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28 de julho de 2026

Business

O passo a passo do desmembramento rural no CAR Digital 2.0

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Desmembrar uma área rural vai muito além de traçar novos limites no mapa. Envolve seguir regras específicas, manter a regularidade no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e garantir que as áreas de preservação continuem protegidas. No campo, o processo se torna um verdadeiro exercício de planejamento e responsabilidade, especialmente quando envolve sucessão familiar e reorganização patrimonial.

Na Fazenda Formosa, em Sorriso, a sucessão familiar trouxe também a necessidade de reorganizar o patrimônio. Ivanor Cella, que chegou à região nos anos 1980, decidiu dividir a área que mantinha em sociedade com o irmão.

“Começamos aqui em 1985 e essa lei mudou a partir de 2008. De lá para cá, a gente praticamente só plantou árvore, não derrubou mais”, relembra Ivanor, ao falar sobre a evolução da legislação ambiental e a mudança de mentalidade no campo em entrevista ao programa MT Sustentável.

Para que o desmembramento fosse feito de forma correta, a família contou com o apoio da engenheira florestal Cléia Dal Bem, que orientou cada etapa do processo. “Fizeram o desmembramento, separando o que era de cada irmão, e nisso já calcularam quanto cada área precisaria de reserva. Essa divisão foi feita com a reserva legal proporcional a cada matrícula nova”, explica.

O caso da Fazenda Formosa é considerado tranquilo pela equipe técnica, já que se trata de uma área consolidada há décadas, onde a legislação da época foi respeitada. Ainda assim, ajustes foram necessários para adequar o registro no sistema digital. “Meu pai tinha uma área em sociedade, então a gente organizou isso, fez o desmembramento e precisou de assistência para arrumar os CARs”, conta Luciana Cella, engenheira agrônoma da família.

Já Mateus Cella, que também atua na administração da fazenda, reforça que o processo trouxe mais clareza e autonomia na gestão.

Hoje, a propriedade soma 1.315 hectares, dos quais 1,1 mil hectares são dedicados à soja e ao milho.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Atenção redobrada às regras do Código Florestal

A secretária adjunta de Gestão Ambiental, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Luciane Bertinatto, explica que o desmembramento de áreas exige atenção especial, principalmente quando envolve matrículas anteriores a 2012. Segundo ela, as regras do Código Florestal determinam que a reserva legal deve acompanhar a matrícula original e que não é possível desvinculá-la no processo.

“Importante ressaltar que as regras do Código Florestal para um desmembramento de área levam em consideração uma matrícula anterior a 2012”, diz Luciane, lembrando que o proprietário e seu responsável técnico precisam apresentar uma planilha detalhando como será feita a divisão da reserva legal. Ela reforça que, mesmo em matrículas antigas, é necessário garantir que cada área esteja corretamente distribuída e regularizada.

Luciane lembra ainda que, em muitos casos, o processo não é apenas cartorial. Ela frisa à reportagem que é fundamental que os responsáveis técnicos entendam como se dá o desmembramento dentro das regras do CAR, e que em propriedades com matrículas grandes, muitas vezes desmembradas após 2012, é preciso juntar todas as informações da matrícula anterior e elaborar um quadro de áreas para distribuir corretamente a reserva legal.

“Eu não consigo desvincular a reserva legal da área em abertura da matrícula anterior”, reforça ao programa do Canal Rural Mato Grosso, destacando que cada percentual de reserva deve ser alocado conforme os direitos de abertura de área de cada parte.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Apoio técnico e diálogo para avançar na regularização

Para ajudar os produtores a lidar com dúvidas e pendências, a Aprosoja Mato Grosso criou uma Central de Informações do CAR, com analistas especializados. O vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, explica que a central consegue ajudar o produtor a diagnosticar o problema e encontrar a solução, ressaltando que muitas vezes o desafio está na comunicação entre o engenheiro e o órgão ambiental.

“O CAR é complexo. Então, nós decidimos arregaçar as mangas e aproveitar que a Sema nos deu liberdade para fazer uma parceria. Hoje nós temos um Termo de Cooperação com a Sema e nós conseguimos ajudar o produtor a transpor essa barreira do CAR”, diz Bier.

Parcerias como essa têm sido essenciais para aproximar produtores e poder público, tornando o processo de regularização mais ágil e eficiente. Como destaca a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, “não há outro caminho para o Brasil que não seja demonstrar a legalidade”.

“Nós temos a oportunidade de fazer isso juntos, corrigindo na trajetória eventuais problemas que um sistema ou uma inovação possa trazer”, ressalta a gestora da pasta.

A história da família Cella mostra que desmembrar uma propriedade rural é, acima de tudo, planejar o futuro com responsabilidade — garantindo que a produção siga crescendo em harmonia com o meio ambiente e dentro das normas do CAR Digital 2.0.

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Agro Mato Grosso

Doce de caju e guaraná ralado passam a integrar lista de patrimônios culturais imateriais de Cuiabá

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O prefeito Abilio Brunini (PL) sancionou leis que reconhecem o doce de caju e o guaraná ralado, juntos com seus modos de preparo, como Patrimônios Culturais Imateriais de Cuiabá. Com a medida, os dois produtos passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo município.

Segundo os projetos sancionados, o objetivo é buscar preservar os conhecimentos relacionados à produção e incentivar a continuidade dessas práticas. As propostas são de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB).

O guaraná ralado já havia sido reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Mato Grosso pela Lei Estadual nº 11.010/2019. Com a sanção da lei municipal, também passa a ter reconhecimento em Cuiabá.

