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20 de maio de 2026

Sustentabilidade

Período de latência das principais doenças da soja – MAIS SOJA

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Embora as práticas de manejo voltadas ao controle fitossanitário da soja sejam amplamente conhecidas, a elevada pressão de patógenos, aliada às condições climáticas e ambientais favoráveis ao desenvolvimento das doenças, torna o controle cada vez mais desafiador. Diante disso, é indispensável maior perícia e assertividade na definição e no posicionamento das estratégias de manejo.

Para tanto, o monitoramento periódico das áreas de cultivo é determinante para o sucesso do controle. Alguns patógenos da soja apresentam comportamento necrotrófico e, portanto, são capazes de sobreviver em resíduos culturais, estando presentes na lavoura antes mesmo da semeadura. Outros, como o agente causal da ferrugem-asiática, são biotróficos e necessitam de um hospedeiro vivo para completar seu ciclo de vida.

Nesse contexto, o manejo de plantas daninhas na entressafra, visando eliminar hospedeiros alternativos de pragas e doenças, aliado à rotação de culturas com espécies não hospedeiras de fitopatógenos, é fundamental para reduzir a pressão de inóculo sobre a soja cultivada em sucessão. Além disso, a maioria das doenças fungicidas apresenta um intervalo entre a infecção e a manifestação dos sintomas, o que dificulta o controle assertivo nas fases iniciais da doença.

Na prática, especialmente em patógenos cuja infecção se inicia no terço inferior das plantas, quando os sintomas tornam-se visíveis nos terços médio e superior, é provável que as folhas e hastes inferiores já estejam comprometidas, reduzindo a eficiência das aplicações. Além disso, doenças como a cercosporiose e a antracnose podem apresentar longos períodos de latência (intervalo entre a infecção e a expressão dos sintomas), o que reforça a importância do manejo preventivo e do monitoramento contínuo, em detrimento de ações baseadas apenas na observação dos sintomas.

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Tabela 1. Período entre infecção e o surgimento dos primeiros sintomas das principais doenças da soja.

Nesse contexto, se tratando de doenças de elevado potencial destrutivo e difícil controle, como a ferrugem-asiática, o posicionamento das práticas de manejo,  especialmente o controle químico com fungicidas, deve ocorrer de forma preventiva à ocorrência da doença, a fim de reduzir o impacto negativo sobre a produtividade da cultura (FRAC-BR, 2018). Além disso, para doenças que apresentam longo período de latência, como o crestamento foliar, é fundamental a adoção de medidas integradas de manejo no sistema de produção, incluindo o uso de sementes livres do patógeno e o tratamento de sementes com fungicidas, antes da semeadura (Soares et al., 2023).

Referências:

CHANDA, A. K. et al. DEVELOPMENT OF A QUANTITATIVE POLYMERASE CHAIN REACTION DETECTION PROTOCOL FOR Cercospora kikuchii IN SOYBEAN LEAVES AND ITS USEFOR DOCUMENTING LATENT INFECTION AS AFFECTED BY FUNGICIDE APPLICATIONS. Phytopathology, 2014. Disponível em: < https://apsjournals.apsnet.org/doi/epdf/10.1094/PHYTO-07-13-0200-R >, acesso em: 29/10/2025.

FRAC-BR. RECOMENDAÇÃO DE BOAS PRÁTICAS DE MANEJO DA FERRUGEM DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, 2018. Disponível em: < https://www.frac-br.org/_files/ugd/6c1e70_3d59f8587b214c9bae67d6c309adc3c5.pdf >, acesso em: 29/10/2025.

KAVANASHREE, K. et al. MOLECULAR VARIABILITY OF Colletotrichum spp. ASSOCIATED WITH ANTHRACNOSE OF SOYBEAN. Legume Research- An International Journal, 2022. Disponível em: < https://arccjournals.com/journal/legume-research-an-international-journal/LR-4871?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 29/10/2025.

