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18 de junho de 2026

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safra tensa com custos altos e preços baixos

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A safra 2025/26 será “tensa” para o agronegócio, segundo Mauro Osaki, pesquisador da área de Custos Agrícolas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). Com a combinação de custos de produção em alta e preços em queda, a rentabilidade do produtor rural está em correção, levando a uma projeção de prejuízo na média histórica para a soja e o milho.

Osaki atua no projeto Campo Futuro, uma parceria do Cepea com o Sistema CNA/Senar. Ele explica que a iniciativa nasceu de uma necessidade após o “tratoraço” de 2005/2006.

“A história do Campo Futuro vem de um daquele tratoraço que aconteceu em 2005, 2006, já com a safra que precisava ter um monitoramento para entender a rentabilidade do produtor. Então, aquele foi o início do um projeto, aí depois ele foi criando e aí teve o nome Campo Futuro em 2007”, diz ao programa Direto ao Ponto desta semana.

A expectativa de um ciclo tenso é um ajuste natural do mercado após uma safra 2024/25 de alta produtividade. Segundo o pesquisador do Cepea, o cenário projeta um retorno à média histórica de produção, o que, somado aos atuais níveis de preço, pressiona as margens e a rentabilidade.

“O cenário para a soja é uma correção que a gente está fazendo, porque 2024/25 foi um ano muito bom em produtividade em termos nacionais. O Brasil como um todo foi positivo. Nós estamos voltando um pouco a produtividade, estimando pelo menos para 2025 dentro da média histórica. Então ela vai dar a volta e isso que faz a rentabilidade também recuar um pouco nos níveis de preço que nós estamos trabalhando.”

Foto: Canal Rural Mato Grosso

O impacto dessa correção é direto no fluxo de caixa. Ao considerar o custo total da produção — que inclui depreciação de máquinas, juros e arrendamento —, a maioria dos produtores na média histórica de produtividade pode registrar prejuízo.

“Muitos no nível de produtividade média das que eles estão falando. Sabemos que tem produtor produzindo muito mais, mas na média histórica a grande maioria ela está sinalizando uma receita bruta insuficiente para pagar todos os seus investimentos.”

Osaki pontua que o cenário é de dupla pressão: “Em valor real o custo está subindo e o preço vem recuando”. O pesquisador detalha ao programa do Canal Rural Mato Grosso os itens que pesam: fertilizantes, por sua participação na composição do custo; defensivos; e o custo do dinheiro, pois o capital está caro e mais cauteloso devido ao histórico de inadimplência.

“O momento é de muita cautela”, adverte.

O pesquisador orienta que este é um momento de sentar para o planejamento. “O produtor tem que entender que são ciclos de preços e neste ciclo de preço a gente tem que tomar cuidado nesses investimentos.”

Crise no Sul exige solução governamental

O pesquisador do Cepea também analisa a crise do Rio Grande do Sul, onde a inadimplência cresce devido a anos de quebra de safra. Osaki relata que a situação de muitos produtores se arrasta desde a safra 2020/21, quando taxas de renegociação fizeram com que a dívida praticamente dobrasse.

“Me preocupa mais a região Sul. Algumas regiões especificamente pelo histórico que nós estamos acompanhando (…) Se nós olharmos desde 2020, se o cara já renegociou a dívida com uma taxa que nós estamos falando praticamente ficou impagável, dobrou a dívida dele.”

O principal fator que leva o produtor à recuperação judicial hoje é a quebra de safra de origem climática. Mesmo com preços bons, não há o que vender, como explica Osaki:

“Quebra de safra. Climático. Porque o preço mesmo estando ruim, você tendo safra boa, você tendo condições de segurar, você dá um giro, você consegue recuperar.”

A análise de Osaki é que a crise gaúcha não é uma questão de competência, mas de ausência de proteção, e exige ação de longo prazo do Estado.

“Você pode ser o cara mais competente, mas você não tem água. Aí você já não consegue, se não tiver irrigação, porque é outra limitante.”

Para o pesquisador, é necessário dar um “respiro” ao produtor com o alongamento da dívida, de forma a permitir que ele consiga pagar a safra atual e, posteriormente, negociar o atrasado.


