Sustentabilidade
Citocinina e seus efeitos em componentes de produtividade da soja – MAIS SOJA

O adequado balanço hormonal é determinante para o bom crescimento e desenvolvimento vegetal, refletindo na produtividade final das culturas agrícolas. Embora as plantas sejam capazes de sintetizar os fitormônios necessários para seu crescimento e desenvolvimento, em virtude das funções desempenhadas por alguns dos hormônios vegetais, aplicações de determinados fitormônios vêm sendo posicionadas em culturas como a soja, visando otimizar o desempenho desses hormônios nas plantas e elevar o potencial produtivo da cultura.
Um dos grupos de fitormônios mais utilizados com esse intuito é a citocinina, hormônios responsáveis principalmente pelo desenvolvimento da planta, estando intimamente relacionados aos processos fisiológicos e divisão celular. Como principais efeitos da citocinina, destacam-se o estímulo à divisão celular (citocinese) na parte aérea (estimulando o crescimento das ramificações) e o atraso da senescência natural das plantas (Tagliapietra et al., 2022).
Também é conhecido que a citocinina apresenta relação com o florescimento da soja, mais especificamente com o pegamento de legumes (Tagliapietra et al., 2022). Avaliando a influência da aplicação de cinetina (citocinina) via foliar, nos estádios R1 e R5 na cultura da soja, Moreira & Soares (2019) observaram uma redução superior a 30% do abortamento de flores, com o uso da citocinina, resultando em maior número de vagens, o que pode promover maior número de grãos e, consequentemente, maior produtividade.
Corroborando os benefícios do incremento da citocinina para o melhor desenvolvimento da soja, um estudo conduzido por Sousa et al. (2024) observou os benefícios da aplicação de regulador de crescimento a base de citocinina (Maxcell) na formação de componentes de produtividade da soja, demonstrando incremento de variáveis como número de ramificações por planta, número de nós por plana e consequentemente número de legumes (vagens) por planta.
Além da influência do emprego da citocinina em soja, Sousa et al. (2024) também observaram o impacto do uso de aminoácidos (Physio crop) de forma isolada e associada a citocinina (Maxcell) em variáveis distintas em soja (tabela 1, tabela 2)
Tabela 1. Valores médios do número de ramificações por planta aos 0, 7, 14 e 21 dias após a aplicação (DAA) dos tratamentos testados.
Fonte: Sousa et al. (2024)
Tabela 2. Valores médios do número de nós por planta aos 0, 7, 14 e 21 dias após a aplicação (DAA) dos tratamentos testados.

Fonte: Sousa et al. (2024)
De acordo com os resultados obtidos por Sousa et al. (2024), o tratamento contendo a aplicação isolada de citocinina (Maxcell) promoveu o maior incremento no número de legumes por planta aos 21 dias após a aplicação, em comparação à testemunha e aos demais tratamentos avaliados. Esses resultados reforçam a melhoria de atributos fisiológicos da soja, especialmente relacionados à arquitetura de plantas e a componentes de produtividade, como número de nós e de legumes por planta, sugerindo que, quando adequadamente posicionado, o uso de biorreguladores à base de citocinina pode contribuir de forma efetiva para o aumento da produtividade, desde que não haja fatores limitantes ao crescimento e ao desenvolvimento vegetal.
Nesse mesmo sentido, outras pesquisas indicam que, além de favorecer o pegamento de legumes e o potencial produtivo, a aplicação de produtos à base de citocinina antes da floração estimula o crescimento vegetativo e a emissão de ramificações. Assim, esse manejo torna-se uma alternativa estratégica para ampliar o índice de área foliar, especialmente em situações de falhas no estabelecimento da lavoura ou em semeaduras tardias, nas quais a redução do ciclo compromete naturalmente a expansão foliar (Tagliapietra et al., 2022).

Referências:
MOREIRA, A. C. S.; SOARES, L. H. EFEITO DA CINETINA EM SOJA NO ESTÁDIO REPRODUTIVO. Revista Perquirere, 2019. Disponível em: < https://revistas.unipam.edu.br/index.php/perquirere/article/download/3220/744/8498#:~:text=Portanto%2C%20a%20utiliza%C3%A7%C3%A3o%20de%20citocinina,vagens%2C%20tornando%20assim%20as%20plantas >, acesso em: 17/11/2025.
SOUSA, C. O. et al. COMPONENTES DE PRODUTIVIDADE DA SOJA SOB EFEITO DE REGULADOR VEGETAL E BIOESTIMULANTE. A multidisciplinaridade em foco: ensino, pesquisa e extensão, v. 2, 2024. Disponível em: < https://downloads.editoracientifica.com.br/articles/240717139.pdf >, acesso em: 17/11/2025.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.
Sustentabilidade
Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.
Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.
Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.
Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.
Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.
Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.
Resultados em sementes de baixo vigor
Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.
De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.
Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).
Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Fonte: Machado et al. (2026)
Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.
Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja

Referências:
ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.
MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

Sustentabilidade
Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.
Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.
Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.
Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.
O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.
Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.
Fonte: Estadão Conteúdo
O post Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA apareceu primeiro em Canal Rural.
Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.
Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.
Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade16 horas agoChicago perde força e deve manter comercialização de soja contida – MAIS SOJA
Business17 horas agoPro Farmer estima safra menor de milho e maior de soja nos EUA ante o USDA
Sustentabilidade17 horas agoMILHO/CEPEA: Retração vendedora e cenário externo sustentam preços – MAIS SOJA
Business14 horas agoAvanço da terceira safra não é suficiente para reduzir preços do feijão, diz Cepea
Business17 horas agoAlgodão brasileiro mira novos mercados e tecnologias em congresso nacional
Sustentabilidade14 horas agoInspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA
Business18 horas agoMilho ganha força com menor oferta vendedora e cenário externo, aponta Cepea
Featured19 horas agoWilson Santos percorre Avenida das Torres e é reconhecido por obra que transformou Cuiabá

















