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Crise no seguro rural é resultado de custos elevados e falta de recursos públicos

Com a chegada do final do ano, muitos produtores se debruçam sobre os gastos da atividade e aproveitam para colocar as contas em ordem. A maioria dos custos já estavam previstos no planejamento, mas nem todos. Um exemplo disso é o seguro rural, que embora seja de extrema importância, chega ao pior patamar de cobertura em quase dez anos.
O coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, explica que um dos principais fatores que contribuem para esse cenário é a margem reduzida do produtor rural. Na avaliação dele, quem tem uma percepção maior de risco, ou seja, que já teve perdas no passado, é o perfil que mais aciona o seguro rural.
“Já o produtor com percepção menor pensa: ‘a margem já está pequena, vou gastar com isso?’ Ele vai investir em tecnologia, porque o risco é mais baixo que o geral”, ressalta.
O mesmo raciocínio vale para quem ainda aguarda os recursos subsidiados, com parte custeada pelo governo, serem liberados. O programa de subvenção ao prêmio de seguro rural (PSR) conta atualmente com R$ 548 milhões, mas cerca de R$ 300 milhões ainda estão contingenciados. Caso o valor não seja liberado, o especialista alerta que muitos produtores podem cancelar as apólices.
“O ideal é que o produtor mantenha o seguro, mesmo que precise negociar uma redução da cobertura. Cancelar pode trazer um grande prejuízo se houver perda climática”, afirma.
Mercado em desequilíbrio
Com isso, a redução das contratações tende a gerar o que o mercado chama de seleção adversa: apenas os produtores com maior risco, e histórico de perdas, buscam seguro, o que encarece o prêmio para todo o setor.
“Com menos produtores contratando, o risco não se dispersa. As indenizações ficam concentradas e o seguro se torna mais caro”, diz Loyola. O especialista estima que o pagamento de sinistros representa de 65% a 70% do valor dos prêmios. Com a concentração em regiões mais suscetíveis a perdas, o custo tende a subir.
Outro ponto sensível é o recuo na subvenção das áreas, que passou de 14 milhões de hectares para apenas 2,5 milhões. Isso deve encolher o mercado e provocar saída de seguradoras, corretores e peritos, o que compromete uma estrutura que levou duas décadas para ser construída.
“É um problema estrutural. Leva anos para montar um mercado, e o próprio governo está enfraquecendo o programa”, destaca.
Em um balanço divulgado nesta terça-feira (4), a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) confirmou a queda nas operações de seguro rural em 2025, com foco na redução dos recursos públicos disponíveis. Os dados apontam recuo de 2,7% no volume arrecadado com a modalidade este ano e a menor taxa de cobertura já registrada, com apenas 2,3% da área plantada.
Sem política de gestão de riscos
Diante de todos esses fatores, Loyola defende que o Brasil precisa adotar uma política permanente de gestão de riscos, e não apenas medidas pontuais de crédito ou renegociação de dívidas.
“O produtor renegocia, resolve o problema de um ano, mas dois anos depois enfrenta a mesma situação. É uma bola de neve”, diz. Para ele, o crédito rural só é efetivo se vier acompanhado de seguro, especialmente diante das mudanças climáticas.
“O crédito é importante para plantar, mas sem seguro o planejamento desmorona. Renegociar dívida é paliativo”, alerta.
Futuro incerto
Com a atual safra de soja instalada em quase metade do país, as atenções se voltam para o céu e a chuva (ou a falta dela) nas lavouras. De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o clima não deve prejudicar a produção do grão neste ano mesmo com a atuação do La Niña, conhecido por provocar chuvas acima da média em diversas regiões e seca em outras.
Neste sentido, Loyola reafirma que é essencial que o produtor rural faça a contratação do seguro rural para as lavouras. “Hoje, praticamente não há apólices no país com apoio de subvenção para soja e a gente está com o La Niña instalado. Só não sabemos a severidade”, alerta.
Mesmo assim, o consultor conclui que o maior problema se concentra nos recursos travados pelo governo federal. “Os produtores estão totalmente desamparados. Quando o risco climático é conhecido, o seguro deveria ser prioridade, mas não é o que acontece”, complementa.
A recomendação imediata, de acordo com um material elaborado pelo Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, é que haja a recomposição do orçamento do PSR ainda em 2025, além do aumento dos valores ofertados em 2026. Segundo o documento, isso garantiria a execução dos recursos sem contingenciamentos.