LE, T. T. T. et al. IDENTIFICATION OF THE FUNGUS Erysiphe Diffusa CAUSING POWDERY MILDEW DISEASE ON SOYBEANS IN VINH PHUC, VIETNAM. Vietnam Journal of Science, Technology and Engineering, 2017. Disponível em: < https://pdfs.semanticscholar.org/6407/17b9e544fe39c947a0f88041d30f2fd3371e.pdf?_gl=1*1uqdrac*_gcl_au*MTg4ODA1NjA5LjE3NjE3Mzk0Mzc.*_ga*MTg4MzUxNDE5NC4xNzYxNzM5NDM3*_ga_H7P4ZT52H5*czE3NjE3Mzk0MzYkbzEkZzAkdDE3NjE3Mzk0OTYkajYwJGwwJGgw >, acesso em: 29/10/2025.

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NORTH DAKOTA SOYBEAN COUNCIL, INTEGRATED DISEASE, WEED & INSECT MANAGEMENT WHITE MOLD. North Dakota Soybean Council, s. d. Disponível em: < https://ndsoybean.org/ndsc-soybean-research-program/integrated-disease-weed-insect-management/?utm_source=chatgpt.com# >, acesso em: 29/10/2025.

PROMIP. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Promip, 2019. Disponível em: < https://promip.agr.br/ferrugem-asiatica-da-soja/ >, acesso em: 29/10/2025.

PUIA, J. D. et al. NUMBER OF LESIONS, SEVERITY AND INCUBATION PERIOD OF ISOLATES OF Corynespora cassiicola IN SOYBEAN CULTIVARS. Ciência Rural, 2023. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/4ZgrCxD4zHN4SRfvQ4XD8Hy/?format=pdf&lang=en&utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 29/10/2025.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, ed. 6, Documentos, n. 256, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1158639 >, acesso em: 29/10/2025.

ZHU, L. et al. TRANSCRIPTOMIC AND METABOLOMIC ANALYSES REVEAL A POTENTIAL MECHANISM TO IMPROVE SOYBEAN RESISTANCE TO Anthracnose. Frontiers in Plant Science, 2022. Disponível em: < https://www.frontiersin.org/journals/plant-science/articles/10.3389/fpls.2022.850829/full >, acesso em: 29/10/2025.

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Sustentabilidade

IMEA: Menor oferta global e custos em alta pressionam cenário do milho na safra 26/27 – MAIS SOJA

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Em mai/26, o USDA estimou a oferta mundial de milho da safra 26/27 em 1,79 bi de t, queda de 0,69% ante o ciclo anterior. Essa redução está associada à estimativa de menor produção dos EUA (406,29 mi de t), reflexo da redução da área semeada, diante da maior atratividade da soja. Pelo lado da demanda mundial, o Departamento projeta crescimento de 0,46% na temporada, totalizando 1,51 bi det.

Esse avanço é sustentado pelo maior consumo interno da China que, apoiado pela maior produção, permite atender à elevada demanda doméstica. Além disso, o Brasil deve registrar aumento da demanda doméstica e maior competitividade no mercado exportador, favorecido pela menor oferta estadunidense. Cabe destacar que as exportações mundiais foram projetadas em 206,91 mi de t, queda de 3,14% entre ciclos, diante da redução das exportações dos EUA, impactada pela menor oferta no país. Por fim, os estoques finais globais foram projetados em 277,54 mi de t, queda anual de 6,54%.

Confira os principais destaques do boletim:
  • ALTA: na última semana, o preço do milho na CME Group registrou valorização média de 0,73%, impulsionada pelas vendas do cereal pelos EUA, encerrando o período cotado, em média, a US$ 4,64/bu.
  • RETRAÇÃO: o preço do milho futuro na CME, contrato jul/26, encerrou a semana com queda de 0,27%, e finalizou o período na média de US$ 4,72/bu.
  • AVANÇO: o prêmio Santos apresentou alta semanal de 14,56%, cotado a US$ 0,96/bu, sustentada pela maior demanda no mercado externo e pelo avanço das negociações no porto.
O projeto CPA-MT (Senar-MT/Imea) estimou o custeio do milho da safra 26/27 em R$ 3.772,24/ha em abr/26, alta mensal de 2,32%.

O avanço foi impulsionado pelo aumento nos gastos com fertilizantes e corretivos (+4,30%), defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%), reflexo das tensões no cenário geopolítico, que elevam a incerteza nos mercados internacionais e impactam diretamente os preços futuros dos insumos.

