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agricultura indígena de MT ganha licença inédita do Ibama

As máquinas cruzam o campo em ritmo acelerado, marcando o início de uma nova safra e um momento histórico para os povos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki, em Mato Grosso. Após 15 anos de espera, o Ibama autorizou oficialmente o plantio mecanizado nas áreas agrícolas indígenas, em uma conquista inédita e exclusiva no país. A licença ambiental será publicada ainda neste ano no Diário Oficial da União e reconhece o projeto como referência nacional.
Animados com a liberação, os indígenas devem cultivar soja em cerca de 80% dos 19,7 mil hectares de área agricultável. O presidente da Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama), Arnaldo Zunizakae, explica que a decisão vem para fortalecer uma trajetória construída com muito trabalho.
“Nós vamos plantar em torno de 75 a 80% da nossa área, um pouco de cautela porque a chuva está bem irregular. É necessário plantar soja, não tem como abrir mão dessa cultura. A preocupação mesmo é a segunda safra, porque se atrasar o plantio, compromete a colheita seguinte. Então é ter fé em Deus e trabalhar duro aqui”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.
O agricultor Ronaldo Zokezomaike ressalta que o projeto vem consolidando práticas sustentáveis e reforçando o compromisso com o meio ambiente. “A gente fez uma correção muito grande no calcário, investimos nas palhadas também. Nós já começamos a trabalhar essa parte da agricultura regenerativa para mostrar para o mundo que é possível a gente produzir consolidando tudo aí, a questão ambiental de forma correta”, explica.
Licença inédita no Brasil e no mundo
A autorização marca uma virada histórica para as 13 fazendas da cooperativa, que passam a atuar com gestão, financiamento e comercialização própria dentro da reserva indígena. Para Sônia Aparecida Zoakamaero, administradora da Coopihanama, o documento consolida a autonomia e o protagonismo dos povos indígenas na produção sustentável.
“Essa licença foi uma conquista muito grande. É a primeira licença operacional no Brasil e no mundo. Nossa meta agora é criar o selo de produção indígena Paresi, com produtos de valor agregado, como a soja preta, e exportar um alimento natural e saudável para o mundo”.
Arnaldo Zunizakae reforça que a licença representa um passo importante para acessar o Plano Safra e consolidar a renda dentro dos territórios, sem abrir novas áreas.
“Essa licença ela só vem a formalizar ainda mais essa nossa atividade, e essa licença é mais um passo para acessarmos o Plano Safra, mas tem que deixar bem claro: essa licença é para nós plantar nessas áreas que estão abertas, 19.750 hectares na terra indígena Paresi, Nambikwara e Manoki. A licença não nos autoriza a plantar transgênico, não autoriza arrendar terra, não autoriza ampliar novas áreas”, enfatiza o presidente da Coopihanama.
Ele lembra que o projeto começou há 22 anos, quando a população Paresi somava pouco mais de 1,2 mil indígenas. Hoje, são quase 3 mil indígenas. “Foi um projeto difícil de se fazer, caro, mas quando você gera renda e trabalho, você melhora a vida da população. Trouxe benefícios para nós e a gente precisa consolidar a preservação dos nossos territórios e da nossa cultura, mas ao mesmo tempo garantir a permanência da nossa população com dignidade”, afirma.

Sucessão e futuro no campo
Entre os que dão continuidade à história da agricultura indígena está Thiago Barcelos Zokezomaikae, estudante do oitavo semestre de agronomia. Ele cresceu entre as lavouras e agora representa a nova geração que alia tradição e tecnologia.
“Já vem desde a época do meu avô, passou para o meu pai e, se Deus quiser, vai passar para os meus filhos. Não é da nossa cultura a agricultura em grande escala, mas com esse solo abençoado e fértil, a gente aprendeu buscando conhecimento e tecnologia para se desenvolver cada vez mais. É da onde vem o nosso sustento, para a nossa família e para todas as outras famílias do território”, diz o estudante à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Para Arnaldo Zunizakae, ver os jovens assumindo o protagonismo é a confirmação de que o esforço valeu a pena. “Passando o bastão para essa molecada, porque chega uma hora que a gente precisa descansar, viver o resto da vida ali, voltar a caçar e pescar outra vez — hoje não como necessidade, mas como lazer e descanso”.
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Senar MT abre mil cursos gratuitos em 127 municípios em fevereiro

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) inicia fevereiro com uma ampla mobilização de qualificação profissional em todo o estado. Em parceria com 95 sindicatos rurais, a entidade disponibiliza mais de mil cursos gratuitos em 127 municípios mato-grossenses. A programação atende desde trabalhadores e produtores rurais até jovens e famílias que buscam inserção no mercado agropecuário.
O cronograma de treinamentos é dividido entre Formação Profissional Rural (FPR) e Promoção Social (PS). Na prática, as aulas abrangem diversas cadeias produtivas, com foco direto na melhoria da produtividade e na adoção de práticas sustentáveis. De acordo com o Senar MT, as capacitações são planejadas conforme a demanda específica de cada região, respeitando as vocações econômicas locais.
Entre as prioridades deste mês estão os cursos voltados às Normas Regulamentadoras (NRs). O treinamento é um gargalo jurídico e de segurança para muitas propriedades, pois a adequação às exigências legais é obrigatória. Além de prevenir acidentes, essas formações auxiliam na organização administrativa das fazendas, reduzindo riscos de multas e promovendo melhores condições de saúde ocupacional.
Outro pilar estratégico da agenda é a inclusão digital e a gestão. O objetivo é reduzir o abismo tecnológico no campo, ensinando o uso de ferramentas digitais que otimizam o controle das atividades produtivas. A ideia é que o trabalhador rural deixe de ser apenas operacional e passe a utilizar a conectividade para melhorar o desempenho econômico da propriedade.
Demanda por operadores de máquinas
O setor de máquinas e implementos agrícolas também ganha destaque devido à rápida evolução tecnológica dos equipamentos. Mato Grosso, como expoente da agricultura mecanizada, registra uma busca crescente por profissionais que saibam manusear tecnologias de precisão, garantindo eficiência e evitando o desperdício de insumos.
Para o coordenador de regionais do Senar MT, Victor Fazinga, o investimento contínuo em capacitação é o que sustenta o crescimento do estado. “O agronegócio vive um processo constante de modernização, e a qualificação profissional é essencial para acompanhar esse avanço. Mato Grosso ainda enfrenta a escassez de mão de obra especializada, especialmente para operar máquinas e novas tecnologias”.
As capacitações são viabilizadas por meio do Sistema Famato. Os interessados em conferir a programação completa, datas e locais de realização devem procurar o sindicato rural de seu município. As unidades também estão abertas para receber sugestões de novos cursos que atendam a necessidades específicas de produtores locais.
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Preço do arroz segue estável no RS apesar do ritmo lento de negócios, aponta Cepea

