Connect with us
6 de agosto de 2026

Business

tecnologia e manejo que fazem do campo uma fábrica de resultados

Published

on


No coração do Cerrado mato-grossense, uma engrenagem agropecuária de alta performance gira a todo vapor. Com um sistema que integra lavoura, pecuária e tecnologia de ponta, o Grupo Locks se tornou referência em produtividade no campo.

A estratégia, adotada desde 2006, permitiu ao grupo administrar oito fazendas em Mato Grosso, com mais de 100 mil hectares de área agricultável. Os resultados são visíveis: maior eficiência na terminação de bovinos em confinamento, aumento expressivo na produtividade agrícola e um modelo que alia sustentabilidade e rentabilidade.

“O modelo que a gente adota de integração lavoura e pecuária é um ganha-ganha, tanto para a pecuária quanto para a lavoura”, afirma o produtor rural Samuel Maggi Locks.

Ele explica que, em áreas de recria que anteriormente eram lavouras, a produtividade saltou para 50 arrobas por hectare ao ano — um salto considerável frente à média nacional.

“Na lavoura, a gente consegue aumentar a quantidade de sacas de soja por hectare, de milho, de algodão. Então você consegue produzir mais, até com um custo menor”, acrescenta.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Estrutura integrada e visão de longo prazo

A infraestrutura do Grupo Locks inclui duas algodoeiras, fábrica de ração e um confinamento para engorda. A meta para 2025 é abater 60 mil cabeças de gado, com foco na exportação e na ampliação da recria.

Samuel Locks relata que a pecuária entrou no sistema como uma resposta à perda de produtividade e à necessidade de recuperar o solo. “Precisávamos aumentar a matéria orgânica e melhorar a microbiologia. Foi aí que introduzimos a pecuária no sistema e começamos a rotacionar soja, milho e boi”, lembra.

Segundo ele, as áreas de lavoura adubadas permitiram maior capacidade de suporte por hectare. “A gente está o tempo todo fazendo conta, vendo o que é mais eficiente para trazer mais resultado para a empresa”.

O grupo está ampliando as áreas de recria dentro da propriedade. O projeto é que as 90 mil cabeças de gado que estimam abater em 2026 sejam recriadas no local e em outra propriedade.

Dia de campo atrai mil participantes

Para compartilhar os resultados do sistema integrado, o grupo promoveu um dia de campo em Nortelândia, reunindo cerca de mil pessoas, entre produtores, técnicos e autoridades.

“É para ver o que nós estamos fazendo, para ouvir o produtor também, se tem algo diferente que nós podemos incorporar na nossa gestão para ser mais eficientes, contribuir com Mato Grosso e com o Brasil, continuar produzindo alimento e diminuindo a fome no mundo”, diz Samuel Locks.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, foi um dos que participaram da programação e elogiou o impacto da iniciativa. “Um evento que vai seguramente contribuir para aprimorar e que pode impactar diretamente na eficiência do setor, na melhoria do nosso rebanho, nas técnicas de gestão e tecnologias que estão sendo aplicadas no dia a dia”.

do grão ao boi case maggi locks foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Compartilhar experiências para fortalecer a cadeia

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância de iniciativas como essa para o fortalecimento da cadeia produtiva. “É importante a ação do grupo Locks em compartilhar suas experiências, absorver novas tecnologias e transferir isso para toda a pecuária mato-grossense”, ressalta.

Na avaliação do pecuarista Maurício Tonhá, a aproximação entre lavoura e pecuária representa um novo patamar de desenvolvimento para o setor. “A pecuária tradicional vai continuar existindo, principalmente na produção de bezerros, mas ela também vai ser melhorada a partir do momento que houver um novo patamar de preço para esses bezerros. A pecuária de cria vai ter que se profissionalizar também”.

O confinamento do futuro

Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, também esteve presente e reforçou que a integração é uma tendência necessária diante da redução de áreas para a pecuária. “Se você tem uma pecuária forte, porque tem menos terras disponíveis, precisa dar comida para o boi no cocho. Esse tipo de integração é importante”, observa.

