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21 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Exportações de carne bovina de MT para Argentina e Uruguai disparam I MT

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Com um dos maiores rebanhos do país, as exportações de carne bovina de Mato Grosso aumentaram significativamente entre agosto e setembro para a Argentina e o Uruguai. O período coincide com os dois meses em vigor da sobretaxa do presidente americano Donald Trump contra os produtos brasileiros.

A carne brasileira permanece fora da lista de exceções do tarifaço, que impõe taxa de 50%. O Brasil exportou 314,7 mil toneladas, um aumento de 25,1% em relação a setembro de 2024, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O Valdecir Francisco Pinto Junior, médico veterinário e analista de gestão da informação do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), disse que a baixa nas importações americanas dos produtos brasileiros favoreceram outros mercados regionais.

“Como Argentina e Uruguai também são, de certa forma, concorrentes com o Brasil no mercado americano e nossas importações para os americanos diminuíram, a deles aumentaram, com isso desabasteceu o mercado interno deles. Por isso, aumentaram as compras da nossa carne”, explicou.

Para a professora e economista da Fundação Getulio Vargas, Carla Beni, a relação dessa alta passa pela situação política e econômica dos países compradores.

“A Argentina está em processo de crise política e econômica que deixou o país caro em dólares. Então, a Argentina está importando carne do Brasil, e nem imaginávamos isso. A produção dela encareceu muito internamente, então, em alguma medida, está mais barato a importação. E o Uruguai está no fortalecimento maior do acordo com o Mercosul”, destacou.

Em agosto, foram 314 toneladas de carne bovina de Mato Grosso para a Argentina, enquanto em setembro o número saltou para 686 toneladas, uma alta de 118,47%. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

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Já para o Uruguai, em agosto, foram 59 toneladas e, em setembro, foram 151 toneladas de carne bovina, o que representa aumento de 55,63% (veja mais detalhes abaixo).

“A China já vinha aumentando as compras, geralmente no segundo semestre até para buscar fazer estoque com as festividades de fim de ano. Houve um aumento significativo em agosto e setembro, mas pode ser que tenha relação com tarifaço de Trump, porém não acredito que seja o único motivo”, afirmou Valdecir.

Em agosto, Mato Grosso exportou 54,50 mil toneladas de carne bovina aos chineses, enquanto em setembro esse número subiu para 60,46 mil toneladas, um aumento de quase 11%.

O professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Feldmann vai na mesma linha. “Acredito que o tarifaço tenha uma influência pequena. Porque houve uma aproximação geral do Brasil com a China, nos últimos meses nosso país vendeu mais aos chineses. Esse é um fato geral e o mercado chinês absorve cada vez mais nosso produtos. E o tarifaço de Trump nos aproximou mais dos chineses e os produtores também estão preocupados e procuraram novos mercados”, disse.

Seguno relatório de mercado do Imea, o estado abateu 656,31 mil cabeças de boi em setembro, o que representa uma queda de 0,67% em relação a agosto. No total, foram abatidos 367,37 mil cabeças de boi macho, o terceiro maior volume da série histórica.

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“Esse cenário reflete a maior presença de machos em confinamento, que ampliou a oferta estadual. Ainda assim, os preços do boi gordo se mantiveram firmes, sustentados pela forte demanda externa”, explica o Imea.

Para o quarto trimestre, a expectativa é de estabilidade, mas o abate elevado de machos jovens pode reduzir a oferta a médio prazo, adicionando viés de alta às cotações, de acordo com o Imea.

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Entenda por que os combustíveis estão mais caros em Mato Grosso

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Quem abasteceu o carro nas últimas semanas percebeu que os combustíveis ficaram mais caros em Mato Grosso. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a alta ocorre em meio à pressão sobre diferentes etapas da cadeia de abastecimento, influenciada pelo preço do petróleo, pelos custos do etanol e por dificuldades no fornecimento de diesel.

Os principais fatores apontados pelo setor são:

  • Disparada do barril de petróleo no mercado internacional, afetando diretamente os custos na origem;
  • Encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, aliado ao aumento do preço do açúcar no mercado externo, o que pressiona os custos do etanol;
  • Aumento do percentual obrigatório de etanol na gasolina A;
  • Redução drástica das importações de óleo diesel, gerando gargalos severos no suprimento nacional.

O movimento também aparece nos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre 13 e 19 de setembro, a média em Cuiabá do litro da gasolina comum chegou a R$ 6,97etanol ficou na média de R$ 4,17 na capital, enquanto o diesel S-10 pode ser encontrado por R$ 7,57.

Mas por que o preço aumenta nas bombas?

1. Alta do petróleo no mercado internacional

Segundo o sindicato, o preço do petróleo é um dos principais componentes da formação dos preços dos combustíveis. Quando as cotações internacionais sobem, os custos de aquisição e importação de derivados também podem aumentar.

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No caso do diesel, a pressão tem sido maior. Segundo dados divulgados pela ANP, o preço do produto avançou na última semana pesquisada para R$ 6,65 na média nacional.

2. Etanol mais caro pressiona a gasolina

Outro fator apontado pelo Sindipetróleo-MT é o preço do etanol. O biocombustível é utilizado na composição da gasolina vendida nos postos e, por isso, alterações no preço do etanol podem influenciar o custo da gasolina.

Desde 1º de agosto, a gasolina comercializada no país passou a ter 32% de etanol na mistura, contra 30% anteriormente. Em setembro, o governo autorizou o início dos testes para aumentar a mistura de etanol na gasolina comum, chegando a 35%

O sindicato também aponta o encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste e a valorização do açúcar no mercado externo como fatores que pressionam os custos do etanol.

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3. Diesel e dificuldades de abastecimento

O Sindipetróleo-MT afirmou ainda que houve redução nas importações de óleo diesel, provocando dificuldades no suprimento e restrições no atendimento de pedidos às distribuidoras.

🔎 O diesel é especialmente importante para Mato Grosso, onde é utilizado em larga escala no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio.

4. Quem define o preço na bomba?

preço pago pelo consumidor não é formado apenas pelo valor cobrado pelo produtor ou importador. A cadeia envolve diferentes etapas, como produção ou importação, refino, distribuição, transporte e revenda.

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O Sindipetróleo-MT apontou que os postos não são responsáveis pela formação dos preços e atuam como o último elo da cadeia, repassando os custos recebidos das distribuidoras.

5. O que diz o Sindipetróleo-MT?

Em nota divulgada nesta semana, o sindicato afirmou que os aumentos recebidos pelos postos são consequência de fatores que ocorrem antes da chegada do combustível à revenda.

A entidade também criticou cobranças direcionadas exclusivamente aos postos durante o período eleitoral e defendeu que eventuais fiscalizações sobre a formação de preços alcancem todos os elos da cadeia.

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MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

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Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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