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‘Produtor tem papel central na transição energética brasileira’, aponta diretor da Ubrabio

Durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, realizada nesta sexta-feira (3), o painel “Oportunidades dos Biocombustíveis e Oportunidades para a Soja do MS” reuniu Donizete Tokarski, diretor-superintendente da Ubrabio, e Arthur Falcette, secretário adjunto da Semadesc. O debate abordou o papel da soja na transição energética e na produção de biocombustíveis, destacando as novas oportunidades de mercado e o potencial de valorização da cadeia produtiva.
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Segundo Donizete Tokarski, a soja é um dos grandes pilares que fazem da agricultura brasileira um exemplo de transformação e eficiência. ”O produtor de soja não produz apenas alimento. Ele produz alimento e energia. O biodiesel é um combustível que segue rígidos padrões de qualidade, reduz emissões de gases poluentes e melhora a eficiência energética do país. Além disso, sua cadeia está diretamente ligada à geração de empregos, renda e desenvolvimento regional”, destacou.
Tokarski reforça que o biodiesel derivado da soja é parte essencial de uma produção mais sustentável e estratégica. ”Não existe carne mais descarbonizada do que a produzida no Brasil. O biodiesel, a partir da soja, fortalece essa lógica. Do grão ao farelo, agregamos valor à produção e fortalecemos a economia local. É importante que o produtor reconheça que ele tem um papel central na transição energética brasileira”, apontou.
Já Arthur Falcette destacou o protagonismo de Mato Grosso do Sul. ”Hoje, as discussões geopolíticas do mundo giram em torno da transição energética e o estado tem se posicionado de forma estratégica. Quando falamos em combustível do futuro, estamos falando em manter os padrões de qualidade e, ao mesmo tempo, fortalecer os sistemas produtivos. Tudo está conectado”, explicou.
Falcette lembrou que o Brasil tem metas ambiciosas para ampliar o uso de biocombustíveis. ”Estamos numa trajetória que leva o biodiesel de 15% para 20%, podendo chegar a 25%, e o etanol deve alcançar 30% na mistura com a gasolina. É um movimento que vai exigir planejamento e integração entre as cadeias produtivas do agro”, ressaltou.
Questionado sobre a suposta competição entre a produção de biocombustíveis e a de alimentos, Tokarski rebateu: ”De jeito nenhum. Essa narrativa existe na Europa, onde há limitações de terra e clima. No Brasil, é diferente. Produzimos duas ou três safras por ano, o que nos permite atender tanto a demanda alimentar quanto a energética.”
Falcette reforçou que o Mato Grosso do Sul está preparado para esse novo cenário. ”É fundamental enxergar essa cadeia de forma integrada, do biodiesel ao etanol e ao biometano. Nossa capacidade de produzir várias safras e conectar essas cadeias será o diferencial competitivo do MS. Quanto maior for nossa demanda interna por biocombustíveis, mais estabilidade teremos no mercado e nos preços”, comentou no painel.
Tokarski finalizou destacando que o aumento do consumo de biocombustíveis traz benefícios diretos à economia e à sociedade. ”O crescimento dos biocombustíveis representa o aumento do uso da nossa principal matéria-prima, a soja. Essa expansão precisa ser compreendida e valorizada pela sociedade. O Brasil ainda depende de cerca de 20% de diesel fóssil importado. Ele reforçou, ainda, que é essencial valorizar o que é produzido no território nacional.
Nas considerações finais, Donizete destacou o simbolismo do evento. ”Hoje é um dia espetacular e histórico. Estamos lançando a semente do futuro sustentável do Brasil, que une tecnologia, produtividade e governança no campo. É a demonstração da força da nossa agropecuária e da capacidade de desenvolvimento regional que temos”, afirmou.
