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27 de junho de 2026

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Aviação agrícola cresce no Brasil, mas enfrenta mitos e pressão política e externa

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A aviação agrícola brasileira vive um momento de crescimento, acompanhando o avanço do agronegócio nacional. Com uma frota de aproximadamente 2,5 mil aeronaves em operação no país — sendo 749 delas apenas em Mato Grosso — o setor segue em expansão e deve ultrapassar as três mil unidades nos próximos dois anos, segundo projeções do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).

Apesar disso, o setor enfrenta uma série de desafios, desde o desconhecimento da sociedade sobre a atividade até o impacto de taxações internacionais e projetos de restrição da atividade.

“Hoje nós estamos com uma frota de 2,5 mil aeronaves em todo o país. E a maior frota está concentrada no estado de Mato Grosso. Só aqui no estado nós contamos com 749 aeronaves”, destaca a presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, entrevistada deste sábado (19) do programa Estúdio Rural.

Ela explica que a aviação agrícola é responsável por aplicações em mais de 15 culturas, com destaque para arroz, soja, milho e algodão.

Investimento em tecnologia, qualificação e mitos

Além do papel fundamental na segurança alimentar, a aviação agrícola também tem investido fortemente em tecnologia e qualificação profissional.

“Hoje nós contamos com [equipamentos] altamente tecnológicos. Com GPS de ponta, onde demarcam os polígonos. Vai tudo programado ali. O piloto simplesmente vai conduzir a aeronave, fazer as manobras e escolher as melhores condições climáticas para que aqueles produtos não sejam dispersados”, salienta Hoana ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Ainda assim, o setor enfrenta forte resistência baseada em desinformação. Mitos como o de que “70% das aplicações se dispersam” ainda circulam, segundo Hoana.

“As pessoas não têm noção de quanto custa cada produto aplicado. Como que o produtor vai utilizar uma ferramenta que despreza 70% daquele produto que deveria ir ao alvo? Ele não teria a produtividade que espera se esse produto realmente se dispersasse”.

A presidente do Sindag ressalta que a atividade é altamente regulamentada e exige rigor técnico e operacional. “Não é simplesmente chegar e fazer uma aplicação. É muito burocrático para você hoje abrir uma empresa de aviação agrícola, para fazer tudo conforme manda a legislação”.

Entre os obstáculos, Hoana também menciona os constantes projetos de lei que tentam proibir ou restringir a aviação agrícola com base em argumentos ideológicos. “Tem feito como se fosse um retrocesso no setor. Ao invés de estarmos preocupados em aumentar nossa tecnologia, estamos gastando um tempo para provar que a atividade realmente é segura”.

A atuação política tem sido uma das frentes do Sindag, que representa 90% das empresas do setor — tanto de aeronaves tripuladas quanto de drones. “Nós temos trabalhado muito forte em Brasília, na parte institucional e política, visitando os parlamentares, o Senado, e até mesmo os próprios ministros. Em 2023, fizemos uma audiência pública na Câmara Federal que foi importantíssima, onde diversas entidades do agro puderam falar da eficiência da aviação agrícola”.

Foto: Canal Rural Mato Grosso

Taxações dos EUA preocupam

Outro ponto de preocupação são as recentes taxações internacionais, como a anunciada pelo presidente americano Donald Trump, que impactam diretamente os custos do setor.

“Todas as nossas peças também de aeronaves são dolarizadas. Segundo os fabricantes, só no ano passado entraram mais de 100 aeronaves importadas aqui no Brasil. Essa taxação vai incidir sobre essas aeronaves e você tem que repassar esses custos”, alerta.

Diante desse cenário, a presidente do Sindag reforça a importância da união do setor e da comunicação com a sociedade.

“Esse é o nosso trabalho como instituição: representar, fortalecer, manter o setor unido. Uma aeronave gera diretamente cinco empregos. Nós temos um impacto muito grande em caso de proibição, não só na questão dos empregos, mas na cadeia produtiva como um todo”.

Congresso de Aviação em Mato Grosso

Entre os dias 19 e 21 de agosto ocorrerá em Mato Grosso o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil 2025. O evento será realizado no Aeroporto Executivo Santo Antônio, em Santo Antônio de Leverger.

A expectativa, conforme a presidente do Sindag, é que mais de seis mil pessoas passem pelo evento.

