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3 de agosto de 2026

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‘Sem recursos, a lei não avança’, diz especialista sobre alterações no seguro rural

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou alterações na legislação do seguro rural. O projeto, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), recebeu parecer favorável do relator, senador Jaime Campos (União-MT), que incluiu modificações relacionadas à subvenção, ao risco e aos fundos do programa. A proposta ainda precisa passar por votação suplementar na comissão antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

As mudanças chegam em um momento de fragilidade da política de seguro rural no país. O tema é considerado estratégico para os produtores, que enfrentam perdas recorrentes por eventos climáticos extremos, além de juros elevados e queda de produtividade.

Apenas mudança na lei não resolve, diz especialista

Para o advogado e especialista em seguro rural Leandro Costa, ouvido pelo Mercado & Cia, o texto aprovado moderniza pontos importantes da legislação, mas não ataca o principal gargalo: a falta de recursos orçamentários.

“A avaliação é positiva. Mas a mudança legislativa é o que menos é necessário neste momento. O mais urgente é a injeção de recursos financeiros”, afirma.

Costa destaca que países líderes em agricultura têm grande parte das lavouras seguradas, enquanto o Brasil opera muito abaixo do recomendado.

“Nos Estados Unidos e na Europa, mais de 90% das áreas são seguradas. Aqui, atingimos no máximo 16% em 2021. Na safra atual, dificilmente chegaremos a 2%. É totalmente inexpressivo”, explica.

Risco de colapso no campo

Com perdas recorrentes por clima, pragas e doenças, a baixa adesão ao seguro rural aumenta o risco financeiro para os produtores.

“Sem seguro, o produtor pode quebrar. Ele para de gerar emprego, renda e pagamento de impostos. É um efeito cascata perigoso”, alerta Costa.

O especialista lembra que a senadora Tereza Cristina defende que o seguro rural seja uma política de Estado, para evitar oscilações entre governos e garantir continuidade.

Orçamento minguado e contingenciamento

Costa também criticou o volume de recursos liberados pelo governo federal para a subvenção ao prêmio do seguro rural, e o contingenciamento de verbas já previstas.

“No ano passado, o orçamento estimado era de cerca de R$ 1 bilhão. Metade foi contingenciada. E do que restou, grande parte não chegou à ponta”, afirma.

Para a safra atual, segundo ele, a previsão era de aproximadamente R$ 600 milhões, mas parte significativa ainda não foi disponibilizada. “Há estimativas de que apenas R$ 300 milhões a R$ 400 milhões sejam liberados. Para o agronegócio brasileiro, isso não é nada.”

O advogado compara o cenário ao dos Estados Unidos. “Lá, são investidos cerca de R$ 25 bilhões por ano em subvenções ao seguro. No Brasil, estamos falando de 50 vezes menos, para um país tropical e muito mais vulnerável.”

Debate sobre valores e próximos passos

O setor produtivo defende que o seguro rural deveria contar com R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões anuais para garantir estabilidade e previsibilidade aos produtores. Costa, porém, é cético sobre a possibilidade de esse volume chegar na safra 2025/26.

“A expectativa é que menos da metade disso seja de fato desembolsada”, avalia.

Depois da votação suplementar na CCJ, o projeto segue para análise na Câmara dos Deputados, caso não haja pedido de vista ou manobras regimentais.

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Colheita de café no Cerrado Mineiro chega a 66%, mas chuva atrasa ritmo

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Foto: Cléverso Beje/Faep

A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro, chegou a 66% até 31 de julho. O índice representa um leve atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já alcançavam 70%.

Segundo boletim da cooperativa, 46% do volume colhido já passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 500 litros por saca beneficiada de 60 quilos.

O avanço da colheita perdeu força na última semana por causa das chuvas registradas entre os dias 24 e 25 de julho. Em algumas áreas, os volumes ficaram acima do previsto e interromperam temporariamente parte das operações no campo.

De acordo com os técnicos da Expocacer, a umidade do solo dificultou principalmente a colheita mecanizada, o recolhimento do café de chão e o transporte da produção. Em diversas propriedades, foi necessário suspender o uso de máquinas até que as condições voltassem a ser favoráveis.

Além disso, as rajadas de vento durante as chuvas aumentaram a queda de frutos secos que ainda estavam nas plantas, elevando o volume de café depositado no solo.

Qualidade exige atenção

A cooperativa também aponta aumento no percentual de catação, que segue acima de 15% de forma geral. As cargas continuam apresentando maior presença de grãos verdes e de café de chão, fatores que podem comprometer a qualidade física dos lotes e da bebida.

Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados nas etapas de beneficiamento e classificação do café.

Clima deve favorecer retomada

Após a passagem da instabilidade, o tempo voltou a ficar firme no Cerrado Mineiro. As temperaturas mais elevadas ajudaram na secagem dos frutos e na recuperação das condições de tráfego nas lavouras, permitindo a retomada gradual da colheita.

Para os próximos dias, a previsão é de continuidade do tempo seco, sem chuvas significativas até 5 de agosto. Esse cenário deve favorecer o avanço dos trabalhos em toda a região.

Os modelos meteorológicos, no entanto, indicam queda gradual das temperaturas ao longo da semana, com mínimas próximas de 8°C. A orientação da Expocacer é que os produtores acompanhem as atualizações da previsão do tempo para planejar as atividades no campo.

A cooperativa reúne mais de 800 cafeicultores e projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de atuação em 2026.

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Colheita do algodão segue atrasada ante a média dos últimos cinco anos em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do algodão em Mato Grosso alcançou 28,67% da área cultivada na temporada 2025/26, um progresso de 15,56 pontos percentuais na variação semanal. Apesar do registro, ao se comparar com a média de 31,18% das últimas cinco temporadas os trabalhos apresentam atraso.

O levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre os trabalhos nas lavouras de algodão revela ainda que em relação ao ciclo 2024/25 a colheita está 10,40 pontos percentuais à frente.

Entre as regiões produtoras, o Nordeste mato-grossense já colheu 66,66% da área destinada para a fibra, enquanto o Médio-Norte 32,64% e o Sudeste 31,26%;

Já na região Oeste as máquinas passaram por 23,70% da área semeada e na Noroeste em 23,10%. No Centro-Sul do estado 18,79% do algodão foi colhido.

Até junho Mato Grosso, segundo o Instituto, contava com 73,01% da produção de pluma prevista negociada e 38,01% do caroço de algodão.


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Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

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Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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