Arthur Falcette também chamou atenção para a dimensão estratégica dos biocombustíveis. ”Estamos diante de uma onda muito forte, que não vai retroceder. Se olharmos para Mato Grosso do Sul, produzimos mais de 20 milhões de metros cúbicos de etanol, metade disso de milho, e há poucos anos não tínhamos nada. Essa transformação é resultado de uma construção estratégica que o agro brasileiro soube abraçar”, observou.
Ele ressaltou que o produtor rural precisa enxergar o tema de forma mais ampla. O secretário alertou que, muitas vezes, na propriedade rural, os produtores ficam presos à rotina operacional e deixam de olhar para o contexto maior. Essa é uma discussão que precisa estar próxima do produtor, porque se há um agro capaz de absorver essa agenda, é o agro brasileiro.
Falcette falou sobre a importância da segurança jurídica e da atuação ativa do setor.
“Precisamos acompanhar esse processo de perto. Se ficarmos distantes, seremos apenas passageiros. O Brasil deve ser protagonista e mostrar ao mundo como lidar com as questões da segurança alimentar e da transição energética. Quem quiser conversar sobre isso terá que sentar à mesa com o Brasil”, finalizou.
Business
Produtores de MT pedem fôlego financeiro para continuar no campo

A colheita do milho segue em andamento em Mato Grosso, mas a atenção de muitos produtores já está voltada para a próxima safra. Entre margens apertadas, custos elevados, juros mais altos e incertezas climáticas, agricultores relatam dificuldades para manter o planejamento das propriedades e defendem medidas que permitam atravessar o atual momento sem comprometer os investimentos futuros.
A preocupação não é isolada. De acordo com estimativas do setor, o endividamento dos produtores rurais já alcança cerca de R$ 170 bilhões no Brasil. Em Mato Grosso, a combinação entre queda na rentabilidade e aumento das despesas tem pressionado o caixa das fazendas.
Em Diamantino, onde cerca de 270 mil hectares de milho foram cultivados nesta safra, o presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, afirma que o produtor precisa lidar não apenas com os desafios econômicos, mas também com a falta de previsibilidade para os próximos meses.
Segundo ele, a definição das estratégias para o plantio da soja ocorre em um cenário de muitas dúvidas. “A gente está iniciando aí uma safra de milho e montando a estratégia do plantio de soja com uma indefinição de clima também”, relata ao Patrulheiro Agro. Para Kroling, a falta de perspectiva sobre o comportamento do mercado e do clima torna o ambiente ainda mais delicado. “A gente não tem certeza de nada do que vai ser daqui seis meses”.

Produção sem liquidez
Entre os produtores que acompanham o cenário com cautela está Rodrigo Konageski. A família cultivou nesta safra 4,5 mil hectares de milho e 4,7 mil hectares de algodão. Para a próxima temporada, a previsão é semear 9,4 mil hectares de soja.
As sementes e os fertilizantes já foram adquiridos, mas a compra dos defensivos ainda não foi concluída. A decisão está ligada ao momento financeiro das propriedades e às incertezas sobre os custos da próxima safra.
Konageski explica que parte das áreas ainda aguarda melhores condições para a colheita do milho, reduzindo despesas com secagem e armazenagem. Em relação à produtividade, os resultados variam conforme o comportamento das chuvas ao longo do ciclo.
Apesar disso, o principal desafio está fora da porteira. De acordo com ele, a produção existe, mas a comercialização não tem garantido a rentabilidade necessária para fechar as contas.
“Você tem o produto, mas não tem liquidez”, afirma. Ao mesmo tempo, observa que os custos de produção continuam avançando. “Quando começa a fazer os custos de produção da safra seguinte você vê que aperta ainda mais a margem”.
O agricultor também cita o peso da tributação e dos custos logísticos enfrentados pelos produtores mato-grossenses. “Aqui tudo é mais caro e na hora de vender o seu produto, tanto soja, milho ou algodão, é o mais barato do mundo”, diz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Diante desse cenário, ele afirma que o produtor tem evitado investimentos que não sejam considerados essenciais. “A tomada de decisão do produtor tem que ser bem consciente, para não inventar despesa desnecessária”.

