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3 de novembro de 2026

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O que o produtor brasileiro pode aprender com a agricultura chinesa?

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A agricultura chinesa mostra ao produtor brasileiro que tecnologia, logística e ganho de produtividade podem ser determinantes para ampliar a eficiência no campo. Uma expedição com agricultores de diferentes regiões do Brasil percorreu áreas de produção, indústrias, centros de pesquisa e estruturas logísticas para conhecer de perto como funciona a cadeia agrícola do país que é o principal comprador de produtos brasileiros.

Em pouco mais de sete décadas, a China passou por uma transformação econômica que também ampliou sua influência sobre os mercados globais. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês chegou a 140,2 trilhões de yuans, alta de cerca de 5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China.

A aproximação entre os dois países é especialmente forte no agronegócio. A soja brasileira percorre milhares de quilômetros até chegar ao mercado chinês, onde deixa de ser apenas uma commodity e passa a integrar cadeias de produção de farelo, óleo e proteína animal.

“Tem uma coisa só que separa. É o Oceano. 50 dias de viagem. Ponto. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, resume Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities. Para ele, compreender o que acontece do outro lado da cadeia ajuda o produtor brasileiro a enxergar melhor as transformações desse mercado.

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A relação também vai além da comercialização da produção. A China é uma importante fornecedora de insumos utilizados pelo campo brasileiro, como defensivos agrícolas, sulfato de amônio e produtos à base de fósforo. Na avaliação de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest, as políticas adotadas pelo país asiático podem influenciar diretamente a oferta e os preços desses produtos.

“Para nós, a China, no insumo, é uma protagonista”, afirma Souza, ao destacar a dependência brasileira das importações de fertilizantes. Segundo ele, o Brasil produz menos de 20% do adubo que consome, o que torna o acompanhamento das decisões chinesas relevante para os custos de produção no país.

China exportação soja foto pedro silvestre Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Da soja brasileira à alimentação chinesa

A importância da soja brasileira fica evidente quando o grão chega às indústrias chinesas. No ano passado, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume que representou 80% das exportações totais brasileiras da oleaginosa, conforme os dados apresentados durante a expedição realizada pela Agrinvest Commodities, acompanhada pelo Canal Rural Mato Grosso.

Boa parte desse produto segue para o processamento. O farelo é utilizado principalmente na alimentação de suínos e frangos, além da produção de carne e leite. Já o óleo entra na indústria alimentícia.

A soja produzida dentro da China também tem uma destinação específica. A produção local fica em torno de 20 milhões a 21 milhões de toneladas, com cultivo totalmente não transgênico. Cerca de 14 milhões de toneladas são destinadas ao consumo interno, principalmente para produtos como tofu e shoyu, além da utilização do óleo pela indústria alimentícia.

A dimensão desse mercado ajuda a explicar a importância da relação comercial. Yin Ruifeng, vice-presidente de Dados e representante do Ministério da Agricultura da China, afirmou à reportagem que o Brasil é importante para o desenvolvimento agrícola chinês e que a expectativa é manter a parceria nos próximos anos.

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“A China ainda espera importar muitos produtos do Brasil, principalmente soja, algodão e açúcar”, disse. Ela também destacou a necessidade de os produtores brasileiros manterem a qualidade da produção, além de práticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e à proteção ambiental.

Para os produtores que participaram da viagem, conhecer o destino da produção permite observar uma etapa que normalmente fica distante da propriedade. Adelar José Marafon conta que chegou à China justamente para confrontar as informações que havia recebido sobre o país com o que encontraria durante a expedição.

“A China, na verdade, é um tabu muito grande, quando se fala de China, porque muita coisa é fechada. Então, a gente ouve muitas versões daqui dentro da China. Vim para cá para realmente tirar as minhas conclusões e ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”.

China exportação soja foto Canal Rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Logística muda o custo da produção

A escala da indústria também chama atenção. Uma das unidades visitadas possui capacidade de processamento de em torno de 10 milhões de toneladas de soja por ano, considerando suas três plantas. Aproximadamente 80% da soja processada na estrutura vem do Brasil.

