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21 de setembro de 2026

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Por que o mesmo feijão nunca é igual?

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Você já reparou que, às vezes, o feijão que você compra sempre, da mesma marca, preparado do mesmo jeitinho, com o mesmo tempero, acaba ficando com um sabor diferente? E aí vem aquela dúvida: “Será que errei a mão no sal?”, “Será que deixei tempo demais no fogo?” ou até “Será que a marca mudou alguma coisa?”. Pois é, na maioria das vezes, nada disso aconteceu. O que muda é o próprio feijão.

Dentro de cada tipo, carioca, preto, jalo, rajado, existem várias “famílias”, chamadas cultivares. É como se fossem primos, todos parecidos na aparência, mas cada um com um jeito e um sabor próprio. Alguns são mais adocicados, outros mais intensos. Tem cultivar que cozinha rápido, outra que demora mais. Tem o feijão que deixa o caldo clarinho e leve, e aquele que faz um caldo grosso e encorpado. E, quando a indústria compra feijão de diferentes produtores para atender a demanda, pode acabar misturando cultivares distintas. Assim, mesmo sendo todos “cariocas” ou todos “pretos”, cada lote conta uma história diferente no sabor.

E não é só a genética que faz isso acontecer. O lugar onde o feijão nasce também deixa sua marca. Quem planta, sabe: solo, clima, altitude, umidade e até as árvores em volta podem mudar o sabor. É como no café e no vinho, onde o terroir é parte da identidade.

Um exemplo que adoro contar é o do centro-sul do Paraná. Ali, as lavouras de feijão crescem cercadas por florestas de pinheirais, num clima mais fresco e úmido. O resultado é um feijão com sabor mais encorpado, que se destaca no prato. É algo que você sente na primeira colherada e que simplesmente não dá para copiar em outro lugar.

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Agora, imagine se o consumidor pudesse descobrir tudo isso na hora da compra. Bastaria um QR Code na embalagem para contar de onde veio o feijão, qual cultivar é, como foi plantado e até mostrar fotos da lavoura. Mais que isso: já existem produtores que cultivam usando até 95% de insumos biológicos, praticamente dispensando defensivos químicos, cuidando do solo e da natureza. É o tipo de informação que faria muita gente escolher aquele pacote na hora, e pagar um pouco mais por saber que está levando para casa um produto especial.

E é aí que está a oportunidade. Em tempos de preços que muitas vezes não cobrem o custo de produção, diferenciar o feijão pela sua origem, pela cultivar e pelas práticas de cultivo pode criar um espaço premium no mercado interno. Isso já funciona em outros alimentos. No vinho e no café, as pessoas escolhem não só pelo sabor, mas também pela história que vem junto. E por que não com o feijão? Para o consumidor, é a chance de levar para casa um alimento com identidade. Para o empacotador, é a possibilidade de oferecer algo diferente. Para o produtor, é reconhecimento e remuneração mais justa pelo seu trabalho.

No fundo, o feijão é muito mais do que um grão que vai para a panela. Ele é cultura, memória e sabor. Cada cultivar, cada região, cada safra tem algo a contar. Imagine entrar no mercado e ver na gôndola: “Feijão-preto cultivar X, do Centro-Sul do Paraná, cultivado entre pinheirais, com 95% de insumos biológicos. Sabor encorpado, perfeito para feijoadas.” Ou então: “Feijão-carioca cultivar Y, do Alto Paranaíba, MG, cremoso e delicado, ideal para caldos e sopas.” Dá até vontade de cozinhar só de pensar.

O Brasil é um grande produtor e consumidor de feijão do mundo. Temos uma diversidade de sabores e histórias que nenhum outro país tem. Mas, enquanto tratarmos o feijão como tudo igual, vamos seguir desperdiçando um potencial enorme. Valorizar as cultivares, reconhecer a influência da região e contar como ele foi produzido é um caminho para fortalecer o mercado, aumentar o consumo e, principalmente, fazer justiça com quem planta. Porque, no fim das contas, cada grão carrega uma história. E está mais do que na hora de a gente ouvir, e saborear, todas elas.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional

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Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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BNDES e Conab firmam acordo para modernizar hortomercados no Rio

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram nesta segunda-feira (21) um acordo de cooperação técnica para o planejamento preliminar da valorização imobiliária e da modernização dos hortomercados do Humaitá e do Leblon, no Rio de Janeiro. A iniciativa tem caráter preparatório e busca estruturar alternativas para revitalizar os espaços sem comprometer sua função social.

Administrados pela Conab, os dois hortomercados são referências históricas, culturais e econômicas na Zona Sul do Rio de Janeiro. Implantados na década de 1970 no contexto da política federal de abastecimento alimentar urbano, os equipamentos abrigam dezenas de comerciantes, além de bares e restaurantes, e são conhecidos pelos cariocas como Cobal.

