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20 de maio de 2026

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Plantio travado e solo quente desafiam o início da soja no leste de MT

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O início da safra de soja 2025/26 no leste de Mato Grosso tem sido marcado por atrasos e incertezas. A combinação de veranicos prolongados, solo aquecido e falta de umidade comprometeu o desenvolvimento das primeiras áreas plantadas, levando produtores a reavaliar estratégias e, em muitos casos, recorrer ao replantio.

Em Canarana, áreas recém-convertidas de pastagem para lavoura foram as mais afetadas. Sem palhada suficiente para proteger o solo, Rafael Telles de Tenório Siqueira terá que replantar cerca de 260 hectares de soja.

Ele iniciou o plantio em 10 de outubro, mas enfrentou um veranico de 15 dias logo em seguida. “A gente imaginou pelas previsões que iria ser um ano chuvoso agora em outubro. Iniciamos o plantio com não muita umidade, mas já o suficiente para plantar. Só que tivemos esse veranico e agora é tirar o prejuízo”, relata ao Patrulheiro Agro desta semana.

Rafael explica que a área mais nova, com apenas dois anos de cultivo, sofreu mais do que a área mais antiga. “Não é um solo arenoso, é um solo de 25 a 28 de argila. A minha outra área, que já tem seis anos de cultivo, aguentou mais. Essas mais novas acabam sofrendo um pouco mais”. Segundo ele, a safrinha dessas áreas está comprometida: “Mesmo para uma safrinha de gergelim já começa a ficar tarde, já começa a passar do dia 5, 10 de março”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima instável e cautela no plantio da soja

Odair Sangaletti também enfrenta dificuldades. “Foi dado o início do plantio, depois deu uma parada em torno de uns 8 a 10 dias. Está faltando a metade, 50% para concluir o plantio”.

Ele destaca que o gergelim, por deixar pouca palhada, expõe o solo ao calor. “A soja de 108/110 dias germinou, mas fica parada. Sem umidade ela não desenvolve e vai comprometer a produtividade”. Com os custos elevados e os preços pouco animadores, ele reforça: “Pensou em replantio, aí já se foi teu lucro. Não podemos ter risco. Tem que fazer um plantio com segurança”.

Camilo Ramos, diretor do Sindicato Rural de Canarana, confirma que o plantio foi feito “a conta-gotas, sempre no risco, com muita pouca umidade”.

Canarana deve cultivar cerca de 340 mil hectares de soja nesta safra e ele alerta para os impactos futuros: “Teve muitas regiões aqui que ficaram mais de 15, 16 dias sem chuvas. É o segundo veranico longo que vem nessa janela de plantio. Vai ser visto na colheita, com prejuízo de produtividade e na janela da segunda safra”.

Em Água Boa, o presidente do Sindicato Rural, Geraldo Delai, relata ao Canal Rural Mato Grosso que a maioria das propriedades apresenta falhas ou necessidade de replantio. O município deve cultivar em torno de 220 mil hectares de soja nesta safra. Até o momento, pouco mais de 30 mil hectares foram semeados.

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“A gente nota que ainda tem plantas nascendo, mas essas que chegam atrasadas não conseguem recuperar a força que têm. Mesmo que tenha chuva agora, tem que ser muito otimista para que tenha uma boa produtividade aqui”. Segundo ele, há produtores que já replantaram duas vezes. “Quando você faz um replante, considera 10 sacas de soja que foram embora — sete da semente e três da mão de obra, serviços e etc”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Sentimento de “um dos piores anos”

Arlindo Cancian, agricultor em Canarana, resume o sentimento da região: “Para mim foi um dos piores anos no geral em Canarana em questão de chuvas no início do plantio. Agora vai ter que esperar para ver o que terá de replantio”.

Mateus Goldoni também relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso os efeitos da falta de cobertura no solo. “Iniciamos o plantio e já estamos praticamente com 6, 7 dias sem chuvas novamente. Os vizinhos que plantaram em palhada de milho têm soja já com 25 a 30 dias. Onde tinha essa palhada, segurou melhor a temperatura. Já nas áreas de gergelim, que deixaram pouca palhada, a temperatura aumentou, perdendo estande”.

Conforme ele, a soja mais falhada compromete o manejo e a produtividade. “Ficam retraídas neste período de sol e podem ter perdas significativas, com entre-nós menores e uma planta mais baixa”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Agro brasileiro pode ser peça-chave para alimentar população global nas próximas décadas

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Foto: Freepik

Com a população mundial projetada para ultrapassar 9 bilhões de pessoas nas próximas décadas, especialistas apontam que o planeta enfrenta um dos maiores desafios da atualidade: garantir alimentos suficientes, acessíveis e produzidos de forma sustentável.

Atualmente, o mundo abriga cerca de 8,2 bilhões de habitantes. Diante do crescimento populacional e do aumento da demanda por alimentos de qualidade, o agronegócio brasileiro surge como peça estratégica para o abastecimento global.

