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os desafios do CAR Digital 2.0 em MT

Criado em 2012 pelo Código Florestal, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) se tornou uma peça-chave na regularização ambiental das propriedades rurais. Ele reúne informações cruciais, como a identificação do proprietário, a delimitação geográfica do imóvel e a definição de áreas ambientais, incluindo APPs e Reserva Legal. No entanto, desde sua criação, o CAR tem sido alvo de debates e questionamentos, e segue longe de ser um consenso.
O sistema é reconhecido como complexo por produtores e órgãos ambientais. O vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Pedro Bier, destaca os desafios. Ele reconhece o esforço do governo do estado e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) na busca por soluções, como o CAR Digital e o CAR Digital 2.0, mas admite que “elas são ideais? Com certeza não”.
Bier aponta que a principal preocupação da entidade é a “insegurança jurídica que a Associação julga que o CAR tem” e a “morosidade na confecção do CAR, a fila é imensa”.
Automação em Busca da Celeridade
No dia 4 de junho deste ano, entrou em operação em Mato Grosso uma nova versão do CAR. A principal novidade do CAR Digital 2.0 é a análise automatizada das informações dos mais de 160 mil cadastros do estado.
A secretária de estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, explica que a automação visa dar escala à análise ambiental. O maior objetivo é entregar ao produtor rural a regularização ambiental pronta, mas a ferramenta também identifica os problemas que precisam ser resolvidos.
“A automação da análise, que é o que nós introduzimos por meio do CAR Digital 2.0, ela visa de fato dar escala à análise ambiental dos cadastros inseridos no estado”, afirma a secretária em entrevista ao programa MT Sustentável.
Ela detalha que a automação aplica a análise ambiental em todo o território e segrega aqueles cadastros com informações suficientes, validando-os em conformidade com o código florestal, daqueles que têm problemas. Nesses casos, a ferramenta identifica “sobreposição entre imóveis rurais e imóveis inseridos sobre áreas protegidas, terras indígenas, unidades de conservação, que são cadastros que necessariamente vão ter que ser validados de forma manual”.

CAR 2.0 na Prática: Divergência de Hidrografia
A mudança trouxe agilidade ao processo, mas tem gerado dúvidas. A Fazenda Estrela do Sul, em General Carneiro, no sudeste de Mato Grosso, é uma propriedade voltada à pecuária de cria e recria e tem um relevo bastante ondulado.
Proprietário do local, o pecuarista Giuseppe Cozzolino busca sempre realizar a limpeza de pasto, procedimento que exige autorização da Secretaria de Meio Ambiente. Ele explica o rigor no manejo: a fazenda sempre entra em contato com um técnico para definir e liberar as áreas.
“A gente tem esse cuidado de passar certinho em cima da linha, porque se você passa fora e fizer uma área que não é permitida, existem algumas punições legais”, diz ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Para liberar esse tipo de limpeza, a fazenda deve cumprir requisitos da Declaração de Limpeza Diária (DLA). A secretária adjunta de gestão ambiental de Mato Grosso, Luciane Bertinatto, explica que a DLA é um sistema ligado à base de uso consolidado ou validada no CAR.
Ela alerta que, no caso da pecuária, se o proprietário ficar sem limpar a propriedade por cinco anos, perde o direito à DLA e terá que fazer um PEF (Projeto de Exploração Florestal). “Por isso é importante os proprietários se atentarem para essa situação, de emitir uma DLA a cada dois anos, três anos, fazer a limpeza da sua área”.
A pecuarista Maria Ester Tiziane Fava, a Téia, proprietária da fazenda junto com o marido Giuseppe, conta que a regularização ambiental na propriedade é levada a sério. Ela mantém uma pasta organizada com todos os documentos.
“Eu gosto da coisa certa, séria, eu acho que eu sou brincalhona, mas eu sou uma brincalhona séria”, define. “Eu acho que já que a lei existe, tem que ser cumprida. Então eu sou bem assim. Então eu sempre procurei fazer o máximo do correto possível. Até para não ser pega de surpresa, é o que eu até comentei com você, eu tenho pavor de multa”, pontua.
A produtora já tem o CAR validado na Estrela do Sul, mas admite que o processo foi complexo. “Uma novela”, resume. O maior problema foram as divergências. “Apresentou algumas hidrografias inexistentes”, relata. Segundo os registros do CAR, a fazenda tinha 121 hidrografias, mas na prática o número real era 34.