Com isso, o COE aumentou 1,72% ante mar/26, fechando abr/26 em R$ 5.501,12/ha, enquanto o CT avançou 1,25%, ficando em R$ 7.395,26/h. No que se refere ao ponto de equilíbrio, considerando a produtividade da safra 25/26, estimada em 118,71 sc/ha. O produtor precisará negociar sua saca a R$ 31,78/sc para cobrir o custeio e a R$ 46,34/sc para arcar com o COE. Diante disso, considerando o preço médio da safra 26/27 em abr/26, de R$ 45,68/sc, o produtor consegue cobrir o custeio, mas deverá acompanhar o mercado estrategicamente, buscando melhores oportunidades de venda para melhorar seu retorno.

Fonte: IMEA

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Sustentabilidade

IMEA: Custos da soja avançam em MT e pressionam margens para a safra 26/27 – MAIS SOJA

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Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (Senar-MT e Imea), o custeio da soja em abr/26 para a safra 26/27 em MT foi projetado em R$ 4.286,89/ha, alta de 1,88% frente a mar/26. O avanço reflete o incremento mensal de 2,73% nas despesas com fertilizantes e de 2,17% nos defensivos.

Esse movimento de alta está associado ao cenário externo, uma vez que as tensões no Oriente Médio elevam as incertezas do mercado, pressionando os custos e logística dos insumos agrícolas. Diante desse cenário, de custos elevados e preços ainda pressionados observa-se compressão das margens do produtor. Desse modo, considerando a produtividade média da safra 26/27 projetada em 62,44 sc/ha, a análise do ponto de equilíbrio (P.E.) indica que o produtor necessita negociar a soja a R$ 68,65/sc para cobrir o custeio, valor 8,42% superior ao P.E. da safra anterior. Por fim, com a aquisição dos insumos da safra ainda em andamento, os custos seguem como ponto de atenção aos sojicultores principalmente no que se refere aos insumos importados.

Confira os principais destaques do boletim:
  • QUEDA: o preço da soja em Mato Grosso exibiuretração de 0,53% frente à semana passada,influenciada pela demanda mais fraca no estado.
  • MAIOR: a cotação corrente da oleaginosa em Chicago registrou alta de 0,75% quando comparada à da semana anterior, encerrando o período na média de US$ 12,00/bu.
  • AUMENTO: o indicador paridade exportação subiu 1,76% no comparativo semanal, reflexo da valorização do preço da soja em Chicago para contrato mar/27.
O USDA divulgou a 1ª projeção de oferta e demanda mundial da safra 26/27 de soja.

Segundo o departamento, a produção mundial da oleaginosa foi projetada em 441,54 mi de toneladas, crescimento de 3,26% ante a safra anterior e 5,99% acima da média das últimas três safras. Esse movimento foi sustentado, principalmente, pela expectativa de aumento na produção brasileira, estimada em 186,00 mi de t, avanço de 3,33% em relação ao ciclo 25/26, aliado à elevada produção projetada para os EUA. Contudo, a possível atuação do fenômeno El Niño segue como ponto de atenção e poderá impactar futuras revisões na estimativa para o Brasil.

Quanto ao comércio global, as exportações mundiais foram estimadas em 189,22 mi de t, avanço de 1,42% frente à safra 25/26, com a China permanecendo como principal país importador da oleaginosa. Por fim, os estoques finais mundiais ficaram em 124,78 mi de t, queda de 0,28% no comparativo entre safras, pressionados principalmente pela redução de 8,75% nos estoques finais dos EUA, reflexo da expectativa de aumento da demanda interna pela oleaginosa.

Fonte: IMEA

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Caruru: herbicidas pré-emergentes são protagonistas no manejo dessa planta daninha – MAIS SOJA

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No cenário atual, as plantas daninhas do gênero Amaranthus (caruru) têm se destacado pela elevada complexidade de manejo e alta capacidade competitiva, podendo causar perdas expressivas de produtividade devido à matocompetição. Além disso, a resistência apresentada por diversas espécies de caruru a herbicidas pós-emergentes de diferentes mecanismos de ação e grupos químicos tem limitado as alternativas de controle em pós-emergência, tornando o manejo dessa planta daninha ainda mais desafiador.

Somam-se a isso características como o rápido crescimento e desenvolvimento do caruru, bem como os múltiplos fluxos de emergência decorrentes da elevada produção de sementes e da persistência do banco de sementes no solo. Esses fatores dificultam o estabelecimento inicial da cultura da soja em condições livres de matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes tem ganhado destaque como estratégia de manejo, pois possibilita a redução dos fluxos de emergência do caruru, reduzindo as populações iniciais da planta daninha e favorecendo um melhor posicionamento dos herbicidas aplicados em pós-emergência, devido à maior uniformidade das plantas remanescentes.

