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Mato Grosso registra 39 incêndios florestais nas últimas 24 horas

Ao todo, o Corpo de bombeiros realiza o monitoramento de 50 focos de calor.
O Corpo de bombeiros monitorou 50 focos de calor registrados nas últimas 24h em Mato Grosso. Desse total, 39 já são considerados incêndios florestais e outros 11 focos restantes correspondem a queimadas irregulares.
O Programa BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou que 26 focos de calor estão na Amazônia, sete no Cerrado e quatro no Pantanal. Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde).
Segundo os bombeiros, o fogo em áreas de vegetação no interior do estado ameaçam algumas terras indígenas (veja lista abaixo).
- Terra Indígena Zoro, em Rondolândia;
- Terra Indígena Marechal Rondon, em Paranatinga;
- Terra Indígena Gleba Iriri, em Matupá;
- Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondolândia;
- Terra Indígena Sararé, em Conquista D’Oeste;
- Terra Indígena Vale do Guaporé, em Nova Lacerda;
- Terra Indígena Tereza Cristina em Santo Antônio de Leverger
Além disso, desde junho deste ano, quando começou o período onde o uso de fogo é proibido, foram extintos cerca de 210 incêndios.
Foco de calor x incêndio
- ♨️Um foco de calor é um ponto de temperatura elevada detectado por satélite (acima de 47ºC), que pode indicar a presença de fogo, mas não é o fogo em si. Ele funciona como um alerta, detectado por satélite, indicando que existe um local com temperatura elevada.
- 🔥Já o incêndio florestal é a ocorrência do fogo descontrolado que se espalha por vegetação, sendo uma situação onde o calor já se transformou em chamas e está fora de controle. Ele geralmente envolve o acúmulo de diversos focos de calor em uma mesma área.
Proibição do uso de fogo
Para evitar focos de incêndio e queimadas, é proibido o uso de fogo para limpeza e manejo de áreas rurais em Mato Grosso durante os períodos de seca. O período varia de acordo com a região:
- Pantanal: 1º de junho até 31 de dezembro;
- Cerrado e Amazônia: 1º de julho e vai até 30 de novembro;
- Áreas urbanas: o ano inteiro.
Agro Mato Grosso
Agrishow 2026: ‘vivendo uma tempestade’, diz presidente da feira sobre queda de 22% nos negócios

Com R$ 11,4 bilhões em prospecções, maior feira de tecnologia agrícola registrou primeiro recuo nas vendas desde 2015. Mesmo com safra recorde, cenário econômico e falta de subsídios não favorecem investimentos no campo, dizem representantes do setor.
A queda de 22% no volume de negócios prospectados pela Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, reflete uma combinação de fatores que desafiam o produtor rural, sem condições de fazer novos investimentos em tecnologia, na avaliação do presidente do evento, João Carlos Marchesan.
“Nós estamos vivendo uma tempestade perfeita”, afirmou o representante, após o encerramento do evento em Ribeirão Preto (SP) esta semana.
A feira terminou com uma projeção de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios firmadas para os próximos meses, R$ 3,2 bilhões a menos do que na edição de 2025. Este é o primeiro recuo nos números desde 2015, quando o evento anunciava uma retração de 30%.

