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Produtores de áreas úmidas terão mais segurança ao produzir com nova lei

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei Complementar nº 43/2025 que atualiza e aprimora as regras sobre o uso e a proteção das áreas úmidas no estado. O texto, que altera a Lei Complementar nº 38/1995, busca garantir mais segurança jurídica aos produtores rurais e fortalecer a gestão ambiental com base em critérios técnicos e científicos.
De acordo com o projeto, a proteção, conservação e o uso sustentável das áreas úmidas passarão a ser regulamentados pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). O órgão será responsável por definir as normas para o licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras, supressão de vegetação e obras de drenagem, observando sempre a legislação federal vigente.
O novo texto também inclui o Artigo 65-A, que especifica quais regiões do estado serão consideradas de uso restrito:
- O Pantanal Mato-grossense, dentro dos limites da planície alagável da Bacia do Alto Paraguai;
- A Planície Alagável do Guaporé, formada pelo rio Guaporé e seus afluentes;
- A Planície Alagável do Araguaia, formada pelo rio Araguaia e seus afluentes.
Essas áreas passam a ser reconhecidas como zonas de uso restrito apenas quando forem comprovadamente afetadas por inundações ou apresentarem características típicas de áreas úmidas, como solos hidromórficos, identificados por sua saturação constante de água. Assim, ficam excluídas da restrição as terras localizadas nessas planícies, mas que não sofrem influência direta do pulso das cheias.
Além disso, o projeto deixa claro que as vedações não se aplicam a áreas urbanas ou de expansão urbana, reconhecendo que essas regiões possuem funções e dinâmicas distintas das áreas rurais.
Estudo minucioso embasou a proposta aprovada
Segundo a justificativa do texto, a proposta foi elaborada com base em um estudo técnico conduzido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em convênio com a ALMT e com participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A pesquisa indicou a necessidade de ajustar a legislação à realidade geográfica e ecológica dos vales do Araguaia e do Guaporé, evitando classificações genéricas que poderiam restringir atividades produtivas em áreas sem características de alagamento.
Na prática, a aprovação da proposta deve trazer mais clareza e segurança jurídica para os produtores rurais que atuam nas planícies do Araguaia e do Guaporé. Eles poderão solicitar licenças e planejar o uso produtivo das terras com base em critérios técnicos, respeitando as normas ambientais e promovendo o desenvolvimento sustentável.
O deputado estadual Valmir Moretto, coautor do projeto, explica que a nova legislação corrige distorções e reconhece as particularidades dessas regiões.
“Com essa aprovação, o produtor poderá saber exatamente o que é área úmida e o que é área seca, podendo utilizar sua propriedade de forma adequada e sustentável. Essa diferenciação dá tranquilidade para obter crédito, licenças e investir com segurança, sem prejuízo ao meio ambiente. (…) Os estudos comprovaram que as áreas dos vales do Araguaia e do Guaporé não têm as mesmas características do Pantanal, nem em fauna, flora ou tipo de solo. Ou seja, são ecossistemas distintos”, explica em entrevista ao Canal Rural MT.
Com a nova lei, Mato Grosso avança na harmonização entre produção e preservação ambiental, fortalecendo o papel da ciência e da técnica na definição de políticas públicas e consolidando o compromisso do estado com o desenvolvimento sustentável. O texto aprovado segue agora para sanção do governador Mauro Mendes.
Setor produtivo acompanha andamento do ZSEE-MT
A nova determinação foi debatida nesta semana durante a reunião do Fórum Agro MT, realizada no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato). O evento reuniu autoridades e representantes de entidades ligadas ao setor produtivo para debater diversos temas que impactam o setor. Entre as pautas, o destaque foi para a revisão do Zoneamento Socioeconômico Ecológico de Mato Grosso (ZSEE-MT).
O professor da UFMT, Emílio Azevedo, destaca a importância de basear o zoneamento em levantamentos científicos e precisos.
“O zoneamento é importante porque ele integra a potencialidade dos recursos naturais com a condição socioeconômica das regiões. Para isso, é essencial que os levantamentos sejam feitos com precisão e validados em campo, garantindo que as definições reflitam a realidade local.”
A equipe técnica da Famato está acompanhando o processo de revisão do ZSEE-MT, que está sendo elaborado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), como a atualização das bases de dados socioeconômicos ambientais, revisão dos critérios de categorização das zonas e subzonas e a elaboração de mapas de recategorização em escala de 1:250.000.
O zoneamento completo de Mato Grosso deve ser finalizado antes das eleições estaduais de 2026, após a realização de audiências públicas.
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Agro Mato Grosso
Doce de caju e guaraná ralado passam a integrar lista de patrimônios culturais imateriais de Cuiabá

Leis reconhecem os produtos e seus modos de preparo como bens culturais do município e buscam preservar os conhecimentos transmitidos entre gerações.
O prefeito Abilio Brunini (PL) sancionou leis que reconhecem o doce de caju e o guaraná ralado, juntos com seus modos de preparo, como Patrimônios Culturais Imateriais de Cuiabá. Com a medida, os dois produtos passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo município.
Segundo os projetos sancionados, o objetivo é buscar preservar os conhecimentos relacionados à produção e incentivar a continuidade dessas práticas. As propostas são de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB).
O guaraná ralado já havia sido reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Mato Grosso pela Lei Estadual nº 11.010/2019. Com a sanção da lei municipal, também passa a ter reconhecimento em Cuiabá.
O doce de caju também foi incluído na lista de patrimônios culturais imateriais do município. A vereadora Maria Avalone afirmou que as leis buscam preservar o modo de preparo do doce de caju e do guaraná ralado, além dos conhecimentos relacionados à produção transmitidos entre gerações.
Segundo a parlamentar, as leis também seguem as diretrizes do Plano Municipal de Cultura e preveem ações voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao turismo cultural e à economia criativa.
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Nova era da colheita: mais automação, menos perdas

