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Produtores de soja se retraem e preços sobem

Os preços domésticos da soja subiram na última semana de acordo com os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O impulso veio sobretudo da retração de produtores para vendas envolvendo grandes volumes. Sojicultores estão atentos à valorização do dólar, que torna a commodity brasileira mais atrativa frente ao grão norte-americano. A maior demanda externa e as novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos à China, que entram em vigor em novembro, também podem ampliar ainda mais as vendas do Brasil.
No entanto, pesquisadores explicam que esse cenário pressionou as cotações futuras da soja nos Estados Unidos. Por sua vez, as desvalorizações externas limitaram as altas no mercado brasileiro.
Quanto à safra brasileira 2025/26, dados da Conab indicam aumento de área em 3,6%, para um recorde de 49,07 milhões de hectares, o que se deve à substituição do cultivo de arroz por soja. A produção está estimada em 177,6 milhões de toneladas.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
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Corante natural produzido por fungo da Amazônia pode ser utilizado em cosméticos

Os testes iniciais com um corante natural produzido pelo fungo Talaromyces amestolkiae, encontrado na Amazônia, demonstram que é possível desenvolver cosméticos ecológicos como cremes faciais, bastões em gel e xampus, alcançando ação antioxidante e antibacteriana.
A descoberta é importante porque os colorantes microbianos, ainda pouco explorados na área da pesquisa em cosmética, podem ser alternativa sustentável aos sintéticos.
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Contato com a pele
O fungo produz corantes vibrantes que variam do vermelho ao amarelo e têm alto potencial industrial. Nos últimos anos, diversos países têm proibido e restringido o uso de alguns tipos de corantes sintéticos na medida em que têm sido associados a alergias e outros problemas de saúde.
Com isso, a demanda por produtos ecologicamente corretos e saudáveis vem aumentando cada vez mais.
“Nós conseguimos demonstrar que esse colorante pode ser aplicado em formulações cosméticas mantendo a segurança, a funcionalidade, a textura e o desempenho de forma geral, sem causar nenhum impacto na formulação e na experiência dos possíveis clientes”, explica a pesquisadora Juliana Barone Teixeira.
De acordo com os dados, o extrato conseguiu diminuir em mais de 75% as substâncias que reagem com o oxigênio ao entrar em contato com a pele, ou seja, reduziu compostos que podem causar danos celulares.
Além disso, os testes também mostraram que mais de 60% das células permaneceram vivas, indicando que o produto não compromete a saúde da pele. Os dados foram publicados na revista ACS Ômega.
A cor é essencial
Segundo a pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp), Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma, a coloração foi um dos principais fatores para o início do estudo.
“O que chamou atenção para esse fungo, inicialmente, foi a cor. A partir daí começamos uma série de estudos. Foram mais de dez anos até chegar nessa etapa de produção”, conta Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma.
De acordo com as pesquisadoras, estudos na área de marketing vêm mostrando como a cor é um dos principais fatores que influenciam a compra dos produtos, por isso, algumas estratégias de venda, inclusive, evocam a emoção a partir dessas sensações para atrair os consumidores.
“Nós buscamos um parceiro que trabalhasse com a parte dos cosméticos, por isso a professora Joana da Universidade de Lisboa nos ajudou com diferentes formulações”, explica Valéria de Carvalho.
Microrganismo do bem
Segundo Valéria de Carvalho, nem todo microrganismo causa mal e gera problemas para a saúde. “Alguns produzem compostos que trazem benefícios. Essa é uma área que cresceu e é onde justamente nós trabalhamos com a biotecnologia, o emprego desses seres vivos ou de componentes desses seres vivos para o benefício da sociedade”, destaca.
A descoberta
A espécie tem despertado o interesse dos pesquisadores por sua capacidade de produzir pigmentos que variam de amarelos e laranjas intensos até tons de vermelho.
“Quando começamos a estudar, verificamos que ele produzia essa coloração vermelha. Ele é um fungo encontrado na natureza, mas que gosta de condições específicas, por exemplo, as altas temperaturas de Manaus. Então, o que nós fizemos foi simular uma temperatura próxima à de Manaus para que ele produzisse esse corante vermelho também em laboratório”, explica Valéria de Carvalho.
Diante da descoberta, a professora destaca ainda a importância de continuar estudando as espécies nativas, porque há muito o que se descobrir na biodiversidade amazônica. “Pode ser que existam outras espécies parecidas”, comenta a cientista.
