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5 de maio de 2026

Sustentabilidade

Mancha-alvo: Identificação, condições favoráveis, danos à produtividade e estratégias de manejo integrado – MAIS SOJA

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Embora seja considerada uma das doenças de final de ciclo da soja (DFC), a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, pode manifestar-se ainda nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura, desde que haja inóculo e condições ambientais favoráveis ao patógeno. O fungo é considerado policíclico, ou seja, possui mais de um ciclo ao longo do desenvolvimento da soja, o que dificulta seu controle efetivo, resultando em novos fluxos da doença.

Os sintomas iniciais da doença caracterizam-se por pequenas pontuações pardas cercadas por um halo amarelado, que evoluem para manchas circulares de coloração castanho-clara a castanho-escura, podendo atingir até 2 cm de diâmetro. Comumente, apresentam uma pontuação central mais escura, conferindo o aspecto típico de “alvo”. Em cultivares suscetíveis, a infecção pode resultar em intensa desfolha, além da formação de manchas pardo-avermelhadas nas hastes e vagens, podendo também infectar raízes (Soares et al., 2023).

Figura 1. Sintomas da mancha alvo em folhas de soja, com lesões arredondadas, centro escuro com presença de um ponto escuro, e bordas escurecidas em diferentes tonalidades (anéis concêntricos).
Fonte: GODOY et al., 2020; GODOY et al., 2021b.

De acordo com Soares et al. (2023), o desenvolvimento da mancha-alvo é favorecido por condições de alta umidade relativa do ar e temperaturas amenas, variando entre 18 °C a 32 °C. Além disso, o fungo apresenta ampla gama de hospedeiras, incluindo espécies nativas e cultivadas, o que favorece sua sobrevivência e dificulta a erradicação da doença. Trata-se ainda de um patógeno amplamente distribuído, ocorrendo em praticamente todo o território nacional.

Considerando que condições de elevada umidade tendem a favorecer o desenvolvimento da mancha-alvo, o pós fechamento das entrelinhas da soja, e o adensamento do dossel da cultura em conjunto com alta umidade, podem a acelerar os casos de infecção e danos proporcionados à cultura. Normalmente, por concentrar uma maior umidade e menor circulação de ar, os terços médio e inferior da planta tendem a ser mais afetados pelo desenvolvimento da mancha-alvo, e portanto são os mais prejudicados pela doença.

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Atrelado a isso, há uma maior dificuldade em acessar os terços médio e inferior da planta para a aplicação de fungicidas, o que compromete a eficácia do controle, resultando em danos à cultura. Dentre os principais danos ocasionados pela mancha-alvo em soja, destaca-se a redução da área fotossintética da planta (dano ocasionado pelas lesões), resultando na redução da capacidade fotossintética da planta, e consequentemente redução da produção e translocação de fotoassimilados para os grãos, impactando negativamente a produtividade da cultura. Em casos mais severos, os danos ocasionados pela mancha-alvo podem até mesmo causar a desfolha prematura das plantas, comprometendo a produção.

Figura 2. Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha alvo da soja.
Fonte: Soares et al. (2009)

Grigolli & Grigolli (2019) destacam que a partir de 25% a 30% de severidade da doença, já é possível observar perdas significativas de produtividade da soja. Dependendo da suscetibilidade da cultivar e severidade da doença, perdas de produtividade de até 40% podem ser observadas em soja, caso as devidas medidas de controle não sejam adotadas (Godoy et al., 2023).

Ao avaliar a relação entre a severidade da mancha-alvo e a redução da produtividade da soja, Molina et al. (2019) observaram que esse efeito pode estar condicionado a cultivar e ao grau de severidade da doença. De acordo com os resultados observados pelos autores, pode-se dizer que em lavouras com produtividade média de 3.500 kg ha⁻¹, cada aumento de 10% na severidade da mancha-alvo pode resultar em perdas próximas de 168 kg ha⁻¹. Contudo, a magnitude desse impacto depende do nível de suscetibilidade da cultivar. Em materiais considerados tolerantes, a redução é estimada em cerca de 77 kg ha⁻¹, ao passo que, em cultivares suscetíveis, as perdas podem atingir quase 300 kg ha⁻¹.

Figura 3. Regressão linear ajustada geral e intervalo de confiança de 95% (área sólida preta e área sombreada cinza) e linhas específicas do estudo (linhas cinzas) para relações entre o rendimento da soja e a severidade da mancha-alvo para 41 estudos de fungicidas realizados no Brasil nas safras de 2012 a 2016 (Molina et al., 2019).
Adaptado: Molina et al. (2019)

Molina et al. (2019) destacam que, para o presente estudo, a perda estimada de produtividade com 50% de severidade da mancha-alvo variou de 8% a 42%, sendo que, a cultivar também demonstrou efeito significativo sobre a intensidade da redução da produtividade devido à mancha-alvo, que variou de 11% a 42%, dependendo da cultivar.