Para Blairo Maggi, o modelo praticado pelo Grupo Locks é o confinamento do futuro. “Quando você integra isso na agricultura, passa a ser mais uma peça no orçamento da propriedade. Está integrada a parte agrícola, a parte de proteína animal e ainda a produção de fertilizantes e outros insumos”.

“Isso aqui é uma coisa a ser observada, acompanhada. E eu não tenho dúvida nenhuma de que vai inspirar outros produtores, cada um na sua escala, no seu tamanho, na sua região”, completa o ex-ministro.

do grão ao boi case maggi locks foto PEdro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mercado do boi em pauta

Durante o dia de campo, os participantes também visitaram o confinamento e acompanharam duas palestras com foco no mercado da carne bovina. Os debates abordaram os desafios e oportunidades para o Brasil na oferta global de proteínas, diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

João Figueiredo, analista da Datagro, explicou os efeitos da medida. “A taxação fez com que a arroba caísse quase em torno de R$ 10, mas a gente vem se recuperando. Nosso indicador, que chegou a R$ 295, foi para R$ 306. O Brasil já está começando a destinar para outras geografias esse montante que estava indo para os Estados Unidos. Acho que o segundo semestre vai ser positivo”, avalia.

Brasil como fornecedor estratégico global

O economista Marcos Troyjo levou para o evento uma perspectiva geopolítica sobre o papel do Brasil na oferta global de alimentos. “Cada vez mais a gente percebe que segurança alimentar é algo que não se brinca, e o Brasil é um dos poucos países que têm agilidade e capacidade de escala em alguns setores de funcionar quase como substituto perfeito das exportações que vinham dos Estados Unidos”.

Ele acrescenta que o crescimento populacional e econômico de países emergentes tende a gerar novos focos de demanda por alimentos e por agroenergias — setores nos quais o Brasil tem vantagem competitiva.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destaca que o Brasil vem tendo avanços na abertura de mercados internacionais. “Chegamos a 400 novos mercados para a agropecuária brasileira. As Filipinas abriram mercado para a carne brasileira e os miúdos bovinos. Além disso, conseguimos o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal como país livre de aftosa sem vacinação”.

De acordo com ele, com essa conquista na pecuária bovina o país caminha para acessar mercados mais exigentes. “O Japão está na eminência de ser anunciado também. É muito trabalho para que a gente supere essa incerteza das tarifas impostas pelo governo norte-americano. Nada supera o trabalho, o diálogo — e é isso que estamos fazendo”.


Clique aqui, entre em nossa comunidade no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

Continue Reading

Business

Falta de mão de obra desafia o agro de Mato Grosso

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A modernização das propriedades rurais elevou a necessidade de profissionais preparados para operar máquinas e desempenhar diferentes funções no campo. Em Mato Grosso, porém, encontrar mão de obra qualificada continua sendo um dos principais entraves para o setor, em um momento em que a tecnologia exige trabalhadores cada vez mais capacitados.

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, revela que mais de 62% dos produtores do estado enfrentam alta dificuldade para contratar novos funcionários. A maior demanda é por operadores de máquinas agrícolas, reflexo da crescente mecanização das atividades.

Diante desse cenário, muitas propriedades têm concentrado esforços na formação dos próprios colaboradores, criando oportunidades para quem chega ao campo sem experiência e demonstra interesse em construir uma carreira no agro.

Foi esse o caminho percorrido por Bruno Miguel Pancini Nunes. Formado em Direito, ele trabalhava na advocacia quando recebeu o convite para passar uma safra como motorista de caminhão em uma fazenda. A experiência temporária acabou se transformando em uma nova profissão.

Hoje, Bruno é gerente de produção da Fazenda Bom Princípio, em Nova Mutum, onde são cultivados soja, milho e feijão. Casado e pai de duas filhas, ele afirma que toda a renda da família vem da atividade rural. “Foi o primeiro emprego no agro e é onde eu estou até hoje. A renda sai 100% daqui”.

