Sustentabilidade
Simpósio sobre pós-colheita debate qualidade dos grãos e segurança no armazenamento – MAIS SOJA

O “I Simpósio de Pós-colheita de Grãos de Minas Gerais”, realizado em Uberlândia de 15 a 17 de outubro de 2025, reuniu 327 inscritos e contou com 45 estandes de empresas do setor de armazenagem e afins. O evento foi promovido e realizado pela Associação Brasileira de Pós-colheita (Abrapos), pela Cooperativa Agrícola Mista Iraí Ltda. (Copamil), pela empresa Caramuru Alimentos e pela Embrapa, com apoio de empresas parceiras.
No Painel “Pragas e o manejo integrado nas unidades armazenadoras de grãos”, realizado no dia 16, pela manhã, o pesquisador Marco Aurélio Guerra Pimentel, da Embrapa Milho e Sorgo, abordou as “Inovações no Manejo Integrado de Pragas de grãos armazenados”, destacando tecnologias relacionadas à detecção e identificação precoce de infestações e no desenvolvimento de novas estratégias de controle, que abrangem o uso de novos pós e minerais inertes, aplicação de ozônio gasoso, embalagens ativas, tecnologias em formulações otimizadas e possibilidades dentro do controle biológico.
“O manejo integrado de pragas prevê a integração de diferentes táticas de manejo, aliadas ao conhecimento técnico, à inovação e às práticas sustentáveis, que contribuem para a redução de perdas e para a preservação da qualidade dos grãos. Dentre as ferramentas existentes é imprescindível ficar atento às tecnologias de aplicação, seguir as recomendações dos fabricantes, utilizar apenas os produtos registrados para pós-colheita e ficar atento aos limites máximos tolerados (LMT) de resíduos. Temos que trabalhar com as tecnologias de forma adequada, para prolongar a eficiências das ferramentas de controle de pragas”, disse Pimentel.
Em seguida, o analista de Armazenagem e Classificação da Caramuru Alimentos, Elivânio dos Santos Rosa, apresentou a palestra “Experiência prática de controle de pragas, roedores e pombos em unidades armazenadoras” e o presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), José Ronaldo Quirino, ministrou sobre “Sementes tóxicas e sementes quarentenárias no recebimento e expedição de grãos”.
Quirino destacou as principais espécies de plantas daninhas que produzem sementes tóxicas e quarentenárias e que podem contaminar as cargas de grãos, gerando prejuízos a toda a cadeia. “A correta identificação das plantas no campo e das suas sementes nas cargas de grãos podem evitar prejuízos significativos, como nos casos recentes de presença de espécies de sementes suspeitas de sorgo halepense”, disse Quirino.
A mensagem de Elivânio Rosa foi baseada na conscientização e na mudança de comportamento com relação às práticas do Manejo Integrado de Pragas: “Não adianta nada adquirir o conhecimento e manter as mesmas práticas. É possível controlar os insetos por meio da limpeza, dos métodos físicos em que utilizamos com mais intensidade a água para lavar as estruturas e desalojar os insetos. O controle por meio de mapeamentos e de indicadores também contribuem para melhorar a gestão e os resultados do negócio”, frisou Rosa.
Classificação e qualidade
O segundo painel, realizado à tarde, trouxe o tema “Classificação e Métodos de Aferição de Qualidade em Grãos”. A consultora Fátima Chieppe Parizzi, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (ANEC) ministrou sobre “Impacto da classificação, presença de contaminantes e critérios comerciais nos mercados de grãos”. “A aplicação adequada dos fundamentos de padronização e classificação no controle de qualidade dos grãos é de fundamental importância para garantir a conformidade dos produtos e o atendimento aos requisitos exigidos pelo mercado”, frizou Parizzi.
Para falar sobre “Inovações em determinação de qualidade e composição de grãos”, foi chamada a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Maria Lúcia Ferreira Simeone. “Garantir a qualidade e a segurança de grãos como milho e sorgo é essencial para o valor nutricional e para evitar perdas pós-colheita. Uma alternativa para contribuir para a mudança desse cenário é o uso da espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) na análise de grãos. Essa tecnologia combinada com a quimiometria permite um conhecimento rápido, sustentável e em tempo real da composição físico-química dos grãos”, explicou Simeone.
