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4 de maio de 2026

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Soja em Mato Grosso enfrenta atrasos, clima e mercado desfavoráveis

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O plantio da soja em Mato Grosso avança sob forte pressão. Atraso histórico na semeadura, falta de regularidade das chuvas e mercado desfavorável elevam o risco para os produtores, que enfrentam uma das safras mais desafiadoras dos últimos anos.

Em regiões que tradicionalmente encerram o plantio ainda em outubro, muitas áreas seguem esperando chuva para avançar. O cenário gera apreensão principalmente entre agricultores que dependem de produtividade para fechar as contas.

Em Campo Verde, o presidente do Sindicato Rural, Alexandre Schenkel, relata que a interrupção das chuvas comprometeu o início da safra. “As chuvas que deram depois que iniciou o plantio não deram sequência, então acabou atrapalhando a instalação dessa lavoura, o estande dessas lavouras, principalmente as bordaduras”, conta ao Canal Rural Mato Grosso. Ele observa que áreas mais arenosas e recentes acabaram avançando para novembro, em um ritmo bem diferente do esperado.

Schenkel explica que parte dos produtores já avalia como o atraso pode refletir na produtividade. “Tem alguns materiais que se comportam mais, produzem mais você plantando ali no mês de outubro, então pode ser que esse atraso no plantio retorne em produtividade”, afirma. A preocupação aumenta com a possível entrada da segunda safra em uma janela tardia, levando alguns agricultores a optarem por cultivares de ciclo mais precoce.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A percepção é semelhante em Canarana. De acordo com o presidente do Sindicato Rural do município, Lino Costa, cada dia perdido pesa. “Cada dia que passa de agora para frente não é a mesma produtividade de você plantar em uma janela bem ideal do plantio da soja”.

Em Diamantino, o atraso é ainda mais visível. O presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, resume o momento: “Temos quase 60 dias que iniciou o plantio e ele não foi finalizado ainda”. Questionado sobre o tamanho do atraso, ele é direto: “Bem atrasado, e o produtor voltou a plantar, vai esperar para ver se vai precisar fazer algum replantio em alguma área, mas é um ano bem atípico”.

Mercado travado e margem apertada

Além do clima, o produtor mato-grossense enfrenta dificuldades para comercializar a safra. Com preços estagnados e custos elevados, muitos optam por aguardar melhores oportunidades de venda.

Kroling avalia que o momento é de cautela. “O produtor queria estar com uma condição melhor de travamento, então está esperando a finalização da safra americana para voltar ao mercado e fazer novas vendas para cobrir o custo de produção”. Ele calcula que, com a saca hoje em torno de US$ 20 na sua região, qualquer reação poderia mudar o cenário: “Acredito que se viesse subir uns US$ 3 a saca mudaria bem o cenário para o produtor”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Campo Verde, Schenkel reforça que o desafio é equilibrar eficiência e custos. “O produtor está buscando reduzir custos, está procurando ser eficiente reduzindo custos mas mantendo o mínimo de tecnologia para que tenha eficiência e produtividade”, relata. Segundo ele, o preço ideal precisaria estar acima de US$ 21 por saca para garantir viabilidade. Em reais, ele aponta que vendas acima de R$ 120 seriam necessárias para cobrir despesas essenciais como diesel, funcionários e seguros.

O dirigente também lembra que os custos da segunda safra já começaram, mesmo sem definição clara sobre o desempenho da soja. “Já tivemos que comprar adubo, fertilizantes, sementes de milho, sementes de algodão. Essas despesas já estão ocorrendo, e dependemos de chuvas para ter produtividade que pague essas despesas”.

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Comercialização lenta e expectativa de reação

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam avanço modesto nas vendas. A comercialização da safra 2024/25 de soja atingiu 97,12% em outubro, aumento de apenas 1,42 ponto percentual no mês. Já a 2025/26 segue mais lenta: apenas 36,08% foram vendidos, ritmo abaixo do registrado no ano passado e inferior à média dos últimos cinco anos.

Em Água Boa, o presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, afirma que o produtor não vê estímulos suficientes para negociar. “Nós estamos no fundo do poço dos preços da soja, e ela não tem reagido assim substancialmente para que estimulem o produtor a vender”, diz. Conforme ele, há cautela, mas também consciência dos riscos: “A gente não pode ficar esperando para vender na boca da colheita, porque também a gente pode ter problemas piores”.

