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10 de maio de 2026

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Especialistas apontam manejo sustentável como chave para rentabilidade na produção de algodão no Brasil

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Diferente dos EUA e da Austrália, o Brasil lida com a alta incidência de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro. Manter a produtividade elevada exige estratégias que combinem MIP, sementes de alto rendimento e planejamento que integrem outras culturas

São Paulo, julho de 2025 – Consolidado como líder mundial na exportação de algodão em pluma, o Brasil enfrenta um cenário complexo no manejo de pragas que o diferencia de grandes produtores como os Estados Unidos e a Austrália. A agricultura tropical exige um Manejo Integrado de Pragas (MIP) adaptado para garantir resiliência e sustentabilidade à cotonicultura. Essa é a percepção compartilhada por especialistas sobre os desafios e as soluções para o manejo de pragas no país.

 

“A produção de algodão no Brasil enfrenta desafios em comparação com a Austrália e com os EUA. Aqui, a cultura atua como hospedeira de pragas da soja e do milho. Na Austrália, o MIP é focado no algodão, principal cultura local, com a colaboração de toda a cadeia. Já nos EUA, a menor sobreposição geográfica e o período de inverno em muitos estados interrompem o desenvolvimento das pragas”, explica o professor Celso Omoto do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP.

 

Além disso, segundo o professor, plantios sucessivos de culturas são negativos para a cotonicultura, pois servem como fonte contínua de alimentos para as pragas e podem impedir o restabelecimento do equilíbrio do sistema produtivo.

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Em visita recente ao Brasil, Dominic Reisig, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) e doutor em Proteção de Plantas e Manejo Integrado de Pragas e Entomologia, acrescenta que a alternância de culturas, a disponibilidade de hospedeiros durante todo o ano e o clima tornam o manejo de culturas Bt mais desafiador no Brasil do que nos Estados Unidos.

 

Uma dificuldade adicional ao controle de pragas no Brasil é a presença do bicudo-do-algodoeiro, praticamente erradicado nos Estados Unidos e ausente na Austrália. “O que vi no Brasil foi uma lavoura de algodão incrível, mas com altíssimo uso de insumos. Uma grande dificuldade para reduzir esse consumo de defensivos é o bicudo. Embora esteja sob controle, ele domina o manejo de pragas. Será difícil focar em outras pragas com o inseto presente”, pontua o professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

 

Papel da indústria na cadeia
A indústria tem um papel crucial em ofertar soluções que contribuam com o sistema produtivo. “Em 2024, a Bayer investiu globalmente mais de 2,6 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento para novas sementes, biotecnologias, produtos de proteção de cultivos e ferramentas digitais com foco no manejo integrado e na sustentabilidade de lavouras de diversas culturas ao redor do mundo”, afirma o diretor-executivo de algodão da divisão agrícola da companhia no Brasil, Fernando Prudente.

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Ao longo dos anos, para aumentar a sustentabilidade da cultura do algodão, a Bayer desenvolveu biotecnologias como a Bollgard®, voltadas ao controle de pragas e de plantas daninhas, além de sementes Deltapine adaptadas a diferentes regiões do Brasil e soluções para proteção de cultivos e tratamento de sementes.

 

A intervenção química é uma ferramenta complementar no manejo do algodão para preservação da produtividade. “Uma opção eficaz é o inseticida Curbix®️, que se destaca pela alta eficácia contra diversas pragas, entre elas o bicudo”, explica o executivo da Bayer.

Importância das áreas de refúgio no manejo integrado

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O professor Celso Omoto do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP ressalta ainda que o manejo da entressafra é fundamental para reduzir a pressão desses insetos.

 

“Com base nas experiências dos EUA e da Austrália, é necessário estabelecer políticas públicas para a implementação efetiva de programas de Manejo Integrado de Pragas, aumento da fiscalização da destruição de restos culturais e obrigatoriedade do plantio de áreas de refúgio para preservar a tecnologia Bt”, acrescenta.

 

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A adoção de áreas de refúgio para preservar a eficácia das tecnologias Bt no controle de pragas já é uma prática consolidada nas áreas de algodão do Brasil. A técnica consiste em manter parte da lavoura sem biotecnologia para criar um ambiente que dificulta a seleção de insetos resistentes, garantindo maior longevidade para as soluções genéticas utilizadas na cotonicultura.

 

“Ao reservar 20% da lavoura com sementes convencionais, próximas à área com biotecnologia, até 800 metros, reduz-se a proliferação de insetos resistentes, o que contribui para a sustentabilidade do cultivo e eficácia da tecnologia. Para essas áreas, há variedades como a DP 1786 RRFlex, com boa produtividade e qualidade de fibra, indicadas para o plantio no refúgio”, complementa Fernando Prudente.

 

Sobre a Bayer

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A Bayer é uma empresa global com competências essenciais nas ciências da vida nos setores de agronegócios e saúde. Seus produtos e serviços são projetados para ajudar as pessoas e o planeta a prosperar, apoiando os esforços para superar os principais desafios apresentados por uma população global em crescimento e envelhecimento. A Bayer está comprometida em impulsionar o desenvolvimento sustentável e gerar um impacto positivo em seus negócios. Ao mesmo tempo, o Grupo pretende aumentar o seu poder de ganho e criar valor por meio da inovação e do crescimento. A marca Bayer representa confiança, confiabilidade e qualidade. O Brasil é a segunda maior operação da companhia no mundo. Mais informações no site.

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Floricultura vira alternativa de renda para agricultura familiar graças a pesquisas da Unemat

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Atividades também aproximam estudantes da realidade do campo e contribuem com a formação

Um projeto de extensão do campus de Tangará da Serra da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) tem incentivado produtores rurais a produzir e comercializar flores tropicais como alternativa de renda.