Tem em vista o impacto econômico que a mancha-alvo pode ocasionar em soja, adotar estratégias de manejo que possibilitem um controle efeito da doenças é determinante para a manutenção do potencial produtivo da cultura. Considerando que há variação entre cultivares de soja quanto a suscetibilidade á doença, o uso de cultivares resistentes é uma das principais estratégias de manejo da mancha-alvo, aliada ao tratamento de sementes com fungicidas, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, o controle químico com o emprego de fungicidas e a rotação de fungicidas no programa fitossanitário.

Visando um controle químico eficiente, é importante atentar para o posicionamento dos fungicidas. Mesmo considerando a necessidade de controlar outras doenças na área de cultivo, é importante inserir fungicidas com eficácia comprovada de controle da mancha-alvo no programa fitossanitário. Um dos fungicidas com aptidão para isso é o EXCALIA MAX, fungicida com ingredientes ativos pertencentes aos grupos das carboximadas e triazóis, e registrado tanto para o controle da mancha-alvo em soja, como também para outras doenças da cultura, como ferrugem-asiática, mancha-parda, crestamento foliar e podridão dos grãos e sementes (anomalia das vagens).

Atualmente, 168 produtos apresentam registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle da mancha-alvo em soja (Agrofit, 2025). Em meio a essa diversidade de opções, adotar um bom posicionamento dos fungicidas no programa fitossanitário é crucial para o sucesso do manejo. Nesse sentido, deve-se buscar fungicidas com boa performance no controle da mancha-foliar em soja, mas que também demonstrem controle satisfatórios de outras doenças.

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Sobretudo, assim como o posicionamento de herbicidas no programa fitossanitário, o momento de aplicação desempenha papel determinante no sucesso do controle, e para tanto, deve-se intensificar o monitoramento da lavoura, especialmente sob condições ambientais adequadas para o desenvolvimento da mancha-alvo. Além disso, é crucial adotar medidas integradas de manejo como as supracitadas, possibilitando não só o aumento da produtividade, como também rentabilidade e sustentabilidade da lavoura.

Referências:

AGROFIT. CONSULTA DE PRAGA/DOENÇA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 14/08/2025.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, circular técnica, 194. Londrina – PR, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1154756/1/Circ-Tec-194.pdf >, acesso em: 14/08/2025.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção: Safra 2018/2019, cap. 6, Fundação MS. Maracaju – MS, 2019. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-Safra-20182019.pdf >, acesso em: 14/08/2025.

MOLINA, J. P. E. et al. EFFECT OF TARGET SPOT ON SOYBEAN YIELD AND FACTORS AFFECTINGTHIS RELATIONSHIP. Plant Pathology, 2019. Disponível em: < https://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/ppa.12944 >, acesso em: 14/08/2025.

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MOLINA, J. P. E. et al. META-ANALYSIS OF FUNGICIDE EFFICACY ON SOYBEAN TARGET SPOTAND COST–BENEFIT ASSESSMENT. Plant Pathology, 2019. Disponível em: < https://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ppa.12925 >, acesso em: 14/08/2025.

SOARES, R. M. et al. ESCALA DIAGRAMÁTICA PARA AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE DA MANCHA ALVO DA SOJA. Tropical Plant Pathology, v. 34, n.5, 2009.Disponível em: < https://www.scielo.br/j/tpp/a/ZMwg39dYKTvktLHLpZ8pgdt/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 14/08/2025.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 14/08/2025.

Foto de capa: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

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Sustentabilidade

IMEA: Safra 25/26 de algodão em MT tem queda na oferta e redução nos estoques finais – MAIS SOJA

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Em mai/26, o Imea divulgou a nova estimativa de Oferta e Demanda do algodão em pluma de Mato Grosso para a safra 25/26. Desse modo, a Oferta foi projetada em 3,45 milhões de
toneladas, redução de 3,92% em relação ao ciclo anterior. Parte desse decréscimo está vinculado à menor produção prevista, com queda de 15,91% no comparativo entre safras,
ficando estimada em 2,52 milhões de toneladas. Já a demanda foi projetada em 2,69 milhões de toneladas, incremento de 1,02% em relação à safra passada. Esse avanço está associado à maior estimativa de exportação para o ciclo, projetada em 2,04 milhões de toneladas.

Dessa maneira, os estoques finais ficaram projetados em 762,92 mil toneladas, retração de 18,07% ante a safra anterior. Por fim, desse total, estima-se que 743,42 mil toneladas já estejam vendidas, mas que devem ser escoadas somente no próximo ciclo.

