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24 de junho de 2026

Sustentabilidade

Impactos da compactação do solo no controle de plantas daninhas e a eficácia dos herbicidas na soja – MAIS SOJA

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A eficácia dos herbicidas no manejo de plantas daninhas depende de uma série de fatores, bióticos e abióticos, os quais podem interagir entre si, reduzindo a eficiência no controle das plantas daninhas e/ou limitando a eficácia dos herbicidas. Dentre os principais fatores limitantes da eficácia dos herbicidas, especialmente se tratando dos pré-emergentes (residuais), destacam-se as condições físicas do solo.

A dissipação de herbicidas no ambiente é influenciada por uma combinação de fatores, incluindo as propriedades físico-químicas do produto e do solo, as condições climáticas, o manejo adotado e o sistema de cultivo utilizado. Após a aplicação, esses compostos podem passar por diferentes processos, como retenção no solo (sorção, envolvendo adsorção e absorção), transformação (por degradação química e/ou biológica) e transporte (via deriva, volatilização, lixiviação ou escorrimento superficial). A interação entre esses mecanismos define o destino final do herbicida no ambiente (Mancuso; Negrisoli; Perim, 2011).

Figura 1. Dinâmica dos herbicidas no solo.
Fonte: Appleby & Dawson (1994), apud. Mancuso; Negrisoli; Perim (2011).

Nesse contexto, a compactação do solo se destaca como fator limitante do desempenho desses herbicidas residuais. Considerando que os herbicidas pré-emergentes atuam diretamente no banco de sementes do solo, reduzindo os fluxos de emergência das planta daninhas (figura 2), a diminuição da macroposidade do solo e o aumento da densidade de partículas por conta da compactação, tendem a limitar a movimentação do herbicida na solução do solo, reduzindo a capacidade do defensivo em atingir o alvo, limitando a zona de atuação do pré-emergente, o que pode resultar em um controle insatisfatório.

Figura 2. Fluxos de emergência de plantas daninhas.

Além disso, a compactação do solo limita a dissipação do herbicida via lixiviação. Essa condição pode ocasionar efeitos indesejados como o aumento o período residual do herbicida na subsuperfície do solo, afetando o desenvolvimento da cultura subsequente a aplicação do herbicida, efeito popularmente conhecido como carryover.

O carryover é o efeito residual prolongado no solo, que consiste na persistência do produto em níveis que podem prejudicar o desenvolvimento de culturas subsequentes. Esse efeito é indesejado e pode ser acentuado em solos compactados.  Corroborando, Vian et al. (2022) destacam que a seletividade dos herbicidas pré-emergentes pode ser alterada em função do comportamento da água no solo, o qual é influenciado pela compactação do solo.

Avaliando a seletividade de herbicidas aplicados em pré-emergência da soja cultivada em solo com diferentes condições físicas, os autores observaram que a compactação do solo impacta negativamente no estande de plantas e acúmulo de massa nos grãos de soja, demonstrando que, quando aplicados em solos compactados, os herbicidas pré-emergentes podem inclusive prejudicar o desenvolvimento e produtividade da soja.



Além da influência da compactação do solo sobre a mobilidade e eficácia dos herbicidas residuais, a textura do solo também desempenha influência sobre a residualidade e eficácia desses herbicidas. Ao analisar a atividade residual de diferentes doses dos herbicidas alachlor, oxyfluorfen, prometryne e S-metolachlor em solos com texturas contrastantes (argilosa e arenosa), aplicadas em pré-emergência, Inoue et al. (2011) observaram que dependendo do herbicida e dose, a textura do solo pode influenciar na residualidade do herbicida.

Figura 3. Porcentagem de controle em plantas de C. sativus, em relação à testemunha, em função da aplicação de alachlor aos 0, 25, 50, 75 e 100 dias antes da semeadura. Nos símbolos vazios e linhas tracejadas, os triângulos equivalem aos dados observados para a dose de 3,36 kg ha-1 e os quadrados para a dose de 2,40 kg ha-1 no Neossolo Quartzarênico (textura arenosa). Os círculos sólidos e linhas cheias equivalem à média dos dados observados para ambas as doses (2,40 e 3,36 kg ha-1 ) no Latossolo Vermelho (textura argilosa).
Fonte: Inoue et al. (2011)

Considerando os aspectos observados, é possível afirmar que tanto a compactação quanto a textura do solo podem influenciar, de forma isolada ou combinada, a performance dos herbicidas aplicados ao solo. Esses fatores impactam diretamente a eficácia no controle das plantas daninhas e a residualidade dos produtos. Tal comportamento é particularmente crítico para herbicidas pré-emergentes, pois pode reduzir sua eficiência no controle inicial das plantas infestantes e, ao mesmo tempo, aumentar o risco de efeitos adversos sobre o estabelecimento de culturas subsequentes. Assim, as características físicas do solo, sobretudo o grau de compactação e a textura, devem ser levadas em consideração no posicionamento de herbicidas residuais em aplicações de pré-emergência.


