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18 de maio de 2026

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Produtores de leite enfrentam crise com altos custos, concorrência externa e falta de incentivo

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Em todo o Brasil, produtores de leite vêm enfrentando um cenário desafiador, marcado por altos custos de produção, baixo valor de repasse e crescente concorrência com produtos lácteos importados de países do Mercosul, como Argentina e Paraguai. Esses produtos chegam ao mercado brasileiro com preços mais baixos, o que torna a disputa desleal e dificulta a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite), Antônio Carlos Carvalho de Sousa, a situação exige dos produtores estratégias de diversificação e inovação para sobreviver.

“Cerca de 60% do leite que a gente produz temos que converter em queijos, doce de leite, manteiga e enviar para o mercado interno, como Rio de Janeiro, São Paulo e o Nordeste. A gente tem uma concorrência acirrada com o Sul do Brasil, os maiores produtores de lácteos, e por lá também entra a produção via Mercosul”, destaca.

Em entrevista ao Canal Rural MT, Antônio ressaltou que a intensificação das importações de leite e derivados visa baratear o preço ao consumidor final nas prateleiras dos supermercados, mas causa prejuízos expressivos aos produtores locais.

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“A gente tem que produzir, investir em melhoramento genético, melhoramento de pasto, tecnologia para a produção do leite, infraestrutura para deslocamento desse leite até a indústria (…), tudo isso impacta em custos. As intervenções do governo são para colocar a maior quantidade de produto no mercado para empurrar o preço para baixo, com isso você está ajudando o cidadão, mas está prejudicando quem produz”, afirma.

Foto: Maruan Bello

Impactos da guerra e dependência de insumos

Antônio também chamou atenção para outro fator que pressiona a cadeia leiteira: a dependência do Brasil em relação à importação de agroinsumos, especialmente de países como Rússia e Ucrânia. Com a guerra entre as duas nações, a escassez e o encarecimento desses produtos afetaram diretamente a produção agrícola e, consequentemente, a alimentação animal.

“Essa guerra prejudicou muito o agro e os produtores de leite, porque os insumos que vão para o melhoramento de pastagem e na parte nutricional foram impactados significativamente. Com isso, a gente ganha menos e deixa de investir. É importante que o agro seja bem remunerado, para que a gente esteja utilizando essa sobra para poder investir na propriedade, para aumentar a quantidade e qualidade e com isso levar um produto mais saudável ao consumidor”, disse em entrevista ao Estúdio Rural.

Atualmente, Mato Grosso produz cerca de 1 milhão de litros de leite por dia e tem potencial para expandir sua produção. O presidente do MT Leite destaca que o estado reúne condições favoráveis para o crescimento do setor.

“Uma das vantagens de Mato Grosso é que a gente tem espaço e pasto, e uma grande produção agrícola que é a base da nutrição animal, tanto na pecuária de corte quanto de leite. A gente pode dosar uma parte nutricional pelas ofertas que nós temos de produtos agrícolas como milho, soja, algodão e a parte de pastagem e silagem que evoluiu muito e é o que está fazendo com que, mesmo diminuindo o número de produtores, a gente está aumentando a produção.”

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Sucessão familiar e êxodo do campo

Um dos maiores desafios do setor é a falta de sucessão familiar. A saída de jovens do campo em busca de oportunidades nas cidades tem comprometido a continuidade da atividade leiteira, conhecida por exigir dedicação integral.

“Para produzir leite você não tem sábado, domingo ou feriado (…), a natureza na produção de leite as vacas têm que dar leite e não tem uma torneira que você desliga. Então isso faz com que os jovens não queiram ficar na propriedade. O que tem nos ajudado são as inovações tecnológicas, a gente tem a oportunidade por mais pessoas na atividade para estar operando uma ordenha mecânica, introduzindo a mão-de-obra feminina”, explica Antônio.

Além da falta de mão de obra, o setor enfrenta carência de políticas públicas e de incentivos governamentais capazes de garantir a viabilidade econômica dos produtores.

“Se a gente não conseguir uma alternativa de melhorar a produção, a tendência para o futuro é de acabar a produção, ou migrar para outras alternativas.”

Ações do MT Leite em apoio aos produtores

Diante desse cenário, a MT Leite tem atuado para fortalecer o setor e levar as demandas dos produtores ao poder público. A entidade integra a Comissão da Pecuária de Leite da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, presidida pelo deputado Gilberto Cattani, e tem promovido ações de capacitação e troca de conhecimento.

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“A gente está levando conhecimento, através de palestras, discussões, dias de campo para os produtores de leite e para os jovens”, afirma o presidente.

Outra iniciativa de destaque é a parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), por meio do Senar-MT, que oferece assistência técnica e gerencial, além de difundir tecnologias como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), contribuindo para o melhoramento genético e o aumento da produtividade.

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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.

As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.

Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.

O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.

Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.

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O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.

Como o levantamento é feito

A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.

As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.

De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.

A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.

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Agro forte sustenta valorização

A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.

Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.

As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.

Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.

Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.

Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.

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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.

A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.

As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.

Fonte: embrapa.br

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