O doce de caju também foi incluído na lista de patrimônios culturais imateriais do município. A vereadora Maria Avalone afirmou que as leis buscam preservar o modo de preparo do doce de caju e do guaraná ralado, além dos conhecimentos relacionados à produção transmitidos entre gerações.

Segundo a parlamentar, as leis também seguem as diretrizes do Plano Municipal de Cultura e preveem ações voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao turismo cultural e à economia criativa.

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Business

Nova era da colheita: mais automação, menos perdas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A evolução da produção de milho no Brasil tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas. Cada vez mais conectadas, as colheitadeiras incorporam sensores, câmeras, mapas digitais e sistemas de automação capazes de interpretar as condições da lavoura em tempo real e ajustar a operação praticamente sem interferência do operador.

A proposta é aumentar a eficiência da colheita, reduzir perdas de grãos, preservar a qualidade do produto e otimizar o consumo de combustível. Com o avanço dessas tecnologias, a tomada de decisão deixa de depender exclusivamente da experiência do operador e passa a ser compartilhada com sistemas embarcados que monitoram a lavoura durante toda a operação.

As novidades foram apresentadas pela John Deere, que lançou neste ano a colheitadeira S7 e ampliou o portfólio de plataformas para milho produzidas no Brasil. Os equipamentos utilizam informações obtidas antes mesmo da entrada da máquina na área, combinadas com dados captados durante a colheita.

Esse conjunto de informações permite que a máquina antecipe as condições da lavoura e faça ajustes automaticamente. “Com as câmeras frontais, a máquina já consegue fazer uma leitura da lavoura à frente e, com isso, a máquina se ajusta”, explica o gerente de marketing para colheita da John Deere, Ewerton Machado.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Colheita adaptada em tempo real

Os mapas digitais indicam a variabilidade da lavoura antes da operação. Já durante a colheita, as câmeras identificam fatores como plantas acamadas e diferenças de produtividade, permitindo que a máquina altere automaticamente parâmetros como abertura das peneiras, regulagem do côncavo e velocidade de trabalho.

Conforme Machado, esse processo começa antes mesmo da entrada da colheitadeira na área. “Os mapas de NDVI ou de biomassa são subidos para a nuvem e, por satélite, chegam na máquina. A máquina entende o que está na frente dela e as câmeras vão entender a condição da cultura, se está acamada, como é que está”.

Na prática, o operador deixa de realizar ajustes constantes ao longo do dia, enquanto a colheitadeira adapta a operação conforme as mudanças encontradas no campo.

Machado afirma ao projeto Mais Milho que essa automação também reflete diretamente no desempenho da máquina. “Nós temos aí um ganho de 20% de produtividade com essa funcionalidade”, destaca. De acordo com ele, como a máquina faz os ajustes conforme a condição da lavoura, “nós temos aí 4,5 maior redução de combustível e maior qualidade de grãos. 10% maior quantidade de grãos”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mais capacidade sem abrir mão da qualidade

Além da automação, a fabricante também apresentou a colheitadeira X9, voltada para operações de maior escala. O modelo utiliza rotores duplos para ampliar a capacidade de processamento sem comprometer a qualidade da colheita.

Em vez de focar apenas na potência do equipamento, o projeto prioriza manter um fluxo constante de material dentro da máquina, reduzindo perdas e preservando a qualidade dos grãos.

A especialista de marketing para plantio e colheita da John Deere, Gislaine Pereira, explica que o sistema distribui melhor a potência durante o processamento. “Estamos falando de uma solução que não é sobre potência, é sobre capacidade sustentada com qualidade para o produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ela, “com o sistema de processamento da colheitadeira, a gente tem uma solução com rotores duplos, onde é possível dissipar a potência dentro desse sistema de processamento (…), fazendo com que esse grão colhido seja mais limpo e o produtor tenha um melhor resultado ali no final da safra”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Plataforma nacional amplia eficiência da colheita

A alimentação uniforme da colheitadeira também influencia diretamente o desempenho da operação. Pensando nisso, a empresa ampliou a linha de plataformas para milho com a nova série CR, fabricada no Brasil e disponível em versões de 12 a 27 linhas.

Conforme a responsável pelo marketing de produto para colheita de grãos da John Deere, Greta Griffante, o lançamento reúne características já consolidadas nas plataformas premium da marca e incorpora novos recursos de automação.

Entre as novidades estão sistemas automáticos para a chapa destacadora e para o eixo traseiro, que ajudam a manter uma alimentação constante da colheitadeira e reduzem perdas ao longo da operação. “A CR traz tudo que é de bom que a gente já conhece das plataformas de milho premium da John Deere, que é durabilidade e confiabilidade, agora com um portfólio completo de 12 a 27 linhas”, destaca Greta.

A tecnologia também busca elevar a capacidade operacional sem aumentar o consumo de combustível, permitindo colher uma área maior por hora e melhorar o aproveitamento dos grãos. A especialista, pontua que “a gente consegue até 12% a mais de produtividade, ou seja, mais hectare colhido por hora, sem consumir mais combustível”. Ela acrescenta que a plataforma proporciona “até 9% de eficiência, menos litros por hectare e mínimas perdas, três vezes menos perdas”.

Para Greta, o desenvolvimento da série CR marca uma nova etapa da mecanização da cultura no país. “O milho representa pra gente o nosso DNA”, afirma. Ela ressalta que a empresa desenvolve soluções para essa cultura há mais de 100 anos e que “fazia todo o sentido trazer aqui para o Brasil tecnologia nacional produzida aqui (…), marcando agora uma nova era da colheita do milho”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

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Aprosoja Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.

Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.

Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.

Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.

Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.

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