Dificuldade para renovar financiamentos
A situação é semelhante em São José do Rio Claro. Presidente do Sindicato Rural do município, Aparecido Rodrigues afirma que há anos não via um ambiente de tanto desânimo entre os produtores.
Conforme relata, muitos agricultores encerraram a safra sem os recursos necessários para quitar compromissos financeiros e iniciar um novo ciclo produtivo. Ao mesmo tempo, enfrentam condições mais duras para renovar operações de crédito.
“Ninguém está querendo dar calote, quer pagar a conta, mas quer condição para pagar a conta”, destaca. O problema, segundo ele, é o aumento das taxas cobradas pelas instituições financeiras. “Você financiou a safra com juro de 11%, agora ele quer renovar, mas quer 22%”.
Para Rodrigues, sem alternativas de renegociação, muitos produtores terão dificuldades para continuar produzindo. “Tem que fazer um negócio para o cara continuar trabalhando e pagar a conta dele”.

Quando o seguro não resolve
O agricultor Odair Garcia Rodrigues conhece bem essa realidade. Em 2024, ele cultivou 2,3 mil hectares de soja e contratou aproximadamente R$ 3 milhões em crédito rural para custear parte da safra. A operação incluía seguro agrícola equivalente a cerca de 10% do valor financiado.
A estiagem comprometeu o desenvolvimento da lavoura e reduziu drasticamente a produtividade. Ele conta que em áreas que normalmente produziam 65 sacas por hectare colheram apenas 27 sacas.
Mesmo diante das perdas, o produtor afirma que não recebeu a cobertura esperada da seguradora. Conforme relata, critérios adotados durante a vistoria reduziram o volume de prejuízos reconhecidos pela empresa.
“Eu tive que pagar o seguro e não fui ressarcido”, afirma.
Sem conseguir quitar os compromissos assumidos, Odair diz enfrentar agora cobranças bancárias e admite que não possui condições de liquidar a dívida nas condições atuais. “Tem que parcelar aí por muito tempo, tem que ter uma prorrogação de dívidas, pelo menos é o que a gente espera”.
Projeto em discussão
Em meio às dificuldades enfrentadas pelos produtores, cresce a expectativa em torno do Projeto de Lei 5122/2023, que cria uma linha especial para renegociação das dívidas rurais, com juros reduzidos e prazos mais longos para pagamento.
A proposta já foi aprovada pelo Senado e aguarda nova análise da Câmara dos Deputados.
Para lideranças do setor, medidas desse tipo são fundamentais para garantir que os produtores consigam permanecer na atividade. Aparecido Rodrigues pontua que muitos agricultores convivem hoje com o receio de bloqueios judiciais e perda de patrimônio, mas reforça que a intenção continua sendo honrar os compromissos assumidos.
“Ninguém deixou de pagar porque queria”, ressalta. “A única coisa que a gente tem de bom é o nome. Então tem que preservar”.
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Agro Mato Grosso
Vazio sanitário da soja não reduz ritmo no campo; milho, algodão sustentam a produtividade em MT

Apesar da proibição do cultivo da soja durante o período do vazio sanitário, as atividades nas propriedades rurais de Mato Grosso seguem em ritmo intenso. Considerado uma etapa estratégica do calendário agrícola, o período é marcado pelo avanço das culturas de segunda safra, que garantem renda aos produtores e ajudam a preparar as áreas para a temporada 2026/27.
Maior produtor de soja do país, Mato Grosso iniciou o vazio sanitário em 8 de junho. A medida, que se estende até 6 de setembro, tem como principal objetivo combater a ferrugem asiática, uma das doenças mais agressivas da cultura da soja. Durante esse intervalo, os agricultores devem eliminar qualquer planta viva de soja existente nas propriedades para interromper o ciclo do fungo causador da doença.
No entanto, a ausência da oleaginosa no campo está longe de representar uma pausa nas atividades agrícolas.
