Agro Mato Grosso
Documentário selecionado em edital da Secel revela desafios na construção de casas do povo Mehinako no Xingu

Estreia será na sexta-feira (14), em Cuiabá, e a pré-estreia, na quarta-feira (12), na própria comunidade retratada no filme
O documentário “Casa Xingu”, que apresenta a tradição e a resistência do povo Mehinako, da aldeia Utawana, localizada em Território Xinguano, estreia na sexta-feira (14.11), às 19h, no Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia (Musear), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Antes, a produção tem uma pré-estreia especial com exibição, na quarta-feira (12), na própria comunidade retratada no filme, que foi contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) no edital Documentário Temático, edição Lei Paulo Gustavo.
Os Mehinako são conhecidos pela arte minuciosa de suas esculturas em madeira e pelas cestas Kunõ, produzidas com palha de buriti e fios de algodão. Além disso, a comunidade mantém viva a prática da luta Huka Huka, uma das formas de demonstrar força e identidade, especialmente em cerimônias de homenagem aos mortos na festividade anual Kuarup, que reúne outras etnias como Kuikuro, Waura e Yawalapiti.
“O documentário Casa Xingu revela os desafios enfrentados pela comunidade Mehinako na manutenção de seus modos de vida e na construção das casas tradicionais, cada vez mais impactada pelos efeitos do desmatamento e das queimadas”, explica o diretor e roteirista da produção, Cassyo Anders.
Hai Waura Mehinako, de 21 anos, que também assina a produção executiva do projeto, destaca que o documentário busca aproximar o público não indígena da realidade vivida em seu território. “É muito importante que as pessoas conheçam nossa cultura e saibam das dificuldades que enfrentamos para manter nossas tradições. O desmatamento e as queimadas têm dificultado encontrar os materiais necessários para construir nossas casas”, relata.
A construção de uma casa tradicional Mehinako é um processo coletivo e artesanal, que pode durar de três meses a um ano, dependendo da disponibilidade de recursos naturais. Os homens são os principais responsáveis pela montagem da estrutura, feita com madeiras resistentes, embira e sapé, enquanto as mulheres auxiliam na coleta e preparação dos materiais.
Cada moradia abriga, em média, de 10 a 20 pessoas e simboliza não apenas um espaço físico, mas o centro da vida comunitária, onde se compartilham histórias, rituais e ensinamentos ancestrais.
Segundo o professor Meyeke Mehinako, da Escola Estadual Indígena da aldeia, o filme é uma forma de preservar e divulgar o modo de vida de seu povo. “O documentário é importante para mostrar nossa cultura, como vivemos na aldeia e nossos costumes. A casa é o coração da nossa convivência e o símbolo da nossa união”, afirma.
Na estreia do documentário Casa Xingu, que ocorre na sexta-feira (14), em Cuiabá, serão exibidas ainda mais duas produções audiovisuais: Quilombolar e Yanumakalu. Ambas são de autoria do diretor Cassyo Anders.
“Quilombolar” retrata a comunidade quilombola Lagoinha de Baixo, em Chapada dos Guimarães (MT), e traz depoimentos dos povos tradicionais sobre os desafios de resistir em meio a grandes produtores rurais.
Já o curta-metragem “Yanumakalu”, narra a história de uma jovem indígena que se arrisca em uma fuga imprevisível de uma fazenda de trabalho escravo em Mato Grosso. A produção é protagonizada por Hai Waura Mehinako.
Serviço | Estreia documentário “Casa Xingu”
Data: sexta-feira (14.11)
Horário: 19h
Local: Musear – UFMT, Cuiabá/MT
Entrada: gratuita
(Com informações da Assessoria)
Agro Mato Grosso
Agrishow 2026: Valtra apresenta o “Talking Tractor”, trator com inteligência artificial

A aplicação de inteligência artificial no agronegócio avança para um novo nível com a apresentação do “Talking Tractor”, da Valtra, durante a Agrishow 2026. O conceito, exibido pela primeira vez no Brasil, transforma máquinas agrícolas em assistentes interativos capazes de se comunicar com o produtor por voz e texto.
A tecnologia teve sua estreia global na Agritechnica 2025, na Alemanha, e chega agora ao mercado brasileiro como uma demonstração do futuro da agricultura digital.
IA no agronegócio: máquinas passam a interagir com produtores rurais
O “Talking Tractor” permite que o produtor rural faça perguntas diretamente à máquina sobre desempenho operacional, consumo de combustível, eficiência e emissões de carbono. As respostas são fornecidas em tempo real, com insights que auxiliam na tomada de decisões e na gestão financeira da propriedade.
A proposta é simplificar informações técnicas complexas, transformando dados em diálogos acessíveis e visuais para o dia a dia no campo.
Adoção de tecnologia no campo impulsiona inovação no Brasil

