Sustentabilidade
Impacto econômico da ferrugem-asiática em soja, quando iniciar e até quando manter o monitoramento e controle da doença: critérios fenológicos e epidemiológicos. – MAIS SOJA

Considerada uma das doenças mais devastadoras que acometem a soja, a ferrugem-asiática, causada pelo fungo (Phakopsora pachyrhizi) pode ocasionar perdas expressivas da produtividade, chegando até mesmo a comprometer o rendimento da lavoura. O fungo é considerado policíclico, ou seja, possui a capacidade em completar múltiplos ciclos de infecção ao longo do ciclo de desenvolvimento da planta, resultando na capacidade do patógeno em acometer a cultura em qualquer estádio do seu desenvolvimento.
Essa condição dificulta o manejo efetivo da ferrugem-asiática, tornando necessário o monitoramento constante e a adoção de medidas de manejo proativas para reduzir a gravidade das infecções. Dependendo da severidade da doença, período em que acomete a soja e suscetibilidade da cultivar, perdas de produtividade variando entre 10% a 90% podem ser observadas (Godoy, et al., 2024).
Estimando os danos ocasionados pela ferrugem-asiática em soja, Danelli; Reis; Boaretto (2015) constataram que para cada 1% de incidência foliolar de ferrugem perde-se até 9,02 Kg/ha, correspondendo a perdas de produtividade de 13,34 a 127,4 kg/ha/1 lesão/cm² (para densidade de lesões) e de 5,53 a 110,0 kg/ha/1 uredínio/cm² (para densidade de uredías).
Figura 1. Relação entre incidência de folíolos (%) e rendimento de grãos (patossistema da soja x ferrugem asiática da soja) para BRS GO 7560 e BRS 246 RR no estágio fenológico R5.3, R5.4 e R5.5.
Considerando o elevado impacto econômico que a ferrugem-asiática pode causar na cultura da soja, é essencial adotar estratégias de manejo eficientes para reduzir perdas de produtividade. Como a doença pode ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da planta, o monitoramento deve começar logo nos estádios iniciais, principalmente quando há condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo, presença de esporos ou relatos da doença em áreas próximas.
A infecção pelo fungo Phakopsora pachyrhizi depende não apenas da presença de inóculo, mas também de condições ambientais específicas, como temperaturas amenas e a presença de água livre na superfície foliar. A taxa de infecção é máxima quando ocorrem de 10 a 12 horas de molhamento foliar contínuo (Soares et al., 2023). Devido à sua agressividade, é fundamental detectar a doença ainda nos estádios iniciais de desenvolvimento, para possibilitar intervenções mais eficazes.
Os primeiros sintomas geralmente surgem no terço inferior da planta, manifestando-se como pequenas pontuações (com até 1 mm de diâmetro) de coloração esverdeada a cinza-esverdeada, mais escuras que o tecido saudável da folha (Figura 2). A confirmação visual da ferrugem ocorre pela observação, no verso das folhas (face abaxial), de saliências semelhantes a pequenas bolhas ou feridas, que correspondem às estruturas de reprodução do fungo (urédias). Essa identificação pode ser facilitada com o uso de lupa de 20 a 30 aumentos ou sob microscópio estereoscópico (Embrapa, s. d.).
O monitoramento deve ser mantido desde a emergência da cultura, com maior intensidade próximo fechamento das entrelinhas e no florescimento da soja, sobretudo em regiões com presença confirmada da doença. Devem ser coletadas folhas dos terços médio e inferior da planta e observadas contra a luz, em busca das pontuações escuras características (Figura 2).
Figura 2. Folha de soja observada contra a luz. Pontos escuros podem ser sintomas da ferrugem-asiática.

Em caso de dúvida quanto à presença da doença, recomenda-se utilizar uma câmara úmida: basta colocar as folhas suspeitas em um saco plástico junto a um pedaço de papel ou algodão umedecido, soprar ar para inflar e fechar o saco, formando um pequeno balão. O material deve ser mantido em ambiente fresco e à temperatura ambiente por 12 a 24 horas. Nesse período, o fungo pode formar urédias com uredosporos visíveis, facilitando a confirmação diagnóstica (Godoy et al., 2017) (Figura 3).
Figura 3. Câmara úmida com saco plástico e papel (ou algodão) umedecido para induzir a formação das estruturas reprodutivas de Phakopsora pachyrhizi.