Bruno Miguel Pancini Nunes gerente fazenda foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crescimento profissional dentro da fazenda

O ingresso definitivo aconteceu poucos meses depois da primeira safra, quando surgiu uma vaga fixa na propriedade. A partir dali, a rotina passou a ser de aprendizado constante, acompanhando de perto todas as etapas da produção agrícola.

Sem qualquer contato anterior com a agricultura, Bruno aprendeu a profissão no dia a dia, com o apoio da equipe da fazenda. “Eu cheguei aqui e não tinha noção do que era uma plantação, uma lavoura. Com o tempo fui aprendendo, o Lucas foi me ensinando, também aprendi com o agrônomo da fazenda e fui pegando experiência”, diz ao Patrulheiro Agro.

Ao longo dos anos, passou por diferentes funções até assumir a gerência. A experiência prática fez com que dominasse atividades que vão além da administração da propriedade. “Hoje em dia eu planto, colho, puxo com caminhão, fazemos carregamentos. O agro não é uma coisa só. Todo dia você está fazendo uma coisa diferente”.

A mudança de área também não deixa espaço para arrependimentos. “Não, de jeito nenhum. O agro é muito melhor. Trabalhar com isso daqui é muito gratificante e a remuneração é muito melhor do que a advocacia”.

colheita milho noturna foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Investimento nas equipes ganha espaço

Na Fazenda Bueno, em Ipiranga do Norte, a estratégia para enfrentar a escassez de profissionais passa pelo desenvolvimento dos próprios colaboradores. A propriedade familiar entende que reter trabalhadores depende tanto da capacitação quanto da criação de um ambiente em que as pessoas tenham perspectivas de crescimento.

Responsável pelas áreas administrativa, financeira e de recursos humanos, a agricultora Edina Ferreira Bueno observa que o desafio começa antes mesmo da contratação. “Hoje isso é um grande desafio. Você trazer o pessoal da cidade para o campo, motivar as pessoas para elas ficarem aqui e criar um ambiente atrativo, com diferenciais que façam elas quererem permanecer”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A fazenda conta com nove funcionários, além da participação do pai e de três irmãos da família. Em vez de buscar apenas profissionais já qualificados, a aposta tem sido identificar o potencial de quem ingressa na propriedade.

Um dos exemplos é um colaborador que chegou como trabalhador temporário durante a construção da unidade de armazenagem e, ao longo de quatro anos, ampliou as responsabilidades dentro da fazenda. “Hoje ele é tratorista, está fazendo habilitação para dirigir caminhão, opera pá carregadeira e já resolve um monte de problema. O negócio hoje é você investir na sua equipe”.

Para Edina, oportunidades existem para quem deseja seguir carreira no agro. “A pessoa que tem interesse, que gosta disso, tem muita oportunidade. Esse problema é geral. Todo produtor tem essa necessidade e falta profissional qualificado”.

colheita milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Profissionais de outros estados ajudam a suprir a demanda

A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada na região tem levado produtores a ampliar a busca por trabalhadores em outros estados. Em algumas propriedades, a contratação de profissionais de fora se tornou uma alternativa para manter as operações durante os períodos de maior demanda.

É o que também acontece na Fazenda Bueno. Além da equipe fixa, trabalhadores vieram do Rio Grande do Sul, Maranhão e até do Paraguai para atender as necessidades da propriedade.

O agricultor Auri Antônio Ferreira Bueno conta ao Canal Rural Mato Grosso que encontrar profissionais na própria região nem sempre é possível. “A pessoa que vem colher para nós vem lá do Rio Grande do Sul. Dois aqui são do Maranhão que tocam o armazém. Um outro estava no Paraguai e veio morar para cá. Aqui é difícil encontrar”.

