Sustentabilidade
Mancha-alvo: Identificação, condições favoráveis, danos à produtividade e estratégias de manejo integrado – MAIS SOJA

Embora seja considerada uma das doenças de final de ciclo da soja (DFC), a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, pode manifestar-se ainda nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura, desde que haja inóculo e condições ambientais favoráveis ao patógeno. O fungo é considerado policíclico, ou seja, possui mais de um ciclo ao longo do desenvolvimento da soja, o que dificulta seu controle efetivo, resultando em novos fluxos da doença.
Os sintomas iniciais da doença caracterizam-se por pequenas pontuações pardas cercadas por um halo amarelado, que evoluem para manchas circulares de coloração castanho-clara a castanho-escura, podendo atingir até 2 cm de diâmetro. Comumente, apresentam uma pontuação central mais escura, conferindo o aspecto típico de “alvo”. Em cultivares suscetíveis, a infecção pode resultar em intensa desfolha, além da formação de manchas pardo-avermelhadas nas hastes e vagens, podendo também infectar raízes (Soares et al., 2023).
Figura 1. Sintomas da mancha alvo em folhas de soja, com lesões arredondadas, centro escuro com presença de um ponto escuro, e bordas escurecidas em diferentes tonalidades (anéis concêntricos).
De acordo com Soares et al. (2023), o desenvolvimento da mancha-alvo é favorecido por condições de alta umidade relativa do ar e temperaturas amenas, variando entre 18 °C a 32 °C. Além disso, o fungo apresenta ampla gama de hospedeiras, incluindo espécies nativas e cultivadas, o que favorece sua sobrevivência e dificulta a erradicação da doença. Trata-se ainda de um patógeno amplamente distribuído, ocorrendo em praticamente todo o território nacional.
Considerando que condições de elevada umidade tendem a favorecer o desenvolvimento da mancha-alvo, o pós fechamento das entrelinhas da soja, e o adensamento do dossel da cultura em conjunto com alta umidade, podem a acelerar os casos de infecção e danos proporcionados à cultura. Normalmente, por concentrar uma maior umidade e menor circulação de ar, os terços médio e inferior da planta tendem a ser mais afetados pelo desenvolvimento da mancha-alvo, e portanto são os mais prejudicados pela doença.
Atrelado a isso, há uma maior dificuldade em acessar os terços médio e inferior da planta para a aplicação de fungicidas, o que compromete a eficácia do controle, resultando em danos à cultura. Dentre os principais danos ocasionados pela mancha-alvo em soja, destaca-se a redução da área fotossintética da planta (dano ocasionado pelas lesões), resultando na redução da capacidade fotossintética da planta, e consequentemente redução da produção e translocação de fotoassimilados para os grãos, impactando negativamente a produtividade da cultura. Em casos mais severos, os danos ocasionados pela mancha-alvo podem até mesmo causar a desfolha prematura das plantas, comprometendo a produção.
Figura 2. Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha alvo da soja.

Grigolli & Grigolli (2019) destacam que a partir de 25% a 30% de severidade da doença, já é possível observar perdas significativas de produtividade da soja. Dependendo da suscetibilidade da cultivar e severidade da doença, perdas de produtividade de até 40% podem ser observadas em soja, caso as devidas medidas de controle não sejam adotadas (Godoy et al., 2023).
Ao avaliar a relação entre a severidade da mancha-alvo e a redução da produtividade da soja, Molina et al. (2019) observaram que esse efeito pode estar condicionado a cultivar e ao grau de severidade da doença. De acordo com os resultados observados pelos autores, pode-se dizer que em lavouras com produtividade média de 3.500 kg ha⁻¹, cada aumento de 10% na severidade da mancha-alvo pode resultar em perdas próximas de 168 kg ha⁻¹. Contudo, a magnitude desse impacto depende do nível de suscetibilidade da cultivar. Em materiais considerados tolerantes, a redução é estimada em cerca de 77 kg ha⁻¹, ao passo que, em cultivares suscetíveis, as perdas podem atingir quase 300 kg ha⁻¹.
Figura 3. Regressão linear ajustada geral e intervalo de confiança de 95% (área sólida preta e área sombreada cinza) e linhas específicas do estudo (linhas cinzas) para relações entre o rendimento da soja e a severidade da mancha-alvo para 41 estudos de fungicidas realizados no Brasil nas safras de 2012 a 2016 (Molina et al., 2019).

