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28 de julho de 2026

Business

Crise no seguro rural é resultado de custos elevados e falta de recursos públicos

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Com a chegada do final do ano, muitos produtores se debruçam sobre os gastos da atividade e aproveitam para colocar as contas em ordem. A maioria dos custos já estavam previstos no planejamento, mas nem todos. Um exemplo disso é o seguro rural, que embora seja de extrema importância, chega ao pior patamar de cobertura em quase dez anos.

O coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, explica que um dos principais fatores que contribuem para esse cenário é a margem reduzida do produtor rural. Na avaliação dele, quem tem uma percepção maior de risco, ou seja, que já teve perdas no passado, é o perfil que mais aciona o seguro rural.

“Já o produtor com percepção menor pensa: ‘a margem já está pequena, vou gastar com isso?’ Ele vai investir em tecnologia, porque o risco é mais baixo que o geral”, ressalta.

O mesmo raciocínio vale para quem ainda aguarda os recursos subsidiados, com parte custeada pelo governo, serem liberados. O programa de subvenção ao prêmio de seguro rural (PSR) conta atualmente com R$ 548 milhões, mas cerca de R$ 300 milhões ainda estão contingenciados. Caso o valor não seja liberado, o especialista alerta que muitos produtores podem cancelar as apólices.

“O ideal é que o produtor mantenha o seguro, mesmo que precise negociar uma redução da cobertura. Cancelar pode trazer um grande prejuízo se houver perda climática”, afirma.

Mercado em desequilíbrio

Com isso, a redução das contratações tende a gerar o que o mercado chama de seleção adversa: apenas os produtores com maior risco, e histórico de perdas, buscam seguro, o que encarece o prêmio para todo o setor.

“Com menos produtores contratando, o risco não se dispersa. As indenizações ficam concentradas e o seguro se torna mais caro”, diz Loyola. O especialista estima que o pagamento de sinistros representa de 65% a 70% do valor dos prêmios. Com a concentração em regiões mais suscetíveis a perdas, o custo tende a subir.

Outro ponto sensível é o recuo na subvenção das áreas, que passou de 14 milhões de hectares para apenas 2,5 milhões. Isso deve encolher o mercado e provocar saída de seguradoras, corretores e peritos, o que compromete uma estrutura que levou duas décadas para ser construída.

“É um problema estrutural. Leva anos para montar um mercado, e o próprio governo está enfraquecendo o programa”, destaca.

Em um balanço divulgado nesta terça-feira (4), a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) confirmou a queda nas operações de seguro rural em 2025, com foco na redução dos recursos públicos disponíveis. Os dados apontam recuo de 2,7% no volume arrecadado com a modalidade este ano e a menor taxa de cobertura já registrada, com apenas 2,3% da área plantada.

Sem política de gestão de riscos

Diante de todos esses fatores, Loyola defende que o Brasil precisa adotar uma política permanente de gestão de riscos, e não apenas medidas pontuais de crédito ou renegociação de dívidas.

“O produtor renegocia, resolve o problema de um ano, mas dois anos depois enfrenta a mesma situação. É uma bola de neve”, diz. Para ele, o crédito rural só é efetivo se vier acompanhado de seguro, especialmente diante das mudanças climáticas.

“O crédito é importante para plantar, mas sem seguro o planejamento desmorona. Renegociar dívida é paliativo”, alerta.

Futuro incerto

Com a atual safra de soja instalada em quase metade do país, as atenções se voltam para o céu e a chuva (ou a falta dela) nas lavouras. De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o clima não deve prejudicar a produção do grão neste ano mesmo com a atuação do La Niña, conhecido por provocar chuvas acima da média em diversas regiões e seca em outras.

Neste sentido, Loyola reafirma que é essencial que o produtor rural faça a contratação do seguro rural para as lavouras. “Hoje, praticamente não há apólices no país com apoio de subvenção para soja e a gente está com o La Niña instalado. Só não sabemos a severidade”, alerta.

Mesmo assim, o consultor conclui que o maior problema se concentra nos recursos travados pelo governo federal. “Os produtores estão totalmente desamparados. Quando o risco climático é conhecido, o seguro deveria ser prioridade, mas não é o que acontece”, complementa.

A recomendação imediata, de acordo com um material elaborado pelo Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, é que haja a recomposição do orçamento do PSR ainda em 2025, além do aumento dos valores ofertados em 2026. Segundo o documento, isso garantiria a execução dos recursos sem contingenciamentos.

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Agro Mato Grosso

Doce de caju e guaraná ralado passam a integrar lista de patrimônios culturais imateriais de Cuiabá

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O prefeito Abilio Brunini (PL) sancionou leis que reconhecem o doce de caju e o guaraná ralado, juntos com seus modos de preparo, como Patrimônios Culturais Imateriais de Cuiabá. Com a medida, os dois produtos passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo município.

Segundo os projetos sancionados, o objetivo é buscar preservar os conhecimentos relacionados à produção e incentivar a continuidade dessas práticas. As propostas são de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB).

O guaraná ralado já havia sido reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Mato Grosso pela Lei Estadual nº 11.010/2019. Com a sanção da lei municipal, também passa a ter reconhecimento em Cuiabá.

O doce de caju também foi incluído na lista de patrimônios culturais imateriais do município. A vereadora Maria Avalone afirmou que as leis buscam preservar o modo de preparo do doce de caju e do guaraná ralado, além dos conhecimentos relacionados à produção transmitidos entre gerações.

