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19 de setembro de 2026

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Programa devolve até 95% dos gastos sanitários de produtores artesanais

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A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) de São Paulo lançou o Feap SP Artesanal + Legal, nova modalidade de subvenção econômica para reembolsar despesas relacionadas às adequações sanitárias e estruturais de produções artesanais.

Com investimento de R$ 3 milhões, o projeto busca com que produtores realizem as melhorias necessárias para a formalização e atendimento das normas de processamento de alimentos, especialmente no âmbito do Serviço de Inspeção de São Paulo (Sisp) em sua modalidade Artesanal, registro que certifica a qualidade, a tradição e a origem do produto.

De acordo com a SAA, o Feap SP Artesanal + Legal tem como finalidade enfrentar o principal desafio que ainda impede parte dos produtores de concluir o processo de formalização: o custo das adequações estruturais e sanitárias necessárias ao registro.

Reembolso diferenciado para mulheres

A subvenção permitirá o reembolso de até 95% das despesas para agroindústrias geridas exclusivamente por mulheres e até 90% para os demais beneficiários, limitada a R$ 50 mil por projeto.

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O programa determina que serão elegíveis gastos com obras, melhorias em instalações, aquisição de equipamentos novos e contratação de serviços técnicos especializados.

Os projetos deverão ser executados em até 12 meses e o reembolso ocorrerá após comprovação documental e vistoria técnica realizada pela Cati ou pela Fundação Itesp, podendo ser liberado de forma integral ou por etapas, conforme o cronograma aprovado.

“A subvenção permite que o produtor execute as melhorias necessárias, conquiste seu registro e avance no mercado formal com mais segurança e qualidade. É uma política de inclusão produtiva que fortalece o empreendedor e protege quem consome”, afirma o secretário executivo do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), Felipe Alves.

Expansão do setor

Anila e Eduardo Navarro. Foto: Divulgação: SAA

A iniciativa chega em um momento de forte expansão do setor artesanal paulista, impulsionada pela modernização das regras de inspeção implementadas pela Defesa Agropecuária em 2023.

Isso porque as Resoluções SAA nº 63 e nº 52 atualizaram processos, digitalizaram fluxos e instituíram uma equipe especializada em inspeção artesanal, criando um ambiente mais acessível para pequenos empreendedores.

Entre 1994 e 2022, o estado registrava em média um estabelecimento artesanal a cada 246 dias. Com a modernização iniciada em 2023, esse intervalo caiu para cerca de cinco dias, e hoje a média já pode chegar a apenas três dias por novo registro.

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Esse avanço permitiu que São Paulo alcançasse a marca de 200 produtores artesanais formalizados, distribuídos entre 96 estabelecimentos de carnes, 67 de lácteos, 17 de mel, 12 de ovos e 8 de pescados.

Exemplo disso é a queijeira Martina Sgarbi, que há cinco anos deixou a carreira de gerente financeira para se dedicar à produção de queijos artesanais. Ela iniciou o negócio em um laticínio alugado e conseguiu dar o passo decisivo para montar seu próprio estabelecimento graças ao Feap Mulher, linha exclusiva para mulheres agricultoras.

“Para os produtores artesanais, o fluxo de caixa é bem complicado, já que não trabalhamos em grande escala e a produção artesanal tem custos altos. O apoio para modernizar processos e investir em equipamentos para legalizar a produção é muito importante. A minha formalização abriu muitas portas e mudou os rumos da queijaria.”

Já a Casa do Ipê, conduzida por Anila e Eduardo Navarro, também representa esse movimento. O negócio nasceu após a pandemia como uma pequena padaria artesanal e evoluiu para incluir charcutaria, massas e restaurante, sempre priorizando ingredientes locais e produção própria. O casal começou a produzir os próprios produtos sem conservantes por conta de problemas de saúde do filho.

Para Eduardo, a chegada da subvenção fortalece toda a cadeia. “O Feap Artesanal + Legal nasce para impulsionar quem produz com dedicação, identidade e tradição. A produção artesanal movimenta a economia local e fortalece comunidades. Com essa nova subvenção, teremos condições para investir, ampliar e, principalmente, legalizar mais produtores. Isso abre portas, gera oportunidades e coloca o artesanal paulista em outro patamar”, considera.