A chegada da solução encontra um ambiente favorável no agronegócio brasileiro. Segundo levantamento da McKinsey & Company, 54% dos produtores rurais no país acreditam que a tecnologia contribui diretamente para o aumento da rentabilidade.
Dados da Universidade de Brasília (UnB) também apontam alta digitalização no setor: mais de 95% dos produtores já utilizam alguma tecnologia digital, sendo que cerca de 70% fazem uso de softwares de gestão rural.
Valtra Coach integra sistema e amplia uso em múltiplos idiomas
O conceito é integrado ao aplicativo Valtra Coach e funciona a partir de dispositivos móveis conectados ao sistema da máquina. O assistente virtual é capaz de operar em diferentes idiomas, incluindo inglês, alemão, francês, finlandês, espanhol e português.
Para seu desenvolvimento, o sistema foi treinado com base em manuais de operação da Valtra, guias de agricultura inteligente, dados de telemetria e registros operacionais, ampliando a precisão das respostas.
Tecnologia reconhecida internacionalmente e finalista de prêmio global
O “Talking Tractor” já recebeu reconhecimento internacional ao ser finalista do prêmio DLG-Agrifuture Concept Winner 2025, na Alemanha, que destaca tecnologias inovadoras voltadas ao futuro do campo.
A solução é considerada um conceito de alto potencial dentro da transformação digital da agricultura.
Interação por voz e dados em tempo real aumentam segurança operacional
Segundo a Valtra, o sistema pode ser utilizado em qualquer modelo da marca equipado com telemetria Valtra Connect, seja em máquinas novas ou adaptadas.
A interação pode ser feita por comandos de voz ou texto, inclusive durante a operação no campo. O sistema permite conexão via Bluetooth do trator ou fones de ouvido, garantindo segurança ao operador enquanto mantém o foco na atividade agrícola.
Dados operacionais são transformados em informações visuais
O grande diferencial do sistema está na capacidade de transformar dados técnicos em informações visuais e práticas. O “Talking Tractor” pode exibir ilustrações de manuais, checklists operacionais e infográficos baseados em dados reais de telemetria da máquina.
A proposta é facilitar a interpretação de informações e melhorar a eficiência operacional no campo.
Tecnologia ainda é conceito e não tem previsão de lançamento
Apresentado como destaque tecnológico da Valtra na Agrishow 2026, o “Talking Tractor” é uma prova de conceito e ainda não possui previsão de lançamento comercial no Brasil.
Valtra destaca visão de futuro para agricultura digital

Para a empresa, a inovação representa um avanço na forma como a tecnologia pode ser aplicada no campo.
“Mais do que uma nova ferramenta, o Talking Tractor é um exemplo de como a inteligência artificial pode humanizar a alta tecnologia e torná-la acessível e prática para o agricultor”, afirmou Fabio Dotto, diretor de marketing de produto da Valtra.
Segundo ele, o conceito redefine a produtividade ao integrar máquina, dados e produtor em um sistema colaborativo, reforçando o papel da inteligência artificial na agricultura do futuro.
Agro Mato Grosso
Ferrugem asiática triplica no Brasil e chega a quase 400 casos; saiba qual estado lidera ocorrências

A ferrugem asiática da soja apresentou um crescimento expressivo na safra 2025/26 em comparação ao ciclo anterior. De acordo com o Consórcio Antiferrugem, já foram registrados 379 casos da doença no país, número que representa aproximadamente o triplo das ocorrências contabilizadas na safra 2024/25.
O estado com maior número de registros é o Paraná, que soma 156 casos até o momento. Somente no município de Palotina foram identificados 10 focos da doença, reforçando a preocupação com a disseminação da ferrugem em regiões produtoras.
Especialistas alertam que decisões de manejo podem ter contribuído para o avanço da doença. Em períodos de clima mais seco, alguns produtores reduzem ou até suspendem aplicações preventivas de fungicidas, acreditando em menor risco de infecção. No entanto, bastam poucos dias de alta umidade para que o fungo se instale rapidamente nas lavouras.
As chuvas durante o inverno favorecem a sobrevivência dos esporos do fungo no ambiente. Além disso, a ampliação da janela de plantio aumenta as chances de ocorrência da doença ao longo da safra.
“A ferrugem asiática é causada por um fungo biotrófico, que depende de tecido vegetal vivo para sobreviver. Por isso, o vazio sanitário, que começa em junho, é uma das principais estratégias de controle. O período busca eliminar plantas vivas de soja no campo, reduzindo o inóculo e atrasando a ocorrência da doença na safra seguinte”, diz Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja.
Outro ponto de atenção para os produtores é o acompanhamento dos resultados da rede de ensaios de fungicidas, divulgados também no mês de junho. Como o fungo já apresenta resistência a alguns grupos químicos, a escolha correta dos produtos é considerada essencial para manter a eficiência do controle e reduzir perdas na próxima safra.
Agro Mato Grosso
Estudo propõe origem distinta para hidrocarbonetos em formigas

