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3 de agosto de 2026

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Soja em Mato Grosso enfrenta atrasos, clima e mercado desfavoráveis

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O plantio da soja em Mato Grosso avança sob forte pressão. Atraso histórico na semeadura, falta de regularidade das chuvas e mercado desfavorável elevam o risco para os produtores, que enfrentam uma das safras mais desafiadoras dos últimos anos.

Em regiões que tradicionalmente encerram o plantio ainda em outubro, muitas áreas seguem esperando chuva para avançar. O cenário gera apreensão principalmente entre agricultores que dependem de produtividade para fechar as contas.

Em Campo Verde, o presidente do Sindicato Rural, Alexandre Schenkel, relata que a interrupção das chuvas comprometeu o início da safra. “As chuvas que deram depois que iniciou o plantio não deram sequência, então acabou atrapalhando a instalação dessa lavoura, o estande dessas lavouras, principalmente as bordaduras”, conta ao Canal Rural Mato Grosso. Ele observa que áreas mais arenosas e recentes acabaram avançando para novembro, em um ritmo bem diferente do esperado.

Schenkel explica que parte dos produtores já avalia como o atraso pode refletir na produtividade. “Tem alguns materiais que se comportam mais, produzem mais você plantando ali no mês de outubro, então pode ser que esse atraso no plantio retorne em produtividade”, afirma. A preocupação aumenta com a possível entrada da segunda safra em uma janela tardia, levando alguns agricultores a optarem por cultivares de ciclo mais precoce.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A percepção é semelhante em Canarana. De acordo com o presidente do Sindicato Rural do município, Lino Costa, cada dia perdido pesa. “Cada dia que passa de agora para frente não é a mesma produtividade de você plantar em uma janela bem ideal do plantio da soja”.

Em Diamantino, o atraso é ainda mais visível. O presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, resume o momento: “Temos quase 60 dias que iniciou o plantio e ele não foi finalizado ainda”. Questionado sobre o tamanho do atraso, ele é direto: “Bem atrasado, e o produtor voltou a plantar, vai esperar para ver se vai precisar fazer algum replantio em alguma área, mas é um ano bem atípico”.

Mercado travado e margem apertada

Além do clima, o produtor mato-grossense enfrenta dificuldades para comercializar a safra. Com preços estagnados e custos elevados, muitos optam por aguardar melhores oportunidades de venda.

Kroling avalia que o momento é de cautela. “O produtor queria estar com uma condição melhor de travamento, então está esperando a finalização da safra americana para voltar ao mercado e fazer novas vendas para cobrir o custo de produção”. Ele calcula que, com a saca hoje em torno de US$ 20 na sua região, qualquer reação poderia mudar o cenário: “Acredito que se viesse subir uns US$ 3 a saca mudaria bem o cenário para o produtor”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Campo Verde, Schenkel reforça que o desafio é equilibrar eficiência e custos. “O produtor está buscando reduzir custos, está procurando ser eficiente reduzindo custos mas mantendo o mínimo de tecnologia para que tenha eficiência e produtividade”, relata. Segundo ele, o preço ideal precisaria estar acima de US$ 21 por saca para garantir viabilidade. Em reais, ele aponta que vendas acima de R$ 120 seriam necessárias para cobrir despesas essenciais como diesel, funcionários e seguros.

O dirigente também lembra que os custos da segunda safra já começaram, mesmo sem definição clara sobre o desempenho da soja. “Já tivemos que comprar adubo, fertilizantes, sementes de milho, sementes de algodão. Essas despesas já estão ocorrendo, e dependemos de chuvas para ter produtividade que pague essas despesas”.

Comercialização lenta e expectativa de reação

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam avanço modesto nas vendas. A comercialização da safra 2024/25 de soja atingiu 97,12% em outubro, aumento de apenas 1,42 ponto percentual no mês. Já a 2025/26 segue mais lenta: apenas 36,08% foram vendidos, ritmo abaixo do registrado no ano passado e inferior à média dos últimos cinco anos.