Agrishow 2026 tem queda de 22% nas intenções de negócios
Plano Safra, juros e aumento de custos
Os problemas apontados 11 anos atrás, inclusive, estão entre os que agora incomodam o setor: incertezas sobre o anúncio do Plano Safra e altas taxas de juros, que encarecem o acesso ao crédito. Atualmente, mesmo com o recente anúncio de baixa do Banco Central, a Selic, que é a taxa básica básica da economia brasileira, está em 14,5% ao ano.
Enquanto isso, embora a União tenha prometido um novo recorde nos valores concedidos e linhas com taxas abaixo dos 10%, o Plano Safra só deve ser anunciado no fim do primeiro semestre e com condições ainda incertas.
Além disso, também ainda não estão disponíveis os R$ 10 bilhões anunciados na própria Agrishow pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para compra de máquinas e equipamentos agrícolas pelo programa Move Agrícola. Segundo Marchesan, a espera pelos recursos também desmotivou visitantes a fazer negócios na feira.
“Nós já estávamos pedindo uma linha especial para a Agrishow, mais de 90 dias insistindo para que houvesse essa linha. Só que ele anunciou esse linha aqui e a linha não está operacionalizando.”
A instabilidade internacional e o aumento nos custos causada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã também entram nas contas do setor, principalmente para quem planta soja e milho.
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Representantes do agro questionam problemas para ter acesso a crédito e investir no campo. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
“Estamos vivendo um momento difícil com essa situação dessa conflito que existe ali no Oriente Médio. Isso leva ao encarecimento, principalmente dos insumos, dos fertilizantes, e isso também reflete no preço do diesel. É um insumo básico para o agricultor que está acabando de colher”, afirma Marchesan.
Para Maurilio Biagi, presidente de honra da Agrishow, o agronegócio é apenas um dos setores afetados pelas questões econômicas.
“Não existe um brasileiro, não existe um jornalista, um encanador, um portador de cana, uma pessoa no Brasil que não ache absolutamente abusivos os juros. (…) O endividamento das pessoas e das famílias é uma coisa enlouquecedora, os números e as estatísticas que nós temos são muito sérios. Essa questão dos juros no Brasil é uma questão muito séria que atinge a toda a população brasileira. O agro está inserido nisso.”
Para a Federação de Agricultura e Pecuária do estado (Faesp), as medidas de apoio ao setor precisam ser tomadas logo pelas autoridades, pois os benefícios demoram a ser sentidos por quem trabalha no campo.
“O produtor precisa de medidas sólidas para que continue conseguindo investir. Faltou por parte do governo federal o anúncio de soluções concretas em relação a juros, plano safra, planejamento, segurança jurídica e econômica. Os investimentos no campo demoram mais de cinco anos para retornar. Então o produtor está esperando medidas para conseguir voltar a investir”, disse Tirso Meireles, presidente da Faesp.
Agro Mato Grosso
Mães da pecuária: mulheres conciliam gestão de fazendas e criação dos filhos

Muito antes do agro virar potência econômica em Mato Grosso, mulheres já ajudavam a construir o setor nos bastidores das fazendas, escritórios e propriedades rurais do estado. Entre planilhas, manejo de gado, lavoura e a criação dos filhos, muitas delas participaram diretamente da transformação da pecuária mato-grossense em uma das maiores do mundo.
É o caso da produtora rural Leane Altmann, de Nova Mutum, que chegou a Mato Grosso no fim da década de 1980 ao lado do marido em busca de oportunidades no interior do estado. Recém-formada e casada há pouco tempo, ela trocou o Sul do país por uma região que ainda começava a se desenvolver economicamente.
Inicialmente atuando apenas na agricultura, o casal passou a investir também na pecuária após adquirir uma propriedade rural com aptidão para criação de gado. Desde então, a atividade passou a fazer parte da rotina da família.
Hoje, além das áreas agrícolas em Nova Mutum, a família também mantém uma propriedade voltada exclusivamente à pecuária em Santa Rita do Trivelato. Ao longo da trajetória, Leane conciliou maternidade, administração rural e participação ativa em entidades do setor.
Com o crescimento dos filhos, a produtora passou a assumir também a gestão de propriedades agrícolas, enquanto o casal dividia a administração dos negócios da família.
Apesar da forte ligação com o agro, Leane afirma que nunca pressionou os filhos a seguirem o mesmo caminho. Ainda assim, dois deles já atuam diretamente nas atividades da família e o caçula avalia permanecer no setor. “Eu não imaginava que teria os três meninos na sucessão. Hoje vejo meus filhos com orgulho da atividade e isso me deixa muito satisfeita como mãe”.
Para ela, uma das principais mudanças das últimas décadas foi justamente a valorização da atividade agropecuária e da figura do produtor rural. “Hoje a agropecuária tem muita tecnologia. O produtor se valorizou e a família também passou a valorizar essa atividade. Isso ajuda a manter as novas gerações no campo”.
A diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Paula Sodré Queiroz, destaca que a presença feminina tem ganhado cada vez mais força na pecuária mato-grossense, tanto na gestão das propriedades quanto na adoção de práticas sustentáveis e modernas.
“A mulher pecuarista de Mato Grosso hoje não é apenas coadjuvante, ela planeja, ela decide, ela sustenta famílias e negócios, sendo uma das grandes forças do nosso agro”, afirma Paula.
Ela ressalta ainda que histórias como a de Leane representam uma geração de mulheres que ajudou a consolidar Mato Grosso como referência nacional na produção de alimentos. “Neste Dia das Mães, é importante reconhecer essas mulheres que não apenas ajudaram a construir famílias, mas também participaram da construção da pecuária do estado”.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT reúne produtores em Primavera do Leste com debates no setor produtivo