Confira os principais destaques do boletim:

  • ALTA: o contrato jul/26 da Ice NY apresentou aumento de 0,62% em relação à última semana, sendo cotado na média de ¢ US$ 80,16/lp, impulsionado pela valorização do dólar.
  • APRECIAÇÃO: o preço pluma Cepea teve alta de 1,41% no comparativo semanal, acompanhando o mercado externo e a postura mais cautelosa dos vendedores no período de entressafra.
  • VALORIZAÇÃO: o preço do caroço de algodão em Mato Grosso registrou elevação de 1,26% frente à semana passada, ficando precificado na média de R$ 910,77/t.
Em mai/26, o Imea divulgou nova estimativa de safra para o algodão da temporada 25/26.

A área destinada à cotonicultura da safra 25/26 ficou projetada em 1,38 mi de hectares, representando redução de 3,33% em relação à estimativa anterior e 11,11% quando comparado ao consolidado do ciclo 24/25. Parte dessa redução está ligada às margens rentáveis da cultura apresentarem-se mais estreitas em relação aos anos anteriores, atrelada ao cenário de custos mais elevados.

Com isso, os cotonicultores tendem a reduzir a área de algodão, concentrando o cultivo nos melhores talhões e destinando os demais a outras culturas de segunda safra. Em relação à produtividade, houve incremento de 2,34% ante a estimativa passada, projetada em 297,69 @/ha, aumento relacionado às condições climáticas favoráveis, que têm proporcionado um melhor desenvolvimento vegetativo das lavouras. Por fim, a produção de algodão em caroço ficou prevista em 6,14 mi de t, redução de 16,04% em relação à safra passada.

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Fonte: IMEA



 

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Sustentabilidade

Preços da soja têm queda após alta generalizada na sessão anterior

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve um dia travado para a comercialização, revertendo o movimento positivo observado na segunda-feira (4).

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, o cenário foi marcado por queda generalizada nas cotações.

"Os preços caíram em praticamente todas as praças, refletindo a forte queda do dólar e a devolução de parte dos ganhos em Chicago", afirma. Segundo ele, os prêmios apresentaram apenas pequenas mudanças e não foram suficientes para compensar as perdas.

Assim, o ambiente foi de retração tanto por parte dos compradores quanto dos vendedores. “Algumas tradings ficaram fora do mercado e o produtor também se manteve retraído, aguardando melhores oportunidades”, conta Silveira.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): recuou de R$ 126 para R$ 124
  • Santa Rosa (RS): caiu de R$ 127 para R$ 125
  • Cascavel (PR): passou de R$ 122 para R$ 120
  • Rondonópolis (MT): reduziu de R$ 111 para R$ 109
  • Dourados (MS): diminuiu de R$ 113,50 para R$ 112
  • Rio Verde (GO): foi de R$ 113 para R$ 111
  • Portos de Paranaguá (PR): decresceu de R$ 132 para R$ 130
  • Porto de Rio Grande (RS): recuou de R$ 132 para R$ 130

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Após os bons ganhos de ontem, o mercado realizou lucros, com base em fatores técnicos.

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A forte queda do petróleo no mercado internacional e as condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras estadunidenses completaram o cenário baixista.

De acordo com relatório de segunda-feira do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o plantio das lavouras de soja atingiu 33% da área prevista no país. Em igual período do ano passado, o índice era de 28%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 23%. Na semana anterior, o número era de 23%.

Os investidores também se posicionam frente ao relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para a próxima terça-feira (12), e à reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 14 e 15 de maio, em Pequim.

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Contratos futuros da soja

soja preço baixo guerra comercial
Foto: Pixabay/ Arte Canal Rural

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 11,25 centavos de dólar, ou 0,92%, a US$ 12,11 1/2 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,05 por bushel, com redução de 11,00 centavos de dólar ou 0,90%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 0,50 ou 0,15% a US$ 320,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 76,91 centavos de dólar, com ganho de 0,38 centavo ou 0,49%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 1,09%, sendo negociado a R$ 4,9122 para venda e a R$ 4,9102 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9057 e a máxima de R$ 4,9527.

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Sustentabilidade

Bradyrhizobium e Trichoderma são compatíveis para coinoculação? – MAIS SOJA

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Em função dos inúmeros benefícios associados ao uso de bioinsumos na cultura da soja, a adoção de produtos biológicos, especialmente aqueles à base de microrganismos, tem crescido de forma expressiva na produção agrícola. Entre os principais grupos utilizados, destacam-se as bactérias do gênero Bradyrhizobium, amplamente reconhecidas por sua elevada eficiência na fixação do nitrogênio (N) atmosférico, sendo capazes de suprir integralmente a demanda de N da soja por meio da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Paralelamente, fungos do gênero Trichoderma têm sido amplamente empregados devido ao seu papel como promotores de crescimento vegetal, indutores de resistência sistêmica e agentes de biocontrole de patógenos.

