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O que é comida regenerativa e o que tem a ver com prato feito

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Tem uma briga rolando no mundo da alimentação, mesmo que muita gente nem tenha notado ainda. No mundo de um lado, as grandes empresas fazem barulho: metas de “agricultura regenerativa”, selos verdes cheios de design, relatórios ESG brilhando, celebridades na campanha. Do outro, o produtor brasileiro levanta cedo, cuida do solo, protege a nascente, zela pela reserva ambiental, mistura lavoura com criação de animais e floresta, diversifica o que planta… e, na real, nem sabe que esse jeito de trabalhar agora chama “regenerativo”.

O que é alimento regenerativo e quem vai conquistar o consumidor e puxar essa agenda, de verdade?

Se a gente aceitar os selos criados lá fora, nos países ricos, como regra, o Brasil seguirá o papel que já conhece: exportar matéria-prima barata. O pessoal lá compra nosso produto, coloca numa embalagem bonita, cola um selo verde, inventa uma história bacana e leva a maior fatia do valor na prateleira dos mercados chiques. Só que dá para fazer diferente, e com muito mais inteligência: começando por valorizar o verdadeiro herói do Brasil, o prato feito com Feijão, arroz, proteína e verdura e regenerativo, ou seja produzido, com biológicos, tanto quanto possível.

Esse é o prato que move o país. É o almoço do pedreiro, da moça do caixa, do caminhoneiro na estrada, do jogador de futebol, do estudante na escola, da família no fim de semana. Se esse prato vier de sistemas produtivos regenerativos, com preço justo e sabor de verdade, a transformação pega corpo. Ninguém acorda querendo “alimento com melhor pegada de carbono”. Na hora do almoço ninguém pensa em ESG, o que o povo quer é o PF de sempre, só que vindo de solo vivo, água limpa e gente respeitada no campo.

Por que essa visão tem que ir além da gourmet? Porque ela se apoia em três pilares fortes. O primeiro é escala. A maior parte do que o brasileiro come é básico: arroz, Feijão, raízes, verduras, frutas. Se a lógica regenerativa chegar de verdade na merenda da escola, no PF do restaurante de bairro, no buffet por quilo e na comida de casa, o impacto se multiplica por milhões de refeições diárias. Isso vale muito mais do que restringir regenerativo a meia dúzia de prateleiras gourmet em bairros de elite. A mudança de verdade acontece na panela, não só na etiqueta.

Segundo: saúde pública. O Brasil tá enfrentando uma enxurrada de obesidade, diabetes, doença do coração, tudo empurrado por ultraprocessados baratos e em todo lugar. O SUS sente o baque. E a ciência já mostrou: Feijão, grãos integrais e comida de verdade protegem o corpo, ajudam a manter o peso, melhoram o intestino e reduzem o risco de um monte de doenças. Quando a gente conecta produção regenerativa com comida de verdade que faz bem, não é modinha — é estratégia nacional. Faz diferença para família e paro sistema de saúde.

Terceiro: identidade. O PF faz parte da nossa história coletiva. Feijão tá nas expressões populares, nas lembranças da casa da avó, nas reuniões em volta da mesa, na feijoada do final de semana. Um movimento que respeita essa memória tem tudo pra se espalhar sozinho, porque fala com o que o brasileiro já conhece e gosta. Não precisa forçar cardápio exótico nem inventar comida de laboratório. É o PF nosso de cada dia, com Feijão, só que feito com responsabilidade ambiental e social.

Tudo isso só anda com comunicação bem feita. E comunicar, nesse caso, não é enfeite, é infraestrutura. A gente precisa trocar o papo técnico por linguagem que qualquer pessoa entende. Em vez de falar em “sequestro de carbono em sistemas ILPF”, é mais direto: “Esse Feijão veio de solo vivo, que segura melhor a chuva e tem minhoca protege os rios e garante colheita hoje e amanhã.” Ao invés de gráfico, mostrar gente: o produtor na lavoura, a família rural, a nascente protegida, o caminhão chegando no restaurante popular.

No delivery ou na lanchonete da esquina, a mensagem tem que ser simples: “Feijão vindo de fazendas que recuperam a terra e fortalecem comunidades.” Assim, o regenerativo deixa de ser coisa distante e vira o novo normal — e, de quebra, o produtor pode receber um prêmio justo pelo esforço extra.

E olha, o potencial econômico é gigante.

No mercado interno, dá pra criar programas que paguem melhor para quem prova que faz regenerativo; contratos longos com prefeituras e governos para abastecer escolas e hospitais; parcerias com restaurantes e empresas de alimentação coletiva. Ainda dá para juntar agroturismo, dias de campo, feijoadas e receitas inéditas que aproximam quem mora na cidade da origem do Feijão que está no prato.

Lá fora, pulses brasileiros — tipo feijão e gergelim — podem ganhar novo status: ingredientes regenerativos pra bowls, saladas, sopas, curries e pratos veganos no mundo inteiro. A busca por comida com origem clara e impacto positivo só cresce.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Agro Mato Grosso

Sojicultores MT têm até 15 de fevereiro para cadastrar área no Indea: é obrigatório

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Para o cadastramento, é preciso informar o total de área plantada, localização geográfica, a variedade cultivada dentre outras informações.

Para o cadastramento, é preciso informar o total de área plantada, localização geográfica, a variedade cultivada, dentre outras informações. Quem não se cadastrar, dentro do prazo legal, fica sujeito à aplicação de multa de 10 Unidades Padrão Fiscal (UPFs), cujo valor em janeiro está R$ 2.543,60.

