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14 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Com início da safra 25/26, redução no Plano Safra acende alerta sobre déficit de armazenagem em Mato Grosso – MAIS SOJA

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Com o início da safra 2025/2026, os efeitos do novo Plano Safra já são sentidos no campo. Embora tenha sido anunciado como o maior da história, o programa reduziu a subvenção ao crédito rural e elevou os juros, o que tem dificultado o acesso dos produtores a financiamentos em condições viáveis.

O cenário atual preocupa a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que tem recebido relatos de agricultores com dificuldades para acessar as linhas de crédito anunciadas. De acordo com o diretor administrativo da entidade, Diego Bertuol, o volume recorde de recursos divulgado pelo Governo Federal não tem se traduzido em crédito real ao produtor.

“Esses recursos não têm chegado no produtor rural. Já estamos no início do plantio, e muitos não conseguiram realizar suas operações bancárias, nem mesmo para o custeio. A situação da armazenagem não é diferente. Hoje, precisamos de linhas com juros abaixo do que o anunciado pelo governo federal, além de um prazo de carência para o produtor conseguir começar a pagar e viabilizar o investimento em infraestrutura , mas isso não está acontecendo. Por isso, atualmente, mais de 50% da nossa safra está sem local adequado para estocagem”, afirmou.

Em Mato Grosso, os dados mostram que a produção de soja deve ultrapassar 47 milhões de toneladas na safra 2025/26, mas o estado conta com apenas 53,4 milhões de toneladas de capacidade estática, espaço que também precisa atender à produção de milho, que na última safra superou 54 milhões de toneladas. Somadas, as duas culturas expõem um déficit superior a 52 milhões de toneladas, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

Com a produção em crescimento, a falta de crédito acessível para construção e ampliação de armazéns amplia os gargalos logísticos e reduz o poder de negociação do produtor. O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, reforça que o estado é o mais impactado pela carência de infraestrutura.

“Nós temos menos capacidade de armazenamento do que seria o mínimo e o Mato Grosso é o pior estado em infraestrutura quando comparamos a produção e a capacidade de armazenagem. É caro construir, os financiamentos são burocráticos e demorados, e na taxa de juros atual, não são viáveis. Quanto menor o armazém, mais caro ele é, por saca armazenada. Por isso, os pequenos e médios produtores são os mais impactados”, disse o vice-presidente ao destacar que, diante da falta de espaço para estocar a produção, muitos produtores recorrem a soluções improvisadas, como o uso de silos bolsa, além de enfrentarem a escassez de caminhões e os altos custos de transporte no período de colheita.

Embora o Plano Safra inclua o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), os produtores afirmam que os valores não têm chegado na ponta, o que dificulta o avanço das obras e amplia o risco de gargalos logísticos na próxima colheita.

“Nós temos que entender que esse não é um problema apenas do produtor rural, mas uma questão de segurança alimentar nacional. Qualquer imprevisto em portos ou crises geopolíticas podem deixar o Brasil refém, sem condições de escoar sua safra. E se isso acontecer, o que faremos com todo esse grão? Sem espaço para armazenar, poderíamos perder até metade da produção de Mato Grosso, um prejuízo bilionário, com reflexos diretos em toda a economia do país”, questiona Luiz Pedro Bier.

O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, lembra que o problema é nacional e agravado pelos juros elevados e pela redução dos recursos para investimento.

“O Brasil produziu nesse ano 350 milhões de toneladas de grãos e ao mesmo tempo, temos um déficit de mais de 120 milhões de toneladas. O que nos preocupa é que todo ano o percentual de produção cresce mais do que a construção de armazéns. E nesse momento, com juros elevados e menos recursos disponíveis no Plano Safra, o cenário se torna ainda mais desafiador. O encarecimento dos equipamentos e das estruturas de armazenagem, somado à alta inflação, tem afastado a possibilidade de investimento de grande parte dos produtores”, afirma.

Ele defende a criação de políticas públicas que incentivem a construção de armazéns próprios e ofereçam benefícios fiscais aos produtores. “O Governo tem que ter um olhar para políticas que incentivem, inclusive fiscalmente, quem tem armazéns próprios para que o Brasil se torne soberano nesse tema, já que sempre há um risco de mudanças de mercado, até mesmo guerras, que podem impactar e nos forçar a armazenar. E sem lugar, nós ficamos à mercê do tempo”, completou.