Em Água Boa, o presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, afirma que o produtor não vê estímulos suficientes para negociar. “Nós estamos no fundo do poço dos preços da soja, e ela não tem reagido assim substancialmente para que estimulem o produtor a vender”, diz. Conforme ele, há cautela, mas também consciência dos riscos: “A gente não pode ficar esperando para vender na boca da colheita, porque também a gente pode ter problemas piores”.

Delai acredita que, com o baixo aumento de área plantada no país, os preços podem reagir. “O que a gente acredita, fazendo uma análise histórica, é que como os aumentos de áreas deste ano foram muito pequenos, nós teremos preços um pouco melhores de agora para frente”.


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Colheita de café no Cerrado Mineiro chega a 66%, mas chuva atrasa ritmo

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Foto: Cléverso Beje/Faep

A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro, chegou a 66% até 31 de julho. O índice representa um leve atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já alcançavam 70%.

Segundo boletim da cooperativa, 46% do volume colhido já passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 500 litros por saca beneficiada de 60 quilos.

O avanço da colheita perdeu força na última semana por causa das chuvas registradas entre os dias 24 e 25 de julho. Em algumas áreas, os volumes ficaram acima do previsto e interromperam temporariamente parte das operações no campo.

De acordo com os técnicos da Expocacer, a umidade do solo dificultou principalmente a colheita mecanizada, o recolhimento do café de chão e o transporte da produção. Em diversas propriedades, foi necessário suspender o uso de máquinas até que as condições voltassem a ser favoráveis.

Além disso, as rajadas de vento durante as chuvas aumentaram a queda de frutos secos que ainda estavam nas plantas, elevando o volume de café depositado no solo.

Qualidade exige atenção

A cooperativa também aponta aumento no percentual de catação, que segue acima de 15% de forma geral. As cargas continuam apresentando maior presença de grãos verdes e de café de chão, fatores que podem comprometer a qualidade física dos lotes e da bebida.

Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados nas etapas de beneficiamento e classificação do café.

Clima deve favorecer retomada

Após a passagem da instabilidade, o tempo voltou a ficar firme no Cerrado Mineiro. As temperaturas mais elevadas ajudaram na secagem dos frutos e na recuperação das condições de tráfego nas lavouras, permitindo a retomada gradual da colheita.

Para os próximos dias, a previsão é de continuidade do tempo seco, sem chuvas significativas até 5 de agosto. Esse cenário deve favorecer o avanço dos trabalhos em toda a região.

Os modelos meteorológicos, no entanto, indicam queda gradual das temperaturas ao longo da semana, com mínimas próximas de 8°C. A orientação da Expocacer é que os produtores acompanhem as atualizações da previsão do tempo para planejar as atividades no campo.

A cooperativa reúne mais de 800 cafeicultores e projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de atuação em 2026.

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Colheita do algodão segue atrasada ante a média dos últimos cinco anos em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do algodão em Mato Grosso alcançou 28,67% da área cultivada na temporada 2025/26, um progresso de 15,56 pontos percentuais na variação semanal. Apesar do registro, ao se comparar com a média de 31,18% das últimas cinco temporadas os trabalhos apresentam atraso.

O levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre os trabalhos nas lavouras de algodão revela ainda que em relação ao ciclo 2024/25 a colheita está 10,40 pontos percentuais à frente.

Entre as regiões produtoras, o Nordeste mato-grossense já colheu 66,66% da área destinada para a fibra, enquanto o Médio-Norte 32,64% e o Sudeste 31,26%;

Já na região Oeste as máquinas passaram por 23,70% da área semeada e na Noroeste em 23,10%. No Centro-Sul do estado 18,79% do algodão foi colhido.

Até junho Mato Grosso, segundo o Instituto, contava com 73,01% da produção de pluma prevista negociada e 38,01% do caroço de algodão.


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Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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