Sustentabilidade
Dados x Opinião. Será que estamos olhando o elefante na lavoura de soja? – MAIS SOJA

As estratégias para ampliar a produção de alimentos podem envolver tanto o incremento da produtividade das culturas quanto a intensificação dos sistemas de produção no espaço e no tempo. Entretanto, em muitos casos, o aumento da produção está mais associado à expansão da área cultivada, o que acarreta mudanças no uso da terra pela incorporação de novas áreas agrícolas, frequentemente com baixa ou nenhuma aptidão para a atividade (Marin et al., 2022).
Esse cenário tende a aumentar a dependência de insumos externos, elevando os custos de produção (Berg et al., 2017; Blasi et al., 2016; Stuart et al., 2018). Diante disso, a questão central é: como conciliar a necessidade de ampliar a produção de alimentos com investimentos adequados, reduzindo ao mesmo tempo os impactos ambientais e assegurando a sustentabilidade para as próximas gerações?
Nessa perspectiva, torna-se imprescindível buscar elevadas produtividades acompanhadas de diagnósticos precisos das lavouras. Com esse propósito, a Equipe FieldCrops, por meio da iniciativa Soybean Money Maker (SMM) que visa maximizar a produtividade por hectare a partir da intensificação sustentável, realizou na safra 2023/24, uma enquete em 95 lavouras de produtores distribuídos em 14 estados do Brasil. O objetivo foi compreender a percepção dos agricultores sobre os fatores que limitam a produtividade. Paralelamente, a coleta detalhada de dados de manejo possibilitou identificar, de forma objetiva, os fatores que de fato influenciaram os níveis produtivos.
Os resultados mostraram que, na visão dos produtores, os principais fatores de lacuna eram época de semeadura, cultivar e nutrição. Contudo, a análise dos dados revelou que a nutrição foi o fator mais determinante para a perda de produtividade, seguida por doenças (fortemente influenciadas pelo fenômeno El Niño) e pela baixa frequência de aplicações de inseticidas (Figura 1).
Figura 1. Opinião dos produtores x Dados sobre os principais fatores que causam lacuna de produtividade de soja nas lavouras do Soybean Money Maker safra 2023/2024.
Essa divergência entre a percepção dos produtores e os resultados obtidos em suas próprias lavouras evidencia a importância de análises mais aprofundadas, fundamentadas em dados concretos coletados em campo, para identificar com precisão os principais gargalos da produtividade da soja.
Referências Bibliográficas
BERG, H. et al. Recognizing wetland ecosystem services for sustainable rice farming in the Mekong Delta, Vietnam. Sustainability Science, v. 12, n. 1, p. 137-154, 2017. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30174748/ >, acesso: 18/08/2025
BLASE, E. et al. An ecological footprint approach to environmental–economic evaluation of farm results. Agricultural Systems, v. 145, -. 76-82, 2016. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308521X16300294 >, acesso: 18/08/2025
LAMBRECHT, D. M. et al. Soybean Money Maker: Identificando o Yield Gap das lavouras de soja [recurso eletrônico]. Santa Maria: [s.n.], 2025
MARIN, F. R. et al. Protecting the Amazon forest and reducing global warming via agricultural intensification. Nature Sustainability. V. 5, n. 1018-1026, 2022. Disponível em: < https://www.nature.com/articles/s41893-022-00968-8 >, acesso: 17/08/2025
STUART, A. M. et al. On-farm assessment of different rice crop management practices in the Mekong Delta, Vietnam, using sustainability performance indicators. Field Crops Research, v. 229, p. 103-114, 2018. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378429018300868 >, acesso: 18/08/2025
WINCK, J. E. M. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 3, 2025

Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Recorde de exportações sustenta receita – MAIS SOJA

