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16 de setembro de 2026

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Mato Grosso registra atraso recorde no plantio e vendas de soja no pior nível em cinco anos

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A irregularidade das chuvas atrasou o plantio da soja em até 60 dias em alguns municípios de Mato Grosso, como Canarana e Diamantino, elevando a apreensão dos produtores quanto à produtividade. Áreas que deveriam estar concluídas no fim de outubro ainda aguardam umidade para entrar na terra.

Em Canarana, o presidente do Sindicato Rural, Lino Costa, explica que muitas propriedades ainda não encerraram a semeadura. Ele lembra que outubro já deveria marcar o fim dos trabalhos, mas a chuva falhou em diversas regiões. O receio, segundo ele, é que cada dia perdido reduza o potencial produtivo, já que “não é a mesma produtividade de você plantar em uma janela bem ideal do plantio da soja”.

Diamantino enfrenta cenário semelhante. O presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, relata ao Patrulheiro Agro que o município acumula quase dois meses desde o início da semeadura sem conseguir finalizar todas as áreas. Conforme ele, o atraso é evidente e parte dos agricultores já considera replantios. “Um ano bem atípico”, resume.

Apesar do ritmo lento, Diamantino já cultivou 98% dos 400 mil hectares previstos para a safra 2025/2026, mas boa parte foi implantada fora da janela ideal.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mercado travado e incerteza nas vendas

A instabilidade climática também afeta o ritmo de comercialização. Os preços travados e os custos elevados também têm levado os produtores a segurar as negociações, o que mantém o mercado ainda mais lento neste início de safra.

Kroling confirma a cautela. Ele conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o produtor esperava melhores condições para “travar” parte da produção e agora observa a safra americana para retomar as vendas. A aposta é em uma possível alta, já que, de acordo com ele, se o preço da saca, hoje na média de US$ 20 na região, subisse para US$ 23 “mudaria bem o cenário em cima do custo de produção”.

O Sindicato Rural de Diamantino estima que entre 35% e 40% da produção futura foi comercializada — o pior nível dos últimos cinco anos.

Cautela domina decisões de venda

Em Canarana, Lino Costa reforça que o produtor tenta equilibrar riscos antes de negociar. Parte da estratégia é não comprometer toda a safra antecipadamente, preservando volume caso haja perda por questões climáticas. Ele observa que alguns agricultores já iniciaram trocas e vendas.

Em Água Boa, o presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, diz que o mercado opera em um dos momentos mais pressionados dos últimos anos. Para ele, o produtor evita precipitar decisões porque “nós estamos no fundo do poço dos preços da soja, e ela não tem reagido assim substancialmente para que estimulem o produtor a vender”. Ele pondera, entretanto, que esperar até a colheita pode ser arriscado e acredita, olhando o histórico da oferta, que preços melhores podem surgir adiante.

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Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) reforçam essa lentidão. A safra 2024/25 alcançou 97,12% de comercialização, enquanto a safra 2025/26 registra apenas 36,08% vendida — mais de sete pontos abaixo da média dos últimos cinco anos.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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