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Entenda o risco que o produtor leva para a lavoura ao comprar sementes piratas

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Foto: Divulgação – ABCSEM

Sementes produzidas e comercializadas fora do sistema oficial de produção, conhecidas como sementes “piratas ou tiradas (F2)”, podem ser importantes fontes de transmissão de patógenos de plantas e, por isso, representam um grande risco para as produções agrícolas.  

Um exemplo clássico é a dispersão de Acidovorax citrulli, agente causador da doença conhecida como mancha bacteriana do fruto, mancha aquosa do fruto ou BFB, sigla em inglês para bacterial fruit blotch.

Essa bactéria é transmitida por sementes e causa, sem dúvida, a mais devastadora doença das cucurbitáceas. Quando presente, pode levar a prejuízos gigantescos, além de inviabilizar a área para novos cultivos de cucurbitáceas.

Por este motivo, as empresas legalizadas investem em rigorosos processos de qualidade para garantir ao produtor que as sementes comercializadas por elas sejam livres da bactéria BFB.

De acordo com o diretor setorial de mudas da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), Ayrton Tullio essa bactéria foi, em muitos casos, dispersa nas áreas de produção de melão, no Vale do São Francisco, e de melancia, na região Centro-Oeste brasileira, pelo uso sistemático de sementes piratas, vendidas em garrafas do tipo pet.

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Melão
Fotos: divulgação/ABCSEM

“A BFB é extremamente agressiva e como ainda não há tratamento químico eficiente para o controle da doença, ela pode sobreviver, inclusive sem causar sintomas, em outras culturas hospedeiras, como milho, tomate, pimentão e também em pastagens. Por isso, uma vez introduzida, dificilmente ela será eliminada”, alerta o profissional.

Neste contexto, diante de perdas frequentes na produção, associadas à presença da doença e ao aumento de custo na tentativa ineficaz de controle, muitos produtores acabam abandonando o cultivo de cucurbitáceas.

Segundo o diretor, muitas vezes pensando em economizar ou sem se atentar no momento da compra, o produtor utiliza sementes sem garantia de origem e compradas de forma totalmente irregular, em embalagens falsificadas ou acondicionadas em recipientes inadequados, sem critério fitossanitário ou mesmo registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Isso traz inúmeras consequências, inclusive contrárias à ideia inicial de economia pelo uso de insumos mais baratos, uma vez que as sementes piratas acarretam em prejuízos financeiros para o negócio, devido à possibilidade de má-formação dos frutos e disseminação de doenças, como é o caso de BFB, com grandes perdas na lavoura”, elucida Tullio.

Campanha de conscientização

Diante deste preocupante cenário, a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), enquanto representante do setor sementeiro de hortaliças, flores e plantas ornamentais brasileiro, lançou, em 2025, uma campanha de conscientização dos produtores quanto aos riscos e prejuízos do uso de sementes e mudas piratas.

Com o slogan “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”, a iniciativa também tem como objetivo validar as empresas e os produtores comprometidos com a comercialização legal e ética destes insumos agrícolas no país, marcando um novo capítulo na luta contra a pirataria. Neste sentido, lançou um selo oficial de combate à pirataria, buscando incentivar e promover a formalidade e o respeito às leis que regem o setor de sementes e mudas no país.

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Perdeu a Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27? Saiba como assistir!

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Foto: Luiz Augusto Lopes

Você perdeu o evento da Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27? Não se preocupe, você pode conferir tudo de novo no YouTube do Canal Rural. O evento, que aconteceu na última quinta-feira (17), reuniu cerca de 2.500 pessoas em Ipiranga do Norte (MT) e marcou o início de mais uma temporada da soja, além de celebrar os 15 anos do Soja Brasil e os 30 anos do Canal Rural.

A programação teve início com a recepção da família Pozzobon, anfitriã do evento. Com décadas de trabalho no campo, a família apresentou sua trajetória e mostrou como a produção rural pode gerar valor por meio da diversificação, da inovação e da verticalização da cadeia produtiva. A Fazenda Horizontina reúne atividades como soja, milho, algodão, pecuária, produção de etanol e geração de energia.

Durante o evento, Fernando Pozzobon, diretor de Negócios da Fazenda Horizontina, destacou a importância da verticalização para ampliar a geração de valor dentro da propriedade e enfrentar os desafios do produtor brasileiro. Segundo ele, a atividade rural precisa de previsibilidade, oportunidades e políticas públicas para continuar avançando.

