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13 de setembro de 2026

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Sistema inédito promete agilizar a regularização ambiental em MT

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A regularização ambiental em Mato Grosso ganhou um novo impulso com a implantação de dois módulos inéditos integrados ao Sistema Mato-Grossense de Cadastro Ambiental Rural (SIMCAR). Lançada pelo governo do estado por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), a ferramenta tecnológica foi desenvolvida para reduzir o passivo de quase 25 mil cadastros pendentes em assentamentos e ampliar a eficiência da regularização em todo o estado.

Os novos módulos, chamados Assentamento e Compensação, foram lançados nesta segunda-feira (17) e prometem dar celeridade a processos que, em alguns casos, poderiam levar anos para serem concluídos, garantindo mais segurança jurídica para produtores rurais.

Desafios e as soluções tecnológicas

O Módulo Assentamento permite organizar e destravar processos antigos, validando de forma conjunta e em poucas horas todos os lotes de uma área coletiva. Já o Módulo Compensação tem como objetivo viabilizar ajustes de reserva legal, oferecendo soluções para propriedades com passivos anteriores a 2008.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Segundo a secretária de estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, a solução para os assentamentos é integrada e eficiente.

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“O assentamento vai ser analisado como um todo e a partir do lançamento das informações ambientais o sistema é capaz de emitir em poucas horas todos os cadastros de um assentamento e permite com rapidez que o ele como todo seja regularizado”, explicou no lançamento.

Atualmente, Mato Grosso acumula 262 mil análises ambientais concluídas. Destes, de acordo com a Sema-MT, mais de 147 mil cadastros já passaram por algum tipo de verificação. São 34 mil CAR validados, 23 mil analisados com pendências e outros 45 mil ainda sem análise.

Entretanto, a pasta do governo do estado ressalta que o maior gargalo está justamente nos assentamentos: quase 25 mil cadastros ainda aguardam a primeira verificação técnica.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, destacou a importância das inovações para o setor. “Dois passos importantes. Dois sistemas que vão permitir um avanço na área ambiental no estado, que vai ter uma dinâmica mais simplificada para trazer mais segurança jurídica e, consequentemente, mais investimento em todas as áreas do agro do nosso estado”.

Mato Grosso avança na frente

O estado já conta com mais de 600 produtores rurais que assinaram o termo de compromisso e agora poderão concluir o processo de regularização com a nova tecnologia. Com a solução, Mato Grosso se torna pioneiro.

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“Isso acaba fechando todas as lacunas que existiam no código florestal no que diz respeito a aplicabilidade prática dele. Mato Grosso é o primeiro estado da federação a ter a solução completa, ou seja, tanto a possibilidade de regularizar dentro de unidades de conservação como em áreas privadas”, pontuou a secretária Mauren Lazzaretti.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O governador Mauro Mendes reforçou o empenho do estado. “Mato Grosso é hoje o estado que tem o maior número de validação. Nós estamos na frente da maioria dos estados e aqui nós temos dificuldades adicionais. Nós temos três biomas, o que torna mais complexo a aplicação daquilo que estabelece a nossa lei, a nossa realidade, mas independente disso nós temos feito muitos esforços e investimentos ao longo dos últimos anos e já estamos avançando”, disse.

Assentamento pioneiro

O primeiro teste da tecnologia aconteceu no Assentamento Pai Herói, em Tabaporã, no médio-norte do estado. Em uma área de quase 94 hectares, as 46 famílias assentadas tiveram o CAR revisado, analisado e validado de forma mais rápida.

“Esse assentamento já foi piloto de regularização fundiária e agora ele tem a regularização ambiental. Esse é o modelo que nós queremos para produção nos assentamentos de pequenos produtores em Mato Grosso, com isso eles vão ter acesso a crédito e ter condições de receber outros benefícios para a produção sustentável que realizam no assentamento”, frisou Mauren Lazzaretti.

Produtores rurais que esperavam há anos agora celebram a conquista. Para Denício Cavalari da Silva, a regularização traz um novo horizonte para o campo. “É um alívio, porque hoje a área é regularizada com esse documento. Então para nós é uma conquista muito grande”, comemora o produtor que já está com um projeto para iniciar a produção de legumes.

Sérgio Aparecido dos Santos, que esperava há oito anos, vê a oportunidade de crescer. “Já investi em várias coisas, então estou devendo ainda, agora com esse documento aqui, garanto que vai melhorar muito”, projetou.