A questão dos canais efêmeros
A situação da Estrela do Sul, onde os mapas constatam um curso d’água que na prática não existe, levanta o debate sobre as inconsistências entre o que se observa no campo e os registros digitais.
A secretária adjunta Luciane Bertinatto explica que os registros são feitos por pessoas que trabalham com imagens de satélite. “Muitas vezes essas imagens não reportam exatamente o que tem no imóvel”, explica. No entanto, ela esclarece que a informação do banco de dados não é soberana, mas sim “bases de referência”.
“Quem conhece a propriedade é o produtor rural e o responsável técnico”, reforça. Nesses casos, o produtor ou responsável deve fazer um laudo, seguindo um termo de referência, e apresentá-lo à Sema, que confrontará as informações.
A secretária Mauren Lazzaretti ressalta a evolução da legislação, citando os canais efêmeros. “Os mapas que nós temos referenciais antigos, anteriores ao código florestal, consideravam canais efêmeros como cursos d’água e geravam área de preservação permanente. Pode haver uma divergência, uma eventual hidrografia validada pelo órgão pode ser defendida como um canal efêmero”.
Luciane Bertinatto aponta que o problema da divergência de hidrografia é mais comum em áreas de pecuária, onde a vegetação e a declividade do solo podem confundir nas imagens.
Nos 34 pontos de hidrografia da Fazenda Estrela do Sul, três precisavam de recomposição da mata ciliar. Téia conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que já havia uma cerca na nascente, mas foi refeita para se adequar ao CAR. “Com o advento do nosso CAR, nós aprendemos que deveria estar a 50 metros, então a cerca foi refeita”, explica a pecuarista, que pretende plantar mudas nativas em breve para ajudar a natureza. No total, a fazenda deverá recuperar sete hectares de mata ciliar.

Vigilância Contra o Fogo
A pecuarista comemora a regularização do cadastro, mas revela uma preocupação na seca: o fogo. “Eu estou em frente à área indígena. Então, nós temos a maior preocupação aqui com o fogo”, diz Téia. A proximidade com a área de mata e as penalidades por incêndios causam grande insegurança. “A gente fica pisando em ovos”, lamenta.
O pecuarista Giuseppe Cozzolino detalha o esquema de prevenção existente no local. O tanque fica sempre cheio, a equipe é treinada e os abafadores estão à vista, conforme ele. “Aconteceu qualquer coisa, o pessoal já é instruído para correr. Só que não aqui. No vizinho. A gente combate no vizinho. E eu tenho contato com todos os vizinhos, acontece qualquer coisa eu ligo para todo mundo, chamo para vir junto”.
A vigilância, frisa ele, é total. “Vigilância 24 horas por dia. Inclusive quando eu não estou na fazenda a gente tem câmera, eu sempre acesso a câmera, dou uma olhada que você consegue ver se tem fumaça ou não, né? É direto. Isso aí não dá para você aliviar, você tem que estar em cima”, enfatiza.
A Fazenda Estrela do Sul mostra que a regularização ambiental é uma ferramenta de gestão, organizando informações e dando mais segurança ao trabalho no campo.
A secretária Mauren Lazzaretti ressalta a importância do cadastro para todo o setor: “Toda a área rural que exerça uma atividade rural. Ela precisa ter o cadastro ambiental rural, as áreas de preservação permanente e reserva legal definidas, independente do tamanho de um sítio de dois, três hectares a um grande imóvel”.
A automação, conclui Mauren, concentra o esforço nos pontos de divergência. “O que reduz o tempo de análise, torna mais célere a validação e a conclusão daquele cadastro ambiental rural, que é o objetivo de todos, é o objetivo do produtor rural, é o objetivo do órgão ambiental e é também dos órgãos de controle”.
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Agro Mato Grosso
Doce de caju e guaraná ralado passam a integrar lista de patrimônios culturais imateriais de Cuiabá

Leis reconhecem os produtos e seus modos de preparo como bens culturais do município e buscam preservar os conhecimentos transmitidos entre gerações.
O prefeito Abilio Brunini (PL) sancionou leis que reconhecem o doce de caju e o guaraná ralado, juntos com seus modos de preparo, como Patrimônios Culturais Imateriais de Cuiabá. Com a medida, os dois produtos passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo município.
Segundo os projetos sancionados, o objetivo é buscar preservar os conhecimentos relacionados à produção e incentivar a continuidade dessas práticas. As propostas são de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB).
O guaraná ralado já havia sido reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Mato Grosso pela Lei Estadual nº 11.010/2019. Com a sanção da lei municipal, também passa a ter reconhecimento em Cuiabá.
O doce de caju também foi incluído na lista de patrimônios culturais imateriais do município. A vereadora Maria Avalone afirmou que as leis buscam preservar o modo de preparo do doce de caju e do guaraná ralado, além dos conhecimentos relacionados à produção transmitidos entre gerações.
Segundo a parlamentar, as leis também seguem as diretrizes do Plano Municipal de Cultura e preveem ações voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao turismo cultural e à economia criativa.
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Nova era da colheita: mais automação, menos perdas