Molina et al. (2019) destacam que, para o presente estudo, a perda estimada de produtividade com 50% de severidade da mancha-alvo variou de 8% a 42%, sendo que, a cultivar também demonstrou efeito significativo sobre a intensidade da redução da produtividade devido à mancha-alvo, que variou de 11% a 42%, dependendo da cultivar.
Tem em vista o impacto econômico que a mancha-alvo pode ocasionar em soja, adotar estratégias de manejo que possibilitem um controle efeito da doenças é determinante para a manutenção do potencial produtivo da cultura. Considerando que há variação entre cultivares de soja quanto a suscetibilidade á doença, o uso de cultivares resistentes é uma das principais estratégias de manejo da mancha-alvo, aliada ao tratamento de sementes com fungicidas, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, o controle químico com o emprego de fungicidas e a rotação de fungicidas no programa fitossanitário.
Visando um controle químico eficiente, é importante atentar para o posicionamento dos fungicidas. Mesmo considerando a necessidade de controlar outras doenças na área de cultivo, é importante inserir fungicidas com eficácia comprovada de controle da mancha-alvo no programa fitossanitário. Um dos fungicidas com aptidão para isso é o EXCALIA MAX, fungicida com ingredientes ativos pertencentes aos grupos das carboximadas e triazóis, e registrado tanto para o controle da mancha-alvo em soja, como também para outras doenças da cultura, como ferrugem-asiática, mancha-parda, crestamento foliar e podridão dos grãos e sementes (anomalia das vagens).
Atualmente, 168 produtos apresentam registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle da mancha-alvo em soja (Agrofit, 2025). Em meio a essa diversidade de opções, adotar um bom posicionamento dos fungicidas no programa fitossanitário é crucial para o sucesso do manejo. Nesse sentido, deve-se buscar fungicidas com boa performance no controle da mancha-foliar em soja, mas que também demonstrem controle satisfatórios de outras doenças.
Sobretudo, assim como o posicionamento de herbicidas no programa fitossanitário, o momento de aplicação desempenha papel determinante no sucesso do controle, e para tanto, deve-se intensificar o monitoramento da lavoura, especialmente sob condições ambientais adequadas para o desenvolvimento da mancha-alvo. Além disso, é crucial adotar medidas integradas de manejo como as supracitadas, possibilitando não só o aumento da produtividade, como também rentabilidade e sustentabilidade da lavoura.
Referências:
AGROFIT. CONSULTA DE PRAGA/DOENÇA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 14/08/2025.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, circular técnica, 194. Londrina – PR, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1154756/1/Circ-Tec-194.pdf >, acesso em: 14/08/2025.
GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção: Safra 2018/2019, cap. 6, Fundação MS. Maracaju – MS, 2019. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-Safra-20182019.pdf >, acesso em: 14/08/2025.
MOLINA, J. P. E. et al. EFFECT OF TARGET SPOT ON SOYBEAN YIELD AND FACTORS AFFECTINGTHIS RELATIONSHIP. Plant Pathology, 2019. Disponível em: < https://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/ppa.12944 >, acesso em: 14/08/2025.
MOLINA, J. P. E. et al. META-ANALYSIS OF FUNGICIDE EFFICACY ON SOYBEAN TARGET SPOTAND COST–BENEFIT ASSESSMENT. Plant Pathology, 2019. Disponível em: < https://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ppa.12925 >, acesso em: 14/08/2025.
SOARES, R. M. et al. ESCALA DIAGRAMÁTICA PARA AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE DA MANCHA ALVO DA SOJA. Tropical Plant Pathology, v. 34, n.5, 2009.Disponível em: < https://www.scielo.br/j/tpp/a/ZMwg39dYKTvktLHLpZ8pgdt/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 14/08/2025.
SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 14/08/2025.
Foto de capa: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Sustentabilidade
El Niño 2026 deve elevar umidade dos grãos e pressionar safra de inverno no Sul do país – MAIS SOJA