Entretanto, para alcançar resultados satisfatórios, é fundamental conhecer a eficácia dos herbicidas pré-emergentes, bem como seu espectro de controle, seletividade e período residual. De acordo com Barroso; Albrecht e Gazziero (2024), o aumento do controle residual pode ser obtido por meio da associação de ingredientes ativos com ação pré-emergente, como piroxasulfona + flumioxazina e imazetapir + sulfentrazona, entre outras combinações. Essas misturas desempenham papel importante na prevenção e no manejo de populações resistentes; contudo, é necessário considerar o período residual dos produtos utilizados nas culturas subsequentes, bem como o potencial de carryover.

Além de contribuir para o manejo da resistência do caruru a herbicidas, a utilização de herbicidas pré-emergentes, especialmente com mais de um princípio ativo em sua formulação e/ou de forma associada, contribui para o aumento da eficácia no controle de espécies de caruru, em condições em que há o sinergismo entre moléculas. Ao analisar o controle do caruru com herbicidas pré-emergentes, Bianchi (2023) verificou que herbicidas com mais de um princípio ativo apresentem maior eficiência de controle, embora algumas combinações apresentem desempenho superior a outras. Entre os tratamentos avaliados, as associações imazetapir + flumioxazina e piroxasulfone + flumioxazina proporcionaram níveis de controle entre 94 e 95%, superando a associação s-metolaclor + flumioxazina (Figura 1a). Além disso, a aplicação dos herbicidas pré-emergentes reduziu a densidade de plantas de caruru em aproximadamente 98% (Figura 1b), evidenciando a importância dessa estratégia no manejo da planta daninha. (Bianchi, 2023).

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Os resultados de Bianchi (2023) também demonstram que a complementação do manejo com herbicidas pós-emergentes (glifosato + fomesafen) contribuiu para reduzir ainda mais as populações de caruru. Esse efeito foi mais evidente nas associações piroxasulfone + flumioxazina e s-metolaclor + flumioxazina aos 20 dias após a aplicação do Pós-E (Figura 1c), além da associação piroxasulfone + flumioxazina na avaliação realizada na colheita da soja (Figura 1d).

Figura 1. Controle de caruru (Amaranthus hybridus) aos 36 dias após a semeadura (a), 20 dias após a aplicação em pós-emergência (c) e na colheita (d) e densidade de caruru aos 7 dias após a aplicação em Pós-E (b). Coluna azul: resultado apenas do Pré-E. Coluna laranja: resultado da combinação Pré-E com Pós-E (glifosato + fomesafen). Médias com mesma letra minúscula nas colunas com mesma cor não diferem pelo teste de Duncan (p=0,05) e o * indica diferença entre colunas de cor diferente pelo teste t da ANOVA (p=0,05) (Bianchi, 2023).
**Os Pré-E (herbicidas pré-emergentes) foram aplicados logo após a semeadura da soja (“plante/aplique”) e os Pós-E (herbicidas pós-emergentes) no estádio V6 da soja (40 DAE).
Fonte: Bianchi (2023)

Fonte: Bianchi (2023)

Vale destacar que a eficiência dos herbicidas pré-emergentes está condicionada entre outros fatores, as condições de ambiente, características de solo, umidade, posicionamento adequado e espécies alvo.

Confira o estudo completo desenvolvido por Bianchi (2023) clicando aqui!

Referências:

BARROSO, A. A. M.; ALBRECHT, A. J. P.; GAZZIERO, D. L. P. O COMPLEXO CARURU: BIOLOGIA, IDENTIFICAÇÃO, OCORRÊNCIA E MANEJO. Sistema FAEP/SENAR-PR; UFPR; Embrapa, 2024. Disponível em: < https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Cartilha-Caruru_web.pdf >, acesso em: 19/05/2026.

BIANCHI, M. A. CONTROLE DE CARURU NA SOJA. CCGL: Pesquisa e Tecnologia, Boletim de Pesquisa, n. 120, 2023. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/Boletim%20120.pdf >, acesso em: 19/05/2026.

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