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CNA sedia reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas em Brasília

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sediou, na terça-feira (16), em Brasília, a reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O encontro reuniu representantes do governo, do setor produtivo e de instituições de pesquisa para discutir temas estratégicos da cadeia de florestas plantadas. Entre os assuntos da pauta estiveram comércio exterior, biodiversidade, política agrícola e zoneamento climático.

Um dos principais temas debatidos foi a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301. Segundo o material divulgado, o processo poderá resultar na aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Durante a reunião, os participantes destacaram a mobilização de entidades do setor na elaboração de contribuições técnicas e defenderam uma atuação coordenada do governo brasileiro para evidenciar avanços no combate ao desmatamento ilegal e preservar a competitividade dos produtos florestais no mercado internacional.

No campo regulatório, a assessora técnica da CNA, Jaine Cubas, apresentou um relato da 77ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio). De acordo com a apresentação, foi criado um Grupo de Trabalho para discutir critérios técnicos, categorias e ações relacionadas às espécies exóticas invasoras presentes no Brasil.

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Jaine informou que nenhuma lista de espécies foi aprovada até o momento. Ela também ressaltou a importância da articulação entre governo e setor produtivo, além do acompanhamento da tramitação do Projeto de Lei nº 5.900/2025. Conforme o texto apresentado na reunião, a proposta atribui ao Mapa a competência exclusiva para legislar sobre espécies de interesse produtivo.

A pauta incluiu ainda atualizações do Departamento de Reflorestamento e Recuperação de Áreas Degradadas (Deflo/Mapa) sobre projetos em andamento, a revisão da Política Agrícola para Florestas Plantadas, informações sobre o Painel Floresta+ e iniciativas internacionais desenvolvidas em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Outro tema discutido foi o avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para florestas plantadas, com destaque para a cultura do eucalipto e seus reflexos no acesso ao crédito e ao seguro rural.

Ao final, o encontro registrou a defesa de diálogo contínuo entre governo, setor produtivo e comunidade técnico-científica para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas às florestas plantadas. O material divulgado não informa prazos, valores ou detalhamento das medidas em discussão.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Cecafé apresenta sustentabilidade da cafeicultura brasileira em evento da Comissão Europeia

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, nesta semana, da edição de encerramento do programa AL-INVEST Verde, em Bruxelas, na Bélgica. Nesta terça-feira (16), a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da entidade, Silvia Pizzol, apresentou fatores que, segundo o Cecafé, posicionam o Brasil na liderança do fornecimento global de cafés produzidos com responsabilidade socioambiental, inovação e rastreabilidade.

A apresentação ocorreu no “Evento de Alto Nível sobre a Cooperação entre Brasil e União Europeia”, no âmbito do AL-INVEST Verde, realizado entre esta segunda-feira (16) e quinta-feira (18). No painel sobre experiências e sinergias dos estados brasileiros em torno do setor cafeeiro, Silvia Pizzol dividiu o debate com representantes de Minas Gerais, Espírito Santo, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e uma produtora da Região Vulcânica.

Segundo o Cecafé, a cafeicultura brasileira responde por cerca de 40% da demanda global por cafés reconhecidos como sustentáveis por equivalência ao Código de Referência de Sustentabilidade do Café. A diretora atribuiu esse desempenho à atuação coordenada entre os setores público e privado, com acesso dos produtores a assistência técnica, tecnologias, crédito rural e instrumentos de gestão de riscos.

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Outro ponto apresentado foi a eficiência da cadeia exportadora brasileira. De acordo com a entidade, mais de 91% do valor das exportações é transferido aos produtores. Silvia também destacou o arcabouço regulatório brasileiro, com sistemas de fiscalização ativos e informações geoespaciais voltadas à rastreabilidade e à comprovação documental da conformidade socioambiental das propriedades rurais.

Na área de produtividade, a diretora afirmou que o Brasil produz atualmente um volume 3,5 vezes superior ao registrado há três décadas na mesma unidade de área cultivada. Segundo ela, esse ganho gera efeito “poupa-terra” e viabiliza a preservação de vegetação nativa dentro das propriedades. Silvia citou ainda estimativa de armazenamento de aproximadamente 180 a 340 toneladas de CO2 equivalente por hectare de café cultivado, na forma de vegetação nativa.

No campo trabalhista, a representante do Cecafé informou que, nos últimos dez anos, a cafeicultura tem sido a atividade rural mais frequentemente fiscalizada pelos órgãos competentes. Segundo a entidade, em 99% das ações de inspeção são constatadas condições compatíveis com o respeito aos direitos humanos.