Hipótese liga alcanos lineares à proteção contra dessecação e compostos ramificados à defesa antimicrobiana e à comunicação
Hipótese científica propõe vias evolutivas independentes para os hidrocarbonetos lineares e ramificados presentes na cutícula de formigas. O trabalho usa a espécie Cataglyphis niger como modelo. O autor, Abraham Hefetz, argumenta que os alcanos lineares ganharam importância inicial na formação de uma barreira contra perda de água.
Depois, passaram a atuar também como pistas e sinais químicos. Já os alcanos ramificados teriam outra origem. O ponto de partida, segundo a hipótese, envolve ácidos graxos ramificados com ação bactericida. Depois, essa rota metabólica teria sido aproveitada para gerar compostos usados na comunicação social.
O trabalho de Hefetz reúne base conceitual e evidências químicas. A análise dos extratos cefálicos de operárias encontrou três grupos de compostos. O primeiro inclui ácidos graxos lineares e ramificados, com cadeias entre C14 e C18. O segundo inclui ésteres heptílicos correspondentes a esses ácidos. O terceiro inclui hidrocarbonetos alifáticos lineares e ramificados. A presença de ácidos graxos ramificados em quantidade relevante reforça a ideia de função própria, e não apenas de papel intermediário na biossíntese.
O estudo também comparou extratos da cabeça com a secreção da glândula pós-faríngea, principal reservatório de hidrocarbonetos cuticulares. Nessa glândula apareceram os hidrocarbonetos e alguns ácidos graxos lineares, como hexadecanoico, oleico e octadecanoico.
Os ácidos graxos ramificados e seus ésteres, porém, não apareceram ali. Esse resultado aponta para outra glândula cefálica, ainda não identificada, como origem desses compostos. Destaca-se ainda a congruência entre as posições de ramificação dos ácidos graxos e dos alcanos ramificados, fato central para sustentar a hipótese evolutiva proposta.
Interpretação do autor
Na interpretação do autor, os alcanos lineares atenderam primeiro a uma exigência física. Eles formam uma camada impermeável na superfície corporal e reduzem a dessecação. Essa função ganha peso em ambientes áridos, como o habitat da formiga.
O próprio perfil químico da espécie mostra predominância de hidrocarbonetos de maior peso molecular, padrão compatível com adaptação à seca. Como esses compostos já recobriam todo o corpo, a transição para função comunicativa teria ocorrido depois, com uso em reconhecimento social e organização de tarefas.
Compostos ramificados
Os compostos ramificados entram em outra lógica, aponta Hefetz. Eles ampliam o conteúdo informacional do perfil químico, porque admitem várias posições de ramificação e também estereoisômeros. Isso aumenta a capacidade de codificação de sinais sociais, como reconhecimento de ninho e identidade de casta.
O custo aparece no plano físico. Compostos ramificados reduzem o ponto de fusão da mistura cuticular e enfraquecem a impermeabilidade da cutícula. O artigo trata esse quadro como um balanço entre comunicação e proteção hídrica. Em outras palavras, mais informação química pode implicar menor eficiência contra perda de água.
A hipótese central liga os ácidos graxos ramificados a uma função antimicrobiana ancestral. O cientista cita o potencial bactericida desses compostos, com destaque para ação sobre microrganismos sem parede celular, como micoplasmas.
A partir dessa base, os alcanos ramificados teriam surgido por aproveitamento de uma rota biossintética já disponível. A hidrofobicidade desses alcanos teria facilitado sua mistura com os compostos lineares e sua distribuição pela superfície do corpo. Os ésteres heptílicos encontrados nas cabeças das operárias entram como possível forma de armazenamento menos tóxica dos ácidos graxos livres.
Hefetz também cita suporte indireto vindo da regulação neuro-hormonal. Em Camponotus fellah, estudo anterior mostrou resposta distinta entre alcanos lineares e ramificados após interferência na sinalização por inotocina. Para o autor, esse contraste ajuda a reforçar a proposta de evolução independente entre os dois grupos.
Química cuticular
Na prática, a hipótese reorganiza a leitura sobre a química cuticular em formigas. Em vez de derivação simples dos compostos ramificados a partir dos lineares, o cientista sugere duas histórias evolutivas com pressões seletivas distintas. Uma delas prioriza impermeabilidade e sobrevivência em ambiente seco. A outra parte de defesa microbiana e avança para comunicação social.
Mais informações em doi.org/10.3390/insects17040427
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