Segunda safra ganha protagonismo nas fazendas
Enquanto a soja permanece fora das lavouras, culturas como milho, algodão, sorgo, gergelim e milheto assumem papel de destaque nas propriedades rurais. Além de contribuírem para a diversificação da produção, essas culturas têm peso significativo na rentabilidade das fazendas.
De acordo com o gerente Técnico e de Serviços da Fiagril, Talis Melo, a segunda safra se consolidou como uma importante fonte de receita para os produtores mato-grossenses.
“Hoje não temos soja no campo devido à proibição do cultivo durante o vazio sanitário, mas as operações continuam normalmente. O milho de segunda safra possui papel fundamental na composição da renda do produtor. Além dele, algodão, sorgo, gergelim e outras culturas seguem exigindo acompanhamento técnico e manejo constante”, destaca.
Nos últimos anos, a chamada “safrinha” deixou de ser uma atividade complementar para se transformar em uma segunda safra robusta, com grande relevância econômica para o agronegócio brasileiro.
Manejo atual influencia diretamente a próxima safra de soja
Além dos resultados financeiros imediatos, as decisões tomadas durante esse período têm impacto direto sobre o desempenho da próxima safra de soja.
Práticas como o controle de plantas daninhas, manejo fitossanitário, escolha de cultivares e estratégias de cobertura do solo são fundamentais para garantir melhores condições de plantio quando o vazio sanitário terminar.
Uma das técnicas mais utilizadas é o cultivo de milho consorciado com braquiária. A prática favorece a formação de palhada sobre o solo, contribuindo para a conservação da umidade, redução da erosão e melhoria da estrutura física da área agrícola.
Segundo especialistas, esse manejo cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento da soja na temporada seguinte, refletindo em maior produtividade e eficiência no uso dos recursos.
Planejamento da safra 2026/27 já está em andamento
O período também é considerado estratégico para o planejamento da próxima temporada agrícola. Muitos produtores aproveitam os meses do vazio sanitário para definir investimentos, adquirir insumos, revisar equipamentos e ajustar estratégias de manejo.
Para Talis Melo, os resultados da safra de soja começam a ser construídos muito antes do plantio.
“Os manejos realizados agora no milho, algodão, sorgo, gergelim e demais culturas refletem diretamente no desempenho da soja 2026/27. Este é um momento de preparação, em que o produtor toma decisões importantes para alcançar melhores resultados na próxima safra”, afirma.
A Fiagril reforça que o acompanhamento técnico nesse período se torna ainda mais relevante, auxiliando os agricultores na adoção de práticas que aumentem a eficiência produtiva e reduzam riscos ao longo do ciclo agrícola.
Entenda o vazio sanitário da soja
O vazio sanitário é uma medida fitossanitária obrigatória adotada em diversos estados produtores de soja do Brasil. Em Mato Grosso, o período começou em 8 de junho e seguirá até 6 de setembro de 2026.
Durante esses meses, é proibida a presença de plantas vivas de soja em áreas agrícolas, margens de rodovias, armazéns, pátios e demais locais onde possam ocorrer plantas voluntárias.
A principal finalidade é combater a ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, capaz de provocar perdas expressivas de produtividade quando não controlada adequadamente.
Considerada uma das maiores ameaças à cultura da soja, a ferrugem asiática pode reduzir drasticamente a produção e elevar os custos de manejo nas lavouras.
Campo segue ativo mesmo sem soja
Embora a soja esteja temporariamente ausente das lavouras, o campo continua em plena atividade. O desenvolvimento das culturas de segunda safra, aliado ao planejamento da próxima temporada, demonstra a capacidade do agronegócio mato-grossense de manter produtividade e eficiência ao longo de todo o ano.
O vazio sanitário, portanto, representa não apenas uma medida de proteção fitossanitária, mas também uma etapa estratégica para a construção de uma safra mais saudável, produtiva e sustentável nos próximos meses.
Agro Mato Grosso
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