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28 de julho de 2026

Business

Morango brasileiro da Embrapa dobra produção e reduz dependência de mudas importadas

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A produção brasileira de morangos vive um novo capítulo com a expansão da cultivar BRS DC25 Fênix, desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado. Em apenas dois anos, o número de viveiristas licenciados para multiplicar a variedade dobrou, passando de 18 em 2023 para 36 em 2025. A produção de mudas saltou de 2,5 milhões para mais de 5 milhões de unidades e deve ultrapassar 10 milhões em 2026.

O avanço representa um passo importante rumo à redução da dependência de mudas importadas, que ainda respondem por cerca de 98% da produção nacional, vindas de países como Chile, Argentina e Espanha. O custo das mudas estrangeiras, cotado em dólar, varia entre R$ 2,30 e R$ 3,60, o que encarece a cadeia produtiva.

Segundo o pesquisador Sandro Bonow, da Embrapa, o sucesso da Fênix está ligado à falta de cultivares nacionais adaptadas ao clima e à logística do país. “A Embrapa veio contribuir para mudar esse cenário, oferecendo uma cultivar de qualidade, com preço acessível e disponível no momento ideal de plantio para cada região”, afirma.

Produtividade e sabor que conquistam o mercado

A cultivar Fênix foi desenvolvida para unir produtividade, precocidade e qualidade sensorial. Os frutos se destacam pelo tamanho, teor de açúcar, acidez equilibrada, aroma e cor intensa, características que agradam tanto produtores quanto consumidores.

Nos testes de campo, a produtividade variou entre 900 gramas por planta em sistema semi-hidropônico e 1,6 kg por planta em cultivo a campo sob túnel baixo. O plantio ocorre entre março e abril, com colheita antecipada já entre maio e junho, o que amplia a janela de comercialização.

“O fato de ser uma cultivar precoce permite ao produtor colher antes do pico da safra e aproveitar melhores preços”, ressalta o pesquisador Luís Eduardo Antunes. Ele destaca ainda que a Fênix é resistente e se adapta bem a variações climáticas, fator essencial diante das oscilações registradas nas últimas safras.

Foto: Marcos Albertini/Embrapa

Expansão e reconhecimento

Apresentada ao público durante a Expointer de 2023, a Fênix rapidamente conquistou espaço nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Em 2025, a cultivar foi recomendada também para Brazlândia (DF), principal polo de morango do Centro-Oeste.

A projeção é que a produção de mudas alcance 10 milhões em 2026, impulsionada pelo interesse de novos produtores e pela expansão de viveiros licenciados. “O Brasil tem potencial para produzir até 350 milhões de mudas por ano. A Fênix ainda representa uma pequena fatia, mas o crescimento é rápido e promissor”, afirma Antunes.

O sucesso da cultivar também chama atenção no exterior. Empresas europeias já manifestaram interesse em representar a genética brasileira em países mediterrâneos, onde as mudanças climáticas afetam a produção tradicional de morangos.

Depoimentos do campo: confiança e resultados

Para o casal Darceli e Ilóivia Chassot, de Cerro Largo (RS), a Fênix superou expectativas. “Ela se desenvolveu bem, com 100% de pegamento das mudas, florescimento rápido e frutas grandes e saborosas. Mesmo com variações de temperatura, manteve a qualidade e a firmeza”, relatam.

Em Atibaia (SP), um dos polos mais tradicionais da cultura, a cultivar já é motivo de orgulho. O produtor José Roque Doratioto, do Sítio Serrano, destaca o sabor intenso e alta durabilidade dos frutos. O município firmou parceria com a Embrapa e, em 2025, distribuiu 400 mil mudas de Fênix a produtores locais por meio do viveiro municipal.

“A Fênix virou praticamente um patrimônio de Atibaia”, celebra o engenheiro agrônomo Marco Albertini. Segundo ele, a demanda é crescente e muitos produtores já reservam mudas para 2026.

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Agro Mato Grosso

Doce de caju e guaraná ralado passam a integrar lista de patrimônios culturais imateriais de Cuiabá

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O prefeito Abilio Brunini (PL) sancionou leis que reconhecem o doce de caju e o guaraná ralado, juntos com seus modos de preparo, como Patrimônios Culturais Imateriais de Cuiabá. Com a medida, os dois produtos passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo município.

Segundo os projetos sancionados, o objetivo é buscar preservar os conhecimentos relacionados à produção e incentivar a continuidade dessas práticas. As propostas são de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB).

O guaraná ralado já havia sido reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Mato Grosso pela Lei Estadual nº 11.010/2019. Com a sanção da lei municipal, também passa a ter reconhecimento em Cuiabá.

O doce de caju também foi incluído na lista de patrimônios culturais imateriais do município. A vereadora Maria Avalone afirmou que as leis buscam preservar o modo de preparo do doce de caju e do guaraná ralado, além dos conhecimentos relacionados à produção transmitidos entre gerações.

Segundo a parlamentar, as leis também seguem as diretrizes do Plano Municipal de Cultura e preveem ações voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao turismo cultural e à economia criativa.