Próximos passos
Atualmente, cerca de 20 estudantes de graduação e pós-graduação estão envolvidos nos estudos do grupo de pesquisa. Alguns desses trabalhos, segundo Ebinuma, buscam entender a aplicação do corante em tecidos ou em alimentos, como gelatinas. “Temos várias frentes para esse fungo e também estamos estudando outros”, conta.
De acordo com a pesquisadora, um dos principais objetivos agora é tentar melhorar todos os processos que envolvem a produção do corante. “Hoje eu produzo 1 g desse tipo de corante, mas o objetivo é chegar a 10 g. Qual é o caminho que podemos percorrer de 1 g até 10 g? Por isso há uma rede de alunos e de professores envolvida nisso”, diz a pesquisadora.
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Sem flores, sem abelhas? Entenda a relação que sustenta a agricultura

As abelhas são responsáveis pela polinização de cerca de 75% das culturas agrícolas no mundo, contribuindo não apenas para o aumento da produtividade, mas também para a melhoria da qualidade de alimentos, inclusive de culturas que não dependem exclusivamente da polinização.
Além do papel central na produção de alimentos, as abelhas são importantes agentes de manutenção da biodiversidade vegetal. A sua presença ou ausência em ambientes naturais e agrícolas é reconhecida como um bioindicador da qualidade ambiental, refletindo o nível de conservação dos ecossistemas e a adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
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Polinização
Curiosamente, a polinização não é uma atividade planejada pelas colmeias, ela ocorre como uma consequência direta do trabalho das abelhas operárias campeiras ou forrageiras, responsáveis pela coleta de pólen, néctar, resinas e água para a sobrevivência da colônia.
Ao visitarem flores em busca desses recursos, as abelhas promovem, de forma involuntária, a transferência de pólen entre plantas, viabilizando a reprodução vegetal.
No entanto, muitas plantas atrativas para as abelhas florescem apenas em determinados períodos do ano ou têm sua ocorrência reduzida em função do desmatamento, da fragmentação de habitats e da perda de biodiversidade nos diferentes biomas.
A escassez de flores compromete o desenvolvimento das colônias e, consequentemente, a eficiência da polinização.
Pasto apícola
Para ajudar a manter colônias saudáveis e populosas, é importante oferecer pasto apícola para as abelhas durante o ano inteiro. “Plantar para as abelhas deve ser um cuidado permanente”, afirma a bióloga e CEO da Mais Abelhas Consultoria Ambiental e coordenadora executiva do Observatório de Abelhas do Brasil, Betina Blochtein.
Betina Blochtein recomenda o cultivo de plantas ornamentais ou cercas vivas, que possam oferecer flores e nutrientes para as abelhas. Também é importante cultivar plantas com ciclo anual e que contribuem para a melhoria da qualidade do solo, como trevo e leguminosas.
“Algumas plantas são muito boas para as abelhas, como a canola e o girassol, que oferecem muitos recursos nutricionais. A canola fortalece as abelhas no inverno, quando a floração de outras espécies já terminou”, destaca a bióloga.
Ela destaca, ainda, que o eucalipto, oferece néctar para as abelhas e madeira para o produtor, podendo integrar sistemas agroflorestais. Essas e outras espécies, como a lavanda e a calêndula, podem ser plantadas nas bordas da lavoura, atraindo e mantendo os polinizadores próximos da cultura principal.
Açaí, biodiversidade e mel o ano inteiro
A região Norte do Brasil abriga grande parte da biodiversidade de abelhas do país. No estado do Pará se encontram cerca de 50% das abelhas nativas e sem ferrão. Dentre as 240 espécies de abelhas sociais do Brasil, 220 estão na Amazônia, sendo 120 no Pará.
Por isso, cada vez mais produtores de açaí têm apostado na diversificação da flora nos açaizais como forma de conservação das abelhas nativas, resultando em aumento da produtividade e garantia da segurança alimentar.
“Os produtores passaram a conservar outras plantas da mata nativa que não dão resultado econômico diretamente, mas que servem para as abelhas fazerem ninhos ou oferecem nutrição fora do período de floração da cultura principal”, relata o engenheiro agrônomo, Doutor em Ciência Animal e pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.
De acordo com o pesquisador, plantas como o mucajá, taperebá, pracaxi e o ingá oferecem frutos, ajudam na incorporação de nutrientes no solo e geram impacto econômico na região, além de oferecer recursos nutricionais para as abelhas.
