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4 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Bioinsumos no Brasil: política pública ou força de mercado? – MAIS SOJA

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Por Luis Eduardo Pacifici Rangel, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ex-secretário de Defesa Agropecuária e Ex-Diretor de Análises Econômicas e Políticas Públicas do MAPA

Nos últimos anos, os bioinsumos se tornaram protagonistas de uma nova narrativa sobre sustentabilidade na agricultura brasileira. São produtos biológicos – como inoculantes, biofertilizantes e agentes de controle biológico – que substituem ou complementam fertilizantes e defensivos químicos, prometendo ganhos de produtividade com menor impacto ambiental. No papel, o Brasil parece ter encontrado o caminho para uma transição verde: uma série de planos e programas foi lançada para impulsionar o setor, como o Plano ABC+, o Programa Nacional de Bioinsumos (PNB) e as Políticas Estaduais de Agroecologia e Produção Orgânica.

Mas o que dizem os dados? Um estudo recente — Bioinsumos e Sustentabilidade: Evidências Empíricas sobre Adoção, Políticas e Estrutura de Mercado no Brasil — analisou de forma quantitativa se essas políticas realmente influenciaram a adoção de bioinsumos no país. A conclusão surpreende: as políticas públicas, embora bem-intencionadas, não têm efeito mensurável sobre a adoção desses produtos. O avanço dos bioinsumos parece seguir mais a lógica do mercado e das vantagens comparativas da agricultura tropical do que a força das políticas de governo.

O estudo será divulgado durante a COP 30, em Belém do Pará, pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDS). A publicação estará disponível na página oficial do instituto (www.idsbr.org), como parte de uma série de análises sobre transição verde e inovação agroambiental. A iniciativa busca ampliar o debate sobre o papel das políticas públicas e do mercado na consolidação da bioeconomia brasileira, destacando o protagonismo da agricultura tropical na construção de soluções.

A corrida dos bioinsumos e a promessa das políticas verdes

Desde a criação do Programa Nacional de Bioinsumos, em 2020, o tema ganhou status estratégico na política agrícola brasileira. O decreto que instituiu o PNB previa nada menos que uma revolução tecnológica: ampliar o uso de bioinsumos, reduzir custos e mitigar impactos ambientais. O plano dialogava diretamente com outros instrumentos, como o Plano ABC (de agricultura de baixo carbono) e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), compondo um mosaico de políticas ambientais e produtivas.

Essa multiplicidade de iniciativas fez o Brasil despontar como um dos países mais avançados na agenda de bioinsumos. Segundo a FAPESP (2023), existiam mais de 600 produtos registrados e cerca de 170 biofábricas em operação, tratando mais de 25 milhões de hectares — um mercado que cresce cerca de 20% ao ano. Em algumas culturas, como a soja, o uso de inoculantes se tornou praticamente universal.

O cenário é, sem dúvida, promissor. Mas será que esse crescimento foi induzido por políticas públicas ou pela própria dinâmica do mercado?

Analisando o efeito das políticas: o que os números mostram

O estudo analisou dados de 2014 a 2023 em todas as 27 unidades da federação, utilizando dois métodos estatísticos clássicos: regressão Logit, para medir a probabilidade de adoção dos bioinsumos, e Diferença-em-Diferenças (DiD), para estimar o impacto causal das políticas públicas.

Os resultados foram claros: nenhuma das principais políticas públicas apresentou efeito estatisticamente significativo sobre o uso de bioinsumos, seja para defensivos biológicos, seja para inoculantes.

O Plano ABC e o PNB mostraram associação positiva — ou seja, parecem andar junto com o crescimento da adoção —, mas sem impacto causal. Em outras palavras, as regiões onde essas políticas estavam presentes já estavam avançando no uso de bioinsumos por outros motivos, especialmente estrutura de mercado, crédito e capacidade técnica.

A exceção parcial foi o crédito sustentável, que apresentou relação positiva com o uso de inoculantes. Isso sugere que os instrumentos financeiros — mais do que as políticas regulatórias — são capazes de acelerar a difusão dessas tecnologias. A influência direta de políticas normativas, como a PNAPO, foi pequena ou até negativa em alguns casos, possivelmente porque muitos produtores desenvolvem seus próprios bioinsumos em fazendas (“on farm”), fora do sistema formal de registro.