Com o volume de produção em expansão, o déficit de armazenagem reforça um alerta que há anos preocupa o setor produtivo. Sem infraestrutura suficiente, o produtor perde autonomia, reduz sua margem de lucro e o Brasil compromete parte de sua competitividade e segurança alimentar.

A Aprosoja Mato Grosso mantém seus esforços na defesa de políticas públicas que assegurem linhas de financiamento mais acessíveis, com prazos alongados, menos burocracia e juros compatíveis com a realidade do campo, para que investimentos como a armazenagem, considerada estratégica para garantir a sustentabilidade da produção e a soberania alimentar do país, sejam destravados.

Fonte: Aprosoja MT

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El Niño, agro e a nova agenda de previsibilidade produtiva – MAIS SOJA

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Por Vinicius Bof Bufon, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

O possível retorno do El Niño deve ser tratado com atenção pelo agro brasileiro, mas não apenas como um fenômeno climático. O ponto central é que ele chega em um momento no qual o setor já convive com margens mais apertadas, preços de commodities mais incertos, juros elevados, custos relevantes de produção e instabilidade global. A combinação entre clima mais volátil e ambiente econômico mais frágil torna o risco maior.

As previsões mais recentes indicam forte aumento da probabilidade de formação de El Niño em 2026. A NOAA/CPC aponta 82% de chance de El Niño entre maio e julho de 2026; o IRI/Columbia estima probabilidade de 98% para o mesmo período; e a Organização Meteorológica Mundial também indica desenvolvimento esperado do fenômeno a partir de meados de 2026, com impacto sobre padrões globais de temperatura e chuva.

No Brasil, os efeitos não são uniformes. Em parte do Sul, a preocupação costuma estar mais associada ao excesso de chuva, encharcamento, doenças e perda de janelas de plantio, manejo e colheita. Em regiões do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, o risco pode estar mais ligado a calor, veranicos, atraso ou irregularidade das chuvas e estresse das lavouras em fases críticas. Para a agricultura, não basta saber se vai chover mais ou menos no ano. O que importa é quando chove, como chove e em que fase da cultura isso acontece.

O evento atual preocupa, mas preocupa ainda mais a possibilidade de sequências de eventos ruins. As projeções climáticas indicam maior exposição a extremos, incluindo secas mais frequentes ou severas em várias regiões, além do aumento de temperatura. Para a agricultura, temperatura mais alta não é detalhe: eleva a demanda de água das plantas, aumenta perdas no solo, intensifica estresse térmico e pode afetar florescimento, enchimento de grãos, qualidade, sanidade e produtividade.

Também cresce o risco de incêndios em períodos de seca e calor. Essa é uma preocupação real do produtor moderno. A visão antiga de que o agricultor usa ou se beneficia do fogo está cada vez mais distante da realidade. Hoje, o fogo é visto como destruição de patrimônio: queima palhada, pasto, lavoura, cercas, máquinas, biodiversidade, matéria orgânica e parte da própria resiliência produtiva da propriedade.

É por isso que o El Niño precisa ser analisado junto com o mercado. Quando os preços estão bons, parte de uma perda produtiva pode ser compensada por receita. Quando os preços estão pressionados, a mesma perda atinge diretamente o caixa, o crédito, a renovação das lavouras, a compra de insumos e a capacidade de investimento. O El Niño é climático, mas seu impacto no agro é também econômico.

Esse aperto ficou mais claro nos últimos anos. O índice de preços de alimentos da FAO ainda estava 18,4% abaixo do pico de março de 2022, e o Banco Mundial projeta nova queda dos preços agregados de commodities em 2026, o quarto ano consecutivo de recuo. Ao mesmo tempo, custos importantes seguiram elevados: o dólar saiu de uma média próxima de R$ 3,3 em 2015 para patamar ao redor de R$ 5,0 nos anos recentes, alta nominal superior a 50%; e o diesel S-10 chegou a R$ 7,16 em maio de 2026, valor próximo do dobro da referência média de R$ 3,62 por litro usada após maio de 2018.