Na safra 2024/2025, foram cadastradas 16.319 unidades de produção de soja, o que corresponde a 8.993 produtores de soja que totalizaram mais de 11,3 milhões de hectares de área plantada. Esses dados são publicamente disponibilizados ao cidadão por meio do link “Áreas de Plantio por Safra”.

Já estão cadastradas junto ao Indea um total de 8.175 Unidades de Produção, o que corresponde a aproximadamente sete milhões de hectares já declarados por 4.697 sojicultores.

O cadastro é fundamental para o planejamento das ações de defesa sanitária vegetal, prevenindo e controlando pragas, com a ferrugem asiática.

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Agro Mato Grosso

Frete de grãos sobe em MT com avanço da colheita da soja e menor oferta de caminhões

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O avanço da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso já começa a refletir diretamente no bolso do produtor e na dinâmica do agronegócio estadual. Na última semana, os fretes rodoviários de grãos registraram alta na maioria das rotas monitoradas, cenário típico de períodos de pico de escoamento, quando a demanda por transporte cresce mais rápido que a disponibilidade de caminhões.

Entre as rotas com maior movimentação, o trajeto entre Diamantino e Rondonópolis apresentou cotação média de R$ 173,21 por tonelada, avanço de 5,97%. Já o transporte entre Canarana e Barcarena (PA) registrou média de R$ 410,00 por tonelada, com alta de 2,50%. O movimento reforça a tendência histórica do primeiro trimestre, quando a logística fica mais pressionada pelo fluxo intenso da produção agrícola.

Safra cheia pressiona logística e encarece transporte

O aumento dos fretes ocorre em um contexto já esperado pelo setor. Relatórios logísticos apontam que grandes colheitas em Mato Grosso costumam inflacionar o mercado de transporte rodoviário, especialmente no início do ano, período em que o volume de grãos disponível cresce rapidamente e exige maior capacidade logística para escoamento.

Na prática, a equação é simples: mais soja disponível significa mais caminhões necessários. Quando a oferta de transporte não acompanha esse crescimento, os valores sobem. Esse cenário ganha ainda mais força em anos de produção robusta, como o atual ciclo agrícola.

Disputa por caminhões e gargalos mantêm pressão

Outro fator que sustenta a valorização dos fretes é a menor disponibilidade de veículos no mercado spot. Com parte da frota já comprometida com contratos e rotas fixas, sobra menos capacidade para atender demandas pontuais de transporte, elevando naturalmente os preços.

Além disso, questões logísticas regionais também influenciam o mercado. Episódios recentes que afetam corredores de exportação, como bloqueios ou limitações operacionais em rotas estratégicas do Norte, podem impactar indiretamente o fluxo e a organização do transporte de grãos no país.

Impacto direto no custo de produção e comercialização

Para o produtor, o frete é um dos principais componentes do custo final da produção. Em momentos de alta logística, a margem pode ser pressionada, especialmente para quem depende de rotas mais longas até portos exportadores.

Por outro lado, em cenários de forte demanda internacional e preços firmes das commodities, parte desse aumento pode ser absorvido pela valorização do produto, equilibrando o impacto no resultado final da safra.

Tendência segue atrelada ao ritmo da colheita

A expectativa do mercado é que o comportamento dos fretes continue diretamente ligado ao ritmo da colheita e ao volume efetivamente disponível para escoamento nas próximas semanas. Caso o fluxo da safra se intensifique e a oferta de caminhões permaneça limitada, o mercado pode seguir operando em patamares elevados no curto prazo.

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Business

Preços dos fertilizantes começam o ano com alta de até 20%, mostra levantamento

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Foto: Reprodução

Os preços dos fertilizantes começaram o ano em alta, segundo relatório da Stonex. De acordo com o relatório, na última semana de janeiro as cotações da ureia nos portos brasileiros estavam cerca de 10% acima do nível observado no mesmo período de 2025. Já os preços do SSP e do cloreto de potássio (KCl) registraram altas próximas de 20% na mesma comparação anual.

Conforme explica o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, esse movimento de valorização não se restringe ao Brasil. Segundo ele, a alta dos fertilizantes em relação ao início de 2025 também é observada, em maior ou menor grau, em outros mercados, o que indica um fenômeno de caráter global.

“Entre os fatores que sustentam esse patamar mais elevado de preços estão elementos sazonais, como a preparação para as aplicações agrícolas em diversos países, e fatores geopolíticos difíceis de antecipar, como a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã”, realça o analista.

Neste contexto, o Oriente Médio é uma região estratégica para os nitrogenados, e qualquer instabilidade tende a gerar volatilidade e reforçar um viés altista nas cotações.

Nos Estados Unidos, o início do ano marca a retomada das compras para a temporada de primavera, com aumento das importações entre fevereiro e abril, período tradicionalmente mais aquecido. Esse fortalecimento da demanda norte-americana costuma pressionar os preços tanto no mercado doméstico quanto nos países fornecedores.

A China também atravessa um período sensível no primeiro semestre. Conforme levantamento da StoneX, apesar de ser grande produtora, o impacto sazonal sobre as importações é mais limitado, com exceção do KCl, cujas compras tendem a crescer nos primeiros meses do ano. O principal efeito chinês ocorre pelo lado das exportações.

“Em momentos estratégicos, as autoridades costumam restringir as vendas externas para priorizar o abastecimento interno, o que reduz a oferta global e intensifica a disputa por cargas”, destaca Pernías. Para alguns fertilizantes, a expectativa é de que essas restrições se estendam ao menos até meados do segundo semestre de 2026.

Outro fator relevante é a demanda indiana. Caso a Índia anuncie uma nova rodada nas próximas semanas, essa demanda poderá coincidir com um período-chave para mercados como Estados Unidos, Canadá, China e Europa, reforçando o sentimento altista.

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