A evolução da produção de milho no Brasil tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas. Cada vez mais conectadas, as colheitadeiras incorporam sensores, câmeras, mapas digitais e sistemas de automação capazes de interpretar as condições da lavoura em tempo real e ajustar a operação praticamente sem interferência do operador.
A proposta é aumentar a eficiência da colheita, reduzir perdas de grãos, preservar a qualidade do produto e otimizar o consumo de combustível. Com o avanço dessas tecnologias, a tomada de decisão deixa de depender exclusivamente da experiência do operador e passa a ser compartilhada com sistemas embarcados que monitoram a lavoura durante toda a operação.
As novidades foram apresentadas pela John Deere, que lançou neste ano a colheitadeira S7 e ampliou o portfólio de plataformas para milho produzidas no Brasil. Os equipamentos utilizam informações obtidas antes mesmo da entrada da máquina na área, combinadas com dados captados durante a colheita.
Esse conjunto de informações permite que a máquina antecipe as condições da lavoura e faça ajustes automaticamente. “Com as câmeras frontais, a máquina já consegue fazer uma leitura da lavoura à frente e, com isso, a máquina se ajusta”, explica o gerente de marketing para colheita da John Deere, Ewerton Machado.

Colheita adaptada em tempo real
Os mapas digitais indicam a variabilidade da lavoura antes da operação. Já durante a colheita, as câmeras identificam fatores como plantas acamadas e diferenças de produtividade, permitindo que a máquina altere automaticamente parâmetros como abertura das peneiras, regulagem do côncavo e velocidade de trabalho.
Conforme Machado, esse processo começa antes mesmo da entrada da colheitadeira na área. “Os mapas de NDVI ou de biomassa são subidos para a nuvem e, por satélite, chegam na máquina. A máquina entende o que está na frente dela e as câmeras vão entender a condição da cultura, se está acamada, como é que está”.
Na prática, o operador deixa de realizar ajustes constantes ao longo do dia, enquanto a colheitadeira adapta a operação conforme as mudanças encontradas no campo.
Machado afirma ao projeto Mais Milho que essa automação também reflete diretamente no desempenho da máquina. “Nós temos aí um ganho de 20% de produtividade com essa funcionalidade”, destaca. De acordo com ele, como a máquina faz os ajustes conforme a condição da lavoura, “nós temos aí 4,5 maior redução de combustível e maior qualidade de grãos. 10% maior quantidade de grãos”.

Mais capacidade sem abrir mão da qualidade
Além da automação, a fabricante também apresentou a colheitadeira X9, voltada para operações de maior escala. O modelo utiliza rotores duplos para ampliar a capacidade de processamento sem comprometer a qualidade da colheita.
Em vez de focar apenas na potência do equipamento, o projeto prioriza manter um fluxo constante de material dentro da máquina, reduzindo perdas e preservando a qualidade dos grãos.
A especialista de marketing para plantio e colheita da John Deere, Gislaine Pereira, explica que o sistema distribui melhor a potência durante o processamento. “Estamos falando de uma solução que não é sobre potência, é sobre capacidade sustentada com qualidade para o produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Segundo ela, “com o sistema de processamento da colheitadeira, a gente tem uma solução com rotores duplos, onde é possível dissipar a potência dentro desse sistema de processamento (…), fazendo com que esse grão colhido seja mais limpo e o produtor tenha um melhor resultado ali no final da safra”.

Plataforma nacional amplia eficiência da colheita
A alimentação uniforme da colheitadeira também influencia diretamente o desempenho da operação. Pensando nisso, a empresa ampliou a linha de plataformas para milho com a nova série CR, fabricada no Brasil e disponível em versões de 12 a 27 linhas.
Conforme a responsável pelo marketing de produto para colheita de grãos da John Deere, Greta Griffante, o lançamento reúne características já consolidadas nas plataformas premium da marca e incorpora novos recursos de automação.
Entre as novidades estão sistemas automáticos para a chapa destacadora e para o eixo traseiro, que ajudam a manter uma alimentação constante da colheitadeira e reduzem perdas ao longo da operação. “A CR traz tudo que é de bom que a gente já conhece das plataformas de milho premium da John Deere, que é durabilidade e confiabilidade, agora com um portfólio completo de 12 a 27 linhas”, destaca Greta.
A tecnologia também busca elevar a capacidade operacional sem aumentar o consumo de combustível, permitindo colher uma área maior por hora e melhorar o aproveitamento dos grãos. A especialista, pontua que “a gente consegue até 12% a mais de produtividade, ou seja, mais hectare colhido por hora, sem consumir mais combustível”. Ela acrescenta que a plataforma proporciona “até 9% de eficiência, menos litros por hectare e mínimas perdas, três vezes menos perdas”.
Para Greta, o desenvolvimento da série CR marca uma nova etapa da mecanização da cultura no país. “O milho representa pra gente o nosso DNA”, afirma. Ela ressalta que a empresa desenvolve soluções para essa cultura há mais de 100 anos e que “fazia todo o sentido trazer aqui para o Brasil tecnologia nacional produzida aqui (…), marcando agora uma nova era da colheita do milho”.

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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.
Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.
Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.
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Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.
Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.
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