Pelo acordo, o BNDES fará a análise preliminar dos imóveis para propor alternativas e diretrizes que subsidiem estudos técnicos. A Conab ficará responsável pelo fornecimento de dados e documentos para a construção de uma base de conhecimento compartilhada sobre os imóveis. A avaliação deverá considerar aspectos técnicos, jurídicos, fundiários, patrimoniais e institucionais.

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Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, o trabalho vai examinar possibilidades de valorização e de aproveitamento dos espaços, com diferentes modelagens jurídicas e organizacionais. Ele afirmou que a função pública dos imóveis deverá ser mantida, com espaço para comercialização de alimentos produzidos principalmente pela agricultura familiar.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que o acordo busca melhorar o uso dos hortomercados para a oferta de alimentos saudáveis e criar condições para que agricultores familiares acessem mercados e levem seus produtos diretamente aos consumidores cariocas.

O presidente da Conab, Sílvio Isoppo Porto, disse que a modelagem será definida a partir dos caminhos apresentados pelo BNDES. Ele destacou que parte da área está ociosa e que a proposta é recuperar e modernizar os imóveis, incorporando a agricultura familiar do estado à função de abastecimento.

O acordo terá vigência de 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses e sem repasse de recursos financeiros entre as instituições. Entre os eixos centrais do projeto está a preservação da vocação hortifrutigranjeira dos dois hortomercados, com mecanismos de acesso para produtores da agricultura familiar fluminense em articulação com os programas de abastecimento da Conab.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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Trump anuncia negociação de acordo para compra de potássio de Belarus

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (21) que o governo norte-americano negocia um acordo de grande porte para a compra de potássio de Belarus. Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que a cotação do insumo será substancialmente inferior aos valores atualmente pagos ao Canadá. Segundo ele, a medida busca reduzir os custos operacionais dos produtores rurais e diminuir a dependência das importações canadenses.

O potássio é uma matéria-prima importante para sustentar o rendimento de culturas como milho, trigo e soja. Atualmente, o Canadá responde por cerca de 80% do potássio consumido pela agricultura norte-americana e por quase um terço da oferta global do insumo.

Belarus aparece entre os maiores produtores mundiais de potássio. O país teve retiradas por Washington as sanções relativas ao fertilizante, movimento citado no contexto da negociação anunciada por Trump.

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A sinalização da Casa Branca sobre a entrada de novo suprimento no mercado dos Estados Unidos repercutiu entre as empresas do setor na Bolsa de Valores de Nova York. As ações da canadense Nutrien, fornecedora de potássio para as lavouras norte-americanas, chegaram a cair 4,1%, para US$ 73,97.

Os papéis da Mosaic recuaram 2,9%, cotados a US$ 23,77. As ações da Intrepid Potash caíram 2,2%, para US$ 36,70, enquanto os títulos da CF Industries registraram desvalorização de 1,5%, negociados a US$ 125,80.

A negociação anunciada por Trump coloca o potássio no centro das discussões sobre custo de produção agrícola e suprimento de fertilizantes nos Estados Unidos, em meio aos atritos comerciais entre Washington e Ottawa.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Minério crítico também é adubo

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Foto: AprosojaBR/divulgação

A Climate Week de Nova York reúne nesta semana governos, empresas e investidores em dezenas de encontros simultâneos pela cidade. Nesta segunda-feira (21), quando a agenda oficial ganha corpo, uma leitura atravessou as conversas sobre economia, energia e indústria: a geopolítica deixou de ser conjuntura e virou condição permanente das cadeias de valor.

Para quem olha esse cenário a partir do agro, isso coloca o Brasil numa posição rara. O país reúne um conjunto de ativos que ninguém consegue replicar: minerais críticos, terra agricultável, biocombustíveis e uma matriz elétrica limpa que permite produzir tudo isso com intensidade de carbono abaixo da média global.

Fertilizante também é mineral crítico

Quando se fala em minerais críticos, a conversa costuma começar por lítio, terras raras e baterias, e é essa corrida que colocou o tema no centro da agenda global. Para o agro, a mesma pauta tem um desdobramento tão estratégico quanto: o fertilizante.

Nos debates desta segunda em Nova York, Pablo Cesário, presidente do Ibram, entidade que representa as mineradoras, celebrou a ampla coalizão que aprovou a nova lei de minerais críticos no Congresso. É um tema que ele vem defendendo ao longo do ano: minerais estratégicos são vitais para a segurança alimentar, e o país tem risco de escassez em enxofre, fosfato e potássio, a base dos adubos.