Os preços do arroz em casca permanecem firmes no Rio Grande do Sul, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (4) por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com o centro de pesquisas, as cotações são sustentadas pela demanda pontual para recomposição de estoques e pela oferta ajustada no estado.
Apesar da sustentação dos preços, o ritmo de negócios segue lento. O cenário reflete o desacordo entre compradores e vendedores, em um ambiente marcado pela cautela ao longo de toda a cadeia produtiva do arroz.
Produtores adotam estratégias diferentes
Do lado da oferta, o Cepea aponta um comportamento heterogêneo entre os produtores. Aqueles com maior capitalização optaram por postergar as vendas, à espera de condições mais favoráveis de comercialização.
Outros produtores, por sua vez, direcionaram o cereal para armazenamento, especialmente diante da proximidade da safra 2025/26, estratégia que contribui para manter a oferta mais ajustada no mercado disponível.
Compradores buscam garantir abastecimento
Pelo lado da demanda, compradores consultados pelo Cepea ajustaram suas estratégias para assegurar o abastecimento, principalmente em regiões onde a oferta de arroz está mais limitada.
Segundo os pesquisadores, esse movimento ajuda a sustentar os preços, mesmo em um cenário de baixo volume de negócios.
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Feira do Cerrado começa nesta quarta-feira em Monte Carmelo

Começa nesta quarta-feira (4), em Monte Carmelo (MG), a Feira do Cerrado, promovida pela Cooxupé. O evento segue até quinta-feira (5), das 8h às 18h, no Núcleo da Cooxupé de Monte Carmelo (às margens da Rodovia MG-190, Km 3), e antecipa os preparativos para o período de colheita do café, reunindo soluções que impactam diretamente a produtividade, a gestão e a sustentabilidade das propriedades rurais da região.
Com o tema “Tradição e Inovação: Gestão Responsável, Cooperativismo Forte, Futuro de Oportunidades”, a feira conecta produtores, tecnologia, conhecimento e oportunidades de negócios em uma das principais regiões da cafeicultura nacional.
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A abertura oficial está marcada para as 10h desta quarta-feira, com a presença da diretoria executiva da cooperativa, autoridades e convidados. A expectativa é receber cerca de 5 mil visitantes ao longo dos dois dias. Ao todo, são mais de 70 expositores distribuídos em uma área de 50 mil metros quadrados, com 85 estandes e mais de 14 mil produtos cadastrados.
“A Feira do Cerrado é uma ferramenta estratégica para o cooperado. Pensamos o evento para apoiar o produtor de forma prática, reunindo soluções que ajudam a melhorar a gestão da propriedade, aumentar a eficiência e preparar o negócio para o futuro”, afirma Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé.
Soluções para o dia a dia da propriedade
Em sua 11ª edição, a feira amplia o portfólio de serviços. Um dos destaques é o lançamento do Estande Peças Cooxupé, criado para fortalecer o suporte ao produtor na manutenção das propriedades. O espaço reúne mais de dois mil itens cadastrados, com foco em peças para máquinas e implementos, além de um canal direto para sugestões dos cooperados.
Os visitantes também têm acesso a soluções da cooperativa nas áreas de Geoprocessamento, Laboratório de Solo e Folha, Núcleo de Educação Ambiental (NEA), Vectag (crédito rural) e ao Protocolo Gerações, voltado à disseminação de boas práticas agrícolas e ações sustentáveis.
A feira conta ainda com a participação da SMC Specialty Coffees, empresa da cooperativa voltada aos cafés especiais, e da Corretora de Seguros da Cooxupé, ampliando o suporte à gestão e à proteção das propriedades.
Outro espaço em evidência é o Novas Culturas, reformulado para apresentar tecnologias e manejo voltados a grãos e à pecuária. A iniciativa busca apoiar a diversificação de renda e integrar o café a outros sistemas produtivos.
Além do conteúdo técnico e de negócios, o evento oferece infraestrutura com praça de alimentação, ilhas de café, espaços de convivência, área kids, espaço de beleza e acesso à internet.
Região estratégica da cafeicultura
A Feira do Cerrado ocorre em uma região reconhecida pela qualidade do café, rastreabilidade e práticas sustentáveis. Segundo a Organização da Região do Cerrado Mineiro, o território responde por cerca de 12,7% da produção nacional, com média anual de 6 milhões de sacas.
“Ao reunir soluções tecnológicas, condições comerciais diferenciadas e serviços especializados, o evento contribui para a tomada de decisão dos produtores em um cenário cada vez mais desafiador para a cafeicultura”, afirma Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da cooperativa.
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