Nesse ambiente, a recomendação de curto prazo não é simplesmente “cortar custo”. Reduzir despesas que protegem a lavoura pode aumentar a vulnerabilidade e sair mais caro depois. O objetivo não deve ser gastar menos por hectare a qualquer custo, mas reduzir o custo por unidade produzida. Em algumas situações, a decisão correta pode ser trocar uma prática que funciona bem em condições ideais por outra que aumente a tolerância da cultura à seca, ao calor, ao excesso de chuva ou à perda de janela operacional.

Mas a gestão emergencial tem limite. As ações realmente estruturantes exigem médio e longo prazo. O agro brasileiro se superou muitas vezes nas últimas décadas, ampliando produção, tecnologia e sustentabilidade. Agora, o momento exige um novo ciclo de decisões: mais planejamento climático, mais previsibilidade, mais eficiência no uso dos recursos e maior proteção da produção contra extremos.

Esse ponto é especialmente importante na irrigação. Sistemas irrigados eficientes não se implantam de uma safra para outra. Exigem diagnóstico, projeto, infraestrutura, energia, adequação das áreas, planejamento financeiro, treinamento de equipes e integração com a estratégia produtiva da propriedade. Irrigação eficiente não é improviso; é infraestrutura de previsibilidade.

O Brasil ainda irriga uma área relativamente pequena diante de seu potencial. O Atlas Irrigação indica 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação no país; 35,5% desse total corresponde à fertirrigação com água de reúso, efluentes ou resíduos agroindustriais, sinal de sofisticação, circularidade e sustentabilidade já disponível no Brasil. Ainda assim, é pouco frente ao potencial sustentável estimado para o país, frequentemente apontado em torno de 55 milhões de hectares. Para comparação, China e Índia têm mais de 70 milhões de hectares equipados para irrigação cada uma, e os Estados Unidos têm cerca de 26 milhões de hectares.

A resposta, porém, não é irrigar tudo. Em muitos sistemas, o caminho mais inteligente é lastrear uma fração estrategicamente selecionada da produção com sistemas irrigados eficientes. Essa fração protegida reduz a exposição aos extremos, aumenta a estabilidade do resultado e melhora a gestão da propriedade como um todo. Também não se trata, necessariamente, de repor 100% da demanda hídrica da cultura. Em várias situações, inclusive na cana-de-açúcar, a recomendação técnica é trabalhar com irrigação suplementar ou deficitária bem manejada: aplicar a fração ótima de água, no momento certo, buscando máxima eficiência produtiva, econômica e ambiental.

Essa é uma virada importante. Sistema irrigado moderno não é simplesmente colocar água em uma lavoura conduzida como se fosse sequeiro. É outro sistema de produção. Exige solo bem preparado, escolha adequada de cultivares, nutrição equilibrada, manejo cuidadoso, monitoramento, planejamento da colheita e uso eficiente da água. A tecnologia isolada não resolve. O que resolve é o sistema.

Além da previsibilidade, sistemas mais verticais trazem ganhos econômicos e ambientais. Produzir mais na mesma área, com critério técnico, é uma alternativa objetiva à expansão horizontal sobre novas áreas, inclusive áreas de vegetação nativa. Quando conduzida com boa engenharia, bom manejo e boa agronomia, a verticalização reduz custo unitário, melhora logística, aumenta eficiência no uso da água, dos insumos e da terra, e favorece menor pegada hídrica e de carbono.

Em culturas perenes e semiperenes, há ainda um ponto adicional: o prejuízo de um evento extremo não termina necessariamente quando a chuva volta. Se a planta permanece no campo por vários anos, a perda de vigor, a morte de plantas, a redução de população ou a necessidade de replantio podem gerar efeito cascata por várias safras. Em culturas anuais, esse efeito biológico pode ser menor, mas o efeito financeiro continua: uma safra ruim reduz caixa, posterga investimentos e aumenta a vulnerabilidade do ciclo seguinte.

O El Niño, portanto, deve ser visto como um alerta importante, não como uma sentença. Ele reforça a necessidade de continuar uma trajetória que o agro brasileiro já conhece bem: responder a novos desafios com ciência, tecnologia, gestão e capacidade de adaptação. O próximo passo é ampliar investimentos estruturantes em resiliência climática, para produzir com mais previsibilidade, menor custo unitário e maior eficiência ambiental.