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IBGE inicia censo experimental do 12º CAFA com foco em geoplanejamento no Maranhão

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta terça-feira (3) o Censo Experimental do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola (CAFA). A etapa será realizada em São Paulo, Mato Grosso e Maranhão. No território maranhense, os trabalhos começaram em Cururupu e Mirinzal, com foco no geoplanejamento da coleta e na preparação das equipes para a operação em campo.
No Maranhão, a equipe da Superintendência Estadual do IBGE no Maranhão (SES/MA) atua nos municípios de Cururupu e Mirinzal, escolhidos para o teste geral da operação censitária. A proposta é simular, em escala real, todas as fases da pesquisa, desde a montagem dos postos censitários até a coleta de dados dos estabelecimentos agropecuários.
Neste primeiro dia, os trabalhos se concentraram na listagem dos setores a serem percorridos e no planejamento da coleta. A equipe também se reuniu com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Secretaria da Agricultura de Cururupu para obter contatos de lideranças locais nos territórios onde haverá levantamento.
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A operação no estado inclui dois territórios de povos e comunidades tradicionais: a Reserva Extrativista Cururupu, em Cururupu, e o Território Quilombola Santa Tereza, em Mirinzal. Segundo o agente operacional regional de Cururupu, Bruno de Oliveira Serrão, a articulação prévia com essas lideranças é parte central da estratégia de campo. “É importante que a gente respeite essas comunidades, que a gente não vá até lá sem pedir autorização. Nós precisamos obter o apoio dessas lideranças para que tenhamos a resposta dos questionários de forma adequada. Ter o respeito por essas tradicionalidades é primordial para que a gente obtenha sucesso na operação”, afirmou.
Além da preparação territorial, o Censo Experimental servirá para testar tecnologias previstas para o 12º CAFA em 2027. Entre os itens em avaliação estão os aplicativos de coleta, o fluxo de questionários, os métodos de pagamento para recenseadores e um módulo geoespacial. De acordo com Bruno, essa ferramenta foi desenvolvida para identificar talhões, perímetro e benfeitorias nas propriedades.
A etapa experimental funciona como ensaio da operação nacional prevista para 2027. Segundo a gerente de planejamento e orçamento da coordenação geral de operações censitárias, Cynthia Damasceno, o objetivo é ajustar procedimentos, sistemas, treinamento e coleta antes da execução do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
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BNDES e Petrobras destinam R$ 10 milhões à agricultura familiar no semiárido da Bahia

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras vão destinar cerca de R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis para fortalecer a agricultura familiar no semiárido da Bahia. A iniciativa atenderá diretamente 720 agricultores familiares ligados a 27 cooperativas e associações em 26 municípios. O projeto será executado pela União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes Bahia), com prazo de 36 meses.
A ação integra o Sertão + Produtivo, iniciativa conjunta do BNDES e da Petrobras voltada ao fortalecimento de empreendimentos coletivos da agricultura familiar no Semiárido brasileiro. Na Bahia, o projeto prevê apoio à produção, assistência técnica, capacitação, beneficiamento e comercialização.
Entre as ações programadas estão a implantação de 240 sistemas produtivos agroecológicos, a estruturação ou melhoria de 11 unidades de beneficiamento e a criação de 12 feiras agroecológicas e orgânicas. Também estão previstas 180 oficinas de capacitação, 7.200 visitas e 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural.
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Os 240 sistemas produtivos incluem 40 quintais produtivos com canteiros econômicos e galinheiros, 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), 40 quintais com tecnologias de armazenamento de água e 120 sistemas agroecológicos para produção de ovos caipiras. O projeto também prevê três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos. Somadas a uma minicentral já existente, serão 12 unidades disponíveis aos 27 empreendimentos coletivos e aos 720 agricultores familiares.
Segundo o BNDES, a iniciativa estabelece como referência uma elevação de 50% da renda média mensal por pessoa beneficiada e prevê a geração de 103 postos de trabalho durante a implantação, dos quais 47 deverão ser mantidos após a conclusão. O projeto também contempla acesso a mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do mercado privado.
Dos 720 agricultores atendidos, 504 são mulheres, 504 são jovens e 45 são quilombolas. A iniciativa também prevê a formalização de quatro novos empreendimentos coletivos.