A operação depende de um fluxo constante de matéria-prima. São cerca de 7 milhões de toneladas processadas por ano na unidade visitada, com recebimento de aproximadamente 3 mil toneladas de soja por dia. A capacidade de armazenagem chega a 800 mil toneladas.

Depois de chegar ao porto, a soja percorre cerca de 150 a 160 quilômetros até a indústria por ferrovia. A estrutura logística chinesa foi um dos pontos que mais chamaram a atenção dos produtores brasileiros durante a viagem.

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De acordo com Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, a comparação ajuda a dimensionar o impacto do transporte sobre a competitividade. Ele cita como exemplo o custo estimado para levar uma tonelada de soja de Sorriso, em Mato Grosso, até o porto, de cerca de US$ 100. Nos Estados Unidos, uma distância semelhante ficaria próxima de US$ 40 por tonelada.

“Essa economia, boa parte desse dinheiro entraria no bolso do produtor rural brasileiro”, afirma Araújo. Para ele, o uso mais amplo de ferrovias e hidrovias poderia reduzir o custo logístico e aumentar a eficiência da cadeia.

A estrutura encontrada na China também foi destacada pelos produtores que participaram da expedição. Moacir Smaniotto Junior classificou a infraestrutura logística como um dos pontos de maior impacto da viagem. “Quem sabe um dia o Brasil chega lá também, precisamos disso”, comentou ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da infraestrutura, a visita às indústrias trouxe outro ponto de atenção: à qualidade da soja entregue. Li Changxin, gerente executivo da Hopeful Grain & Oil Group, apontou a presença de impurezas e questões relacionadas ao transporte e ao processamento como dificuldades da operação.

Na comparação feita por ele, a soja importada dos Estados Unidos apresenta desempenho melhor nesses aspectos. A observação coloca a qualidade do grão como outro fator que pode ganhar importância para o produtor brasileiro na relação com o mercado chinês.

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soja china quatro grãos foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtividade é desafio em um país com pouca terra

A expedição também chegou a Harbin, na província de Heilongjiang, uma das principais regiões agrícolas da China e maior produtora de soja do país. O local reúne uma condição particular: invernos rigorosos, com temperaturas que podem chegar a 30 graus negativos, e uma curta janela de verão para o desenvolvimento das lavouras.

Com pouca terra disponível por habitante, aumentar a produtividade se tornou uma necessidade. A área agricultável per capita na China é estimada em apenas 900 metros quadrados por pessoa.

A soja ocupa cerca de 10 milhões de hectares no país, com produtividade média nacional de aproximadamente 2 mil quilos por hectare. A produção chega a cerca de 20 milhões de toneladas por ano. O grão chinês, porém, apresenta teor de proteína próximo de 40%, enquanto as novas variedades cultivadas no Brasil ficam em torno de 33%, segundo os dados apresentados durante a viagem.

O solo negro encontrado no nordeste chinês é outro diferencial. Rico em matéria orgânica e com capacidade de reter nutrientes, fertilizantes e água, ele oferece condições favoráveis ao cultivo de soja, milho e arroz.

Na Academia de Ciências Agrícolas de Harbin, os produtores brasileiros conheceram pesquisas voltadas ao aproveitamento dessa condição natural. Zhou Meng, pesquisadora chinesa, explicou que o melhoramento genético e a rotação de culturas estão entre as tecnologias consideradas fundamentais para elevar a produtividade.

“Nos próximos anos, duas tecnologias serão fundamentais para aumentar ainda mais a produtividade, o melhoramento genético e a rotação de culturas”, afirmou ao Canal Rural Mato Grosso.

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A genética também chamou a atenção dos produtores brasileiros. Durante uma visita, César Paulo observou uma variedade de soja com grande quantidade de vagens com quatro grãos por planta, característica que, segundo ele, é menos comum na região brasileira onde produz.

O avanço tecnológico não está restrito à soja. No milho, a China cultiva cerca de 44 milhões de hectares, com produtividade média de 6,5 mil quilos por hectare. A produção chega a aproximadamente 307 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 325 milhões de toneladas.

