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20 de junho de 2026

Sustentabilidade

Escarificação do solo aumenta a produtividade da soja? – MAIS SOJA

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A qualidade do solo é um dos principais fatores determinantes da produtividade das culturas agrícolas. Como um sistema trifásico, coloidal e aberto, o solo é composto por frações sólida, líquida e gasosa, que interagem entre si para sustentar o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Além de fornecer suporte físico, o solo atua como meio de fornecimento de água, nutrientes e oxigênio, sendo considerado o principal substrato para a produção agrícola.

Contudo, para que o solo seja capaz de promover o bom crescimento e desenvolvimento vegetal, são necessários bons atributos químicos, biológicos e físicos, possibilitando com que as raízes cresçam sem restrições e/ou estresses, bem como estimulando a microbiota do solo e relações sinérgicas com as plantas.

Dentre os principais fatores limitantes do crescimento e desenvolvimento vegetal relacionados a qualidade do solo, destacam-se o impedimento químico e o impedimento físico. O impedimento químico se refere ao efeito tóxico do alumínio no solo e pH inadequado, que tende a limitar o crescimento e desenvolvimento das raízes. Já o impedimento físico, é reflexo da compactação do solo, em que o aumento da densidade de partículas do solo atua como uma barreira física ao crescimento radicular, limitando a zona de solo explorado pelas raízes da planta.

Diversos estudos tem avaliado a influência da compactação do solo como impedimento físico ao crescimento e desenvolvimento vegetal. De acordo com  Savioli et al. (2021), as raízes de soja são os órgãos mais afetados pela compactação física do solo. O aumento da densidade do solo implica na redução da massa, comprimento e volume de raízes, prejudicando a absorção de água a nutrientes da solução do solo. Os autores destacam que a partir de 1,3g cm-3 de densidade, já é possível observar a restrição do crescimento radicular da soja e a redução da produtividade da cultura.

Uma das medidas para reduzir os efeitos da compactação do solo é inserir na rotação de culturas plantas ditas “descompactadoras”, ou seja, que apresentam um vasto sistema radicular, e tendem a estimular a formação de macroporos no solo (figura 1). Sobretudo, essa medida requer tempo, planejamento e persistência, e tende a surtir maiores resultados a longo prazo.

Figura 1. Sistema radicular de nabo-forrageiro e seu efeito no estrutura do solo.
Foto: Maria da Penha Angeletti.

A curto prazo, intervenções mecânicas como a escarificação podem ser alternativas interessantes para reduzir a compactação do solo e estimular o crescimento de raízes em profundidade. Os resultados da escarificação como medida de manejo do solo são controversos, em algumas ocasiões demonstrando benefícios ao sistema de produção e produtividade das culturas, enquanto em outras situações não demonstra benefícios significativos.

Esse comportamento pode estar associado ao ambiente de cultivo e condições físicas do solo. Analisando a eficácia do uso desta técnica no rompimento de camadas compactadas e potencialização da produtividade de cultivares de soja em terras baixas, Lansana et al. (2024) observaram que as respostas de produtividade em função da escarificação do solo, estão condicionadas ao ambiente de cultivo, sendo que, para um dos ambientes analisados (ambiente 1), a escarificação proporcionou ganhos substanciais na produtividade dos grãos, enquanto para o outro ambiente (ambiente 2), não foram observados ganhos estatisticamente significativos (tabela 1).

Tabela 1. Sistema de implantação e cultivares na produtividade de grãos (kg ha) de soja em dois ambientes de cultivo.
*Médias seguidas pela mesma letra maiúscula para mesma cultivar no mesmo ambiente indicam que as produtividades entre sistemas não diferem estatisticamente, e médias seguidas pela mesma letra minúscula no mesmo ambiente para o mesmo sistema, indicam que as produtividades entre cultivares não diferem estatisticamente. Ambas a 5% de probabilidade de erro pelo teste de Tukey
Fonte: Lansana et al. (2024)

Ao avaliar o efeito de diferentes níveis de manejo no desempenho agronômico de cultivares de soja com distintos grupos de maturação, sob condições de déficit hídrico Santos et al. (2025) constataram que a  escarificação do  solo contribui  para  o  aumento  do  comprimento  radicular  da  soja (figura 2),  entretanto, não resultou no incremento de produtividade em relação ao solo não escarificado (figura 3).

Figura 2. Comprimento de raiz de plantas de soja das cultivares BMX Fibra IPRO e BMX Zeus IPRO submetidas a distintos manejos do solo.
*Letras minúsculas distintas indicam diferenças entre as cultivares em cada manejo de solo. Letras maiúsculas distintas indicam diferenças de cada cultivar entre os manejos de solo. Teste de Scott Knott a 5% de probabilidade (P>0,05). Sem interv = sem intervenção; Média compact = média compactação; Alta compact = alta compactação
Fonte: Santos et al. (2025)
Figura 3. Rendimento em grãos de soja das cultivares BMX Fibra IPRO e BMX Zeus IPRO submetidas a diferentes níveis de manejo do solo.
*Letras minúsculas distintas indicam diferenças entre as cultivares em cada manejo de solo. Letras maiúsculas distintas indicam diferenças de cada cultivar entre os manejos de solo. Scott Knott a 5% de probabilidade (P>0,05). Sem interv = sem intervenção; Média compact = média compactação; Alta compact = alta compactação.
Fonte: Santos et al. (2025)

Mesmo sem diferenças estatísticas significativas de produtividade (atribuída principalmente a ocorrência de déficits hídricos durante o período do estudo), os resultados observados por Santos et al. (2025) assim como os dados obtidos por Lansana et al. (2024), demonstram que as repostas em função da escarificação do solo são dependentes do ambiente de cultivo.

No entanto, com base nos dados apresentados por Santos et al. (2025), há indícios de que, sob condições climáticas normais, a escarificação do solo tende a proporcionar resultados positivos, especialmente em solos com grau médio a elevado de compactação. Mesmo sob estresse hídrico, os autores observaram rendimentos superiores nas áreas escarificadas em comparação àquelas com compactação.

Confira o estudo completo desenvolvido por Santos e colaboradores 2025 clicando aqui!

Referências:

LANSANA, W. A. et al. ESCARIFICAÇÃO NO ESTABELECIMENTO E DESEMPENHO AGRONÔMICO DA SOJA EM TERRAS BAIXAS. Revista Observatorio De La Economia Latinoamericana, 2024. Disponível em: < https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/4752/3134 >, acesso em: 22/07/2025.

SANTOS, V. G. E. et al. DESEMPENHO AGRONÔMICO DE CULTIVARES DE SOJA SOB DIFERENTES NÍVEIS DE MANEJO DE SOLO. Revista Observatorio De La Economia Latinoamericana, 2025. Disponível em: < https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/10466/6597 >, acesso em: 22/07/2025.

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Sustentabilidade

Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

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A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.

O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.

Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.

O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.

Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

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Imagem de Александр Пономарев por Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.

Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.

Cotações de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.

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Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

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Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.

Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.

Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.

Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.

Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.

Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.

Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.

Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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