Veja mais:  Uso dos herbicidas pré-emergentes: como potencializar a ação desses herbicidas e por quanto tempo podem ajudar no estabelecimento da soja?


Referências:

COMPACTAÇÃO DO SOLO: INTERAÇÕES NA SELETIVIDADE DE HERBICIDAS PARA A CULTURA DA SOJA. Universidade de Rio Verde, Anais XVI CICURV, 2022. Disponível em: < http://revistas2.unirv.edu.br/index.php/cicurv/article/download/191/40 >, acesso em: 24/09/2025.

INOUE, M. H. et al. ATIVIDADE RESIDUAL DE HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES APLICADOS EM SOLOS CONTRASTANTES. Revista Brasileira de herbicidas, 2011. Disponível em: < https://www.rbherbicidas.com.br/index.php/rbh/article/viewFile/124/pdf >, acesso em: 24/09/2025.

MANCUSO, M. A. C.; NEGRISOLI, E.; PERIM, L. EFEITO RESISUAL DE HERBICIDAS NO SOLO (“CARRYOVER”). Revista Brasileira de Herbicidas, 2011. Disponível em: < https://www.weedcontroljournal.org/wp-content/uploads/articles_xml/2236-1065-rbh-S2236-10652011000100020010400172/2236-1065-rbh-S2236-10652011000100020010400172.pdf >, acesso em: 24/09/2025.

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Sustentabilidade

Preços da soja no Brasil: Chicago cai e dólar sobe; confira as cotações

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão sem registro de movimentos mais firmes, com negociações restritas a pequenos lotes.

O analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira destaca que os prêmios seguem sustentados, enquanto os demais formadores de preços apresentaram movimentos limitados ao longo do dia.

A Bolsa de Chicago recuou, enquanto o dólar registro u leve alta. Com isso, as cotações permaneceram praticamente estáveis na maior parte das praças, com algumas situações pontuais mais favoráveis.

“Algumas praças trabalharam com preços melhores do que a paridade”, observa Silveira. Segundo ele, as indicações continuaram trazendo oportunidades de negociação, mesmo sem um avanço mais consistente dos negócios.

O analista ressalta que os produtores seguem administrando o ritmo das vendas. “O produtor está segurando e cadenciando as ofertas”, afirma.

Mercado físico da soja

  • Passo Fundo (RS): R$ 128
  • Santa Rosa (RS): R$ 129
  • Cascavel (PR): R$ 124
  • Rondonópolis (MT): R$ 114
  • Dourados (MS): subiram de R$ 116 para R$ 116,50
  • Rio Verde (GO): R$ 117
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 135
  • Porto de Rio Grande (RS): R$ 135

Mercado atacadista

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Vendas por parte de fundos predominaram na sessão, em meio a um cenário fundamental baixista.

O analista de Safras & Mercado pontua que o clima segue beneficiando as lavouras norte-americanas, apontando para uma produção cheia em 2026.

O desempenho de outros mercados também ajudou a motivar os participantes a permanecer na defensiva. O petróleo voltou a cair forte, refletindo o otimismo sobre a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

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Para completar, o dólar sobe frente a seus pares, retirando competitividade dos produtos de exportação estadunidenses, caso da soja.

Os agentes começaram a posicionar suas carteiras frente aos importantes relatórios que serão divulgados na próxima semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na terça (30), saem os dados de plantio da temporada 2026/27 e os estoques trimestrais norte-americanos na quarta (1).

Contratos futuros

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 8,25 centavos de dólar, ou 0,73%, a US$ 11,08 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,16 3/4 por bushel, com retração de 7,25 centavos de dólar ou 0,64%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 0,70 ou 0,23% a US$ 303,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 69,46 centavos de dólar, com perda de 1,13 centavo ou 1,60%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,2002 para venda e a R$ 5,1982 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1872 e a máxima de R$ 5,2212.