Segundo a parlamentar, as leis também seguem as diretrizes do Plano Municipal de Cultura e preveem ações voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao turismo cultural e à economia criativa.

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Nova era da colheita: mais automação, menos perdas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A evolução da produção de milho no Brasil tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas. Cada vez mais conectadas, as colheitadeiras incorporam sensores, câmeras, mapas digitais e sistemas de automação capazes de interpretar as condições da lavoura em tempo real e ajustar a operação praticamente sem interferência do operador.

A proposta é aumentar a eficiência da colheita, reduzir perdas de grãos, preservar a qualidade do produto e otimizar o consumo de combustível. Com o avanço dessas tecnologias, a tomada de decisão deixa de depender exclusivamente da experiência do operador e passa a ser compartilhada com sistemas embarcados que monitoram a lavoura durante toda a operação.

As novidades foram apresentadas pela John Deere, que lançou neste ano a colheitadeira S7 e ampliou o portfólio de plataformas para milho produzidas no Brasil. Os equipamentos utilizam informações obtidas antes mesmo da entrada da máquina na área, combinadas com dados captados durante a colheita.

Esse conjunto de informações permite que a máquina antecipe as condições da lavoura e faça ajustes automaticamente. “Com as câmeras frontais, a máquina já consegue fazer uma leitura da lavoura à frente e, com isso, a máquina se ajusta”, explica o gerente de marketing para colheita da John Deere, Ewerton Machado.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Colheita adaptada em tempo real

Os mapas digitais indicam a variabilidade da lavoura antes da operação. Já durante a colheita, as câmeras identificam fatores como plantas acamadas e diferenças de produtividade, permitindo que a máquina altere automaticamente parâmetros como abertura das peneiras, regulagem do côncavo e velocidade de trabalho.

Conforme Machado, esse processo começa antes mesmo da entrada da colheitadeira na área. “Os mapas de NDVI ou de biomassa são subidos para a nuvem e, por satélite, chegam na máquina. A máquina entende o que está na frente dela e as câmeras vão entender a condição da cultura, se está acamada, como é que está”.

Na prática, o operador deixa de realizar ajustes constantes ao longo do dia, enquanto a colheitadeira adapta a operação conforme as mudanças encontradas no campo.

Machado afirma ao projeto Mais Milho que essa automação também reflete diretamente no desempenho da máquina. “Nós temos aí um ganho de 20% de produtividade com essa funcionalidade”, destaca. De acordo com ele, como a máquina faz os ajustes conforme a condição da lavoura, “nós temos aí 4,5 maior redução de combustível e maior qualidade de grãos. 10% maior quantidade de grãos”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mais capacidade sem abrir mão da qualidade

Além da automação, a fabricante também apresentou a colheitadeira X9, voltada para operações de maior escala. O modelo utiliza rotores duplos para ampliar a capacidade de processamento sem comprometer a qualidade da colheita.

Em vez de focar apenas na potência do equipamento, o projeto prioriza manter um fluxo constante de material dentro da máquina, reduzindo perdas e preservando a qualidade dos grãos.

A especialista de marketing para plantio e colheita da John Deere, Gislaine Pereira, explica que o sistema distribui melhor a potência durante o processamento. “Estamos falando de uma solução que não é sobre potência, é sobre capacidade sustentada com qualidade para o produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ela, “com o sistema de processamento da colheitadeira, a gente tem uma solução com rotores duplos, onde é possível dissipar a potência dentro desse sistema de processamento (…), fazendo com que esse grão colhido seja mais limpo e o produtor tenha um melhor resultado ali no final da safra”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Plataforma nacional amplia eficiência da colheita

A alimentação uniforme da colheitadeira também influencia diretamente o desempenho da operação. Pensando nisso, a empresa ampliou a linha de plataformas para milho com a nova série CR, fabricada no Brasil e disponível em versões de 12 a 27 linhas.

Conforme a responsável pelo marketing de produto para colheita de grãos da John Deere, Greta Griffante, o lançamento reúne características já consolidadas nas plataformas premium da marca e incorpora novos recursos de automação.

Entre as novidades estão sistemas automáticos para a chapa destacadora e para o eixo traseiro, que ajudam a manter uma alimentação constante da colheitadeira e reduzem perdas ao longo da operação. “A CR traz tudo que é de bom que a gente já conhece das plataformas de milho premium da John Deere, que é durabilidade e confiabilidade, agora com um portfólio completo de 12 a 27 linhas”, destaca Greta.

A tecnologia também busca elevar a capacidade operacional sem aumentar o consumo de combustível, permitindo colher uma área maior por hora e melhorar o aproveitamento dos grãos. A especialista, pontua que “a gente consegue até 12% a mais de produtividade, ou seja, mais hectare colhido por hora, sem consumir mais combustível”. Ela acrescenta que a plataforma proporciona “até 9% de eficiência, menos litros por hectare e mínimas perdas, três vezes menos perdas”.

Para Greta, o desenvolvimento da série CR marca uma nova etapa da mecanização da cultura no país. “O milho representa pra gente o nosso DNA”, afirma. Ela ressalta que a empresa desenvolve soluções para essa cultura há mais de 100 anos e que “fazia todo o sentido trazer aqui para o Brasil tecnologia nacional produzida aqui (…), marcando agora uma nova era da colheita do milho”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

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Aprosoja Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.

Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.

Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.

Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.

Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.

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