Evento destacou demandas regionais, atuação da entidade e impactos da geopolítica no agronegócio
Com intensa programação na região Sul de Mato Grosso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) realizou, nesta quinta-feira (07.05), mais uma etapa do Circuito Aprosoja MT em Primavera do Leste. O encontro reuniu mais de 150 participantes no Centro de Eventos do Parque de Exposições do município.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, destacou a importância do Circuito para aproximar a entidade dos produtores e compreender as demandas específicas de cada núcleo. “É importante que o produtor participe do Circuito para conhecer de perto o trabalho realizado pela Aprosoja MT. A entidade atua em pautas fundamentais para Primavera do Leste, como energia elétrica, demarcação de terras indígenas e outras demandas apresentadas pelo núcleo. Tudo isso é construído junto aos delegados, que representam os produtores e participam ativamente das discussões em Cuiabá”, afirmou.
O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, ressaltou a relevância histórica do evento, que chega à sua 20ª edição. “O Circuito nasceu praticamente junto com a entidade, que já tem 21 anos. É uma forma de estar próximo do associado, prestar contas das ações e levar informação ao produtor. Neste ano, trouxemos um tema extremamente atual: a geopolítica e seus impactos diretos nas decisões do agronegócio, especialmente em relação aos fertilizantes e aos custos de produção”, disse.
Entre as principais demandas da região, o delegado coordenador do núcleo de Primavera do Leste, Cristian Willy Braun, destacou os desafios relacionados à energia elétrica no campo e à expansão da irrigação.
“Primavera do Leste tem uma forte demanda ligada à irrigação, e isso passa diretamente pela qualidade do fornecimento de energia elétrica. Temos enfrentado dificuldades nesse sentido, e a Aprosoja MT já atua nessas discussões junto à concessionária. Além disso, o Circuito é importante porque permite que a diretoria escute os produtores e leve informações da sede para a base”, pontuou.
Neste ano, o Circuito Aprosoja MT tem levado aos núcleos a palestra do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC, onde aborda os impactos da geopolítica na economia global e como isso pode impactar o agronegócio brasileiro. Durante a palestra, HOC explicou como conflitos internacionais e rotas comerciais estratégicas influenciam diretamente os custos de produção e o mercado agrícola.
“As rotas comerciais são fundamentais para o comércio global e têm impacto direto sobre fertilizantes, combustíveis e logística. Um exemplo é o Estreito de Hormuz, região estratégica afetada pelas tensões envolvendo o Irã. Ao mesmo tempo, novas rotas surgem com o degelo do Ártico, reduzindo distâncias comerciais entre Europa e Ásia. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o interesse estratégico na Groenlândia. A geopolítica influencia diretamente o comércio internacional, o transporte e os custos logísticos, e por isso é tão importante para o agro”, explicou.
Ao reunir produtores, lideranças e especialistas para discutir os principais desafios do setor, o Circuito Aprosoja MT reforça o compromisso da entidade com a defesa dos interesses dos associados e com a busca por soluções para as demandas do campo. A iniciativa também fortalece a proximidade entre a diretoria e os núcleos regionais, promovendo troca de informações, alinhamento de ações e apoio aos produtores em diferentes regiões do estado.
O Circuito Aprosoja MT deve finalizar a programação na Região Sul de Mato Grosso na próxima sexta-feira (08.05). Nas próximas semanas as reuniões ocorrem nas demais regiões do estado.
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