Os participantes também conheceram a história de Ipiranga do Norte e a transformação do município, que cresceu junto com a expansão da agricultura no norte de Mato Grosso. A soja se tornou uma das principais culturas da região e passou a ocupar papel central na economia local. Autoridades do município e representantes do Sindicato Rural também ressaltaram a importância da participação de produtores, estudantes e jovens na construção do futuro do agronegócio.

A abertura também marcou os 15 anos do Soja Brasil. O presidente do Canal Rural, Julio Cargnino, destacou a trajetória do projeto e a importância da família Pozzobon como representante dos produtores brasileiros. O evento reforçou ainda o compromisso do Canal Rural, que completa 30 anos, de levar informação e conhecimento ao campo e acompanhar de perto os desafios e as transformações do agronegócio.

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O que o produtor brasileiro pode aprender com a agricultura chinesa?

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A agricultura chinesa mostra ao produtor brasileiro que tecnologia, logística e ganho de produtividade podem ser determinantes para ampliar a eficiência no campo. Uma expedição com agricultores de diferentes regiões do Brasil percorreu áreas de produção, indústrias, centros de pesquisa e estruturas logísticas para conhecer de perto como funciona a cadeia agrícola do país que é o principal comprador de produtos brasileiros.

Em pouco mais de sete décadas, a China passou por uma transformação econômica que também ampliou sua influência sobre os mercados globais. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês chegou a 140,2 trilhões de yuans, alta de cerca de 5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China.

A aproximação entre os dois países é especialmente forte no agronegócio. A soja brasileira percorre milhares de quilômetros até chegar ao mercado chinês, onde deixa de ser apenas uma commodity e passa a integrar cadeias de produção de farelo, óleo e proteína animal.

“Tem uma coisa só que separa. É o Oceano. 50 dias de viagem. Ponto. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, resume Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities. Para ele, compreender o que acontece do outro lado da cadeia ajuda o produtor brasileiro a enxergar melhor as transformações desse mercado.

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A relação também vai além da comercialização da produção. A China é uma importante fornecedora de insumos utilizados pelo campo brasileiro, como defensivos agrícolas, sulfato de amônio e produtos à base de fósforo. Na avaliação de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest, as políticas adotadas pelo país asiático podem influenciar diretamente a oferta e os preços desses produtos.

“Para nós, a China, no insumo, é uma protagonista”, afirma Souza, ao destacar a dependência brasileira das importações de fertilizantes. Segundo ele, o Brasil produz menos de 20% do adubo que consome, o que torna o acompanhamento das decisões chinesas relevante para os custos de produção no país.

China exportação soja foto pedro silvestre Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Da soja brasileira à alimentação chinesa

A importância da soja brasileira fica evidente quando o grão chega às indústrias chinesas. No ano passado, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume que representou 80% das exportações totais brasileiras da oleaginosa, conforme os dados apresentados durante a expedição realizada pela Agrinvest Commodities, acompanhada pelo Canal Rural Mato Grosso.

Boa parte desse produto segue para o processamento. O farelo é utilizado principalmente na alimentação de suínos e frangos, além da produção de carne e leite. Já o óleo entra na indústria alimentícia.

A soja produzida dentro da China também tem uma destinação específica. A produção local fica em torno de 20 milhões a 21 milhões de toneladas, com cultivo totalmente não transgênico. Cerca de 14 milhões de toneladas são destinadas ao consumo interno, principalmente para produtos como tofu e shoyu, além da utilização do óleo pela indústria alimentícia.

A dimensão desse mercado ajuda a explicar a importância da relação comercial. Yin Ruifeng, vice-presidente de Dados e representante do Ministério da Agricultura da China, afirmou à reportagem que o Brasil é importante para o desenvolvimento agrícola chinês e que a expectativa é manter a parceria nos próximos anos.

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“A China ainda espera importar muitos produtos do Brasil, principalmente soja, algodão e açúcar”, disse. Ela também destacou a necessidade de os produtores brasileiros manterem a qualidade da produção, além de práticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e à proteção ambiental.