Em resumo: o mercado respondeu mais rápido do que a política.

Do incentivo à realidade: quando a política é “café-com-leite”

Essa constatação levanta uma questão incômoda, mas necessária: as políticas de bioinsumos são realmente motores de mudança ou apenas acompanham uma tendência inevitável?

No Brasil, é comum que políticas ambientais e agrícolas surjam mais como respostas a um movimento já em curso — ou, como diria o senso comum, políticas “café-com-leite”: iniciativas que buscam emoldurar uma transição que já acontece, em vez de provocá-la.

O caso dos bioinsumos ilustra bem esse dilema. O uso de inoculantes na soja, por exemplo, é uma prática consolidada há décadas, anterior a qualquer marco regulatório recente. Já os defensivos biológicos vêm crescendo impulsionados pela demanda de grandes produtores por alternativas mais seguras, pela pressão dos mercados consumidores e pela própria competitividade das tecnologias tropicais.

As políticas, nesse contexto, não criaram o fenômeno, mas o legitimaram. Serviram para dar moldura institucional a uma transformação que já tinha base econômica sólida. É um tipo de política pública de “sinalização”: transmite ao mercado que o governo apoia o setor, mas não altera os fundamentos da decisão produtiva.

A força da agricultura tropical e da inovação de mercado

O estudo mostra que os bioinsumos brasileiros evoluem por mérito próprio. A agricultura tropical tem vantagens comparativas únicas: diversidade biológica, clima favorável, e um ambiente de inovação que permite o desenvolvimento de microrganismos e formulações adaptadas às condições locais.

Esses fatores explicam por que o Brasil ocupa posição de destaque no mercado global. O índice de concentração de mercado (HHI) mostra que o setor de inoculantes é altamente competitivo — com dezenas de empresas ativas e baixa concentração. Já o segmento de controle biológico apresenta concentração moderada, mas também com crescimento rápido e diversificação tecnológica.

O avanço das biofábricas privadas, cooperativas e startups evidencia uma dinâmica de livre mercado que se retroalimenta: quanto mais produtores adotam bioinsumos, mais atrativo se torna o investimento privado no setor. É uma transição que se sustenta pela competitividade, e não apenas por incentivos públicos.

O contraste com países de clima temperado é marcante. Lá, as condições ambientais limitam o uso de alguns agentes biológicos e o mercado tende a depender mais de subsídios e regulações. Aqui, a natureza é aliada — e isso muda tudo.

Por que as políticas ainda não fazem diferença?

Há várias razões para a falta de impacto direto das políticas públicas sobre a adoção de bioinsumos:

  • Dados fragmentados e ausência de monitoramento. O país ainda carece de bases integradas que permitam acompanhar, de forma sistemática, a produção, o uso e os impactos dos bioinsumos. Sem dados confiáveis, as políticas não conseguem calibrar seus instrumentos.
  • Defasagem entre formulação e implementação. O Programa Nacional de Bioinsumos, por exemplo, foi lançado apenas em 2020 e ainda está em fase de consolidação institucional. Avaliar seus resultados antes de uma década de maturação é prematuro.
  • Distância entre o normativo e o operacional. Muitas políticas estabelecem diretrizes genéricas, mas não trazem mecanismos efetivos de incentivo, monitoramento ou avaliação. O resultado é um conjunto de boas intenções com pouca capacidade de indução real.
  • Capacidade institucional desigual. Estados com maior estrutura técnica e número de agrônomos apresentam maior adoção de defensivos biológicos, independentemente da presença de políticas. Isso mostra que o capital humano pesa mais que a política formal.
  • Força do crédito privado. O crédito sustentável — principalmente via bancos públicos e programas verdes — mostrou ser o único instrumento com correlação significativa. Isso indica que políticas financeiras têm mais poder de transformação do que marcos regulatórios isolados.

O mercado se move: a bioeconomia como vetor espontâneo

Apesar da fraca evidência de impacto das políticas, o setor de bioinsumos cresce de forma acelerada. Esse crescimento espontâneo não é um problema — pelo contrário, é um sinal de que o mercado está maduro.