O professor de agronegócio, José Luiz Tejon destaca que o Brasil reúne condições únicas para expandir a produção sem necessidade de novos desmatamentos. O potencial está principalmente na recuperação de áreas degradadas e na adoção de sistemas sustentáveis, como integração lavoura-pecuária-floresta e agricultura regenerativa.

“O Brasil, a médio prazo, é o único país que pode crescer no tamanho, não apenas na área, com os modelos agroambientais, como por exemplo, integração lavoura-pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)”, afirma Tejon.

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Segundo ele, o país já ocupa posição de destaque entre as maiores agriculturas do planeta e deve ampliar ainda mais sua relevância nos próximos anos. Diferentemente de outros grandes produtores, como Estados Unidos e China, o Brasil ainda possui áreas aptas à expansão agrícola sustentável. 

“A China é a maior agricultura do mundo, ela pode aperfeiçoar, mas não consegue crescer. Os Estados Unidos é a segunda maior agricultura do mundo, pode aperfeiçoar, mas não tem áreas de expansão. Então, as estimativas apontam para que em 2032, o Brasil tenha uma área agrícola superior a dos Estados Unidos”, afirma Tejon.

Qualidade dos alimentos

Além do aumento de volume, outro desafio está relacionado à qualidade dos alimentos. A produção moderna exige atenção à saúde do solo, uso racional da água, bem-estar animal, manejo sustentável e tecnologias de gestão no campo.”Não basta ter volume de alimento, esse alimento tem que ser saudável”, destaca Tejon.

Nesse cenário, a ciência e a inovação aparecem como principais ferramentas para equilibrar produção e preservação ambiental. O avanço tecnológico tem permitido ao agro brasileiro produzir mais por área cultivada, integrar cadeias produtivas e aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais.

Entre os diferenciais brasileiros estão práticas como plantio direto na palha, rotação de culturas e sistemas integrados de produção, favorecidos pelas condições climáticas tropicais. Ao contrário de países do Hemisfério Norte, onde o inverno limita a produção agrícola, o Brasil consegue manter cultivos praticamente durante todo o ano.

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Por outro lado, o clima tropical também amplia desafios relacionados ao controle de pragas, doenças e plantas daninhas, exigindo constante desenvolvimento tecnológico.

Insegurança alimentar

Outro papel estratégico do agro brasileiro está ligado à exportação de tecnologia tropical. Tejon destaca que o conhecimento desenvolvido no país pode contribuir diretamente para o combate à fome, à pobreza e à insegurança alimentar, principalmente em regiões tropicais do planeta onde a população continua crescendo.

Segundo pesquisadores, a faixa tropical e subtropical do mundo concentra grande parte dos desafios sociais relacionados ao acesso aos alimentos. Por isso, essas regiões precisarão desenvolver modelos de agronegócio sustentáveis e eficientes para atender à demanda crescente por comida.

Desperdício de alimentos

Outro ponto considerado fundamental no combate à fome global é a redução do desperdício de alimentos. De acordo com o professor na Harven Agribusiness School, Vinícius Cabaúva perdas ocorrem em toda a cadeia produtiva, desde a colheita até o consumo final, mas a maior parcela está concentrada no comportamento do consumidor.

Segundo Cabaúva, muitos alimentos acabam descartados apenas por questões estéticas, mesmo mantendo qualidade nutricional e segurança para consumo.

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“Eu me lembro das minhas aulas aqui na graduação em que claramente nós avaliávamos as características do produto que às vezes tinha uma parte danificada e que eram exatamente as mesmas características de todos os outros produtos. O nosso consumidor acaba por não comprar, um vegetal, uma hortaliça, enfim, outros tipos de alimentos por conta dessas características”.

A cadeia produtiva também busca alternativas para reaproveitamento de produtos. Algumas redes varejistas já adotam estratégias de reaproveitamento de frutas, legumes e verduras, transformando itens maduros em produtos processados, como alimentos cortados, sucos e bebidas.

Além de reduzir perdas, essas iniciativas ampliam a rentabilidade das empresas e criam novas opções de consumo

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Dia Mundial da Abelha: produção de mel de abelhas sem ferrão alia renda e preservação ambiental

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Foto: Mazinho de Brito – Ideflor-BioFoto: Mazinho de Brito – Ideflor-Bio

O Dia Mundial da Abelha, celebrado nesta quarta-feira (20), chama atenção para a importância desses insetos na manutenção da biodiversidade e na segurança alimentar.

No município de Monte Alegre, na região do Baixo Amazonas, no Pará, a data ganha um significado ainda mais especial nas comunidades atendidas pelo trabalho de meliponicultura desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio).

No local a criação de abelhas sem ferrão tem fortalecido a geração de renda e a conservação ambiental em unidades de conservação.

Na Área de Proteção Ambiental (APA) Paytuna, cerca de 20 famílias são atendidas pela iniciativa, que já contabiliza mais de 500 colônias de abelhas sem ferrão instaladas.