No programa, estudantes, produtores rurais e profissionais da área desenvolvem atividades práticas, como o cultivo das espécies bastão-do-imperador, alpínia e helicônia, que servem de base para o ensino das técnicas de preparo do solo, produção de mudas, manejo e a colheita das flores.

O projeto Unidades Demonstrativas de Flores Tropicais: Canal de Transferência de Tecnologias e Fortalecimento da Agricultura Familiar no Estado de Mato Grosso é desenvolvido pela professora Celice Alexandre Silva, doutora em Botânica, e tem parceria da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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“É gratificante pra mim toda quarta-feira ir até o campo das flores e coletar algumas helicônias, alpínias e outros exemplares. Nessas idas ao campo que pude observar também alguns insetos, principalmente os polinizadores. Acredito que ter conhecimento sobre isso vai me ajudar muito na minha profissão”, destaca Yasmim Coelho, acadêmica do 2º semestre do curso de Agronomia e participante do  projeto.

A estudante de Agronomia Geisiane Nogueira, do 4º semestre, participa das atividades práticas do projeto no dia a dia e relata que o conhecimento que está adquirindo vai contribuir muito para a formação profissional.

“Já participei de coleta, fiz limpeza nas áreas das flores, adubação, transplante e também a multiplicação de mudas, passando para outros vasos. As atividades estão agregando bastante nessa questão do conhecimento, principalmente na parte de botânica, que eu não conhecia tanto, e também ajuda a colocar na prática o que a gente aprende e quebra um pouco da rotina da faculdade”, afirma.

A professora Celice destaca que a iniciativa tem como foco principal o fortalecimento da agricultura familiar. Os participantes também vão em propriedades rurais para identificar produtores que tenham potencial para trabalhar com a floricultura.

“O intuito do projeto é gerar uma alternativa de renda para o produtor de pequena escala. A gente oferece todo tipo de informação, de pesquisa, tratos culturais, colheita e pós-colheita, desde o plantio até a hora que ele comercializa, para ajudar esse produtor, que consegue ver como a planta cresce, como se desenvolve e o que pode esperar da produção. Por isso a unidade permite que ele acompanhe de perto cada etapa, o que faz diferença, porque quando ele vê acontecendo entende melhor e se sente mais seguro para investir”, explica.

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“A floricultura não exige uma grande área para cultivos, não precisa de mão de obra mecanizada, é fácil de cultivar, é uma cultura bastante diversificada, existem espécies de helicônias e alpínias que podem ser usadas no paisagismo”, acrescenta Yasmin.

Eder Richardson, engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Tangará da Serra, falou sobre a importância da parceria que tem com a Unemat para o desenvolvimento das ações do projeto. “Essa colaboração ajuda na qualidade das pesquisas e na produção de mudas, gerando informações técnicas que são publicadas no Portal MT Horticultura e repassadas aos produtores”.

Capacitação e conteúdos

Com 14 anos de atividade, o projeto atualmente conta com a participação de cinco alunos de graduação, um estudante de mestrado, um de doutorado e um bolsista de apoio técnico, além de professores, técnicos e produtores rurais, envolvendo os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Agronomia, Administração, Jornalismo e Biologia.

Durante as atividades são distribuídos materiais informativos, como cartilhas, que ajudam os produtores a aplicar o conhecimento no dia a dia. As cartilhas estão disponíveis no site MT Horticultura e podem ser acessadas clicando aqui.

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Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9%, mostra ANS

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Os planos de saúde coletivos tiveram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026. Essa variação é a menor em cinco anos, mas representa mais que o dobro da inflação oficial medida.

Os dados se referem aos reajustes anuais praticados pelas operadoras nos dois primeiros meses do ano e foram divulgados na sexta-feira (8) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador do setor.

A última vez em que os planos coletivos – aqueles contratados por empresas, empresários individuais e associações de classe – tiveram reajuste médio menor que o do início de 2026 foi em 2021, quando subiram 6,43%.

Em 2021, ano de pandemia de covid-19, os planos subiram menos porque o isolamento social levou à redução na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas (não urgentes).

Acima da inflação

Para efeito de comparação, em fevereiro de 2026, a inflação oficial – apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 3,81%.

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O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), uma organização independente, costuma criticar aumentos acima da inflação.

A ANS, no entanto, defende que não é correto fazer comparação simples entre inflação e reajuste dos planos.

“O percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços de saúde”, diz a agência.

Regra de reajuste

Diferentemente dos planos de saúde individuais ou familiares ─ celebrados diretamente com as operadoras para a própria pessoa e dependentes ─ os reajustes dos planos de saúde coletivos são decididos por meio de livre negociação entre a pessoa jurídica contratante e a operadora ou administradora do plano.

Nesses planos coletivos, os que têm menos de 30 beneficiados têm o mesmo percentual de reajuste por operadora. Dessa forma, a ANS consegue observar o reajuste médio, separando os planos por porte.

Nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais vidas, como classifica o jargão do setor, subiram 8,71% em média. Já os com até 29 clientes, 13,48%. De acordo com a ANS, 77% dos clientes são de planos com 30 ou mais vidas.

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No caso dos planos individuais, é a ANS que determina a mudança de valor.

Dados do setor

Os dados mais recentes da ANS, relativos a março de 2026, apontam que o Brasil tinha 53 milhões de vínculos de planos de saúde (uma pessoa pode ter mais de um contrato), aumento de 906 mil em um ano. De cada 100 clientes, 84 eram de planos coletivos.

Em 2025, ainda segundo a ANS, o setor de saúde suplementar registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões, com lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado.

Isso significa que para cada R$ 100 recebido, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro.

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Agro Mato Grosso

Valtra; Além do etanol, a Valtra aposta nos motores biometano no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Agro MT