Conforme Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, um ganho de 2 mil quilos por hectare na produtividade chinesa poderia acrescentar 88 milhões de toneladas à produção anual de milho. O movimento ajuda a explicar a redução das importações chinesas, que já chegaram a 30 milhões de toneladas e, nas últimas temporadas, ficaram abaixo de 2 milhões.

soja china grãos foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia e dados ganham espaço no campo

A tecnologia aparece como uma das ferramentas usadas pela China para produzir mais em áreas limitadas. Empresas visitadas pelos produtores brasileiros desenvolvem soluções de Internet das Coisas (IoT) aplicadas ao campo, com uso de conexões 4G e 5G.

Uma dessas empresas está presente em mais de 30 países e utiliza os dados para aumentar a precisão das operações agrícolas. Entre os resultados apresentados durante a visita está um ganho de produtividade de cerca de 10%, especialmente em frutas e hortaliças.

Para João Paulo Schaffer, diretor e analista de derivados e grãos da Agrinvest, a principal lição está na integração entre produção e informação.

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“O campo e a tecnologia no Brasil estão realmente ainda muito distantes. A gente tem que buscar mais a integração e a disponibilidade de dados”. De acordo com ele, as empresas chinesas utilizam dados para alimentar sistemas de inteligência artificial, fazer previsões e apoiar decisões de produtores e indústrias.

A integração também aparece fora das lavouras. Em Shuangcheng, no nordeste da China, a expedição conheceu uma indústria com aproximadamente 380 mil metros quadrados e 700 funcionários, com capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.

O modelo mostra como produção agrícola, indústria e mercado consumidor são conectados. A escala industrial encontrada pelos brasileiros reforça a dimensão do mercado chinês e a necessidade de acompanhar não apenas a produção no campo, mas também as transformações que acontecem depois da porteira.

Para Gabriel Kirnev, conhecer esse processo permite visualizar o destino da produção brasileira. “É sempre muito bom a gente conhecer os nossos clientes, visualizar aqui em loco, principalmente vendo as esteiras, a produção e tudo isso acontecendo e chegando ao destino final”, afirma.

A percepção dos produtores, no entanto, não foi de simplesmente copiar o modelo chinês. As realidades dos dois países são diferentes, e as soluções desenvolvidas na China respondem a condições específicas de disponibilidade de terra, clima, logística e mercado.

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Rafael Grimm Marques destacou justamente uma dessas diferenças ao conhecer o solo negro da região. Já Gabriel Kirnev vê a experiência como uma referência para buscar ganhos no Brasil. “É possível crescer na produtividade, é possível melhorar na execução do operacional, então a gente está aprendendo muito aqui com eles”.

A expedição terminou com uma visão que vai além das lavouras e das indústrias. Para os produtores brasileiros, conhecer a China também significou observar a infraestrutura construída para conectar produção e consumo.

Adelar Marafon resume a diferença entre os dois sistemas pela relação entre o que acontece dentro e fora da propriedade. “O produtor brasileiro da porteira para dentro, ele está melhor do que a China. Mas quando sai da porteira para fora a China dá show. Logística, infraestrutura, está industrializada, menos burocrática”.

A produtora rural Marisa Brunetta também destaca a dimensão tecnológica encontrada durante a viagem. Para ela, a China representa uma referência para o produtor brasileiro em inovação e, ao mesmo tempo, ocupa uma posição estratégica na relação comercial entre os dois países.

“A China está crescendo em proporções imensas a nível mundial. É um celeiro em termos de tecnologia pra gente tá aqui aprendendo”, afirma.

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Marisa também resume a complementaridade entre as duas economias no agronegócio. “A China, um parceiro fornecedor de insumos, a parte de químicos e fertilizantes e nós a matéria-prima principal para eles aqui, que é a soja”.

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IBGE inicia censo experimental do 12º CAFA com foco em geoplanejamento no Maranhão

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta terça-feira (3) o Censo Experimental do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola (CAFA). A etapa será realizada em São Paulo, Mato Grosso e Maranhão. No território maranhense, os trabalhos começaram em Cururupu e Mirinzal, com foco no geoplanejamento da coleta e na preparação das equipes para a operação em campo.