A evolução da produção de milho no Brasil tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas. Cada vez mais conectadas, as colheitadeiras incorporam sensores, câmeras, mapas digitais e sistemas de automação capazes de interpretar as condições da lavoura em tempo real e ajustar a operação praticamente sem interferência do operador.
A proposta é aumentar a eficiência da colheita, reduzir perdas de grãos, preservar a qualidade do produto e otimizar o consumo de combustível. Com o avanço dessas tecnologias, a tomada de decisão deixa de depender exclusivamente da experiência do operador e passa a ser compartilhada com sistemas embarcados que monitoram a lavoura durante toda a operação.
As novidades foram apresentadas pela John Deere, que lançou neste ano a colheitadeira S7 e ampliou o portfólio de plataformas para milho produzidas no Brasil. Os equipamentos utilizam informações obtidas antes mesmo da entrada da máquina na área, combinadas com dados captados durante a colheita.
Esse conjunto de informações permite que a máquina antecipe as condições da lavoura e faça ajustes automaticamente. “Com as câmeras frontais, a máquina já consegue fazer uma leitura da lavoura à frente e, com isso, a máquina se ajusta”, explica o gerente de marketing para colheita da John Deere, Ewerton Machado.

Colheita adaptada em tempo real
Os mapas digitais indicam a variabilidade da lavoura antes da operação. Já durante a colheita, as câmeras identificam fatores como plantas acamadas e diferenças de produtividade, permitindo que a máquina altere automaticamente parâmetros como abertura das peneiras, regulagem do côncavo e velocidade de trabalho.
Conforme Machado, esse processo começa antes mesmo da entrada da colheitadeira na área. “Os mapas de NDVI ou de biomassa são subidos para a nuvem e, por satélite, chegam na máquina. A máquina entende o que está na frente dela e as câmeras vão entender a condição da cultura, se está acamada, como é que está”.
Na prática, o operador deixa de realizar ajustes constantes ao longo do dia, enquanto a colheitadeira adapta a operação conforme as mudanças encontradas no campo.
Machado afirma ao projeto Mais Milho que essa automação também reflete diretamente no desempenho da máquina. “Nós temos aí um ganho de 20% de produtividade com essa funcionalidade”, destaca. De acordo com ele, como a máquina faz os ajustes conforme a condição da lavoura, “nós temos aí 4,5 maior redução de combustível e maior qualidade de grãos. 10% maior quantidade de grãos”.

Mais capacidade sem abrir mão da qualidade
Além da automação, a fabricante também apresentou a colheitadeira X9, voltada para operações de maior escala. O modelo utiliza rotores duplos para ampliar a capacidade de processamento sem comprometer a qualidade da colheita.
Em vez de focar apenas na potência do equipamento, o projeto prioriza manter um fluxo constante de material dentro da máquina, reduzindo perdas e preservando a qualidade dos grãos.
A especialista de marketing para plantio e colheita da John Deere, Gislaine Pereira, explica que o sistema distribui melhor a potência durante o processamento. “Estamos falando de uma solução que não é sobre potência, é sobre capacidade sustentada com qualidade para o produtor”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Segundo ela, “com o sistema de processamento da colheitadeira, a gente tem uma solução com rotores duplos, onde é possível dissipar a potência dentro desse sistema de processamento (…), fazendo com que esse grão colhido seja mais limpo e o produtor tenha um melhor resultado ali no final da safra”.

Plataforma nacional amplia eficiência da colheita
A alimentação uniforme da colheitadeira também influencia diretamente o desempenho da operação. Pensando nisso, a empresa ampliou a linha de plataformas para milho com a nova série CR, fabricada no Brasil e disponível em versões de 12 a 27 linhas.
Conforme a responsável pelo marketing de produto para colheita de grãos da John Deere, Greta Griffante, o lançamento reúne características já consolidadas nas plataformas premium da marca e incorpora novos recursos de automação.
Entre as novidades estão sistemas automáticos para a chapa destacadora e para o eixo traseiro, que ajudam a manter uma alimentação constante da colheitadeira e reduzem perdas ao longo da operação. “A CR traz tudo que é de bom que a gente já conhece das plataformas de milho premium da John Deere, que é durabilidade e confiabilidade, agora com um portfólio completo de 12 a 27 linhas”, destaca Greta.
A tecnologia também busca elevar a capacidade operacional sem aumentar o consumo de combustível, permitindo colher uma área maior por hora e melhorar o aproveitamento dos grãos. A especialista, pontua que “a gente consegue até 12% a mais de produtividade, ou seja, mais hectare colhido por hora, sem consumir mais combustível”. Ela acrescenta que a plataforma proporciona “até 9% de eficiência, menos litros por hectare e mínimas perdas, três vezes menos perdas”.
Para Greta, o desenvolvimento da série CR marca uma nova etapa da mecanização da cultura no país. “O milho representa pra gente o nosso DNA”, afirma. Ela ressalta que a empresa desenvolve soluções para essa cultura há mais de 100 anos e que “fazia todo o sentido trazer aqui para o Brasil tecnologia nacional produzida aqui (…), marcando agora uma nova era da colheita do milho”.

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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.
Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.
Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.
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Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.
Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.
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