Para os produtores que participaram da viagem, conhecer o destino da produção permite observar uma etapa que normalmente fica distante da propriedade. Adelar José Marafon conta que chegou à China justamente para confrontar as informações que havia recebido sobre o país com o que encontraria durante a expedição.

“A China, na verdade, é um tabu muito grande, quando se fala de China, porque muita coisa é fechada. Então, a gente ouve muitas versões daqui dentro da China. Vim para cá para realmente tirar as minhas conclusões e ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”.

China exportação soja foto Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Logística muda o custo da produção

A escala da indústria também chama atenção. Uma das unidades visitadas possui capacidade de processamento de em torno de 10 milhões de toneladas de soja por ano, considerando suas três plantas. Aproximadamente 80% da soja processada na estrutura vem do Brasil.

A operação depende de um fluxo constante de matéria-prima. São cerca de 7 milhões de toneladas processadas por ano na unidade visitada, com recebimento de aproximadamente 3 mil toneladas de soja por dia. A capacidade de armazenagem chega a 800 mil toneladas.

Depois de chegar ao porto, a soja percorre cerca de 150 a 160 quilômetros até a indústria por ferrovia. A estrutura logística chinesa foi um dos pontos que mais chamaram a atenção dos produtores brasileiros durante a viagem.

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De acordo com Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, a comparação ajuda a dimensionar o impacto do transporte sobre a competitividade. Ele cita como exemplo o custo estimado para levar uma tonelada de soja de Sorriso, em Mato Grosso, até o porto, de cerca de US$ 100. Nos Estados Unidos, uma distância semelhante ficaria próxima de US$ 40 por tonelada.

“Essa economia, boa parte desse dinheiro entraria no bolso do produtor rural brasileiro”, afirma Araújo. Para ele, o uso mais amplo de ferrovias e hidrovias poderia reduzir o custo logístico e aumentar a eficiência da cadeia.

A estrutura encontrada na China também foi destacada pelos produtores que participaram da expedição. Moacir Smaniotto Junior classificou a infraestrutura logística como um dos pontos de maior impacto da viagem. “Quem sabe um dia o Brasil chega lá também, precisamos disso”, comentou ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da infraestrutura, a visita às indústrias trouxe outro ponto de atenção: à qualidade da soja entregue. Li Changxin, gerente executivo da Hopeful Grain & Oil Group, apontou a presença de impurezas e questões relacionadas ao transporte e ao processamento como dificuldades da operação.

Na comparação feita por ele, a soja importada dos Estados Unidos apresenta desempenho melhor nesses aspectos. A observação coloca a qualidade do grão como outro fator que pode ganhar importância para o produtor brasileiro na relação com o mercado chinês.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtividade é desafio em um país com pouca terra

A expedição também chegou a Harbin, na província de Heilongjiang, uma das principais regiões agrícolas da China e maior produtora de soja do país. O local reúne uma condição particular: invernos rigorosos, com temperaturas que podem chegar a 30 graus negativos, e uma curta janela de verão para o desenvolvimento das lavouras.

Com pouca terra disponível por habitante, aumentar a produtividade se tornou uma necessidade. A área agricultável per capita na China é estimada em apenas 900 metros quadrados por pessoa.

A soja ocupa cerca de 10 milhões de hectares no país, com produtividade média nacional de aproximadamente 2 mil quilos por hectare. A produção chega a cerca de 20 milhões de toneladas por ano. O grão chinês, porém, apresenta teor de proteína próximo de 40%, enquanto as novas variedades cultivadas no Brasil ficam em torno de 33%, segundo os dados apresentados durante a viagem.

O solo negro encontrado no nordeste chinês é outro diferencial. Rico em matéria orgânica e com capacidade de reter nutrientes, fertilizantes e água, ele oferece condições favoráveis ao cultivo de soja, milho e arroz.

Na Academia de Ciências Agrícolas de Harbin, os produtores brasileiros conheceram pesquisas voltadas ao aproveitamento dessa condição natural. Zhou Meng, pesquisadora chinesa, explicou que o melhoramento genético e a rotação de culturas estão entre as tecnologias consideradas fundamentais para elevar a produtividade.

“Nos próximos anos, duas tecnologias serão fundamentais para aumentar ainda mais a produtividade, o melhoramento genético e a rotação de culturas”, afirmou ao Canal Rural Mato Grosso.