No Maranhão, a equipe da Superintendência Estadual do IBGE no Maranhão (SES/MA) atua nos municípios de Cururupu e Mirinzal, escolhidos para o teste geral da operação censitária. A proposta é simular, em escala real, todas as fases da pesquisa, desde a montagem dos postos censitários até a coleta de dados dos estabelecimentos agropecuários.

Neste primeiro dia, os trabalhos se concentraram na listagem dos setores a serem percorridos e no planejamento da coleta. A equipe também se reuniu com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Secretaria da Agricultura de Cururupu para obter contatos de lideranças locais nos territórios onde haverá levantamento.

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A operação no estado inclui dois territórios de povos e comunidades tradicionais: a Reserva Extrativista Cururupu, em Cururupu, e o Território Quilombola Santa Tereza, em Mirinzal. Segundo o agente operacional regional de Cururupu, Bruno de Oliveira Serrão, a articulação prévia com essas lideranças é parte central da estratégia de campo. “É importante que a gente respeite essas comunidades, que a gente não vá até lá sem pedir autorização. Nós precisamos obter o apoio dessas lideranças para que tenhamos a resposta dos questionários de forma adequada. Ter o respeito por essas tradicionalidades é primordial para que a gente obtenha sucesso na operação”, afirmou.

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Além da preparação territorial, o Censo Experimental servirá para testar tecnologias previstas para o 12º CAFA em 2027. Entre os itens em avaliação estão os aplicativos de coleta, o fluxo de questionários, os métodos de pagamento para recenseadores e um módulo geoespacial. De acordo com Bruno, essa ferramenta foi desenvolvida para identificar talhões, perímetro e benfeitorias nas propriedades.

A etapa experimental funciona como ensaio da operação nacional prevista para 2027. Segundo a gerente de planejamento e orçamento da coordenação geral de operações censitárias, Cynthia Damasceno, o objetivo é ajustar procedimentos, sistemas, treinamento e coleta antes da execução do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.

Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br

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BNDES e Petrobras destinam R$ 10 milhões à agricultura familiar no semiárido da Bahia

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras vão destinar cerca de R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis para fortalecer a agricultura familiar no semiárido da Bahia. A iniciativa atenderá diretamente 720 agricultores familiares ligados a 27 cooperativas e associações em 26 municípios. O projeto será executado pela União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes Bahia), com prazo de 36 meses.

A ação integra o Sertão + Produtivo, iniciativa conjunta do BNDES e da Petrobras voltada ao fortalecimento de empreendimentos coletivos da agricultura familiar no Semiárido brasileiro. Na Bahia, o projeto prevê apoio à produção, assistência técnica, capacitação, beneficiamento e comercialização.

Entre as ações programadas estão a implantação de 240 sistemas produtivos agroecológicos, a estruturação ou melhoria de 11 unidades de beneficiamento e a criação de 12 feiras agroecológicas e orgânicas. Também estão previstas 180 oficinas de capacitação, 7.200 visitas e 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural.

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Os 240 sistemas produtivos incluem 40 quintais produtivos com canteiros econômicos e galinheiros, 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), 40 quintais com tecnologias de armazenamento de água e 120 sistemas agroecológicos para produção de ovos caipiras. O projeto também prevê três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos. Somadas a uma minicentral já existente, serão 12 unidades disponíveis aos 27 empreendimentos coletivos e aos 720 agricultores familiares.

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Segundo o BNDES, a iniciativa estabelece como referência uma elevação de 50% da renda média mensal por pessoa beneficiada e prevê a geração de 103 postos de trabalho durante a implantação, dos quais 47 deverão ser mantidos após a conclusão. O projeto também contempla acesso a mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do mercado privado.

Dos 720 agricultores atendidos, 504 são mulheres, 504 são jovens e 45 são quilombolas. A iniciativa também prevê a formalização de quatro novos empreendimentos coletivos.