A atividade registra produção anual aproximada de 1.400 quilos de mel, tendo como principal espécie manejada a Melipona interrupta, popularmente conhecida como Jupará, abelha nativa da Amazônia reconhecida pela qualidade do mel e pelo importante papel na polinização de espécies florestais.

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abelha sem ferrão
Foto: Mazinho de Brito – Ideflor-BioFoto: Mazinho de Brito – Ideflor-Bio

O trabalho do instituto ocorre nas comunidades de Lages, Paytuna, Santana do Paytuna e Ererê, localizadas no entorno do Parque Estadual Monte Alegre.

Em 2025, as equipes retomaram a orientação técnica especializada aos meliponicultores, reforçando uma prática ancestral que alia conservação ambiental, fortalecimento econômico e valorização dos conhecimentos tradicionais das populações locais.

Potencial produtivo

A presença do Ideflor-Bio nas comunidades busca ampliar o potencial produtivo dos meliponários, promovendo orientações sobre manejo adequado das abelhas sem ferrão e incentivando técnicas sustentáveis de criação.

Além de melhorar a produtividade, o acompanhamento técnico fortalece a autonomia das famílias, respeitando os modos de vida locais e contribuindo para a permanência das comunidades em seus territórios de forma sustentável.

Comunidade; produção de mel
Foto: Mazinho de Brito – Ideflor-Bio

De acordo com o gerente da GRCN-I, Itajury Kishi, garantir a orientação adequada representa um avanço importante no fortalecimento da produção comunitária e das políticas públicas voltadas às populações tradicionais.

“Garantir que esse trabalho continue é reafirmar nosso compromisso com as comunidades tradicionais e com o desenvolvimento sustentável do território. A meliponicultura é uma atividade que une produção, conservação ambiental e identidade cultural, e nosso papel é garantir que esses saberes e práticas continuem sendo fortalecidos com o apoio técnico necessário”, destacou.

Planejamento de ações

Durante as visitas técnicas, as equipes também realizaram escutas comunitárias e avaliações das estruturas existentes, com o objetivo de planejar ações futuras voltadas às necessidades específicas de cada localidade.

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O diálogo direto com os produtores tem permitido identificar desafios e potencialidades da cadeia produtiva do mel na APA Paytuna, fortalecendo uma gestão ambiental participativa nas unidades de conservação da Calha Norte.

A experiência desenvolvida em Monte Alegre evidencia como iniciativas de manejo sustentável podem transformar realidades em territórios protegidos.

“Ao unir orientação técnica, valorização dos saberes tradicionais e conservação da biodiversidade, a meliponicultura conduzida pelo Ideflor-Bio demonstra que proteger as abelhas também significa investir no futuro das comunidades amazônicas e na preservação da floresta”, destaca o analista ambiental do Ideflor-Bio, Mazinho de Brito.

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EarthDaily projeta safra de trigo de inverno dos EUA no menor nível em 25 anos

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A safra de trigo de inverno dos Estados Unidos em 2026 deve atingir o menor volume das últimas duas décadas, segundo levantamento divulgado pela EarthDaily nesta quarta-feira (20). A consultoria estima produção de 29,17 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta cerca de 28,5 milhões de toneladas. O cenário é atribuído à combinação entre seca em áreas produtoras e redução da área plantada.

De acordo com a EarthDaily, o mercado começou a precificar um quadro de oferta mais restrita no início de fevereiro. Se confirmada, a produção norte-americana ficará no menor patamar em 25 anos, em um contexto de perdas de produtividade e limitação climática nas principais áreas de cultivo.

A consultoria estima rendimento 9% abaixo da tendência histórica. Já o USDA trabalha com retração de 11%. Pelas duas referências, o resultado pode representar a maior perda de produtividade do trigo de inverno em duas décadas.

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Os déficits de umidade atingem áreas produtoras do Colorado, Texas, Oklahoma e Kansas durante fases de desenvolvimento das plantas. No sudoeste do Kansas, os volumes de chuva no inverno estão entre os menores observados nos últimos anos, segundo a análise.

A EarthDaily também informa que o índice de vegetação por diferença normalizada (NDVI) mostra enfraquecimento das lavouras, refletindo a redução da umidade do solo após meses de estiagem. Esse indicador é usado para monitorar o vigor da vegetação por sensoriamento remoto e, neste caso, reforça a leitura de estresse hídrico acumulado.

Do ponto de vista técnico, a combinação entre menor área semeada e produtividade reduzida limita a capacidade de recomposição da oferta. Como os Estados Unidos são um dos principais exportadores globais de trigo, revisões negativas na safra tendem a ser acompanhadas de perto por agentes do mercado internacional. O material disponível, no entanto, não detalha efeitos imediatos sobre preços ou fluxos de comércio.

A margem de recuperação da safra é considerada limitada pela EarthDaily devido ao estresse hídrico acumulado nas lavouras. Novas estimativas e o comportamento das chuvas nas próximas semanas serão determinantes para confirmar o tamanho da produção e os desdobramentos para o mercado de trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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