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Business

Nova era da colheita: mais automação, menos perdas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A evolução da produção de milho no Brasil tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas. Cada vez mais conectadas, as colheitadeiras incorporam sensores, câmeras, mapas digitais e sistemas de automação capazes de interpretar as condições da lavoura em tempo real e ajustar a operação praticamente sem interferência do operador.

A proposta é aumentar a eficiência da colheita, reduzir perdas de grãos, preservar a qualidade do produto e otimizar o consumo de combustível. Com o avanço dessas tecnologias, a tomada de decisão deixa de depender exclusivamente da experiência do operador e passa a ser compartilhada com sistemas embarcados que monitoram a lavoura durante toda a operação.

As novidades foram apresentadas pela John Deere, que lançou neste ano a colheitadeira S7 e ampliou o portfólio de plataformas para milho produzidas no Brasil. Os equipamentos utilizam informações obtidas antes mesmo da entrada da máquina na área, combinadas com dados captados durante a colheita.

Esse conjunto de informações permite que a máquina antecipe as condições da lavoura e faça ajustes automaticamente. “Com as câmeras frontais, a máquina já consegue fazer uma leitura da lavoura à frente e, com isso, a máquina se ajusta”, explica o gerente de marketing para colheita da John Deere, Ewerton Machado.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Colheita adaptada em tempo real

Os mapas digitais indicam a variabilidade da lavoura antes da operação. Já durante a colheita, as câmeras identificam fatores como plantas acamadas e diferenças de produtividade, permitindo que a máquina altere automaticamente parâmetros como abertura das peneiras, regulagem do côncavo e velocidade de trabalho.

Conforme Machado, esse processo começa antes mesmo da entrada da colheitadeira na área. “Os mapas de NDVI ou de biomassa são subidos para a nuvem e, por satélite, chegam na máquina. A máquina entende o que está na frente dela e as câmeras vão entender a condição da cultura, se está acamada, como é que está”.

Na prática, o operador deixa de realizar ajustes constantes ao longo do dia, enquanto a colheitadeira adapta a operação conforme as mudanças encontradas no campo.

Machado afirma ao projeto Mais Milho que essa automação também reflete diretamente no desempenho da máquina. “Nós temos aí um ganho de 20% de produtividade com essa funcionalidade”, destaca. De acordo com ele, como a máquina faz os ajustes conforme a condição da lavoura, “nós temos aí 4,5 maior redução de combustível e maior qualidade de grãos. 10% maior quantidade de grãos”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mais capacidade sem abrir mão da qualidade

Além da automação, a fabricante também apresentou a colheitadeira X9, voltada para operações de maior escala. O modelo utiliza rotores duplos para ampliar a capacidade de processamento sem comprometer a qualidade da colheita.

Em vez de focar apenas na potência do equipamento, o projeto prioriza manter um fluxo constante de material dentro da máquina, reduzindo perdas e preservando a qualidade dos grãos.

A especialista de marketing para plantio e colheita da John Deere, Gislaine Pereira, explica que o sistema distribui melhor a potência durante o processamento. “Estamos falando de uma solução que não é sobre potência, é sobre capacidade sustentada com qualidade para o produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ela, “com o sistema de processamento da colheitadeira, a gente tem uma solução com rotores duplos, onde é possível dissipar a potência dentro desse sistema de processamento (…), fazendo com que esse grão colhido seja mais limpo e o produtor tenha um melhor resultado ali no final da safra”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Plataforma nacional amplia eficiência da colheita

A alimentação uniforme da colheitadeira também influencia diretamente o desempenho da operação. Pensando nisso, a empresa ampliou a linha de plataformas para milho com a nova série CR, fabricada no Brasil e disponível em versões de 12 a 27 linhas.

Conforme a responsável pelo marketing de produto para colheita de grãos da John Deere, Greta Griffante, o lançamento reúne características já consolidadas nas plataformas premium da marca e incorpora novos recursos de automação.

Entre as novidades estão sistemas automáticos para a chapa destacadora e para o eixo traseiro, que ajudam a manter uma alimentação constante da colheitadeira e reduzem perdas ao longo da operação. “A CR traz tudo que é de bom que a gente já conhece das plataformas de milho premium da John Deere, que é durabilidade e confiabilidade, agora com um portfólio completo de 12 a 27 linhas”, destaca Greta.

A tecnologia também busca elevar a capacidade operacional sem aumentar o consumo de combustível, permitindo colher uma área maior por hora e melhorar o aproveitamento dos grãos. A especialista, pontua que “a gente consegue até 12% a mais de produtividade, ou seja, mais hectare colhido por hora, sem consumir mais combustível”. Ela acrescenta que a plataforma proporciona “até 9% de eficiência, menos litros por hectare e mínimas perdas, três vezes menos perdas”.

Para Greta, o desenvolvimento da série CR marca uma nova etapa da mecanização da cultura no país. “O milho representa pra gente o nosso DNA”, afirma. Ela ressalta que a empresa desenvolve soluções para essa cultura há mais de 100 anos e que “fazia todo o sentido trazer aqui para o Brasil tecnologia nacional produzida aqui (…), marcando agora uma nova era da colheita do milho”.

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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

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Aprosoja Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.

Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.

Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.

Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.

Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.

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