Ao final da apresentação, o Cecafé afirmou que diálogo social, políticas públicas, inovação tecnológica e transparência formam a base para ampliar a capacidade de atendimento à demanda internacional por cafés sustentáveis e rastreáveis. O material fornecido não detalha desdobramentos comerciais imediatos do evento para exportadores ou produtores.

Fonte: cecafe.com.br

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MP do cacau avança no Senado e indústria alerta para prejuízo de R$ 222 milhões

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Foto: Ministério da Agricultura

A comissão mista do Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (17) o parecer da Medida Provisória (MP) 1.341/2026, que altera as regras para a importação de cacau por meio do regime de drawback. O texto segue agora para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Editada pelo governo federal em março, a medida tem como objetivo, segundo o Executivo, proteger os produtores brasileiros de cacau, reduzindo o prazo de utilização dos benefícios tributários concedidos à importação da amêndoa destinada à produção de derivados para exportação.

Apesar do avanço da proposta, a iniciativa enfrenta forte resistência da indústria de processamento de cacau. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) afirma que a mudança pode provocar perdas anuais de até R$ 222 milhões para a cadeia produtiva, além de reduzir exportações, aumentar a ociosidade das fábricas e impactar a renda dos próprios produtores rurais.

O que muda na MP

A principal alteração promovida pela medida provisória reduz de até 24 meses para seis meses o prazo de vigência das operações de drawback para a importação de amêndoas de cacau.

O drawback é um regime aduaneiro especial que permite a suspensão ou isenção de tributos sobre insumos importados utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação, como manteiga, licor e pó de cacau.

Pelo parecer aprovado, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), permanece a possibilidade de uma única prorrogação por mais seis meses, desde que autorizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e acompanhada de documentação que comprove a operação.

O relatório também incorporou mecanismos de transparência, como a divulgação trimestral dos volumes importados e exportados pelo regime de drawback, além de prever sanções para empresas que descumprirem as regras.

Segundo o relator, a medida busca ampliar a fiscalização e evitar que o benefício seja utilizado para formação de estoques de cacau importado, o que poderia pressionar os preços pagos aos produtores brasileiros.

Indústria vê efeito contrário ao pretendido

A aprovação da MP ocorre em meio à divulgação de um estudo elaborado pela Ecoa Consultoria Econômica, encomendado pela AIPC, que aponta impactos negativos para toda a cadeia do cacau.

Segundo o levantamento, a redução do prazo do drawback aumenta em 10,3% o custo da amêndoa importada, reduzindo a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Com isso, a projeção é de uma perda anual de R$ 207 milhões no faturamento da indústria e de R$ 21,7 milhões na receita dos produtores rurais, totalizando aproximadamente R$ 222 milhões em perdas para a cadeia produtiva.

O estudo também estima redução de R$ 196 milhões nas exportações de derivados de cacau, aumento de 9,1% na ociosidade das plantas industriais, impacto negativo de R$ 101 milhões no Produto Interno Bruto (PIB), perda de cerca de 2 mil empregos e queda de R$ 9,3 milhões na arrecadação tributária.

Setor afirma que produtores também serão prejudicados

Para a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, embora a intenção de proteger o produtor seja legítima, a medida pode gerar o efeito inverso ao esperado.

Segundo ela, como o Brasil não produz cacau suficiente para abastecer toda a capacidade instalada da indústria, a restrição às importações tende a reduzir o volume processado e, consequentemente, diminuir a demanda por amêndoas nacionais.

“O estudo mostra que a perda de competitividade da indústria supera qualquer ganho de substituição pelo cacau brasileiro. O resultado pode ser menor processamento, queda nas exportações e redução da renda dos próprios produtores”, argumenta a entidade.

A associação também destaca que o Brasil exporta principalmente derivados de cacau, produtos de maior valor agregado, e defende que o debate sobre a MP considere os impactos em toda a cadeia produtiva, especialmente nas regiões de Ilhéus e Itabuna (BA), onde está concentrada grande parte da indústria nacional de moagem.

Com a aprovação na comissão mista, a MP agora será analisada pelos plenários da Câmara e do Senado antes de seguir para sanção presidencial, caso seja aprovada.

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