

Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.

A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

produção de café
Foto: Embrapa

Polinização e manejo fitossanitário

Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.

A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.

Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.

“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.

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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

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Da tecnologia do gramado à cerveja da torcida, o agronegócio atua como o motor invisível por trás do maior torneio do planeta

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.

Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.

Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.

Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.

Confira:

A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.

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