“Mais ainda”, acrescentou Simeone, as “técnicas avançadas de NIRS, como o NIRS hiperespectral, são capazes de identificar com alta precisão ameaças à saúde e à qualidade, como a infestação por insetos e a contaminação perigosa por micotoxinas (aflatoxinas e fumonisinas). Investir na ciência, como o NIRS e a quimiometria, é o compromisso da Embrapa com uma pós-colheita mais segura, eficiente e transparente para o futuro do agronegócio”, comentou Simeone.
Secagem, aeração e consumo energético
Para o terceiro painel do dia, “Secagem, Aeração e Consumo Energético”, foram convidados o professor Luís César da Silva, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e diretor do Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem (Centreinar), e o consultor Nathan Vanier, especialista em pós-colheita e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Em sua palestra “Fatores que influenciam a eficiência energética na secagem de grãos”, Silva apresentou o panorama dos sistemas de secagem de grãos utilizados no país e ressaltou os procedimentos operacionais aplicados à otimização da eficiência energética dos secadores, bem como à preservação da qualidade dos produtos. Segundo ele, são fatores determinantes para a conservação dos grãos “os aspectos relacionados à operação de secadores quanto às escolhas de níveis adequados de temperatura, a umidade relativa e a vazão de ar de secagem, e os cuidados na regulagem de fluxos de ar” . “Essa regulagem, inclusive, permite alcançar as temperaturas desejadas e garantir os fluxos de ar apropriados para as câmaras de secagem e de resfriamento, presentes nas torres de secagem”, explicouu Silva.
Por sua vez, Vanier ponderou que “a rentabilidade da armazenagem de grãos depende da intensidade das perdas, do custo operacional e da estratégia comercial”. Ele relatou que”Ppara uma tomada de decisão adequada à correta aeração é preciso adotar critérios técnicos para projetar e utilizar o sistema. Além disso, é importante monitorar o tempo de operação para não aumentar o custo operacional da Unidade. As ferramentas de apoio são sempre bem-vindas. São planilhas, aplicativos e softwares de automação que conectam dados em tempo real”.
“A aeração adequada é um manejo essencial na pós-colheita, que está integrado à outras operações. As boas práticas operacionais ainda são o ponto de maior impacto. E as inovações são ferramentas que facilitam a operação e a tornam mais precisa e segura”, pontuou Vanier.
Café, soja e milho
A programação do Simpósio continuou na sexta-feira, 17 de outubro. No painel “Armazenamento e Qualidade do Café”, o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e instrutor do Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem (Centreinar) Paulo César Correa ministrou uma palestra abordando as “Boas práticas na pós-colheita do café” e o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Flávio Meira Borém, dissertou sobre “Qualidade de café para mercados diferenciados”.
“A classificação do café é fundamental na precificação. E as boas práticas na colheita do café influenciam na sua qualidade, devolvendo ao produtor a rentabilidade financeira devido à precificação”, disse Correa.
Borém acrescentou que a qualidade do café é definida na pós-colheita. “O Brasil está exportando cafés diferenciados, seja por sua qualidade ou pela certificação de práticas sustentáveis. Os cafés diferenciados representam, hoje, 22,1% das exportações totais do Brasil nos cinco primeiros meses de 2025. Com uma remessa de três milhões de sacas para o exterior em 2025. Os valores arrecadados com as exportações atuais cresceram 44,3% em relação a 2024. O maior montante da história, para o período, segundo dados do Conselho de Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé, relatou Borém.
Para concluir a programação do último dia de evento, o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Maurício de Oliveira proferiu a respeito da “Perda de matéria seca em soja e milho durante o armazenamento”, com destaque para os principais fatores que levam às perdas e às principais técnicas para minimizá-las. “As estratégias, baseadas em decisões técnicas, envolvem a secagem e o tratamento diferenciado por qualidade da matéria-prima e do genótipo. O manejo da pós-colheita deve ser personalizado com os propósitos de uso do grão”, disse Oliveira.