O Brasil vive uma transição silenciosa, em que a lógica de custo-benefício e inovação tecnológica supera o papel tradicional do Estado como indutor. Os produtores percebem vantagens econômicas claras: menor gasto com fertilizantes, redução de riscos ambientais e até ganhos de imagem junto a compradores internacionais.

É o tipo de evolução que desafia a teoria clássica de política pública: nem sempre é preciso subsidiar o que já é competitivo. Em alguns casos, o melhor papel do Estado é não atrapalhar, garantindo regras claras, fiscalização equilibrada e apoio técnico.

A nova Lei nº 15.070/2024, que regulamenta de forma unificada a produção e o uso de bioinsumos, é um passo importante nessa direção. Mas seu sucesso dependerá da qualidade da regulamentação infralegal e da capacidade de integrar dados e instrumentos de crédito — um desafio que ainda está em aberto.

Política pública ou livre mercado?

A grande pergunta que emerge é: as políticas de bioinsumos refletem uma estratégia de Estado ou apenas acompanham o mercado?

Se as políticas são “café-com-leite” — bem-intencionadas, mas inócuas — o risco é criar uma sensação de avanço institucional sem alterar a realidade produtiva. Por outro lado, se o setor de bioinsumos continuar crescendo de forma autônoma, o Brasil pode estar diante de um raro caso de convergência entre sustentabilidade e competitividade de mercado.

Isso não significa que o Estado deva se ausentar. Mas talvez precise mudar de papel: em vez de tentar empurrar a adoção, deve garantir a infraestrutura institucional e técnica que sustente o crescimento — dados públicos confiáveis, capacitação de agrônomos, linhas de crédito bem calibradas e marcos regulatórios coerentes.

Conclusão: rumo a uma política de maturidade

Os resultados do estudo sugerem que o futuro dos bioinsumos no Brasil não será determinado apenas por decretos, mas pela sinergia entre ciência, mercado e governança.

As políticas públicas continuam importantes como legitimadoras e estruturadoras, mas o verdadeiro motor da transição sustentável parece ser a força econômica da agricultura tropical. A tecnologia é competitiva, o mercado é vibrante e os produtores estão dispostos a adotar soluções biológicas quando elas fazem sentido econômico.

A pergunta que fica é provocadora: o governo quer liderar uma revolução verde, com políticas consistentes e base de dados sólida? Ou continuará apenas emoldurando uma tendência que o mercado já abraçou sozinho?

Talvez o desafio do Brasil não seja inventar políticas novas, mas fazer as existentes funcionarem de verdade — com foco, coerência e transparência. Só assim a sustentabilidade deixará de ser um discurso e se tornará um ativo competitivo real da agropecuária brasileira.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo (SP), com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, por sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. Não podemos deixar de lembrar que a evolução da civilização só foi possível devido à agricultura. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa, assim como a larga experiência dos agricultores, seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: Link. Acompanhe também o CCAS nas redes sociais:

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Fonte: Assessoria de Imprensa CCAS



 



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Sustentabilidade

Soja: veja como ficaram as cotações no Brasil e em Chicago

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar uma sessão de pouca movimentação nesta terça-feira (4), com negócios restritos às necessidades imediatas. Conforme avalia o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, as cotações recuaram no mercado físico acompanhando as perdas da Bolsa de Chicago.

Silveira destaca que o porto de Santos apresentou melhores ofertas, mas o mercado permaneceu lento de maneira geral. O dólar subiu levemente e os prêmios continuaram firmes, porém não foram suficientes para compensar as quedas em Chicago.

“O produtor segue afastado do mercado, enquanto os compradores também reduziram o ímpeto nas aquisições”, resume o analista.