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Alexandre Régio Leite, secretário de Meio Ambiente de Tabaporã, acredita que o CAR em mãos dos produtores abre portas para novos investimentos e melhoria da qualidade de vida dos assentados.

“Com o CAR em mãos desses assentados podemos de uma certa forma solicitar mais investimentos tanto do governo quanto de empresas privadas [instituições financeiras] e de uma certa forma transformar a atividade deles e a qualidade de vida deles. Tem mais de mil assentados lá, então o próximo passo é regularizar o CAR desses outros também”, afirmou.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Próximos passos e a compensação

Com 68 municípios já operando o CAR Digital e mais de 25 mil cadastros processados, Mato Grosso espera destravar milhares de processos.

A secretária de Meio Ambiente projeta as próximas etapas: “Nós faremos a partir de agora, com a publicação do decreto, um chamamento a esses produtores rurais para que eles possam acessar o sistema, lançar as informações e habilitar as áreas para que elas possam ser oferecidas para que o processo de compensação possa acontecer dentro do sistema agora”.

Para Lazzaretti, a estratégia de compensação é fundamental para coibir o desmatamento. “Esse modelo que estamos implementando em Mato Grosso, em que alguém que está produzindo pode financiar por um período a manutenção de outra área compensando, hoje ao meu ver é a estratégia mais consistente para o desmatamento evitado”, concluiu.


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Morcegos podem ajudar a recuperar florestas com técnica que usa aromas sintéticos

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Foto: Gledson Bianconi

A atração de morcegos dispersores de sementes por essências aromáticas de frutos  já é um recurso conhecido. Estudos conduzidos por pesquisadores da Embrapa Florestas (PR), do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) constataram que também é possível atraí-los utilizando compostos aromáticos sintéticos ou frações deles.

A descoberta abre caminho para uma alternativa potencialmente mais barata e operacionalmente mais simples do que o uso de óleos essenciais puros, além de reduzir a necessidade de coletar frutos silvestres na natureza.

Os resultados da pesquisa, desenvolvida pelos pesquisadores Gledson Bianconi (IFPR), Lays Cherobim (PUC-PR) e Sandra Mikich (Embrapa Florestas), estão apresentados na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes.

Origem da técnica e o uso de sintéticos

Desde 2003, a técnica vem sendo estudada a partir do uso de óleos essenciais de frutos preferidos por morcegos frugívoros (que se alimentam de frutos). Guiados pelo olfato, esses animais sobrevoam as regiões e dispersam sementes por meio de suas fezes, promovendo uma “chuva de sementes” natural que acelera a recuperação da vegetação.

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“Nossos estudos mostraram que morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira são altamente atraídos por óleos essenciais de frutos de plantas dos gêneros Ficus (figueiras), Piper (jaborandis) e Solanum (tomates silvestres). Essa atração aumenta significativamente a dispersão de sementes”, aponta a pesquisadora Sandra Mikich.

Nos últimos seis anos, os pesquisadores testaram frações desses óleos e substâncias equivalentes produzidas artificialmente. “Trabalhamos para identificar quais partes dos óleos naturais eram responsáveis pela atração dos morcegos. Mas o melhor resultado foi constatar que compostos sintéticos já disponíveis no mercado têm efeito atrativo semelhante quando utilizados em pequenas quantidades”, explica Mikich.

A técnica é uma alternativa complementar baseada em semioquímicos (substâncias que transmitem sinais químicos e influenciam o comportamento dos organismos). Lays Cherobim,  pesquisadora da PUC-PR, ressalta que o uso de substâncias sintéticas traz ganhos ambientais imediatos.

“A solução evita a coleta intensiva de frutos silvestres na natureza, necessária para extrair óleos puros. Muitas vezes, 500 gramas de frutos rendem apenas algumas gotas de óleo natural”, observa.

Restauração mais barata e rápida

A restauração de ecossistemas degradados é um desafio global, especialmente em biomas fragmentados como a Mata Atlântica, da qual restam apenas cerca de 12,4% da cobertura original, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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O pesquisador Gledson Bianconi (IFPR) destaca que o grande diferencial da tecnologia é a integração entre baixo custo, simplicidade operacional e eficácia ecológica. “A proposta é estimular processos naturais de dispersão de sementes, reduzindo a dependência exclusiva do plantio de mudas e aproveitando o próprio funcionamento ecológico da fauna”, afirma.

Cherobim reforça que a alternativa é mais prática do que o plantio direto de mudas nativas. “Produzir e manter mudas exige etapas longas e custosas: conhecer o ciclo da espécie nativa, coletar sementes, germiná-las em estufa, acompanhar o desenvolvimento e realizar o plantio”, compara.