Com o objetivo de otimizar as práticas operacionais, especialmente no que se refere à aplicação desses bioinsumos, é comum que ambos os microrganismos sejam utilizados de forma conjunta, seja no tratamento de sementes (coinoculação), seja na aplicação no sulco de semeadura (figura 1).  No entanto, essa prática levanta questionamentos quanto à interação entre esses organismos, incluindo possíveis efeitos de sinergismo ou antagonismo, bem como seus reflexos sobre a eficácia agronômica.

Figura 1 Sistema de inoculação no sulco de semeadura.

Fonte: Embrapa
Integração entre Bradyrhizobium e Trichoderma

A interação entre fungos do gênero Trichoderma e bactérias do gênero Bradyrhizobium no tratamento de sementes de soja tem sido tema de questionamento. Pesquisas demonstram que, no geral, há predominância de compatibilidade biológica e potencial de atuação complementar. Estudos indicam que a coinoculação desses microrganismos, na maioria das combinações avaliadas, não compromete a nodulação nem o desenvolvimento inicial da cultura, podendo inclusive resultar em na melhoria de atributos fisiológicos da planta, como melhor crescimento e desenvolvimento radicular, além de contribuir para um melhor estabelecimento inicial da soja (Cadore, et al., 2020).

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Avaliando 24 linhagens de Trichoderma em coinoculação com Bradyrhizobium, Sales (2023) observou que a maioria dos isolados não compromete a nodulação nem o desenvolvimento da soja, evidenciando ausência de antagonismo significativo. Em alguns casos, inclusive, foram observadas respostas positivas no crescimento vegetal, possivelmente associadas à promoção do sistema radicular.

Embora efeitos negativos pontuais possam ocorrer, estes estão relacionados a características específicas de determinadas linhagens, não representando o comportamento predominante. Assim, os resultados obtidos por Sales (2023) indicam que o uso conjunto de Trichoderma e Bradyrhizobium é tecnicamente viável, desde que consideradas as combinações de estirpes.

Em termos práticos, as evidências disponíveis indicam que a interação entre Trichoderma spp. e bactérias do gênero Bradyrhizobium é, de modo geral, favorável ou neutra. Esse padrão reforça a predominância de compatibilidade biológica entre esses microrganismos. No entanto, ainda são necessários estudos mais direcionados que permitam quantificar, de forma consistente, a magnitude dessas interações, especialmente considerando as principais linhagens de Trichoderma utilizadas no tratamento de sementes de soja.

Ainda assim, estudos como o de Silva et al. (2018) demonstram que a coinoculação de bactérias do gênero Bradyrhizobium com fungos do gênero Trichoderma pode promover incrementos na produtividade da soja, no índice de nodulação e na redução da incidência de doenças, evidenciando o potencial dessa interação em atuar de forma positiva no desenvolvimento da cultura. Dessa forma, o uso conjunto de Trichoderma e Bradyrhizobium no tratamento de sementes de soja mostra-se tecnicamente viável e agronomicamente justificável, desde que fundamentado na seleção criteriosa de estirpes compatíveis.


Veja mais: Trichoderma – Compatibilidade com químicos no tratamento de sementes é determinante para o uso desse bioinsumo


Referências:

CADORE, L. S. et al. TRICHODERMA AND Bradyrhizobium japonicum BIOFORMULATES ON SOY INITIAL GROWTH. Ciência e Natura, 2020. Disponível em: < https://periodicos.ufsm.br/cienciaenatura/article/view/e23%27/pdf >, acesso em: 05/05/2026.

SALES, R. F. TESTE DE COMPATIBILIDADE DO BRADYRHIZOBIUM JAPONICUM COM 24 LINHAGENS DE TRICHODERMA SPP NA SOJA (Glycine max). Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Trabalho de Conclusão de Curso, 2023. Disponível em: < https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/6874/1/TESTE%20DE%20COMPATIBILIDADE%20DO%20BRADYRHIZOBIUM%20COM%2024%20LINHAGENS%20DE%20TRICHODERMA%20NA%20SOJA%20%28Glycine%20max%29.pdf >, acesso em: 05/05/2026.

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SILVA, I. W. et al. Growth Promoting Microorganisms for Treatment of Soybean Seeds. Journal of Agricultural Science, 2028. Disponível em: < https://www.ccsenet.org/journal/index.php/jas/article/view/74033?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 05/05/2026.

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