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19 de junho de 2026

Sustentabilidade

Uso dos pré-emergentes: sistema aplique-plante e plante-aplique – MAIS SOJA

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Os herbicidas pré-emergentes atuam diretamente sobre o banco de sementes do solo, impedindo que sementes em processo de germinação completem sua emergência. Com isso, reduzem de forma significativa os fluxos de emergência das plantas daninhas. Essa supressão inicial proporciona um ambiente mais favorável para o estabelecimento da cultura, livre da matocompetição nas fases iniciais. Além disso, contribui para a redução da população infestante e para uma emergência mais uniforme das plantas remanescentes, facilitando o manejo e melhorando a eficiência do controle de plantas daninhas na pós-emergência.

Em função do mecanismo de ação e da forma como atuam, os herbicidas pré-emergentes devem ser empregados após o controle das populações adultas das plantas daninhas (dessecação pré-semeadura). Em alguns casos em que há a necessidade da aplicação sequencial de herbicidas para o controle de altas infestações de plantas daninhas, é possível associar herbicidas pré-emergentes a herbicidas pós-emergentes na segunda aplicação da dessecação sequencial.

A dessecação sequencial consiste na realização de duas aplicações complementares de herbicidas com o objetivo de assegurar um controle mais eficiente das plantas daninhas antes da semeadura. A primeira aplicação envolve o uso de herbicidas sistêmicos, realizada entre 10 e 30 dias antes da semeadura, conforme as condições climáticas e o nível de infestação da área. A segunda aplicação ocorre de dois a três dias antes da semeadura, utilizando herbicidas de contato. Nesse momento, pode-se associar ou não a produtos com efeito residual (herbicidas pré-emergentes). Essa estratégia permite eliminar plantas daninhas remanescentes, reduzindo a matocompetição inicial e favorecendo o estabelecimento uniforme da cultura (Rizzardi, 2019).

Figura 1. Plantas remanescentes da dessecação pré-semeadura.
Modalidades de uso dos herbicidas pré-emergentes

Basicamente, há duas modalidades de aplicação dos herbicidas pré-emergentes na cultura da soja, a modalidade aplique-plante e a modalidade plante-aplique. Ambas as formas de aplicação apresentam vantagens de limitações. A maioria das moléculas e formulações modernas dos herbicidas pré-emergentes possibilita o manejo em ambas as modalidades, contudo, definir a modalidade de aplicação deve levar em consideração critérios técnicos, econômicos e operacionais, visando aumentar a performance dos herbicidas e reduzir os efeitos de fitotoxicidade na cultura agrícola.



Aplique-plante

Talvez a modalidade mais adotada para a aplicação dos herbicidas pré-emergentes, o aplique-plante consiste na aplicação do herbicida pré-emergente, isolado ou associado a outros herbicidas, antes da semeadura da cultura. Essa modalidade possibilita um maior ganho operacional, concentração as pulverizações, e em alguns casos ainda pode maximizar o controle das plantas daninhas remanescentes pelo sinergismo entre os herbicidas utilizados nessa pulverização.

Em contrapartida, o revolvimento do solo e da palhada na superfície durante o processo de semeadura, expõe uma camada não protegida pela aplicação do pré-emergente (figura 2). Sob condições adequadas de umidade, temperatura e luminosidade, novos fluxos de emergência de plantas daninhas podem ser observados próximo a linha de semeadura, resultando em uma matocompetição direta com a cultura.

Figura 2. Revolvimento parcial do solo e palhada em função da semeadura da soja.

Plante-aplique

Na modalidade plante-aplique, o herbicida pré-emergente é aplicado após a semeadura da cultura. Como principal vantagem, podemos destacar o maior controle dos fluxos de emergência, especialmente na linha de semeadura (figura 2). Contudo, esse método exige maior cautela e perícia. A aplicação do herbicida pré-emergente deve ser realizada imediatamente após a semeadura da cultura, não sendo recomendada a pulverização de herbicidas residuais após as sementes iniciarem o processo de germinação.

Figura 3. Ilustração do processo de germinação da semente de soja, culminando com o desenvolvimento de plântula normal.
Fonte: Krzyzanowski et al. (2024)

Nesse sentido, a modalidade plante-aplique exige maior cautela, conhecimento e planejamento, uma vez que a logística da aplicação do herbicida deve estar alinhada ao processo de semeadura. Além disso, há um maior cuidado com o posicionamento do herbicida pré-emergente quanto a dose e condições para aplicação, uma vez que o aumento equivocado da dose bem como a aplicação do herbicida sob condições adversas, pode causar efeitos fitotóxicos á soja, além de reduzir a eficácia do herbicida.

Pulverizações seguidas por chuvas torrenciais podem acentuar os sintomas de fitotoxicidade pelo herbicida pré-emergente, especialmente se tratando de sementes mal cobertas. Sobretudo, estudos demonstram que, especialmente se tratando de espécies daninhas de difícil controle como o caruru (Amaranthus spp.), a modalidade plante-aplique  proporciona um melhor controle das populações daninhas em comparação a modalidade aplique-plante (Pedroso et al., 2020),

Vale destacar que independente da modalidade de aplicação dos herbicidas pré-emergentes, as condições climáticas e ambientais devem ser consideradas, uma vez que a performance dos pré-emergentes é altamente condicionada às condições de clima e ambiente no momento da aplicação.

Referências:

KRZYZANOWSKI, F. C. et al. AVALIAÇÃO DE PLÂNTULAS DE SOJA NO TESTE DE GERMINAÇÃO. Embrapa Soja, Comunicado Técnico, n. 113, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165567/1/Com-Tec-113.pdf >, acesso em: 20/10/2025.

PEDROSO, R. M. et al. PRE-EMERGENT HERBICIDE APPLICATION PERFORMED AFTER CROP SOWING FAVORS PIGWEED (Amaranthus spp.) AND WHITE-EYE (Richardia brasiliensis) CONTROL IN SOYBEANS. Revista Brasileira de Herbicidas, 2020. Disponível em: < https://www.weedcontroljournal.org/wp-content/uploads/articles_xml/2236-1065-rbh-S2236-10652020000190010048500472/2236-1065-rbh-S2236-10652020000190010048500472.pdf >, acesso em: 20/10/2025.

RIZZARDI, M. A. DESSECAÇÃO PRÉ-SEMEADURA. Up. Herb, 2019. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/dessecacao-pre-semeadura#:~:text=A%20desseca%C3%A7%C3%A3o%20sequencial%20compreende%20a,antes%20da%20semeadura%20da%20cultura. >, acesso em: 20/10/2025.

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Sustentabilidade

Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

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A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.

O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.

Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.

O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.

Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

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Imagem de Александр Пономарев por Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.

Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.

Cotações de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.

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Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

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Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.

Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.

Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.

Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.

Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.

Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.

Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.

Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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