Preços da saca de soja hoje

  • Passo Fundo (RS): recuou de R$ 140 para R$ 138
  • Santa Rosa (RS): passou de R$ 141 para R$ 139
  • Cascavel (PR): cotações caíram de R$ 133 para R$ 132
  • Rondonópolis (MT): preços recuaram de R$ 129 para R$ 127
  • Dourados (MS): a saca avançou de R$ 127 para R$ 128
  • Rio Verde (GO): cotação foi de R$ 128 para R$ 127
  • Paranaguá (PR): saca permaneceu em R$ 144
  • Rio Grande (RS): recuo de R$ 146 para R$ 144

Soja na Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A previsão de chuvas para o cinturão produtor dos Estados Unidos, beneficiando as lavouras, pesou sobre as cotações. A queda do petróleo completou o cenário baixista para os preços.

Os boletins indicam chuvas para os próximos dias, contribuindo para o desenvolvimento das lavouras americanas. Até o momento, as previsões são de clima ideal ao cultivo. Lembrando que agosto é o mês decisivo para a consolidação do potencial produtivo da safra nos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou ontem dados sobre as condições das lavouras americanas de soja. Segundo o USDA, até 2 de agosto, 63% estavam entre boas e excelentes condições, 28% em situação regular e 9% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana anterior, os índices eram de 63%, 28% e 9%, respectivamente.

A queda do petróleo trouxe pressão adicional às cotações. Informações de que Irã e Estados Unidos teriam uma minuta do acordo para por fim ao conflito no Oriente Médio fizeram os contratos caírem acentuadamente pela segunda sessão consecutiva.

Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com baixa de 15,50 centavos de dólar, ou 1,32%, a US$ 11,58 1/4 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 11,77 1/2 por bushel, com retração de 14,75 centavos de dólar ou 1,23%.

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com baixa de US$ 2,80 ou 0,88% a US$ 312,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 68,06 centavos de dólar, com perda de 0,73 centavo ou 1,06%.

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Mercado brasileiro de milho deve ter uma terça-feira de preços firmes – MAIS SOJA

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 O mercado brasileiro de milho deve ter uma terça-feira de firmeza nos preços, tendo em vista uma maior procura por parte dos consumidores. Ainda há cautela por parte dos produtores, mas as negociações passam a ensaiar uma evolução. No cenário internacional, a Bolsa de Chicago cai, enquanto o dólar opera em queda frente ao real.

O mercado brasileiro de milho registrou preços firmes no começo da semana. Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, as chuvas no Paraná seguram a colheita da safrinha e oferecem suporte aos preços. Ele destaca que os preços no porto não ajudam, mas há boa procura interna. “Não há força de alta, mas por enquanto o mercado se sustenta”, observa.

No Porto de Santos, o preço ficou entre R$ 65,50/70,00 a saca (CIF). Já no Porto de Paranaguá, cotação entre R$ 65,00/68,00 a saca.

No Paraná, a cotação ficou em R$ 59,00/61,00 a saca em Cascavel. Em São Paulo, preço de R$ 60,00/62,00 na Mogiana. Em Campinas CIF, preço de R$ 67,00/68,00 a saca.

No Rio Grande do Sul, preço ficou em R$ 68,00/69,00 a saca em Erechim. Em Minas Gerais, preço em R$ 57,00/60,00 a saca em Uberlândia. Em Goiás, preço esteve em R$ 56,00/58,00 a saca em Rio Verde – CIF. No Mato Grosso, preço ficou a R$ 54,00/56,00 a saca em Rondonópolis.

CHICAGO

* Os contratos com entrega em dezembro operam com recuo de 2,25 centavos de dólar, ou 0,47%, cotados a US$ 4,70 1/4 por bushels.

* O mercado opera em baixa, pressionado pela realização de lucros após a forte valorização registrada na sessão anterior, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou uma piora nas condições das lavouras acima do esperado pelo mercado. A queda do petróleo em Nova York também contribui para o recuo dos preços.

* Em seu relatório semanal, o USDA reduziu pela terceira semana consecutiva a classificação das lavouras norte-americanas, refletindo os impactos do clima quente e seco no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

* Até 2 de agosto, 61% das lavouras foram classificadas entre boas e excelentes, abaixo dos 63% registrados na semana anterior. Outros 25% estavam em condição regular e 14% entre ruins e muito ruins, ante 12% na semana anterior. Apesar da queda nas cotações, a deterioração das lavouras limita um movimento mais intenso de baixa.

