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5 de maio de 2026

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Por que o mesmo feijão nunca é igual?

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Você já reparou que, às vezes, o feijão que você compra sempre, da mesma marca, preparado do mesmo jeitinho, com o mesmo tempero, acaba ficando com um sabor diferente? E aí vem aquela dúvida: “Será que errei a mão no sal?”, “Será que deixei tempo demais no fogo?” ou até “Será que a marca mudou alguma coisa?”. Pois é, na maioria das vezes, nada disso aconteceu. O que muda é o próprio feijão.

Dentro de cada tipo, carioca, preto, jalo, rajado, existem várias “famílias”, chamadas cultivares. É como se fossem primos, todos parecidos na aparência, mas cada um com um jeito e um sabor próprio. Alguns são mais adocicados, outros mais intensos. Tem cultivar que cozinha rápido, outra que demora mais. Tem o feijão que deixa o caldo clarinho e leve, e aquele que faz um caldo grosso e encorpado. E, quando a indústria compra feijão de diferentes produtores para atender a demanda, pode acabar misturando cultivares distintas. Assim, mesmo sendo todos “cariocas” ou todos “pretos”, cada lote conta uma história diferente no sabor.

E não é só a genética que faz isso acontecer. O lugar onde o feijão nasce também deixa sua marca. Quem planta, sabe: solo, clima, altitude, umidade e até as árvores em volta podem mudar o sabor. É como no café e no vinho, onde o terroir é parte da identidade.

Um exemplo que adoro contar é o do centro-sul do Paraná. Ali, as lavouras de feijão crescem cercadas por florestas de pinheirais, num clima mais fresco e úmido. O resultado é um feijão com sabor mais encorpado, que se destaca no prato. É algo que você sente na primeira colherada e que simplesmente não dá para copiar em outro lugar.

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Agora, imagine se o consumidor pudesse descobrir tudo isso na hora da compra. Bastaria um QR Code na embalagem para contar de onde veio o feijão, qual cultivar é, como foi plantado e até mostrar fotos da lavoura. Mais que isso: já existem produtores que cultivam usando até 95% de insumos biológicos, praticamente dispensando defensivos químicos, cuidando do solo e da natureza. É o tipo de informação que faria muita gente escolher aquele pacote na hora, e pagar um pouco mais por saber que está levando para casa um produto especial.

E é aí que está a oportunidade. Em tempos de preços que muitas vezes não cobrem o custo de produção, diferenciar o feijão pela sua origem, pela cultivar e pelas práticas de cultivo pode criar um espaço premium no mercado interno. Isso já funciona em outros alimentos. No vinho e no café, as pessoas escolhem não só pelo sabor, mas também pela história que vem junto. E por que não com o feijão? Para o consumidor, é a chance de levar para casa um alimento com identidade. Para o empacotador, é a possibilidade de oferecer algo diferente. Para o produtor, é reconhecimento e remuneração mais justa pelo seu trabalho.

No fundo, o feijão é muito mais do que um grão que vai para a panela. Ele é cultura, memória e sabor. Cada cultivar, cada região, cada safra tem algo a contar. Imagine entrar no mercado e ver na gôndola: “Feijão-preto cultivar X, do Centro-Sul do Paraná, cultivado entre pinheirais, com 95% de insumos biológicos. Sabor encorpado, perfeito para feijoadas.” Ou então: “Feijão-carioca cultivar Y, do Alto Paranaíba, MG, cremoso e delicado, ideal para caldos e sopas.” Dá até vontade de cozinhar só de pensar.

O Brasil é um grande produtor e consumidor de feijão do mundo. Temos uma diversidade de sabores e histórias que nenhum outro país tem. Mas, enquanto tratarmos o feijão como tudo igual, vamos seguir desperdiçando um potencial enorme. Valorizar as cultivares, reconhecer a influência da região e contar como ele foi produzido é um caminho para fortalecer o mercado, aumentar o consumo e, principalmente, fazer justiça com quem planta. Porque, no fim das contas, cada grão carrega uma história. E está mais do que na hora de a gente ouvir, e saborear, todas elas.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional

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Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Novo Desenrola Rural deve ampliar e facilitar renegociação de dívidas, diz ministra

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Foto: Agência Brasil

O Governo Federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa do programa Desenrola Rural. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a iniciativa chega com condições ampliadas para atender mais produtores.

“O Desenrola Rural é retomado em condições ainda mais facilitadas, com maior abrangência”, afirmou a ministra. Ela destacou ainda a inclusão de novos públicos: “No caso dos assentados da Reforma Agrária, incluímos a possibilidade de renegociação de dívidas do Procera”.

A medida será formalizada por decreto previsto para publicação ainda nesta semana e amplia o prazo de adesão até 20 de dezembro de 2026.

A nova fase do Desenrola Rural amplia as condições de renegociação de dívidas. O programa oferece descontos, prazos mais longos e novas possibilidades de liquidação dos débitos.

Os parcelamentos podem chegar a até dez anos, conforme o valor e o tipo da dívida.