O monitoramento da ferrugem deve se estender até a fase final do enchimento dos grãos. A partir de R7, onde ocorre o máximo acúmulo de matéria seca nos grãos, e a planta não absorve mais água nem nutrientes, pode-se sessar o monitoramento e controle da ferrugem, sem danos econômicos.
Para melhor monitoramento das condições regionais referentes a ocorrência da doença, pode-se utilizar de ferramentas de monitoramento como o coletor de esporos a plataformas que acompanham a evolução dos casos de ferrugem-asiática como o Consórcio Antiferrugem. A plataforma é disponível via site e aplicativo, e permite acompanhar a evolução dos casos de ocorrência de ferrugem-asiática em soja voluntária, em lavouras de soja e as áreas com a presença de esporos do fungo.
Já o coletor de esporos (figura 4), possibilita detectar os uredosporos do fungo causador da ferrugem-asiática, transportados pelo vento, antes da manifestação sintomática nas plantas, possibilitando assim o manejo técnico e econômico da doença (Oliveira et al., 2020). No entanto, não necessariamente a presença de esporos de ferrugem no coletor de esporos resulte na ocorrência da doença, uma vez que esporos inviáveis podem ser observados, e dependendo das condições ambientais a infecção pode não ocorrer. Contudo, o coletor de esporos é uma ferramenta auxiliar fundamental no manejo da ferrugem-asiática, servindo como alerta para a ocorrência da doença.
Figura 4. Tubo do coletor de esporos visto de frente mostrando o suporte com a lâmina de vidro acoplada.

Vale destacar que visando reduzir o impacto econômico da ferrugem-asiática na lavoura, dada a elevada agressividade da doença, além do monitoramento constante da área de produção, e evolução dos casos de ferrugem-asiática em áreas vizinhas, recomenda-se que todas as medidas de controle da ferrugem sejam adotadas de forma preventiva a ocorrência da doença.
Referências:
DANELLI, A. L. D.; REIS, E. M.; BORETTO, C. CRITICAL-POINT MODEL TO ESTIMATE YIELD LOSS CAUSED BY ASIAN SOYBEAN RUST. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 41, n. 4, p. 262-269, 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/sp/v41n4/0100-5405-sp-41-4-0262.pdf >, acesso em: 15/07/2025.
EMBRAPA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, s. d. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1001340/1/010001.pdf >, acesso em: 15/07/2025.
GODOY, C. V. et al. BOAS PRÁTICAS PARA O ENFRENTAMENTO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 92, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1074899/1/ComTec92OL.pdf >, acesso em: 16/07/2025.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 15/07/2025.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 16/07/2025.
SEIXAS, C. D. S. MONITORAMENTO DE Phakopsora pachyrhizi NA SAFRA 2022/2023 PARA TOMADA DE DECISÃO DO CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 201, 2023. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1161565/monitoramento-de-phakopsora-pachyrhizi-na-safra-20222023-para-tomada-de-decisao-do-controle-da-ferrugem-asiatica-da-soja >, acesso em: 16/07/2025.
SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 15/07/2025.

Sustentabilidade
CEEMA: Milho Volta a Subir em Chicago Enquanto Exportações Disparam no Brasil – MAIS SOJA

As cotações do milho, em Chicago, voltaram a ultrapassar a barreira dos US$ 4,50/bushel nesta semana, fechando a quinta-feira (23) em US$ 4,55, contra US$ 4,48/bushel uma semana antes.
Por sua vez, o plantio do cereal nos EUA chegou a 11% no dia 19/04, contra a média de 9%. Naquela data, 4% das lavouras já emergiram, contra 2% em 2025 e na média histórica.
Os embarques estadunidenses, na semana encerrada em 16/04, somaram 1,67 milhão de toneladas, ficando dentro do esperado pelo mercado. Assim, o volume total exportado, no atual ano comercial, chega a 51,7 milhões de toneladas, ou seja, 32% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
E no Brasil, os preços ficaram relativamente estáveis. No Rio Grande do Sul os mesmos se mantiveram em R$ 57,00/saco, enquanto nas principais praças nacionais os valores oscilaram entre R$ 48,00 e R$ 63,00/saco, confirmando a estabilidade atual deste mercado.
Dito isso, nos primeiros sete dias úteis de abril o Brasil exportou 297.828 toneladas de milho. Isso representa um aumento 377,1% na média diária, em relação a todo o mês de abril do ano passado. Ou seja, nos primeiros sete dias deste mês de abril o país já exportou 66,9% do volume exportado em todo o mês de abril de 2025. No faturamento, o Brasil já arrecadou US$ 73,2 milhões no acumulado de abril, contra US$ 48,5 milhões em todo o mês de abril de 2025. Na média diária, a receita está em US$ 10,45 milhões contra 2,4 milhões do ano passado, com uma elevação de 330,9%. Já o preço pago por tonelada caiu 9,7% ficando em US$ 245,70 em abril de 2026, contra os US$ 272,00 de abril de 2025 (cf. Secex).
Enfim, o clima na safrinha continua preocupando, pois espera-se, para o restante de abril, tempo quente e seco na faixa Central do Brasil, o que pode reduzir a produtividade das lavouras.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
CEEMA: Alta em chicago e corte de área no conesul sustentam mercado do trigo – MAIS SOJA