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A genética também chamou a atenção dos produtores brasileiros. Durante uma visita, César Paulo observou uma variedade de soja com grande quantidade de vagens com quatro grãos por planta, característica que, segundo ele, é menos comum na região brasileira onde produz.

O avanço tecnológico não está restrito à soja. No milho, a China cultiva cerca de 44 milhões de hectares, com produtividade média de 6,5 mil quilos por hectare. A produção chega a aproximadamente 307 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 325 milhões de toneladas.

Conforme Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, um ganho de 2 mil quilos por hectare na produtividade chinesa poderia acrescentar 88 milhões de toneladas à produção anual de milho. O movimento ajuda a explicar a redução das importações chinesas, que já chegaram a 30 milhões de toneladas e, nas últimas temporadas, ficaram abaixo de 2 milhões.

soja china grãos foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia e dados ganham espaço no campo

A tecnologia aparece como uma das ferramentas usadas pela China para produzir mais em áreas limitadas. Empresas visitadas pelos produtores brasileiros desenvolvem soluções de Internet das Coisas (IoT) aplicadas ao campo, com uso de conexões 4G e 5G.

Uma dessas empresas está presente em mais de 30 países e utiliza os dados para aumentar a precisão das operações agrícolas. Entre os resultados apresentados durante a visita está um ganho de produtividade de cerca de 10%, especialmente em frutas e hortaliças.

Para João Paulo Schaffer, diretor e analista de derivados e grãos da Agrinvest, a principal lição está na integração entre produção e informação.

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“O campo e a tecnologia no Brasil estão realmente ainda muito distantes. A gente tem que buscar mais a integração e a disponibilidade de dados”. De acordo com ele, as empresas chinesas utilizam dados para alimentar sistemas de inteligência artificial, fazer previsões e apoiar decisões de produtores e indústrias.

A integração também aparece fora das lavouras. Em Shuangcheng, no nordeste da China, a expedição conheceu uma indústria com aproximadamente 380 mil metros quadrados e 700 funcionários, com capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.

O modelo mostra como produção agrícola, indústria e mercado consumidor são conectados. A escala industrial encontrada pelos brasileiros reforça a dimensão do mercado chinês e a necessidade de acompanhar não apenas a produção no campo, mas também as transformações que acontecem depois da porteira.

Para Gabriel Kirnev, conhecer esse processo permite visualizar o destino da produção brasileira. “É sempre muito bom a gente conhecer os nossos clientes, visualizar aqui em loco, principalmente vendo as esteiras, a produção e tudo isso acontecendo e chegando ao destino final”, afirma.

A percepção dos produtores, no entanto, não foi de simplesmente copiar o modelo chinês. As realidades dos dois países são diferentes, e as soluções desenvolvidas na China respondem a condições específicas de disponibilidade de terra, clima, logística e mercado.

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Rafael Grimm Marques destacou justamente uma dessas diferenças ao conhecer o solo negro da região. Já Gabriel Kirnev vê a experiência como uma referência para buscar ganhos no Brasil. “É possível crescer na produtividade, é possível melhorar na execução do operacional, então a gente está aprendendo muito aqui com eles”.

A expedição terminou com uma visão que vai além das lavouras e das indústrias. Para os produtores brasileiros, conhecer a China também significou observar a infraestrutura construída para conectar produção e consumo.

Adelar Marafon resume a diferença entre os dois sistemas pela relação entre o que acontece dentro e fora da propriedade. “O produtor brasileiro da porteira para dentro, ele está melhor do que a China. Mas quando sai da porteira para fora a China dá show. Logística, infraestrutura, está industrializada, menos burocrática”.

A produtora rural Marisa Brunetta também destaca a dimensão tecnológica encontrada durante a viagem. Para ela, a China representa uma referência para o produtor brasileiro em inovação e, ao mesmo tempo, ocupa uma posição estratégica na relação comercial entre os dois países.

“A China está crescendo em proporções imensas a nível mundial. É um celeiro em termos de tecnologia pra gente tá aqui aprendendo”, afirma.

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Marisa também resume a complementaridade entre as duas economias no agronegócio. “A China, um parceiro fornecedor de insumos, a parte de químicos e fertilizantes e nós a matéria-prima principal para eles aqui, que é a soja”.

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