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Outro ponto é a retomada do crédito rural. Agricultores com contratos firmados até 31 de dezembro de 2015, com risco integral da União, poderão acessar novas operações pelo Pronaf, mesmo inadimplentes, desde que não estejam inscritos na Dívida Ativa da União.

Quem pode aderir ao programa?

Podem aderir ao programa agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, povos e comunidades tradicionais e cooperativas da agricultura familiar.

É necessário ter dívidas em atraso há mais de um ano.

As formas de renegociação variam conforme o tipo de débito:

  • Dívidas na Dívida Ativa da União devem ser negociadas pelo site Regularize;
  • Débitos do Pronaf ou com bancos devem ser tratados diretamente com as instituições financeiras;
  • Créditos de instalação podem ser quitados junto ao Incra, com condições específicas.

Mais de R$ 23 bilhões já foram renegociados

Criado em 2025, o Desenrola Rural já beneficiou mais de 500 mil agricultores familiares. Segundo o governo, mais de R$ 23 bilhões em dívidas foram renegociados.

Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, a nova etapa amplia o alcance da política. “Estamos ampliando as condições para que mais agricultores regularizem sua situação, voltem a acessar crédito e sigam produzindo”, afirmou.

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Novo método com uso de luz promete revolucionar análise de solos e reduzir custos no agro

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Foto: Ana Maria Vieira da Silva / Embrapa

Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, resultou em patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A tecnologia utiliza espectroscopia de reflectância, técnica baseada na interação da luz com o solo, combinada a ciclos de umedecimento e secagem, permitindo diagnósticos mais rápidos e com menor custo.

O método foi desenvolvido no âmbito de pesquisa liderada pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, com orientação do professor Raul Shiso Toma e participação do pesquisador Luiz Eduardo Vicente.

A inovação está na forma de preparação das amostras. Diferentemente dos métodos tradicionais, que utilizam solo seco e peneirado, a nova abordagem simula condições naturais ao submeter o material a ciclos de umedecimento e secagem antes da análise espectral.

Esse procedimento permite gerar dados mais representativos sobre a composição físico-química do solo, especialmente em relação a componentes como argilas e substâncias amorfas, associados ao caráter coeso.

Além disso, o uso da luz como principal insumo dispensa parte das análises químicas convencionais, que costumam ser mais lentas, caras e geradoras de resíduos laboratoriais.

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Aplicação pode avançar do laboratório para o campo

Inicialmente voltado à pesquisa científica, o método tem potencial para ser aplicado em condições de campo e em estufas, permitindo análises mais rápidas e acessíveis para experimentos agrícolas.

A tecnologia também pode contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas ao manejo de solos, como condicionadores, biochars e hidrogéis, que ajudam a reduzir a resistência do solo e melhorar seu desempenho produtivo.

Solos coesos limitam produtividade agrícola

O caráter coeso do solo é definido pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e está associado a camadas endurecidas abaixo da superfície. Essas condições dificultam o crescimento das raízes, reduzem a infiltração de água e limitam a circulação de oxigênio.

Esse tipo de solo é comum em diversas regiões do país, com maior concentração nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro e que possui relevância para a produção agrícola e logística.

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, a análise e o manejo adequado desses solos são fundamentais para melhorar a produtividade e garantir sistemas agrícolas mais sustentáveis.

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Após forte alta, preço da ureia começa a cair, mostra levantamento

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Após dois meses de forte valorização, os preços da ureia começaram a recuar no mercado internacional, movimento que já se reflete no Brasil. Segundo relatório da StoneX, as cotações acumulam a segunda semana consecutiva de queda, com negócios fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada.

A retração ocorre após os preços atingirem patamares considerados elevados para a demanda, que passou a exercer maior influência na formação das cotações.

Demanda mais fraca muda dinâmica do mercado

De acordo com a StoneX, o mercado global entra em uma fase de ajuste, com o enfraquecimento do consumo ganhando protagonismo, mesmo diante de limitações na oferta.

O movimento de queda não é isolado. Recuos também foram registrados em mercados relevantes como Estados Unidos, China, Oriente Médio e Egito, indicando uma tendência mais ampla de perda de força nos preços.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o cenário atual marca uma mudança no vetor de formação das cotações.

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“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior, pressionando os preços após um período de alta intensa”, afirma.

Apesar do recuo recente, a expectativa é de que novas quedas ocorram de forma limitada no curto prazo.

Isso porque persistem gargalos logísticos no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia, o que restringe a oferta internacional.

Mercado mais cauteloso

Nesse ambiente, os preços tendem a se manter relativamente sustentados, mesmo com a demanda enfraquecida.

A avaliação da StoneX aponta que fatores como o período de menor consumo em países-chave, relações de troca menos atrativas ao produtor e a postura mais cautelosa dos compradores têm reduzido o ritmo de novas negociações.

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Com isso, o mercado entra em uma fase de ajuste, com menor liquidez e maior seletividade nas compras.

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