Delai acredita que, com o baixo aumento de área plantada no país, os preços podem reagir. “O que a gente acredita, fazendo uma análise histórica, é que como os aumentos de áreas deste ano foram muito pequenos, nós teremos preços um pouco melhores de agora para frente”.


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Após altas recordes, cotação do boi gordo perde força

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Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

O mercado físico do boi gordo encerrou abril com preços variando de estáveis a mais altos, embora abaixo dos patamares observados no início do mês. Na primeira quinzena, a restrição de oferta impulsionou as cotações e levou o boi a máximas no período.

A partir da segunda metade do mês, porém, os frigoríficos avançaram nas escalas de abate e passaram a exercer maior pressão sobre o mercado, reduzindo o ritmo de alta. O cenário também foi marcado por especulações sobre o esgotamento da cota de exportação para a China, o que pode indicar demanda menor no terceiro trimestre, justamente quando aumenta a oferta de animais confinados.

No dia 29 de abril, os preços da arroba a prazo apresentaram comportamentos distintos nas principais praças pecuárias. Em São Paulo, a cotação ficou em R$ 360,00, estável frente ao fim de março. Em Goiânia, houve alta para R$ 345,00, enquanto em Uberaba o valor recuou para R$ 340,00. Já em Dourados, o preço se manteve em R$ 350,00, e em Cuiabá subiu para R$ 360,00. Em Vilhena, a arroba avançou para R$ 330,00.

Atacado

No atacado, o mês foi marcado por valorização expressiva da carne bovina, com destaque para o quarto dianteiro, que atingiu R$ 23,50 por quilo, alta de 7,80% frente ao fim de março. Os cortes do traseiro também subiram, chegando a R$ 28,50 por quilo.

Exportações

O bom desempenho das exportações contribuiu para esse movimento. O Brasil embarcou 216,266 mil toneladas de carne bovina em abril (até 16 dias úteis), gerando receita de US$ 1,340 bilhão. O preço médio ficou em US$ 6.200,70 por tonelada.

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Comparações

Na comparação com abril de 2025, houve crescimento. Foi registrada alta de 38% na receita média diária, avanço de 11,9% no volume embarcado e valorização de 23,2% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposenta a lendária linha BH e lança Série M5 na Agrishow 2026

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Após 26 anos dominando os canaviais, linha histórica do trator BH dá lugar a tratores mais tecnológicos, confortáveis e preparados para a agricultura digital

A Valtra oficializou, durante a Agrishow 2026, uma virada histórica no mercado de mecanização agrícola: a aposentadoria da consagrada Série BH e o lançamento da nova Série M5, apresentada como a “evolução da lenda”. Mais do que uma troca de portfólio, o movimento simboliza a transição entre gerações de tecnologia no campo brasileiro. Com 26 anos de trajetória, o BH não foi apenas um trator — foi um marco na mecanização do setor sucroenergético. Lançado em 2000, com os modelos BH140, BH160 e BH180, a linha rapidamente se consolidou como sinônimo de robustez e confiabilidade em operações severas. Herdando a tradição dos clássicos Valtra-Valmet 1580, 1780 e 1880S, o BH se tornou o “canavieiro raiz”, dominando os canaviais e sendo peça-chave em atividades como preparo de solo, plantio e transbordo.

Evolucao - trator BH e serie M5 plantando da Valtra

Ao longo dos anos, a linha evoluiu em ciclos consistentes: a Geração 2 (2007) e a Geração 3 (2013) reforçaram sua liderança, enquanto a Geração 4, em 2017, elevou a potência para até 220 cv. Em 2018, a chegada da BH HiTech marcou o salto tecnológico com transmissão automatizada no segmento pesado. Esse histórico rendeu à Valtra, por uma década consecutiva, o reconhecimento do prêmio Master Cana como melhor trator do setor sucroenergético. Agora, esse legado ganha continuidade — e sofisticação — com a Série M5.

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A evolução da lenda

A nova linha chega com os modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para ampliar a produtividade em culturas como grãos, arroz e, naturalmente, cana-de-açúcar. Segundo a fabricante, a proposta é clara: preservar o DNA de força do BH, mas incorporar inteligência operacional, eficiência energética e conforto ao operador.

Em entrevista exclusiva a Marcio Peruchi, diretamente da feira, o diretor de marketing da Valtra, Fabio Dotto, destacou que a decisão não representa ruptura, mas evolução. “O BH fez uma história muito bonita no agro. Ele evoluiu desde os anos 2000 até hoje sempre ao lado do produtor. Tudo aquilo que fez o BH ser reconhecido foi mantido.