Realização
O “I Simpósio Pós-colheita de Grãos de Minas Gerais, foi promovido e realizado pela Associação Brasileira de Pós-colheita (Abrapos), pela Cooperativa Agrícola Mista Iraí Ltda. (Copamil), pela empresa Caramuru Alimentos e pela Embrapa, com apoio de empresas parceiras. A coordenação do evento coube ao pesquisador Marco Aurélio Guerra Pimentel, da Embrapa Milho e Sorgo. O evento contribuiu com a missão da associação de “utilizar todos os meios ao seu alcance para a redução dos índices de perdas de grãos durante e após a colheita, em benefício tanto do produtor quanto do consumidor”.
A programação aconteceu de 15 a 17 de outubro, no Centro de Eventos Gaudium Hall, em Uberlândia. Clique aqui para ler a notícia de abertura do Simpósio.
Fonte: Sandra Brito – Embrapa Milho e Sorgo
Autor:Sandra Brito – Embrapa Milho e Sorgo
Site: Embrapa
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Ceema/Unijuí: Petróleo em alta e tensões no Oriente Médio impulsionam soja e farelo a níveis elevados – MAIS SOJA

A falta de consenso, para se chegar ao final da guerra no Oriente Médio, levou o petróleo a atingir os US$ 120,00/barril, uma das mais altas cotações dos últimos anos. Com isso, o preço do óleo de soja subiu mais um pouco em Chicago, batendo recorde recente, ao fechar o dia 30/04 em 76,36 centavos de dólar por libra-peso.
Este movimento, associado a um farelo também mais firme diante de problemas na Argentina, maior exportador mundial do subproduto, elevou o preço da soja naquela Bolsa. Assim, o bushel fechou em US$ 11,82 no dia 30/04, contra US$ 11,59 uma semana antes.
Vale destacar que os demais fundamentos do mercado continuam com viés baixista, salvo o reposicionamento dos Fundos, os quais voltaram à ponta compradora após ajustes em suas carteiras e diante das indefinições no Oriente Médio. Neste sentido, o plantio nos EUA avança muito bem, tendo atingido a 23% da área até o dia 26/04, ou seja, quase dobrando em uma semana e superando largamente a média histórica que é de 12%. Naquela data, 8% das lavouras da oleaginosa já haviam germinado, contra 1% na média histórica.
Por outro lado, na semana encerrada em 23/04 os EUA embarcaram 628.826 toneladas de soja, volume que leva o total exportado, no atual ano comercial, a 32,8 milhões de toneladas, contra mais de 43 milhões em igual período do ano anterior.
De forma geral, além da natural pressão sobre o óleo de soja, em tempos de petróleo elevado, existe, atualmente, forte demanda pelo farelo de soja, especialmente por parte de compradores europeus. Soma-se a isso uma oferta menor da Argentina. No caso do vizinho país, durante a semana a Holanda teria rejeitado dois navios de farelo de soja argentino (cf. Bloomberg) por ter “identificado material genético não aprovado no país europeu”. Aliás, isso também estaria sendo registrado em navios brasileiros de farelo de soja.
Como a Holanda é um dos maiores importadores de farelo da União Europeia, pois ela redistribui o produto para o restante da Europa, especula-se a possibilidade de aumentarem as compras do farelo estadunidense, o que fez a cotação do subproduto se elevar em Chicago. Há um receio de que esta situação se espalhe para os demais países da União Europeia. Além disso, existe demanda forte pelo farelo nos EUA, com o país também enfrentando alguns problemas logísticos.
Com isso, entre os dias 17/03 e 15/04 o farelo se valorizou 7,2% em Chicago, se mantendo, posteriormente, em níveis elevados. No Brasil, segundo a Abiove, o momento também é favorável ao farelo, pois a indústria moageira atinge boas margens no esmagamento, já que os preços internos da soja não acompanham a elevação internacional.
Estima-se que a produção total de farelo no Brasil, em 2026, atinja a 47,9 milhões de toneladas, superando em três milhões o volume do ano anterior. As exportações do subproduto deverão atingir a 24,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno deverá alcançar 20,6 milhões (cf. Agrinvest Commodities).
E no Brasil, com um câmbio que se manteve entre R$ 4,95 e R$ 5,00 por dólar, os preços da soja continuaram baixos. No Rio Grande do Sul as principais praças registraram R$ 114,00/saco e no restante do país as principais regiões ficaram entre R$ 107,00 e R$ 113,00/saco, enquanto muitos locais estiveram sem cotação Por sua vez, a exportação de soja, pelo Brasil, até a quarta semana de abril, havia registrado alta de 12,5% na média diária de embarques, na comparação com abril do ano anterior.