Em um ambiente de commodities, o produtor não controla o preço internacional. O que ele pode controlar é eficiência, risco, custo por unidade produzida e capacidade de atravessar os anos ruins. O novo patamar de competitividade do agro brasileiro será transformar informação climática em decisão produtiva e investimento de longo prazo.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Por Vinicius Bof Bufon Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

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Preços da soja sobem em praças brasileiras, mas semana deve terminar com poucas negociações

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Foto: R.R. Rufino/Embrapa

O mercado brasileiro de soja apresentou poucos movimentos nesta quinta-feira (13), com altas pontuais em algumas praças. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, não foram observadas grandes movimentações na Bolsa de Chicago capazes
de provocar alterações mais expressivas no mercado físico.

Os prêmios seguem em níveis elevados, enquanto Chicago e o dólar registraram pequenas altas, observa Silveira. Nos portos, o analista destaca indicações subindo cerca de R$ 1,00 por saca.

No mercado interno, o basis permanece elevado, com disputa pela originação do grão, mas sem reporte de ofertas firmes por parte dos produtores. Diante desse cenário, Silveira avalia que a semana deve terminar com pequenas negociações.

Confira as cotações de soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 140,00.
  • Santa Rosa (RS): permaneceu em R$ 141,00.
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 135,00 para R$ 136,00.
  • Rondonópolis (MT): permaneceu em R$ 133,00.
  • Dourados (MS): subiu de R$ 130,00 para R$ 131,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 130,00 para R$ 133,00.
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 146,00 para R$ 147,00.
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja em grão fecharam com preços mistos e em uma estreita margem de oscilação nesta quinta-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O dia foi marcado por forte volatilidade.

O comportamento de outros mercados – o milho caiu forte, realizando lucros – e um movimento de correção pressionaram as cotações. Mas sinais de demanda chinesa limitaram as perdas. Nos subprodutos, farelo e óleo fecharam em queda.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 125.000 toneladas de soja para a China, para entrega na temporada 2026/27.

As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2025/26, com início em 1º de setembro, ficaram em 75.100 toneladas na semana encerrada em 06 de agosto.

A China liderou as compras, com 65.900 toneladas. Para a temporada 2026/27, foram mais 1.759.900 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 700 mil e 1,6 milhão de toneladas, somando-se as duas temporadas.

A produção brasileira de soja deverá totalizar 180,464 milhões de toneladas na temporada
2025/26, com aumento de 5,2% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A projeção faz parte do 11º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na estimativa anterior, a previsão estava em 180,57 milhões de toneladas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 1,00 centavos de dólar, ou 0,08%, a US$ 11,82 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 11,97 3/4 por bushel, com retração de 1,25 centavos de dólar ou 0,10%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,10 ou 0,34% a US$ 314,00 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,38 centavos de dólar, com perda de 0,38 centavo ou 0,55%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,27%, sendo negociado a R$ 5,1913 para venda e a R$ 5,1893 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1750 e a máxima de R$ 5,1985.

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Atenção com mofo-branco deve ser redobrada no sistema canola – soja – MAIS SOJA

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Com o crescimento das áreas cultivadas na região Sul do Brasil em 2026, a canola vem ampliando sua presença no território nacional, especialmente em regiões com condições edafoclimáticas favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Além de representar uma alternativa interessante para diversificar os sistemas produtivos e integrar a rotação de culturas, o cultivo da canola também pode contribuir para a geração de renda aos produtores. Entretanto, sua inserção em áreas agrícolas, especialmente em sistemas de sucessão canola–soja, exige atenção redobrada às práticas de manejo, a fim de minimizar possíveis impactos sobre a cultura subsequente.

Embora a canola proporcione importantes benefícios ao sistema de produção, é necessário considerar que a cultura está entre as principais hospedeiras do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), doença que pode reduzir em até em até 70% a produtividade da soja (Meyer et al., 2020). A ocorrência da do mofo-branco e a suscetibilidade ao patógeno podem variar de acordo com o híbrido de canola, com níveis de incidência que podem alcançar 57% em materiais mais suscetíveis. Nesse contexto, a escolha adequada do híbrido, associada à adoção de estratégias eficientes de manejo, torna-se fundamental para reduzir a pressão de inóculo e minimizar os riscos de ocorrência do mofo-branco, especialmente em áreas destinadas posteriormente ao cultivo da soja (Wenglarek et al., 2019).