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Sustentabilidade

Doenças em soja: controle de fungos necrotróficos exige medidas integradas de manejo – MAIS SOJA

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Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, diversas doenças podem acometer a cultura, afetando diferentes órgãos e estádios fenológicos da planta. Os patógenos responsáveis por essas doenças são, em sua maioria, de origem fúngica e podem estar presentes no ambiente de cultivo antes mesmo da semeadura, comprometendo inclusive as fases iniciais de estabelecimento da lavoura.

Além dos fungos biotróficos, que dependem de tecidos vivos do hospedeiro para sua sobrevivência e desenvolvimento, como ocorre com o agente causal da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), existem fungos capazes de sobreviver em restos culturais e matéria orgânica presentes no solo. Esses patógenos, classificados como fungos necrotróficos, utilizam tecidos vegetais mortos como fonte de sobrevivência e podem permanecer viáveis entre safras, dificultando a redução do inóculo e favorecendo a ocorrência de novas infecções quando encontram condições ambientais adequadas de temperatura e umidade.

Entre os principais patógenos necrotróficos associados às doenças da soja destacam-se a mancha olho-de-rã (Cercospora sojina), a cercosporiose (Cercospora kikuchii), a mancha-parda (Septoria glycines), a antracnose (Colletotrichum truncatum), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) e as podridões radiculares e de colmo associadas a espécies dos gêneros Rhizoctonia, Fusarium e Sclerotinia. A capacidade de sobrevivência desses patógenos em resíduos culturais dificulta a controle efetivo dessas doenças e reforça a importância do manejo integrado de doenças, envolvendo práticas como rotação de culturas, tratamento de sementes, manejo da população de plantas, nutrição equilibrada e uso estratégico de fungicidas (Forcelini, 2010).

Figura 1. Esquema de manejo integrado de doenças causadas por fungos necrotróficos em soja.
Adaptado: Forcelini (2010)

Considerando que a manutenção da cobertura permanente do solo é uma das premissas fundamentais do sistema plantio direto, a destruição dos resíduos culturais (palhada) não constitui uma estratégia tecnicamente recomendada para o manejo de fungos necrotróficos em ambientes agrícolas. Nesse contexto, a redução da sobrevivência e do potencial de inóculo desses patógenos deve ser baseada em práticas integradas, reforçando a necessidade da rotação de culturas com espécies não hospedeiras, do uso de cultivares com maior resistência genética e do tratamento de sementes com fungicidas eficientes e específicos.

Dessa forma, a definição adequada das culturas que compõem o sistema de rotação, priorizando espécies pertencentes a diferentes famílias botânicas e sem relação de hospedeiro com os principais patógenos, é fundamental para interromper o ciclo de sobrevivência dos fungos necrotróficos e reduzir a pressão de doenças na soja. Além disso, estudos indicam que sementes infectadas ou contaminadas podem representar importantes fontes de inóculo inicial desses patógenos em áreas de cultivo de soja (Reis; Reis; Zanatta, 2022). Portanto, o uso de sementes com elevada qualidade fisiológica e sanitária, associado ao tratamento de sementes com fungicidas apropriados, constitui uma etapa essencial no manejo integrado de doenças, contribuindo para a proteção inicial das plantas e para a redução da disseminação dos patógenos na lavoura.



Referências:

FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, N. 7, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 24/06/2026.

REIS, E. M.; REIS, A. C.; ZANATTA, M. QUANTO A EFICÁCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES COM FUNGICIDAS. – ÊNFASE EM GRANDES CULTURAS DE GRÃOS. Summa Phytopathol, 2022. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sp/a/5CQ64Z9QkJkhM7yvGr9xgcw/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 24/06/2026.

 

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Oferta restrita sustenta preços – MAIS SOJA

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Mesmo com o retorno pontual de compradores em parte das regiões produtoras, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresenta baixa liquidez. De acordo com o Cepea, produtores seguem retraídos diante dos atuais patamares de preços, considerados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade.

Com isso, segundo o Centro de Pesquisas, a oferta disponível continua restrita em parte do estado, sustentando as cotações em praças específicas. Ao mesmo tempo, agentes consultados pelo Cepea acompanham novos sinais do mercado internacional e as perspectivas climáticas para a safra 2026/27, fatores que podem influenciar as estratégias de comercialização nos próximos meses.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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