Até aquele momento o país havia exportado, em abril/26, um total de 13,7 milhões de toneladas. Espera-se que no total do mesmo o volume tenha alcançado 16 milhões de toneladas. Se isso vier a acontecer, será um recorde mensal, superando a marca de abril de 2021.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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Ceema/Unijuí: Milho sobe em Chicago com apoio externo, apesar de fundamentos de oferta ainda pressionados – MAIS SOJA

A cotação do milho, para o primeiro mês em Chicago, igualmente subiu nesta última semana de abril. O bushel do cereal fechou o dia 30/04 em US$ 4,64, contra US$ 4,55 uma semana antes.
Tal comportamento se deve aos fatores externos ligados à guerra no Oriente Médio e ao reposicionamento, na ponta compradora, dos Fundos. Mesmo porque, pelo lado da oferta, o plantio da nova safra do cereal, nos EUA, avança muito bem, tendo chegado a 25% da área esperada até o dia 26/04, contra 19% na média. Ao mesmo tempo, 7% das lavouras semeadas já estavam germinadas, contra 4% na média.
Quanto às exportações estadunidenses de milho, na semana encerrada em 23/04 as mesmas atingiram a 1,6 milhão de toneladas, chegando a um volume total já embarcado, no atual ano comercial, de 53,4 milhões de toneladas, o qual supera largamente os pouco mais de 40 milhões de toneladas embarcados no mesmo período do ano anterior.
Outro elemento que ajuda os preços do milho no mercado internacional vem da Europa. Informações dão conta de que o cereal deverá perder área semeada neste ano, diante dos altos custos de fertilizantes e energia. Na União Europeia a área poderá ser inferior a 8 milhões de hectares em 2026, pela primeira vez no século XXI. O contexto atual deixa as margens, aos produtores, muito reduzidas, além dos riscos elevados devido às constantes mudanças climáticas que também lá ocorrem.
Especificamente na França, a área de milho em grão pode diminuir de 10% a 15% este ano. Na Polônia, a área deve diminuir ligeiramente, ficando em 1,25 milhão de hectares. Na Alemanha, ao contrário, espera-se um aumento de 3,5% na área semeada com o cereal, porém, a mesma é pequena, devendo atingir a um total de 507.000 hectares (cf. Reuters).
E no Brasil, os preços se mantiveram estáveis. No Rio Grande do Sul as principais praças continuaram praticando R$ 57,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 52,00 e R$ 63,00/saco. Com a colheita de verão atingindo a 62% no país (cf. Conab), o mercado volta suas atenções ao desenvolvimento da safrinha, cujo plantio está encerrado.
Nesse caso, existem preocupações quanto ao clima quente e seco em muitas regiões do país. Espera-se uma colheita menor do que a registrada no ano anterior. E pelo lado da comercialização, a demanda continua relativamente fraca, com a maioria dos consumidores usando seus estoques. Como existe a forte possibilidade de os estoques de passagem, para o próximo ano, serem elevados, os consumidores aguardam para comprar na expectativa de preços menores nas próximas semanas Em relação à safrinha, segundo a Conab, a situação das lavouras nacionais, neste final de abril, estava com 26,1% em desenvolvimento vegetativo, 44,4% em floração, 29,2% em enchimento de grãos e 0,3% em maturação.
Enfim, segundo a Secex, nos primeiros 16 dias úteis de abril, o Brasil exportou 443.081 toneladas de milho, aumentando a média diária em 210,5% sobre a média de todo o mês de abril do ano passado. O preço recebido pela tonelada exportada recuou 6,5%, ficando em US$ 254,30 em abril de 2026 contra US$ 272,00 de abril de 2025.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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Ceema/Unijuí: Trigo dispara em Chicago com tensão global e preocupa mercado brasileiro – MAIS SOJA

A cotação do trigo, em Chicago, disparou novamente nesta semana. O bushel do cereal chegou a bater em US$ 6,49 no dia 28/04, a mais alta desde 04/06/2024, contra US$ 6,10 uma semana antes. O fechamento do dia 30/04 (quinta-feira) ficou em US$ 6,23/bushel.