“Nós já temos mais de 180 marcas confirmadas há menos de um mês dele. Ele cresceu 10% em relação ao ano passado. Teremos muitas palestras, demonstrações práticas de aplicação área, de combate a incêndio. Teremos um show acrobático, teremos um congresso científico, sem falar nas diversas palestras”, frisa.

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Plano ABC+ RS avança com expansão de tecnologias de baixa emissão no campo

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A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) apresentou, nesta sexta-feira (26), em Porto Alegre, resultados atualizados do Plano ABC+ RS durante o evento “O Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul”, promovido pela Federação da Agricultura do RS (Farsul). Os dados indicam avanço na adoção de tecnologias voltadas à adaptação às mudanças climáticas e à mitigação de gases de efeito estufa na agropecuária gaúcha.

Segundo a Seapi, o Plano ABC+ RS foi instituído pela Resolução Seapi nº 001/2023 e está alinhado ao Plano Nacional ABC+ no período 2020/2030. A estratégia reúne ações de adaptação e mitigação no setor agropecuário, com foco em resiliência, eficiência produtiva e redução de emissões.

O coordenador do plano ABC+ RS e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, afirmou que o estado conta atualmente com 10 tecnologias com resultados concretos de potencial mitigação de gases de efeito estufa. Entre elas estão o Programa de Recuperação de Pastagens Degradadas (PRPD), a expansão do Sistema de Plantio Direto de Grãos (SPDG) e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

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Na recuperação de pastagens degradadas, o Rio Grande do Sul alcançou 732 mil hectares recuperados, volume equivalente a 51% da meta prevista até 2030. Os municípios com maior expansão de PRPD são Alegrete, Santana do Livramento, Uruguaiana e Rosário do Sul.

No plantio direto de grãos, o estado registra expansão de 690 mil hectares, o que corresponde a 115,32% da meta estabelecida. Com esse desempenho, o Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição nacional na expansão da tecnologia. A adoção do SPDG já resultou em redução aproximada de 5 milhões de dióxido de carbono equivalente no estado. Entre os municípios com destaque nesse indicador estão Alegrete, São Borja, Santa Vitória do Palmar, Maçambará, Itaqui, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

Nos sistemas integrados, municípios como São Lourenço do Sul, Uruguaiana, Dom Pedrito, Santa Vitória do Palmar e São Gabriel concentram resultados que já proporcionaram mitigação de cerca de 7,94 milhões de dióxido de carbono equivalente.

Durante o evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apresentaram painéis sobre adaptação e mitigação na agropecuária gaúcha. A programação também contou com participação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema), Embrapa e representantes da Seapi, em debate sobre produção agropecuária de baixa emissão de carbono no estado.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Ministério da Agricultura confirma anúncio do Plano Safra para 30 de junho com ausência de Lula

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Foto: Rodrigo Arnt

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou convite na tarde desta sexta-feira (26) confirmando a data de anúncio do Plano Safra 2026/27 da Agricultura Empresarial para as 10 horas da próxima terça-feira (30), como já havia antecipado o Canal Rural.

Os números do Plano Safra da Agricultura Familiar devem ser feitos no mesmo dia, à tarde. O chamamento da pasta confirma uma informação que estava sendo ventilada ao longo do dia: o presidente Lula se ausentará da cerimônia da manhã.

Na ocasião, o chefe do Executivo estará na reunião da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. Contudo, a expectativa é que ele esteja presente no segundo anúncio. O tempo de voo entre a capital do país vizinho e Brasília é de cerca de quatro horas.

Essa é a primeira vez, desde o lançamento do programa, em 2002, que o presidente não comparece no evento. O convite acusa que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, comandará a cerimônia ao lado do ministro do Mapa, André de Paula.

De acordo com apuração do ex-presidente do Banco do Brasil e colunista do Canal Rural, Fausto Ribeiro, o Plano Safra 2026/27 deve ser de R$ 652 bilhões, avanço de cerca de 10% frente ao total disponibilizado na safra passada.

Contudo, as atenções se voltam para as condições a serem disponibilizadas, uma vez que especialistas alertam para restrições fiscais e ambientais, o que deve impactar o crédito rural.

O Canal Rural acompanhará o anúncio do Plano desde o início, em transmissão ao vivo pela TV e redes sociais. Quem for assistir a cerimônia presencialmente deve preencher este formulário.