O projeto será desenvolvido nos Territórios de Identidade Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano. O Sertão + Produtivo prevê até R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis, divididos igualmente entre BNDES e Petrobras, e a operação da Unicafes Bahia é a sexta aprovada no programa.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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produtores de Campo Novo do Parecis enfrentam os efeitos da chuva irregular

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A irregularidade das chuvas em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, tem dificultado o avanço do plantio da soja e provocado prejuízos aos produtores. Em algumas propriedades, a semeadura está interrompida à espera de condições adequadas, enquanto em outras foi necessário replantar áreas já cultivadas. O cenário de incertezas no campo se soma às dificuldades econômicas do setor e também levou ao cancelamento da 18ª edição da Parecis SuperAgro, tradicional feira de negócios da região.

Em uma das propriedades, o acumulado de chuva desde o fim de setembro é de aproximadamente 50 milímetros. A semeadura está parada, e ainda falta plantar 25% da área prevista.

O agricultor Marciano Martelli explica que a decisão de interromper os trabalhos é uma medida de segurança, já que a umidade disponível no solo não é suficiente para garantir a germinação das sementes.

“Devido às conjunturas temos que plantar na segurança e plantar nas condições que estão agora não vai nem germinar”, afirma.

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A preocupação também envolve a soja que já está no campo. Com a falta de novas precipitações, o desenvolvimento das plantas pode ser comprometido, com reflexos na produtividade. “Estamos preocupados porque também a partir de agora já começa ter queda de produções”, relata Martelli.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Replantio aumenta os custos e ameaça a rentabilidade

Em outra propriedade no município, o plantio foi concluído, mas a falta de chuva comprometeu a germinação em um talhão de 40 hectares. A área precisou ser replantada duas vezes, mesmo depois de o produtor adotar cuidados para aproveitar a umidade do solo e reduzir os riscos da operação.

Além dos gastos com sementes, produtos e manejo, o replantio pode provocar diferenças no desenvolvimento das plantas. Com a emergência em momentos distintos, a lavoura perde uniformidade, o que também pode afetar o enchimento dos grãos.

O agricultor Maurício Gilioli estima que os custos adicionais representam de 15 a 20 sacas por hectare. “A gente planta com o sentimento que vai germinar, vai nascer tudo, nascer parelho, mas não foi isso aqui que a gente encontrou aqui”, conta ao Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ele, mesmo com o planejamento para realizar a semeadura nas melhores condições de umidade, a falta de chuva comprometeu o resultado. “A última coisa que a gente espera é isso aí, é ter que replantar. Foi plantado com segurança, nas melhores condições, com umidade, feito um plantio acelerado para poder aproveitar a umidade propícia do solo. Então procuramos não correr risco aqui, e infelizmente toda a precaução que tivemos não foi suficiente, a chuva não veio”.

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Agora, o objetivo é reduzir as perdas e tentar recuperar parte do investimento. “O lucro está aqui, agora é trabalhar para empatar. É uma decisão difícil, é tentar salvar um pouco para tentar diminuir os prejuízos no final”, afirma Gilioli.

Parecis SuperAgro é cancelada

As dificuldades enfrentadas pelo agronegócio também atingiram o calendário de eventos de Campo Novo do Parecis. A 18ª edição da Parecis SuperAgro foi cancelada pelo Sindicato Rural, após avaliações sobre a viabilidade financeira da feira e conversas com produtores e expositores.

O presidente do Sindicato Rural, Antônio Brólio, aponta os juros elevados, o cenário político e as condições do mercado entre os fatores que pesaram na decisão. De acordo com ele, embora os expositores mantivessem a parceria com a entidade, muitos não consideravam interessante participar da próxima edição diante do atual momento econômico.

“Dá uma dor no coração ter que cancelar uma feira, mas quando não é rentável para quem está lá expondo… O investimento do Sindicato Rural também é alto”, afirma.

Brólio explica que a entidade optou por suspender o evento e repensar alternativas para os próximos anos. A intenção é buscar um novo formato que permita manter uma programação voltada ao agronegócio na região, mas que também seja viável para os participantes.

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O cancelamento, entretanto, deve ter reflexos sobre a economia do município. A feira movimentava diferentes segmentos comerciais e era considerada o maior evento da região.

“A sociedade vai sentir, infelizmente isso vai ocorrer. A feira fazia um giro para o município, era o maior evento da região, isso aí o pequeno e o médio vão sentir bastante”, avalia Brólio.


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