A cotação do trigo, para o primeiro mês, voltou a subir nesta semana, fechando a quinta-feira (23) em US$ 6,10/bushel. Uma semana antes o bushel esteve a US$ 5,98. A falta de acordo em relação ao término da guerra no Oriente Médio, o que mantém a alta dos custos de produção mundo afora preocupa o mercado.
Dito isso, as condições das lavoura de trigo de inverno, nos EUA, no dia 19/04, apresentavam-se com 33% entre ruins a muito ruins, 37% regulares e 30% entre boas a excelentes. Já o plantio do trigo de primavera, na mesma data, atingia a 12% da área esperada, ficando no mesmo nível da média histórica.
Por outro lado, os EUA embarcaram 518.141 toneladas na semana encerrada em 16/04, o que levou o total exportado, no atual ano comercial, a 21,5 milhões de toneladas, ou seja, 14% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. E no Brasil, os preços subiram mais um pouco. Nas principais praças gaúchas os valores giraram ao redor de R$ 62,00/saco, enquanto no Paraná os mesmos ficaram entre R$ 66,00 e R$ 67,00/saco.
A preocupação maior, agora, é que, além da forte redução na futura área semeada no Brasil, consta que a Argentina, nossa principal fornecedora, também já sente os efeitos da alta nos custos de produção devido à guerra. Tal cenário irá influenciar as decisões do novo plantio, podendo igualmente levar a uma redução na área semeada no vizinho país. Isso perpassa o conjunto dos países produtores mundo afora, devendo mudar o quadro de oferta esperado para o ano 2026/27.
Por enquanto, a área estimada na Argentina está 200.000 hectares a menos em relação ao ano anterior, devendo atingir a 6,5 milhões de hectares. O plantio do trigo inicia em maio no vizinho país. Mas, muitos produtores já cogitam trocar o trigo por outra cultura de inverno ou passar diretamente para a soja. Lembrando que a Argentina, na última safra, colheu o recorde de 27,8 milhões de toneladas de trigo (cf. Bolsa de Cereais de Buenos Aires).
Em tal contexto, e diante da escassez de oferta para o produto de qualidade superior, alta dos preços externos e forte redução da futura área a ser semeada, a tendência é de os preços do cereal continuarem subindo no Brasil. Há grandes incertezas por parte do setor tritícola nacional quanto à nova safra. Soma-se a isso o fato que, “desde o segundo semestre de 2025, os preços no Sul do País vêm sendo negociados abaixo dos patamares mínimos estabelecidos pela Política Nacional de Preços Mínimos, o que desestimula a produção” (cf. Cepea).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
MS: Milho ganha protagonismo e reforça papel estratégico no agro brasileiro – MAIS SOJA

No dia 24 de abril, quando se celebra o Dia Internacional do Milho, a cultura reafirma sua importância não apenas como base da alimentação animal, mas também como um dos pilares da agroindústria. Em Mato Grosso do Sul, o cereal ganha cada vez mais espaço na produção de etanol, pela presença nas cadeias de proteína animal e no mercado internacional.
O milho é essencial para a fabricação de rações, sustentando a produção de carnes como suína e de frango. Além disso, seu uso na produção de biocombustíveis tem crescido, agregando valor à cadeia produtiva. Atualmente, segundo dados do governo de Mato Grosso do Sul, o Estado ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de etanol de milho. Para a safra 2025/2026, a produção está estimada em 2,07 bilhões de litros.
Os números mais recentes reforçam esse avanço. Em 2025, cerca de 4,6 milhões de toneladas de milho foram processadas, resultando em 1,4 milhão de toneladas de DDG, um coproduto utilizado na nutrição animal.
No mercado externo, o cereal sul-mato-grossense também tem relevância. Em 2025, o Estado exportou aproximadamente 2 milhões de toneladas de milho. Entre os principais destinos estão países como Irã, Vietnã, Bangladesh, Arábia Saudita, Egito, Iraque, Filipinas e Indonésia.
Para a safra 2025/2026, a expectativa é de uma produção de 11,1 milhões de toneladas, cultivadas em uma área estimada de 2,2 milhões de hectares.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o milho tem papel estratégico no Estado. “O milho deixou de ser apenas uma cultura complementar e passou a ocupar posição estratégica. Esse avanço mostra a força do produtor sul-mato-grossense e a capacidade do setor em agregar valor e gerar desenvolvimento”.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
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