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O que estamos fazendo agora é evoluir com tecnologias necessárias para os dias atuais”, afirmou. “Melhoramos a transmissão, trouxemos mais conforto e tecnologia na medida certa. O DNA permanece.” Essa visão é reforçada por Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da marca: “É uma nova era que começa. A Série M5 marca o próximo passo da evolução histórica da família BH, pensada estrategicamente para entregar máxima performance nas principais culturas do agronegócio brasileiro.”

Evolucao - trator BH e serie M5 subsolando o solo da Valtra

Tecnologia embarcada e foco no operador

A Série M5 materializa esse avanço em uma série de inovações técnicas e operacionais. O conjunto é equipado com motores AGCO Power de 4 cilindros, reconhecidos pela eficiência e economia de combustível. A nova Transmissão Power Shift HiTech 3 sincronizada permite trocas de marcha com o trator em movimento, com maior suavidade e ganho operacional — um ponto crítico em jornadas intensas no campo.

O sistema hidráulico também foi reforçado, com vazão de 205 litros por minuto, garantindo desempenho consistente mesmo com implementos pesados e em condições severas.

No campo do conforto, a evolução é ainda mais evidente. A cabine foi completamente redesenhada, com novos revestimentos, assentos aprimorados e soluções práticas como uma “cooler box” integrada — detalhe que evidencia a preocupação com o bem-estar do operador em longas jornadas.

Visualmente, o trator também marca uma nova fase, com design mais moderno e robusto, destacando o novo capô de 5ª geração.

DNA canavieiro preservado

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Mesmo com a ampliação de atuação para diferentes culturas, a Série M5 mantém uma ligação direta com o setor que consagrou o BH: a cana-de-açúcar. O tradicional kit canavieiro segue presente, incluindo eixo dianteiro com bitola de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola — elementos fundamentais para operações de transbordo com máxima eficiência.

Tradição e futuro no mesmo equipamento

Para a Valtra, o lançamento da Série M5 representa mais do que um avanço tecnológico — é a consolidação de um conceito: unir a força do passado com as demandas do futuro

“O que fizemos foi honrar a herança de força incansável da linha BH, elevando a máquina ao seu ápice tecnológico. Entregamos um trator que respeita sua história, mas que olha para frente com inteligência operacional e conforto. É o encontro entre o trabalho bruto e a agricultura digital”, resume Winston Quintas.

O fim da Série BH encerra um dos capítulos mais emblemáticos da mecanização agrícola brasileira. Já a chegada da Série M5 deixa claro que, no campo, a evolução não apaga a história — ela a transforma em base para o próximo salto.

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Como o mercado de soja fechou o mês de abril? Ritmo lento dita negócios; saiba mais

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou o mês de abril com preços estáveis e baixo volume de negociações, refletindo um período de cautela por parte dos produtores. Ao longo do mês, as vendas foram pontuais, com foco no encerramento da colheita e na expectativa por condições mais favoráveis de comercialização.

Entre os principais fatores que influenciam a formação de preços, o cenário foi misto. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros apresentaram leve valorização, enquanto no Brasil o câmbio atuou de forma negativa, com a queda do dólar frente ao real pressionando os preços internos.

Preços no Brasil

No mercado físico, houve pequenas variações nas cotações. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00. Já em Cascavel (PR), o avanço foi de R$ 120,00 para R$ 121,00, enquanto em Rondonópolis (MT) os preços passaram de R$ 108,00 para R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), a cotação saiu de R$ 130,00 para R$ 131,00.

Contratos futuros de soja

Os contratos futuros com vencimento em julho, os mais negociados em Chicago, acumularam alta de 0,75% no mês, sendo cotados a US$ 11,95 por bushel no dia 30. O suporte veio, principalmente, da valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e de sinais de retomada na demanda norte-americana.

Soja em Chicago

No cenário internacional, o mercado acompanha expectativas envolvendo os Estados Unidos e a China, com possíveis acordos comerciais que possam impulsionar as exportações da oleaginosa. Ainda assim, o ambiente segue pressionado pela ampla oferta global, com destaque para a safra recorde brasileira, boa produção na Argentina e perspectivas positivas para o plantio americano.

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Câmbio

Internamente, o câmbio segue como fator limitante. O dólar operou abaixo de R$ 5,00 no fim de abril, sendo cotado a R$ 4,997 no dia 30, acumulando queda de 3,5% no mês. A entrada de capital estrangeiro, atraído pelos juros elevados no Brasil, contribuiu para a valorização do real e impactou negativamente a competitividade das exportações.

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