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Agro Mato Grosso

Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta Imea

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Os dados foram apresentados aos produtores rurais em Brasnorte e fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso

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Tecnologia dos EUA pode ajudar no monitoramento de javalis em lavouras e na pecuária brasileira

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ Divulgação

Um grupo formado por 40 produtores e lideranças rurais paranaenses visitou a empresa Planet Labs, em São Francisco, nos Estados Unidos, para conhecer uma tecnologia que acompanha lavouras, identifica alterações na vegetação e estima o desempenho das culturas e que pode ser utilizada para o monitoramento de javalis no meio rural do Brasil.

A companhia norte-americana utiliza imagens de satélite para observar diariamente diferentes talhões de uma propriedade. “Para o produtor, o interessante é conhecer o que está acontecendo a cada dia em cada um dos talhões. Com os nossos dados, combinados com inteligência artificial, podemos produzir resumos do que está acontecendo em toda a área de manejo”, analisa o gerente de Produto de Agricultura da Planet Labs, Ariel Zajdband.

A visita à empresa fez parte da programação do quarto grupo da viagem técnica promovida pelo Sistema Faep aos Estados Unidos, que segue até o dia 19 de setembro.

A presidente da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura da entidade e representante do Sindicato Rural de Tibagi, Deborah Gerda de Geus, identificou no sistema a possibilidade de ampliar o mapeamento das áreas atingidas pelos javalis, além de dimensionar os prejuízos provocados nas propriedades.

Atualmente, ela utiliza informações relacionadas ao Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI, na sigla em inglês), indicador obtido a partir de sensoriamento remoto e usado para avaliar o comportamento da vegetação.

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“Com essas imagens de satélite, podemos identificar onde o javali está causando a devastação, ter uma dimensão mais próxima do dano real e acompanhar as regiões onde esse problema está avançando”, afirma Deborah.

Segundo ela, a aplicação da tecnologia norte-americana ainda precisa ser avaliada tecnicamente. Para avançar nessa análise, uma reunião com a empresa foi agendada para o fim de setembro. A ideia é entender até que ponto as imagens podem ser utilizadas para identificar alterações provocadas pelos javalis nas áreas agrícolas.

Hoje, a falta de informação é um complicador no manejo e controle dos animais. Tanto que, ao longo de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) conduziu a pesquisa nacional “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil”, levantamento que busca, justamente, reunir informações das propriedades para dimensionar a ocorrência dos animais, identificar prejuízos e subsidiar políticas públicas de controle e manejo.

Prejuízos causados por javalis

Os prejuízos agrícolas, como destruição de lavouras, são apenas uma parte da preocupação relacionada aos javalis. Para a suinocultura, há ainda um componente sanitário. O Sistema Faep alerta que suínos asselvajados podem participar da circulação de enfermidades de alto impacto para a produção comercial, como a Peste Suína Africana (PSA) e a Peste Suína Clássica (PSC).

“A principal preocupação é a quantidade de doenças que o javali pode trazer, principalmente para a suinocultura, e o impacto financeiro que um problema sanitário pode provocar no setor. Além disso, existe a devastação na parte agrícola, que traz prejuízo direto para os produtores”, ressalta a presidente da CT de Suinocultura. “Precisamos buscar alternativas e discutir de que forma o governo pode ajudar nesse controle”, afirma.

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Uso na pecuária

Além da possibilidade de acompanhar danos provocados por javalis, produtores da delegação identificaram a possibilidade de aplicação do sistema de imagens de satélite da Planet Labs na pecuária.

O pecuarista e vice-presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Mário Zafanelli, destacou o potencial do monitoramento para acompanhar a condição das pastagens e tornar mais rápidas as decisões sobre o manejo dos animais.

“Pelas informações, o produtor consegue perceber que determinado pasto está deteriorado e antecipar a decisão de colocar ou retirar um lote daquela área. Isso otimiza a tomada de decisão”, afirma.

Zafanelli também vê possibilidade de avanço no uso da tecnologia para auxiliar na contagem de animais, demanda que ainda representa um obstáculo para pecuaristas.

“Em pouco tempo, essa tecnologia pode estar na nossa mão e ajudar a solucionar uma dificuldade que temos há muito tempo”, avalia. “Uma possibilidade seria criar formas de acesso coletivo a essas informações, envolvendo os sindicatos e outras entidades que já estão próximas do produtor. Isso poderia facilitar o uso desses dados no campo”, conclui o produtor.

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