O Brasil segue liderando as exportações de soja. As vendas são impulsionadas pela forte demanda global, sobretudo da China. Segundo o Cepea, apesar da pressão exercida pela ampla oferta interna, pela desvalorização cambial e pelo recuo das cotações domésticas, o bom desempenho das exportações tem sustentado a receita do setor.
Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, recorde da série da Secex, com aumentos de 15,35% frente ao volume de março e de 9,6% em relação ao verificado no mesmo mês de 2025. Os embarques à China, especificamente, avançaram 17,6% de março para abril. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas somaram 40,24 milhões de toneladas, também o maior volume já registrado para o período.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Cooperativismo catarinense supera 109 mil empregos diretos e amplia a geração de vagas em 7,1% em 2025 – MAIS SOJA

O cooperativismo catarinense encerrou 2025 como um dos principais geradores de trabalho e renda em Santa Catarina. No ano passado, o setor foi responsável por 109.677 empregos diretos com carteira assinada, segundo dados consolidados do Sistema OCESC.
O resultado representa uma alta de 7,1% em relação a 2024, quando o setor registrou 102.402 trabalhadores. “Cada emprego criado pelo cooperativismo representa renda e estabilidade para as famílias e fortalece as comunidades onde as cooperativas atuam. Esse avanço mostra um modelo que alia eficiência e impacto social, que organiza pessoas, amplia oportunidades e distribui desenvolvimento no território, com impacto direto nas economias regionais”, diz o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta.
O movimento também acompanha a ampliação da base social do cooperativismo. Em 2025, o número de cooperados em Santa Catarina ultrapassou o marco de cinco milhões, garantindo novamente a liderança do estado como o mais cooperativista do Brasil. “O cooperativismo cresce quando entrega resultado econômico e, ao mesmo tempo, mantém o foco nas pessoas. É isso que sustenta crescimento com consistência: gestão, presença regional e compromisso com quem participa do sistema”, afirma Zanatta.
Os dados de 2025 mostram equilíbrio por gênero entre os empregos diretos do cooperativismo catarinense: 54.570 homens e 55.107 mulheres. Os números traduzem um modelo que combina equidade, competitividade e compromisso social em diferentes ramos e regiões.
A maior parte das vagas está concentrada em Santa Catarina, com 84.776 postos de trabalho. Outros 24.901 empregos estão localizados fora do estado, o equivalente a 29,4% do total, resultado da expansão de cooperativas catarinenses no cenário nacional.
A presença fora de Santa Catarina amplia a capacidade de competir em diferentes regiões, mantendo vínculos com a base produtiva e com as cadeias econômicas que se estruturam no território catarinense.
“O cooperativismo gera trabalho formal, movimenta cadeias produtivas e cria oportunidades onde as pessoas vivem. Os resultados aparecem nos indicadores, mas o principal efeito está na transformação que esse modelo produz na vida dos cooperados, colaboradores e comunidades”, conclui Zanatta.
Fonte: Sistema Ocesc, disponível em Fecoagro
Autor:Sistema Ocesc, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
Sustentabilidade
MILHO/CEPEA: Preço segue em queda com estoque elevado e maior oferta – MAIS SOJA

Influenciados pela maior oferta, em decorrência da colheita da safra de verão e dos estoques de passagem elevados da temporada 2024/25, os preços do milho seguem recuando na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Neste cenário, compradores indicam facilidade na realização de efetivações e aguardam novas baixas.
Segundo o Centro de Pesquisas, parte dos vendedores se mostra mais flexível nas negociações no spot. Com armazéns recebendo lotes da safra de verão (soja e milho) e os estoques de passagem remanescentes da última temporada, há maior necessidade de liberação de armazéns e de formar caixa.
De acordo com pesquisadores do Cepea, as quedas só não foram mais intensas devido à preocupação com o atual clima nas regiões produtoras da segunda safra, já que algumas áreas enfrentam falta de chuva e altas temperaturas. Além disso, a previsão de frentes frias voltou ao radar dos agentes.
Caso isso se confirme, o potencial produtivo das lavouras pode ser reduzido. Até o momento, a Conab estima que serão produzidas 109,11 milhões de toneladas na segunda safra.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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