* Ontem (3), os contratos de milho com entrega em setembro fecharam a US$ 4,49 1/4, com avanço de 8,50 centavos, ou 1,92% em relação ao fechamento anterior. A posição dezembro fechou a sessão a US$ 4,72 1/2 por bushel, com alta de 8,50 centavos, ou 1,83% em relação ao fechamento anterior.

CÂMBIO

* O dólar comercial registra queda de 0,09, a R$ 5,0827. O Dollar Index registra avanço de 0,04%, a 99.942 pontos.

INDICADORES FINANCEIROS

* As principais bolsas na Europa operam com índices firmes. Paris, + 0,41%. Frankfurt, + 0,71%. Londres, + 0,49%.

* As principais bolsas da Ásia operaram em alta. Xangai, +0,33%. Japão, +0,32%.

* O petróleo opera com baixa. Setembro do WTI em NY: US$ 77,75 o barril (-3,22%).

AGENDA

09:30 – EUA: Balança Comercial de Bens e Serviços (junho).

11:30 – Dados sobre as lavouras do Paraná – Deral.

– Resultado financeiro da Gerdau e da Prio.

—–Quarta-feira (05/08)

06:00 – Zona do Euro: Índice de Preços ao Produtor (PPI, junho).

11:30 – EUA: Relatório Semanal de Petróleo da EIA.

18:30 – Definição da taxa Selic pelo Copom/BC.

– Resultado financeiro da Brava Energia.

—–Quinta-feira (06/08)

09:30 – Dados de exportação semanal de grãos dos EUA/USDA.

15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.

15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

15:00 – Balança comercial consolidada de julho/MDIC.

16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.

– Resultado financeiro da Petrorecôncavo e da Petrobras.

—–Sexta-feira (07/08)

09:30 – EUA: Relatório de Emprego/payroll (julho).

03:00 – Alemanha: Produção Industrial (junho).

08:00 – IGP-DI e os componentes: IPA-DI, IPC-DI e INCC-DI de julho/FGV.

16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.

– China: Balança Comercial (julho).

Autor/Fonte: Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)

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Sustentabilidade

Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea

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Foto: Antonio Neto/Arquivo Embrapa

A valorização da soja em Mato Grosso voltou a pressionar a rentabilidade da indústria de processamento. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a margem bruta de esmagamento recuou 20,52% em julho na comparação com junho, refletindo principalmente o aumento do custo de aquisição da matéria-prima.

Depois de vários meses de preços mais baixos, a soja registrou em julho a maior cotação média do ano no estado. A saca foi negociada, em média, a R$ 116,74, avanço de R$ 10,12 por saca (9,49%) em relação a junho e de R$ 4,39 (3,91%) na comparação com julho de 2025.

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Mesmo com a valorização dos coprodutos, o resultado não foi suficiente para compensar o aumento do preço do grão. No período, o farelo de soja acumulou alta de 4,46% e o óleo avançou 0,22%, enquanto a margem bruta de esmagamento fechou julho em média de R$ 435,43 por tonelada.

De acordo com o Imea, a entressafra e a menor disponibilidade de soja em Mato Grosso tendem a manter as cotações da oleaginosa em níveis elevados. Caso os preços do farelo e do óleo não acompanhem esse movimento, a margem das indústrias deverá seguir pressionada nos próximos meses.

Mercado acompanha safra dos Estados Unidos

No cenário internacional, o clima segue no radar dos agentes. Conforme o relatório, as lavouras norte-americanas classificadas como boas ou excelentes recuaram de 70,25% para 64,25% em relação ao mesmo período de 2025, em razão das altas temperaturas registradas no Corn Belt, que anteciparam a floração da soja.

Apesar da piora nas condições das lavouras, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) ainda aponta produção recorde de 131,6 milhões de toneladas na safra norte-americana. O Imea ressalta, porém, que agosto é um mês decisivo para o desenvolvimento das lavouras, o que mantém o clima no centro das atenções do mercado.

Na última semana, o indicador do Imea mostrou a soja em Mato Grosso cotada, em média, a R$ 122,88 por saca, alta de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. No mesmo período, os contratos da soja negociados em Chicago recuaram 3,51%, influenciados pela queda nas cotações do petróleo Brent.

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