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Agricultura do futuro será cada vez mais digital, afirma presidente da Embrapa

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Foto: reprodução/Planeta Campo

A agricultura brasileira deve se tornar cada vez mais digital, conectada e sustentável nos próximos anos. A avaliação é da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, que destaca a inovação tecnológica como um dos principais motores para ampliar a produtividade, enfrentar as mudanças climáticas e promover a inclusão de pequenos e médios produtores rurais.

Segundo ela, a história da agricultura brasileira está diretamente ligada ao investimento em ciência. Há pouco mais de cinco décadas, o Brasil era importador de alimentos. A mudança desse cenário ocorreu com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições de clima e solo do país.

“A Embrapa teve um papel fundamental nesses últimos 50 anos para o avanço da agricultura brasileira. Nós podemos destacar aqui que há 50 anos atrás nós éramos importadores de alimentos. Começamos a trabalhar com a adaptação das tecnologias para o nosso tipo de clima e solo. Então, o que foi fundamental foi uma agricultura baseada em ciência”, destacou.

Três fases da transformação agrícola

De acordo com Silvia Massruhá, a evolução da agropecuária nacional pode ser dividida em três grandes etapas. A primeira foi marcada pela expansão da produção de grãos, especialmente da soja no Cerrado, impulsionada pelo desenvolvimento de fertilizantes e sistemas produtivos adaptados às condições brasileiras.

Na sequência, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ganhou força a intensificação da produção com sistemas integrados, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além da incorporação de biotecnologia, nanotecnologia, automação e agricultura de precisão.

A fase mais recente é caracterizada pela agricultura de base biológica, com maior uso de bioinsumos e foco em uma produção multifuncional, capaz de atender à demanda por alimentos, fibras e energia de forma sustentável.

Ciência impulsiona produtividade

Segundo a presidente da Embrapa, os resultados dessa trajetória são expressivos. Nos últimos 50 anos, a área plantada no Brasil cresceu cerca de 140%, enquanto a produção e a produtividade de grãos aumentaram aproximadamente 580%.

Para Massruhá, esse avanço demonstra que o crescimento da agricultura brasileira ocorreu principalmente pelo aumento da eficiência produtiva e pela adoção de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa.

Outro destaque é a contribuição da Embrapa para políticas públicas, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), utilizado para orientar o crédito e o seguro rural.

Atualmente, o sistema gera recomendações para 44 culturas em cerca de 5 mil municípios brasileiros. O trabalho envolve mais de 200 pesquisadores distribuídos em 32 unidades da Embrapa, que revisam anualmente as informações para orientar as janelas de plantio com menor risco climático.

Inclusão digital é desafio

Apesar dos avanços tecnológicos, Silvia Massruhá alerta que a transformação digital ainda precisa chegar de forma mais ampla aos pequenos e médios produtores.

“Cada vez mais novas tecnologias estão introduzidas no setor da agricultura e precisamos trazer essas novas tecnologias para o pequeno e médio produtor”, destaca Massruhá.

Segundo ela, o maior poder de investimento dos grandes produtores facilita a adoção de novas tecnologias, enquanto propriedades menores enfrentam barreiras relacionadas ao acesso, à conectividade e à capacitação.

Conectividade ainda é limitada

A presidente da Embrapa destaca que apenas cerca de 25% da área rural brasileira possui cobertura de conectividade, um dos principais entraves para a digitalização do campo.

Nesse contexto, o projeto Semear Digital busca atuar em três frentes levantamento das necessidades dos produtores, capacitação e ampliação da conectividade.

A iniciativa reúne instituições públicas, universidades, startups, provedores de internet e cooperativas para desenvolver soluções adaptadas às demandas locais. O objetivo é criar, ao longo de cinco anos, um modelo economicamente sustentável que permita aos produtores manter o acesso às tecnologias digitais.

Novos desafios para a agricultura

Além da transformação digital, Silvia Massruhá destaca que o setor agropecuário enfrenta outros grandes desafios, como a transição climática, energética e nutricional.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao estresse hídrico, tecnologias para adaptação às mudanças climáticas, sistemas de rastreabilidade e certificação da produção e soluções que atendam à crescente demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

A presidente destaca que, atualmente, a Embrapa disponibiliza mais de 120 cursos gratuitos pela plataforma e-Campo, abordando desde tecnologias avançadas até práticas simples para produtores rurais.

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