Figura 1. Ciclo do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) na canola.
Adaptado: Canola Council of Canada (s.d.)

Além dos danos ocasionados diretamente a canola, um dos grandes problemas relacionados ao mofo-branco na cultura é a produção de escleródios (estruturas reprodutivas do fungo) na área de cultivo. Essas estruturas (figura 2) permitem ao fungo permanecer viável por um longo período até encontrar condições adequadas para a germinação e desenvolvimento da doença. Além de serem dispersos no solo, os escleródios do mofo-branco podem ser contidos nos resíduos culturais de plantas infectadas de canola.

Figura 2. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) sobre o solo.
Foto: Lobo Junior & Santos (2013)

Sob condições ambientais adequadas, os escleródios germinam dando origem a apotécios, capazes de dispersar os ascósporos (esporos sexuados do patógeno), responsáveis por infectar a planta, dando origem ao mofo-branco (figura 3).

Figura 3. Germinação carpogênica de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum, com elevada formação de apotécios.
Foto: Maurício C. Meyer

Nesse contexto, em áreas de canola com histórico de mofo-branco, deve-se intensificar o monitoramento na soja cultivada em sucessão. Sempre que possível, recomenda-se adotar medidas preventivas, como o biocontrole na entressafra e o uso estratégico de fungicidas nos períodos de maior suscetibilidade da cultura, visando mitigar as perdas de produtividade.

Uma das principais estratégias de manejo em áreas com histórico de ocorrência do mofo-branco é reduzir a viabilidade dos escleródios via controle biológico. Estudos demonstram que dependendo do agente biológico, é possível obter uma redução de até 65% da viabilidade dos escleródios do mofo-branco, reduzindo consequentemente a incidência da doença na soja (Görgen et al., 2008). Dentre os principais bioinsumos utilizados com esse intuito, destacam-se espécies de Trichoderma spp. (dentre as principais, o T. harzianum, T. asperellum e o T. afroharzianum), assim como bactérias do gênero Bacillus, as quais podem ser associadas aos fungos do gênero Trichoderma para o biocontrole do mofo-branco.


Veja mais: Trichoderma e Bacillus: aliados no controle do mofo-branco na soja


Referências:

CANOLA COUNCIL OF CANADA. SCLEROTINIA STEM ROT. Canola Encyclopedia. Winnipeg: Canola Council of Canada, [s.d.]. Disponível em: < https://www.canolacouncil.org/canola-encyclopedia/diseases/sclerotinia-stem-rot/ >. Acesso em: 13/08/2026.

GÖRGEN, C. A. et al. CONTROLE DE Sclerotinia sclerotiorum COM O MANEJO DE Brachiaria ruziziensis E APLICAÇÃO DE Trichoderma harzianum. Embrapa, Circular Técnica, n. 81, 2008. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/216271/1/circ81.pdf >, acesso em: 13/08/2026.

LOBO JUNIOR, M.; SANTOS, P. F. MANEJO DO MOFO BRANCO. Revista Cultivar, 2013. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/963194/manejo-do-mofo-branco >, acesso em: 13/08/2026.

MEYER, M. C. et al. EXPERIMENTOS COOPERATIVOS DE CONTROLE BIOLÓGICO DE Sclerotinia sclerotiorum NA CULTURA DA SOJA: RESULTADOS SUMARIZADOS DA SAFRA 2019/2020. Embrapa, Circular Técnica, n. 163, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/216581/1/CIRCULAR-TECNICA-163-online.pdf >, acesso em: 13/08/2026.

WENGLAREK, A. P. et al. EVOLUÇÃO DA INCIDÊNCIA DE MOFO BRANCO EM DIFERENTES HÍBRIDOS DE CANOLA. 7° Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel, 2019. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1137944/1/2019-PA-I-Uniao-da-Vitoria-Mofo-branco-canola-Wenglarek-Resumo-congresso-Biodiesel.pdf >, acesso em: 13/08/2026.

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