Mesmo com esse reforço, a participação da família continua sendo necessária nos períodos de colheita. “Na colheita da soja eu também ajudo a colher. Hoje a mão de obra não é fácil, então tem que ir se virando nós da família mesmo”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Falta de mão de obra desafia o agro de Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Moagem de cana no Centro-Sul cai 14,5% em junho, diz Unica

Published

on


As usinas do Centro-Sul processaram 69,791 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em junho da safra 2026/27, contra 81,622 milhões de toneladas em igual mês do ciclo anterior, queda de 14,50%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). No período, a produção de açúcar recuou, enquanto o etanol registrou alta na comparação anual.

Ao fim de junho, 255 unidades produtoras estavam em operação na região Centro-Sul. Desse total, 235 eram usinas com processamento de cana, 11 empresas produtoras de etanol de milho e nove unidades flex.

Segundo a Unica, a qualidade da matéria-prima melhorou no mês. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) chegou a 141,68 quilos por tonelada de cana, alta de 2,91% sobre junho do ano passado.

Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

Mesmo com esse avanço no ATR, a produção de açúcar caiu para 3,903 milhões de toneladas em junho, volume 26,33% inferior ao registrado no mesmo mês da safra 2025/26.

Na produção de etanol, o Centro-Sul somou 3,796 bilhões de litros, crescimento de 2,47% na comparação anual. Desse total, o etanol hidratado alcançou 2,260 bilhões de litros, com recuo de 1,00%, enquanto o etanol anidro atingiu 1,536 bilhão de litros, alta de 8,06%.

A destinação da cana reforçou esse movimento. Em junho, 58,57% da matéria-prima processada foi direcionada à produção de etanol, acima dos 50,51% observados no mesmo mês da safra anterior.

O etanol de milho também ampliou participação no resultado mensal. Do volume total produzido em junho, 20,98% tiveram o cereal como matéria-prima. A produção a partir do milho chegou a 796,13 milhões de litros, aumento de 8,40% em relação a igual período do ano passado.

Os dados de junho mostram menor moagem de cana no Centro-Sul na safra 2026/27, com recuo na produção de açúcar e avanço da produção de etanol, em um mês marcado por maior destinação da cana ao biocombustível e crescimento do etanol de milho.

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Moagem de cana no Centro-Sul cai 14,5% em junho, diz Unica apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Colheita da 2ª safra de milho em MS atinge 37,3% da área

Published

on


A colheita da segunda safra de milho 2025/26 em Mato Grosso do Sul alcançou 37,3% da área cultivada até sexta-feira (31), o equivalente a cerca de 823 mil hectares. Os dados são do Projeto Siga-MS, da Aprosoja/MS. O avanço dos trabalhos está 5,4 pontos porcentuais abaixo do observado no mesmo período da safra 2024/25.

Entre as regiões do Estado, o maior avanço da colheita foi registrado no sul, com 38,6% da área já colhida. Em seguida aparecem o norte, com 37,5%, e o centro, com 33,1%.

Segundo a Aprosoja/MS, o Estado entra agora na fase de maior concentração da colheita. A entidade ressalta, porém, que a previsão de chuvas, tempestades isoladas e rajadas de vento nas regiões sudoeste, sul, sudeste e leste pode reduzir a janela para a entrada das máquinas nos próximos dias.

Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

A estimativa para a segunda safra foi mantida em 2,206 milhões de hectares. A produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, com produção estimada em 11,139 milhões de toneladas.

De acordo com o boletim, o milho ocupa neste ciclo cerca de 46% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul. Em anos anteriores, essa relação estava próxima de 75%. A mudança está associada à adoção de culturas alternativas de segunda safra, como sorgo, milheto e pastagens, em áreas fora da janela considerada mais favorável pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Com 37,3% da área colhida até o fim de julho, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul mantém estimativa de 11,139 milhões de toneladas, enquanto o avanço dos trabalhos passa a depender também das condições climáticas previstas para os próximos dias.

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Colheita da 2ª safra de milho em MS atinge 37,3% da área apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT