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11 de maio de 2026

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Brasil consolida liderança global em bioinsumos e mira expansão acelerada até 2035

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O mercado brasileiro de bioinsumos segue em forte expansão e mostra resiliência mesmo diante da desaceleração global do segmento, impulsionado por avanços científicos, pressão climática, custos elevados de químicos e uma mudança estrutural na lógica de produção do agro. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Marcelo de Godoy Oliveira.

Segundo ele, o crescimento do uso de bioinsumos no país está diretamente ligado a quatro fatores fundamentais que criaram um ambiente favorável à adoção e ao desenvolvimento dessas tecnologias.

O primeiro deles é o aumento acelerado da incidência de pragas e doenças. Como país tropical, o Brasil mantém sistemas produtivos de alta intensidade, com “pontes verdes” que facilitam a multiplicação desses organismos e exigem número crescente de aplicações de defensivos.

“O segundo ponto é o avanço da resistência de pragas e doenças aos químicos, consequência da exposição contínua e repetitiva. Esse quadro leva o produtor rural a buscar alternativas de manejo mais modernas, como os biodefensivos, que atuam de forma complementar”, avalia.

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Para ele, o terceiro fator está relacionado ao forte impacto dos altos preços dos fertilizantes e à dependência externa. Na análise de Oliveira, a necessidade de reduzir custos operacionais impulsionou o uso de tecnologias capazes de melhorar o aproveitamento dos nutrientes já presentes no solo, exemplo dos solubilizadores de fósforo, que diminuem a necessidade de adubação fosfatada.

Já o quarto elemento, considerado pelo executivo o mais decisivo, é o avanço científico. “O país desenvolveu tecnologias microbiológicas de ponta, aliadas a unidades fabris modernas, profissionais altamente qualificados e uma indústria que se destaca pela capacidade produtiva e pela inovação. O Brasil hoje é referência mundial em adesão, desenvolvimento tecnológico e investimento empresarial no segmento de bioinsumos”, define.

Contra produtos inconsistentes

Com mais de 400 fabricantes e milhares de biofábricas instaladas em propriedades rurais, o crescimento acelerado do setor trouxe desafios regulatórios. Oliveira conta que a Abinbio tem trabalhado com o Ministério da Agricultura e pecuária (Mapa) para garantir regras rígidas de produção, evitando que produtos de baixa qualidade se proliferem no mercado.

“O Brasil precisa de uma legislação que resguarde a qualidade dos produtos e estimule o desenvolvimento tecnológico, garantindo ferramentas eficazes e seguras aos produtores”, afirma.

Para ele, a competitividade depende não apenas de normas claras, mas também de equipes qualificadas. “Empresas que não investirem em profissionais de alta performance dificilmente conseguirão se manter competitivas”, observa.

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Na avaliação do porta-voz da entidade, até 2035 o mercado será dominado apenas por players tecnicamente fortes. “Na próxima década, o setor passará por um processo intenso de diferenciação. Empresas robustas, com domínio técnico, equipes qualificadas e capacidade industrial superior devem liderar o mercado. Apenas os players verdadeiramente fortes sobreviverão”, vislumbra.

Para ele, o futuro da indústria será marcado pelo lançamento de tecnologias disruptivas, pela maturidade regulatória e pela crescente exigência do produtor por profissionais altamente capacitados.

Biodiversidade como ativo estratégico

Com biomas diversos e grande riqueza de microrganismos, o Brasil possui uma vantagem natural na busca por ativos biotecnológicos de alta performance. Instituições públicas, em especial a Embrapa, desempenham papel fundamental na descoberta e no estudo desses microrganismos, ajudando a transformar diversidade biológica em inovação industrial.

O presidente da Abinbio considera que o setor tem avançado em políticas de proteção da propriedade intelectual, incluindo o uso de edição gênica e engenharia genética para garantir patenteabilidade. Apesar disso, a biopirataria ainda é um desafio.