O projeto será desenvolvido nos Territórios de Identidade Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano. O Sertão + Produtivo prevê até R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis, divididos igualmente entre BNDES e Petrobras, e a operação da Unicafes Bahia é a sexta aprovada no programa.
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produtores de Campo Novo do Parecis enfrentam os efeitos da chuva irregular

A irregularidade das chuvas em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, tem dificultado o avanço do plantio da soja e provocado prejuízos aos produtores. Em algumas propriedades, a semeadura está interrompida à espera de condições adequadas, enquanto em outras foi necessário replantar áreas já cultivadas. O cenário de incertezas no campo se soma às dificuldades econômicas do setor e também levou ao cancelamento da 18ª edição da Parecis SuperAgro, tradicional feira de negócios da região.
Em uma das propriedades, o acumulado de chuva desde o fim de setembro é de aproximadamente 50 milímetros. A semeadura está parada, e ainda falta plantar 25% da área prevista.
O agricultor Marciano Martelli explica que a decisão de interromper os trabalhos é uma medida de segurança, já que a umidade disponível no solo não é suficiente para garantir a germinação das sementes.
“Devido às conjunturas temos que plantar na segurança e plantar nas condições que estão agora não vai nem germinar”, afirma.
A preocupação também envolve a soja que já está no campo. Com a falta de novas precipitações, o desenvolvimento das plantas pode ser comprometido, com reflexos na produtividade. “Estamos preocupados porque também a partir de agora já começa ter queda de produções”, relata Martelli.
Replantio aumenta os custos e ameaça a rentabilidade
Em outra propriedade no município, o plantio foi concluído, mas a falta de chuva comprometeu a germinação em um talhão de 40 hectares. A área precisou ser replantada duas vezes, mesmo depois de o produtor adotar cuidados para aproveitar a umidade do solo e reduzir os riscos da operação.
Além dos gastos com sementes, produtos e manejo, o replantio pode provocar diferenças no desenvolvimento das plantas. Com a emergência em momentos distintos, a lavoura perde uniformidade, o que também pode afetar o enchimento dos grãos.
O agricultor Maurício Gilioli estima que os custos adicionais representam de 15 a 20 sacas por hectare. “A gente planta com o sentimento que vai germinar, vai nascer tudo, nascer parelho, mas não foi isso aqui que a gente encontrou aqui”, conta ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo ele, mesmo com o planejamento para realizar a semeadura nas melhores condições de umidade, a falta de chuva comprometeu o resultado. “A última coisa que a gente espera é isso aí, é ter que replantar. Foi plantado com segurança, nas melhores condições, com umidade, feito um plantio acelerado para poder aproveitar a umidade propícia do solo. Então procuramos não correr risco aqui, e infelizmente toda a precaução que tivemos não foi suficiente, a chuva não veio”.
Agora, o objetivo é reduzir as perdas e tentar recuperar parte do investimento. “O lucro está aqui, agora é trabalhar para empatar. É uma decisão difícil, é tentar salvar um pouco para tentar diminuir os prejuízos no final”, afirma Gilioli.
Parecis SuperAgro é cancelada
As dificuldades enfrentadas pelo agronegócio também atingiram o calendário de eventos de Campo Novo do Parecis. A 18ª edição da Parecis SuperAgro foi cancelada pelo Sindicato Rural, após avaliações sobre a viabilidade financeira da feira e conversas com produtores e expositores.
O presidente do Sindicato Rural, Antônio Brólio, aponta os juros elevados, o cenário político e as condições do mercado entre os fatores que pesaram na decisão. De acordo com ele, embora os expositores mantivessem a parceria com a entidade, muitos não consideravam interessante participar da próxima edição diante do atual momento econômico.
“Dá uma dor no coração ter que cancelar uma feira, mas quando não é rentável para quem está lá expondo… O investimento do Sindicato Rural também é alto”, afirma.
Brólio explica que a entidade optou por suspender o evento e repensar alternativas para os próximos anos. A intenção é buscar um novo formato que permita manter uma programação voltada ao agronegócio na região, mas que também seja viável para os participantes.
O cancelamento, entretanto, deve ter reflexos sobre a economia do município. A feira movimentava diferentes segmentos comerciais e era considerada o maior evento da região.
“A sociedade vai sentir, infelizmente isso vai ocorrer. A feira fazia um giro para o município, era o maior evento da região, isso aí o pequeno e o médio vão sentir bastante”, avalia Brólio.
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