A lei, sancionada na última quarta-feira (16), coloca os fertilizantes fosfatados, potássicos e nitrogenados entre as prioridades da nova política. Para o agro, isso se traduz em três ganhos. Projetos de mina e de fábrica de adubo entram numa fila preferencial de análise pelo governo. Ganham acesso mais fácil a garantias e a títulos para financiar a obra, o que reduz o risco de quem decide investir. E passam a contar com parte de um pacote de fundo garantidor e créditos fiscais que pode chegar a R$ 7 bilhões. O resultado esperado é mais adubo produzido dentro do país e menos exposição do produtor ao mercado internacional.

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A lei passou num Congresso polarizado porque é uma agenda sem opositores declarados. Agora, a bola está com o conselho nacional criado pelo texto, que vai escolher quais projetos saem na frente. O próximo passo é tirar essa prioridade do papel: abrir mina, erguer planta e entregar produto na porteira.
Sustentabilidade que não fecha a conta não se sustenta

Outro consenso do dia: segurança energética exige sinal de preço de longo prazo. Quem investe em geração, mineração ou combustível sustentável trabalha com ciclos de décadas e precisa enxergar como o preço vai se comportar ao longo desse horizonte.

A Alemanha foi lembrada como alerta. Ao perseguir metas ambientais sem olhar o custo, o país ficou exposto a energia cara e a dependência externa, a ponto de pressionar a competitividade da própria indústria. A lição é direta: sustentabilidade descolada da viabilidade econômica acaba perdendo as duas.

Os biocombustíveis brasileiros mostram o que sustentabilidade e resultado financeiro podem sim caminhar juntos. O etanol de cana nasceu como política de segurança energética e se consolidou porque é competitivo: é produzido em escala, abastece uma frota flex inteira e sai da mesma lavoura que gera açúcar e bioeletricidade. O biodiesel transforma óleo de soja e sebo, coprodutos do próprio agro, em combustível misturado a todo o diesel vendido no país. Nos dois casos, a redução de emissões vem acompanhada de renda no campo, emprego no interior e menor dependência de combustível importado. O Brasil provou que dá para ser sustentável e competitivo ao mesmo tempo.

Isso também desmonta, no caso brasileiro, o velho dilema entre comida e combustível. A usina de etanol de milho entrega, junto com o combustível, o DDG rico em proteína que volta para a ração do gado. No esmagamento da soja, o óleo que vira biodiesel sai junto com o farelo, principal produto do processo e base da nutrição animal no Brasil e no mundo. Mais biocombustível, nesse modelo, significa mais proteína disponível. O país ainda fala pouco disso em fóruns internacionais como os desta semana, onde o receio de competição com alimentos segue travando o debate. É uma narrativa que o Brasil precisa levar com mais voz.

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A inteligência artificial abriu a janela

A inteligência artificial foi tratada como fator de competição que esbarra em recursos físicos: energia, água e minério. É ela, junto com as baterias que sustentam a eletrificação e o armazenamento, que puxa a corrida global por minerais críticos. E o Brasil deve se consolidar como polo de data centers.
Essa onda já traz uma oportunidade para o campo. A nova regra de incentivo a data centers exige contratação integral de energia renovável ou de baixa emissão, com biomassa e biogás entre as fontes elegíveis. Palha e bagaço de cana, vinhaça e dejeto animal passam a ter um novo comprador.

O ganho mais relevante para o agro, porém, veio por carona. O país aproveitou uma agenda impulsionada pela tecnologia para incluir na mesma lei os minerais do fertilizante, uma vulnerabilidade histórica do setor que dificilmente ganharia prioridade política sozinha. Foi uma janela muito bem aproveitada, e o motivo fica claro quando se olha a conta da lavoura.

Em que linha do seu balanço isso entra?

No custo, e numa das maiores linhas dele. Segundo a Conab, os fertilizantes responderam em média por 23% dos custos totais das lavouras de soja, milho e algodão. Em Mato Grosso, o Imea estima que o insumo chegue a 46,7% do custeio da soja na safra 2026/27, ou seja, quase metade do dinheiro que o produtor mato-grossense coloca na lavoura antes de colher.

E quase todo esse adubo vem de fora. O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome e é o maior importador mundial do insumo. Em 2025, foram 45,5 milhões de toneladas, recorde da série histórica. Por isso, o custo da safra brasileira é decidido longe da porteira: no câmbio, no preço internacional, no frete marítimo e em crises geopolíticas como as tensões no Oriente Médio, que voltaram a pressionar os insumos neste ano.

Cada tonelada de potássio e fosfato produzida no Brasil é uma parcela do custeio que deixa de depender de decisões tomadas em outros continentes. Produzida com matriz elétrica limpa e perto da lavoura, ela tende ainda a chegar com menor pegada de carbono, atributo que o comprador internacional do grão brasileiro começa a cobrar. Por isso a lei de minerais críticos interessa diretamente a quem planta: ela mexe na margem da safra.

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*Filipe Alvarez é professor e executivo de sustentabilidade, governança e gestão de riscos, e está acompanhando a Semana do Clima de Nova York 2026 para o Canal Rural

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