Mesmo assim, Oliveira acredita que há uma clara tendência de substituição dos químicos por biológicos em áreas como nematicidas e projeta expansão desse movimento para outros segmentos.

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Brasil exporta tecnologias microbiológicas

Foto: Embrapa

O país vem ampliando, ano após ano, o volume de exportações de bioinsumos e atraindo o interesse de multinacionais. “Esse movimento só é possível graças à elevada qualidade dos produtos, à capacidade industrial instalada, aos investimentos em registros internacionais e à sólida expertise regulatória”, afirma o executivo.

Para ele, o ritmo acelerado de aprovações no Brasil, que frequentemente chama atenção no exterior, é resultado da eficiência dos órgãos reguladores — Mapa, Anvisa e Ibama. “A legislação é rigorosa e exige testes extensos de eficácia, toxicologia e ecotoxicologia. Por isso, a aprovação dos biodefensivos no Brasil ocorre com baixo risco ambiental”, reforça.

Além disso, Oliveira pontua que os bioinsumos serão centrais para a descarbonização. Isso porque com normas de resíduos mais rígidas e novas formas de remuneração ligadas ao carbono, os biológicos devem ganhar ainda mais protagonismo.

De acordo com o presidente da Abinbio, são também quatro os principais benefícios ambientais desse tipo de insumo: reduzem emissões de CO₂, N₂O e CH₄; melhoram a ciclagem de nutrientes; aumentam a biomassa microbiana; e favorecem o sequestro de carbono no solo.

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Embrapa e Fapcen levam agenda de inovação, clima e inclusão ao AgroBalsas no Maranhão

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) destacam, no AgroBalsas 2026, uma agenda voltada à transferência de tecnologia, sustentabilidade e inclusão produtiva no campo. A programação será realizada de domingo (11) a sexta-feira (16), em Balsas, no Maranhão, com participação de pesquisadores, produtores, representantes do setor público e comunidades tradicionais.

Segundo Marco Bonfim, pesquisador da Embrapa, a parceria entre as instituições começou em 2000 e consolidou uma atuação conjunta em pesquisa, difusão tecnológica e organização produtiva. De acordo com ele, a edição deste ano amplia o foco para debates sobre mercado, inovação e acesso à informação por agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.

Na segunda-feira (12), o painel “Regenerando a Agricultura” discutirá o uso de bioinsumos. A atividade será conduzida por Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja e vencedora do World Food Prize 2025. Conforme a Embrapa, as pesquisas da cientista em fixação biológica de nitrogênio contribuem para uma economia de até R$ 25 bilhões por ano ao Brasil com fertilizantes químicos, além de reduzir impactos ambientais.

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Ainda na segunda-feira (12), o painel sobre clima será liderado por Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente. O debate incluirá o Plano Estratégico Maranhão 2050, apresentado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), além de temas como Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) e rastreabilidade. Segundo Packer, a sustentabilidade no agro precisa ser analisada pelos pilares ambiental, social e econômico.

Na terça-feira (13), o IV Workshop do Agronegócio Familiar reunirá pequenos produtores de municípios maranhenses. Entre os projetos apresentados estarão o Reniva, voltado à mandioca, e o programa Roça Sustentável, com campos demonstrativos em municípios do sul do estado. A programação também prevê vitrines tecnológicas diárias, das 8h às 16h, com 14 espécies de capins, híbridos e cultivares de milho, arroz, feijão e mandioca.

A agenda técnica do AgroBalsas indica um esforço de integração entre pesquisa, produção e organização de cadeias locais. Na prática, o evento concentra discussões sobre adoção de tecnologias, diversificação produtiva e modelos de sustentabilidade adaptados às condições do Maranhão e do Matopiba.

Fonte: embrapa.br

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Máquinas agrícolas: nova regra de emissões pode elevar preço em até 25%

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Foto: Pixabay

A AliançaBiodiesel manifestou preocupação com os termos em discussão para a implementação do Proconve MAR II, novo padrão de emissões para máquinas agrícolas e rodoviárias conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Segundo a entidade, uma iniciativa da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a proposta concentra esforços na redução de poluentes locais emitidos por máquinas fora-de-estrada, mas deixa em segundo plano o debate sobre descarbonização e mudanças climáticas.

Para a associação, o novo marco regulatório deveria seguir a tendência internacional de incentivo aos biocombustíveis, como biodiesel e etanol, considerados alternativas aos combustíveis fósseis.

De acordo com a AliançaBiodiesel, o modelo em discussão pode desviar investimentos da indústria destinados à descarbonização para adaptações no parque de motores ciclo diesel. A entidade argumenta ainda que a proposta entra em contradição com a Lei do Combustível do Futuro, ao priorizar o controle de emissões locais em regiões de baixa concentração populacional, como áreas agrícolas.

A associação também aponta fragilidades na fiscalização das futuras regras. Segundo o setor, o Brasil não possui um sistema estruturado de controle pós-venda para máquinas agrícolas, o que poderia estimular adaptações irregulares nos equipamentos e comprometer a efetividade das exigências.

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Outro ponto levantado pela entidade é o impacto econômico da medida. A estimativa é de que o preço das máquinas agrícolas suba entre 15% e 25%, podendo ultrapassar esse percentual em equipamentos menores utilizados pela agricultura familiar.

Além disso, o custo operacional das máquinas poderia aumentar entre 9% e 20% devido à obrigatoriedade do uso do diesel S10 e do Arla-32. A AliançaBiodiesel afirma ainda que empresas nacionais sem fabricação própria de motores teriam custos adicionais em relação às multinacionais, o que poderia ampliar a concentração de mercado.

Na avaliação da entidade, o aumento de custos tende a ser repassado para cadeias como alimentos, obras e serviços, gerando impactos diretos para consumidores e produtores rurais.

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IBGE inicia prova piloto do 12º Censo Agro e destaca criação ao ar livre em Irati

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta segunda-feira (11) a 2ª prova piloto do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. Em Irati, no Paraná, o primeiro dia de atividades teve foco em comunidades e povos tradicionais, com destaque para sistemas de criação de rebanhos ao ar livre. A etapa faz parte da preparação técnica do levantamento nacional.

Segundo o IBGE, a prova piloto tem função operacional e metodológica. O objetivo é testar instrumentos de coleta, rotinas de campo e procedimentos de abordagem antes da realização do censo em escala nacional. Pela manhã, a superintendência estadual do instituto reuniu os agentes de pesquisa para repassar orientações técnicas e alinhar o início das visitas.

No período da tarde, a coleta avançou sobre áreas com presença de comunidades tradicionais. Em Irati, os faxinalenses aparecem como referência local. Trata-se de comunidades com sistema agrossilvipastoril próprio, marcado pelo uso coletivo de áreas e pela criação de animais em regime ao ar livre.

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De acordo com o instituto, a presença dessas comunidades foi um dos fatores que levaram à escolha do município para a segunda prova piloto. A seleção busca verificar se o questionário e a operação de campo conseguem captar, com precisão, formas produtivas que fogem dos modelos convencionais de exploração agropecuária.

Além de Irati, a operação também ocorre em Barcarena (PA), Uruçuí (PI), Rio Verde (GO), Corumbá (MS) e Viamão (RS). Ao todo, são seis cidades distribuídas em quatro regiões do país, o que permite ao IBGE testar o levantamento em diferentes realidades territoriais e produtivas.

A etapa piloto deve subsidiar ajustes técnicos no questionário e na coleta, especialmente em áreas com sistemas produtivos específicos. O IBGE não informou, até o momento, balanço numérico do primeiro dia nem prazo detalhado para conclusão desta fase em cada município.

Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br

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