Hortas e jardins urbanos
A conservação das abelhas não depende apenas de grandes áreas rurais, ambientes urbanos também desempenham um papel relevante.
A criação e manutenção de áreas verdes nas cidades, como praças, parques, jardins e hortas urbanas beneficiam as abelhas e outros animais polinizadores. Plantas utilizadas como tempero na culinária, como manjericão, tomilho, alecrim, sálvia, hortelã, coentro e orégano são excelentes para atrair e nutrir diversas espécies de abelhas.
Quem dispõe de um pouco mais de espaço pode investir em árvores frutíferas. As espécies vegetais e as abelhas atraídas variam conforme o clima e a região, mas os polinizadores estão presentes em todo o território nacional.
Abelhas mais comuns por região
Na região Sul, de clima temperado, são comuns pomares de maçã, morango e pêssego, que atraem abelhas como a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a Iraí (Nannotrigona testaceicornes).
As regiões Sudeste e Centro-Oeste favorecem o crescimento de pitangueiras, jabuticabeiras e amoreiras, que recebem visitas das abelhas Jataí (Tetragonisca angustula) e a Bugia (Melipona mondury), entre outras.
Já no Nordeste, espécies como caju, aroeira, umbu e carnaúba são opções abundantes e muito atrativas para as abelhas da região, como a Jandaíra (Melipona subnitida), espécies de abelhas sem ferrão dos gêneros Scaptotrigona, Trigona e Frieseomelitta, além de abelhas solitárias do gênero Centris (conhecidas como abelhas coletoras de óleos).
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Novo painel do Zarc moderniza consulta às janelas de plantio

A Embrapa atualizou o Painel de Indicação de Riscos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para uma interface mais moderna, navegação intuitiva e maior velocidade de resposta.
De acordo com a instituição, a nova versão foi desenvolvida com foco na experiência do usuário, tornando a consulta aos resultados do Zarc mais ágil e eficiente.
“O layout renovado, com organização visual mais clara, contribui para uma melhor compreensão dos dados e reduz o tempo necessário para localizar informações essenciais para o planejamento agrícola”, diz a Embrapa, em nota.
O painel é a principal ferramenta de consulta às indicações de risco publicadas nas portarias do Zarc. Atualmente, os normativos divulgados no Diário Oficial da União fazem referência direta ao sistema, no qual o usuário pode visualizar os municípios indicados ao plantio e as janelas de semeadura.
Como usar
Para acessar o mapa e a tábua de riscos, o usuário deve preencher os seguintes campos: Safra, Cultura, Outros manejos, Clima, Grupo de cultivar, Tipo de solo e Unidade da Federação.
Após preencher os filtros, basta clicar em “Aplicar Filtros”. O sistema exibirá o mapa com os municípios indicados para o plantio. Para visualizar o risco em cada decêndio (períodos de 10 dias), o usuário deve selecionar a opção “Tábua de Risco”.
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A Embrapa destaca que a atualização do painel faz parte da estratégia de modernização das ferramentas de divulgação do Zarc, que também inclui o aplicativo Zarc Plantio Certo. A plataforma permite ao produtor consultar, de forma simples, o que plantar, quando plantar e onde plantar, com base nas indicações de menor risco climático.
30 anos de Zarc
Em 2026, o Zarc completa 30 anos de utilização como instrumento oficial da política agrícola brasileira.
O primeiro zoneamento foi publicado em 1996, para a cultura do trigo, e, desde então, o sistema passou a abranger mais de 40 culturas em todas as regiões do país, com recomendações técnicas divulgadas por meio de portarias do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Ferramenta de gestão de riscos climáticos baseada em estudos agrometeorológicos, o Zoneamento cruza dados de clima, solo e ciclo das culturas para indicar, em cada município, as épocas de plantio com menor probabilidade de perdas.
Tais informações orientam o planejamento da produção e servem de base para políticas públicas como o crédito rural, o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Evolução metodológica
Além das melhorias nos sistemas de consulta, o Zarc também passa por avanços metodológicos. Um dos principais destaques é o Zarc Níveis de Manejo (Zarc NM), que incorpora variáveis de manejo e tecnologia empregadas na lavoura para refinar a avaliação de riscos.
Neste ano, o projeto piloto entra na fase 2 para a cultura da soja no Paraná, com expansão para os estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com recursos exclusivos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
A iniciativa busca aprimorar a avaliação de risco por meio de dados de manejo, imagens de satélite e análises de solo, ampliando a precisão das recomendações e a eficiência das políticas de gestão de riscos.
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