Este movimento igualmente se deve, em muito, à continuidade da crise no Oriente Médio e dos impasses constantes na tentativa de encerrar o conflito. Também há preocupações com o clima nas regiões produtoras dos países do Hemisfério Norte.
Aqui também os Fundos atuaram, voltando a reforçar suas posições compradas, fato que ajuda a elevar as cotações. Dito isso, as condições do trigo de inverno, nos EUA, no dia 26/04, se apresentavam com 35% das lavouras entre ruins a muito ruins, 35% regulares e 30% entre boas a muito boas. Já o trigo de primavera atingia um plantio de 19% da área esperada, contra 22% na média histórica para aquela data. Do total semeado deste trigo, 5% das lavouras haviam germinado.
Quanto as exportações do cereal, na semana encerrada em 23/04 os EUA embarcaram 365.156 toneladas, atingindo um total de 21,8 milhões, até o momento, no atual ano comercial. Este volume é superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Esta alta ajuda a melhorar os preços brasileiros do trigo, em momento de entressafra e redução da futura área a ser semeada. Ao mesmo tempo, os moinhos nacionais precisam recompor seus estoques, partindo para novas compras.
No entanto, o mercado continua muito volátil e exigindo cautela, particularmente diante do forte aumento dos custos de produção, onde os fertilizantes já tiveram um aumento médio superior a 60% desde que a guerra no Oriente Médio começou. Efetivamente, o mercado mundial em geral e o nacional em particular está sendo muito impactado negativamente pela forte alta no custo de produção.
Isso, e mais as incertezas climáticas e os baixos preços, estão levando os produtores a reduzirem suas expectativas de área semeada. Segundo analista da StoneX, “o aumento dos custos com fertilizantes nitrogenados reduz de forma direta a margem de lucro da produção de trigo.
Com isso, muitos agricultores começam a reavaliar suas estratégias e, em alguns casos, optam por migrar parte da área para culturas que exigem menos insumos ou oferecem melhor retorno financeiro” Soma-se a isso as possíveis dificuldades ligadas a disponibilidade dos fertilizantes diante dos problemas logísticos causados pela guerra no Oriente Médio.
Afinal, o conflito provoca constantes interrupções nas cadeias mundiais de fornecimento. Sem falar no fato de alguns países produtores do insumo estarem restringindo suas exportações.
Nesse momento, em que o plantio nacional se desenvolve para a nova safra, calculase uma redução de 16% na produção total de trigo, com a mesma podendo cair para 6,6 milhões de toneladas. Isso se o clima ajudar! Caso esse volume venha a se confirmar, as importações deverão ser recordes, podendo atingir a 8,2 milhões de toneladas em 2026/27, o que superará o recorde anterior de 7,1 milhões de toneladas alcançado no distante ano de 2006/07. A demanda nacional de trigo, para este ano, está estimada em 13,3 milhões de toneladas (cf. Safras & Mercado; TF Agronômica; Conab).
Enfim, ainda há o forte endividamento (em muitos casos inadimplência) dos produtores rurais do país, situação que complica ainda mais o quadro. Segundo analistas da Bunge e da Abitrigo, “o aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, tende a pressionar as margens do produtor, o que pode levar à redução de área plantada e menor investimento em tecnologia.
Isso pode impactar tanto o volume quanto a qualidade do trigo produzido no Brasil, reforçando a dependência estrutural de importações. Soma-se a isso o fato de que a capacidade das empresas moageiras de estocar trigo também é historicamente limitada, fato que as obriga a importar continuamente”.
Por sua vez, o trigo argentino, neste ano, apresentou uma qualidade menor, o que preocupa o mercado, pois este produto é o mais barato na importação, já que o trigo de outras origens tem 10% de imposto de importação. Lembrando que o Brasil precisa de um trigo com 11,5% de proteína enquanto o produto do vizinho país tem vindo com 10,5%, ou seja, tipo ração animal.
Pelo sim ou pelo não, o fato é que nestes próximos meses o mercado nacional do trigo continuará enfrentando grandes desafios, ligados à qualidade do produto, custos, regularidade de entrega do produto e cuidado quanto a origem do trigo (cf. Globo Rural)

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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