O retorno do El Niño ao radar climático em 2026 acende um alerta importante para o agronegócio brasileiro, especialmente para as culturas de inverno no Sul do país. Com até 87% de probabilidade de formação no segundo semestre, o fenômeno deve alterar o regime de chuvas e aumentar a incidência de umidade durante o período de desenvolvimento e colheita de culturas como trigo, cevada, aveia e canola.
Dados levantados pela MOTOMCO, referência em tecnologia de medição de umidade de grãos no agronegócio brasileiro, já indicam um cenário de atenção para o trigo no Rio Grande do Sul. Com base no histórico de mais de 8 mil cargas monitoradas pelo Sistema de Gestão de Umidade (SGU), a empresa projeta aumento no teor médio de umidade dos grãos no momento do recebimento da próxima safra, passando de 16,7% para 17,5% — uma elevação estimada de aproximadamente 4,8% em relação ao ciclo anterior.
Além disso, análises realizadas a partir do comportamento recente das lavouras apontam para uma redução estimada de 17% na área plantada de trigo em uma cooperativa gaúcha, reflexo direto das condições climáticas adversas ao longo do ciclo. A produtividade também deve apresentar queda: a média projetada para a próxima safra é de 2.742 kg/ha, abaixo dos 3.230 kg/ha registrados anteriormente.
Segundo o engenheiro agrônomo da MOTOMCO, Roney Smolareck, o principal desafio trazido pelo El Niño não é apenas o excesso de chuva, mas a dificuldade operacional e de tomada de decisão no campo.
“O produtor deixa de trabalhar com uma janela bem definida e passa a lidar com decisões muito mais rápidas. Quando não há informação precisa, ele acaba reagindo ao clima, e não se antecipando a ele — e isso normalmente resulta em perda de qualidade e de valor”, explica.
Embora o fenômeno tenha comportamento diferente em cada região do Brasil, o Sul historicamente sofre com excesso de precipitações durante eventos de El Niño. Já áreas do Norte e parte do Centro-Oeste podem registrar redução na intensidade das chuvas.
“O Brasil é muito grande para tratar o El Niño como um padrão único. O excesso de chuva em uma região pode significar escassez em outra. Por isso, o produtor precisa olhar para o comportamento climático da sua região e monitorar o cenário de forma contínua”, afirma Smolareck.
Excesso de chuva cria dilema entre colher ou perder
No caso dos cereais de inverno, o excesso de umidade durante o ciclo pode comprometer diretamente a qualidade do grão e a eficiência operacional da colheita. “O aumento das chuvas favorece doenças fúngicas, eleva a incidência de grãos ardidos e manchados e reduz indicadores importantes de qualidade, como o peso hectolitro. Em situações mais críticas, pode ocorrer germinação ainda na espiga ou panícula”, explica o agrônomo.
Além dos impactos na qualidade, o excesso de água no solo também reduz a janela operacional de colheita e dificulta a entrada das máquinas nas lavouras. Esse cenário cria um dilema frequente em anos de maior instabilidade climática: colher com umidade acima do ideal ou esperar e correr riscos ainda maiores no campo. Segundo Smolareck, em muitos casos o produtor acaba antecipando a colheita para evitar perdas mais severas causadas pela permanência prolongada da cultura exposta à chuva.
Além da lavoura, o impacto também chega ao pós-colheita. Em operações de armazenagem, pequenas variações na medição de umidade podem gerar perdas financeiras relevantes ao longo do ciclo.
Por exemplo, se uma unidade armazenadora opera com um silo de 70.000 mil sacas de trigo e uma medição imprecisa gera desvio de 0,05 % ao longo da operação, a perda pode equivaler a aproximadamente 70.000 sacas. Considerando a saca de trigo no Rio Grande do Sul em torno de R$ 75,84, esse erro pode representar cerca de R$ 265,440 mil em perda financeira em um único silo.
Por isso, segundo Smolareck, a capacidade de monitorar a umidade em tempo real ganha importância estratégica tanto no campo quanto na armazenagem. “O produtor passa meses conduzindo a lavoura e erra justamente no momento mais crítico, que é a colheita, por falta de informação. Ele entrega o produto e só depois entende o impacto da umidade no valor recebido”, afirma. “Por isso, em anos de El Niño, a diferença entre lucro e prejuízo muitas vezes começa na precisão da medição da umidade”, conclui Smolareck.
Fonte: Assessoria de imprensa MOTOMCO

Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Recorde de exportações sustenta receita – MAIS SOJA

O Brasil segue liderando as exportações de soja. As vendas são impulsionadas pela forte demanda global, sobretudo da China. Segundo o Cepea, apesar da pressão exercida pela ampla oferta interna, pela desvalorização cambial e pelo recuo das cotações domésticas, o bom desempenho das exportações tem sustentado a receita do setor.
Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, recorde da série da Secex, com aumentos de 15,35% frente ao volume de março e de 9,6% em relação ao verificado no mesmo mês de 2025. Os embarques à China, especificamente, avançaram 17,6% de março para abril. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas somaram 40,24 milhões de toneladas, também o maior volume já registrado para o período.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Cooperativismo catarinense supera 109 mil empregos diretos e amplia a geração de vagas em 7,1% em 2025 – MAIS SOJA

O cooperativismo catarinense encerrou 2025 como um dos principais geradores de trabalho e renda em Santa Catarina. No ano passado, o setor foi responsável por 109.677 empregos diretos com carteira assinada, segundo dados consolidados do Sistema OCESC.
O resultado representa uma alta de 7,1% em relação a 2024, quando o setor registrou 102.402 trabalhadores. “Cada emprego criado pelo cooperativismo representa renda e estabilidade para as famílias e fortalece as comunidades onde as cooperativas atuam. Esse avanço mostra um modelo que alia eficiência e impacto social, que organiza pessoas, amplia oportunidades e distribui desenvolvimento no território, com impacto direto nas economias regionais”, diz o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta.
O movimento também acompanha a ampliação da base social do cooperativismo. Em 2025, o número de cooperados em Santa Catarina ultrapassou o marco de cinco milhões, garantindo novamente a liderança do estado como o mais cooperativista do Brasil. “O cooperativismo cresce quando entrega resultado econômico e, ao mesmo tempo, mantém o foco nas pessoas. É isso que sustenta crescimento com consistência: gestão, presença regional e compromisso com quem participa do sistema”, afirma Zanatta.
Os dados de 2025 mostram equilíbrio por gênero entre os empregos diretos do cooperativismo catarinense: 54.570 homens e 55.107 mulheres. Os números traduzem um modelo que combina equidade, competitividade e compromisso social em diferentes ramos e regiões.
A maior parte das vagas está concentrada em Santa Catarina, com 84.776 postos de trabalho. Outros 24.901 empregos estão localizados fora do estado, o equivalente a 29,4% do total, resultado da expansão de cooperativas catarinenses no cenário nacional.
A presença fora de Santa Catarina amplia a capacidade de competir em diferentes regiões, mantendo vínculos com a base produtiva e com as cadeias econômicas que se estruturam no território catarinense.
“O cooperativismo gera trabalho formal, movimenta cadeias produtivas e cria oportunidades onde as pessoas vivem. Os resultados aparecem nos indicadores, mas o principal efeito está na transformação que esse modelo produz na vida dos cooperados, colaboradores e comunidades”, conclui Zanatta.
Fonte: Sistema Ocesc, disponível em Fecoagro
Autor:Sistema Ocesc, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
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