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agro expõe prejuízos com taxa dos EUA, mas pede que ainda não haja retaliação

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Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira (15), porta-vozes de entidades representativas do agronegócio reforçaram a necessidade de o Brasil agir de forma diplomática para suspender ou adiar as tarifas de exportação de 50% anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que passam a vigorar em 1 de agosto.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou em coletiva de imprensa após o encontro que os frigoríficos brasileiros estão parando de produzir carne destinada aos norte-americanos, visto que os embarques do setor ao país já são taxados em 36% e uma sobretaxa de 50% tornaria as negociações entre os dois países inviável.

“Cerca de 30 mil toneladas de carne brasileira já estão no porto ou já nas águas em direção aos Estados Unidos, o que representa um total de 150 milhões de dólares a caminho dos Estados Unidos. Estamos negociando com os importadores de lá. Nossa sugestão inicial é de possível prorrogação da taxação porque existem contratos em andamento e não dá tempo de desfazê-los até o dia 1 de agosto [data em que a tarifa começa a valer].”

Perosa ressaltou que a produção de carne nos EUA se encontra, atualmente, em seu menor estágio nos últimos 80 anos e a proteína brasileira complementa esse “vácuo”, sendo que o produto nacional, notadamente recortes do dianteiro do boi, é utilizado para a fabricação de hambúrguer, produto enraizado na cultura norte-americana.

Impactos no café da manhã dos EUA

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, também presente na coletiva, destacou que o Brasil exportou 8,2 milhões de sacas do produto aos Estados Unidos em 2024.

“O Brasil fornece 33% de todo o café consumido em solo norte-americano. O café brasileiro, tanto arábica quanto robusta, é o mais competitivo e possui as características de sabor que o público dos Estados Unidos já está acostumado, que aprova.”

Ems eguida, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, forneceu números que mostram a importância dos Estados Unidos ao setor: 40% das exportações de suco de laranja brasileiro têm o mercado norte-americano como destino. Em termos de receita, esse volume representa cerca de US$ 1,3 bilhões.

“Setenta por cento do suco consumido nos Estados Unidos vem do Brasil. […] Ainda temos tempo para negociar, mas o setor está muito preocupado. A safra está no começo, iniciou em junho e vai até janeiro de 2026. Temos uma safra inteira para ser colhida sem saber se o nosso maior mercado estará disponível ou não porque a tarifa de 50% associada aos 415 dólares por tonelada que o setor já paga, inclusive mais do que os seus principais concorrentes, certamente inviabiliza [negócios entre os dois países].”

Por fim, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e (Abrafrutas), Guilherme Coelho, informou um problema mais pontual: a exportação de manga aos EUA.

“O Vale do São Francisco, que produz 90% de toda a manga do Brasil, está em pânico porque não sabemos o que fazer. Essa safra significa 2,5 mil contêineres de manga para os Estados Unidos. Foi uma safra planejada há seis meses, como todo ano fazemos. […] isso engloba os pequenos, médios e grandes produtores de manga. […] não podemos pegar essa manga e desaguar na Europa porque o preço vai desabar, não tem logística para isso. Não podemos também colocar essa manga no Brasil porque vai colapsar o mercado.”

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Agro Mato Grosso

Sojicultores MT têm até 15 de fevereiro para cadastrar área no Indea: é obrigatório

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Para o cadastramento, é preciso informar o total de área plantada, localização geográfica, a variedade cultivada dentre outras informações.

Para o cadastramento, é preciso informar o total de área plantada, localização geográfica, a variedade cultivada, dentre outras informações. Quem não se cadastrar, dentro do prazo legal, fica sujeito à aplicação de multa de 10 Unidades Padrão Fiscal (UPFs), cujo valor em janeiro está R$ 2.543,60.

Na safra 2024/2025, foram cadastradas 16.319 unidades de produção de soja, o que corresponde a 8.993 produtores de soja que totalizaram mais de 11,3 milhões de hectares de área plantada. Esses dados são publicamente disponibilizados ao cidadão por meio do link “Áreas de Plantio por Safra”.

Já estão cadastradas junto ao Indea um total de 8.175 Unidades de Produção, o que corresponde a aproximadamente sete milhões de hectares já declarados por 4.697 sojicultores.

O cadastro é fundamental para o planejamento das ações de defesa sanitária vegetal, prevenindo e controlando pragas, com a ferrugem asiática.

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Agro Mato Grosso

Frete de grãos sobe em MT com avanço da colheita da soja e menor oferta de caminhões

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O avanço da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso já começa a refletir diretamente no bolso do produtor e na dinâmica do agronegócio estadual. Na última semana, os fretes rodoviários de grãos registraram alta na maioria das rotas monitoradas, cenário típico de períodos de pico de escoamento, quando a demanda por transporte cresce mais rápido que a disponibilidade de caminhões.

Entre as rotas com maior movimentação, o trajeto entre Diamantino e Rondonópolis apresentou cotação média de R$ 173,21 por tonelada, avanço de 5,97%. Já o transporte entre Canarana e Barcarena (PA) registrou média de R$ 410,00 por tonelada, com alta de 2,50%. O movimento reforça a tendência histórica do primeiro trimestre, quando a logística fica mais pressionada pelo fluxo intenso da produção agrícola.

Safra cheia pressiona logística e encarece transporte

O aumento dos fretes ocorre em um contexto já esperado pelo setor. Relatórios logísticos apontam que grandes colheitas em Mato Grosso costumam inflacionar o mercado de transporte rodoviário, especialmente no início do ano, período em que o volume de grãos disponível cresce rapidamente e exige maior capacidade logística para escoamento.

Na prática, a equação é simples: mais soja disponível significa mais caminhões necessários. Quando a oferta de transporte não acompanha esse crescimento, os valores sobem. Esse cenário ganha ainda mais força em anos de produção robusta, como o atual ciclo agrícola.

Disputa por caminhões e gargalos mantêm pressão

Outro fator que sustenta a valorização dos fretes é a menor disponibilidade de veículos no mercado spot. Com parte da frota já comprometida com contratos e rotas fixas, sobra menos capacidade para atender demandas pontuais de transporte, elevando naturalmente os preços.

Além disso, questões logísticas regionais também influenciam o mercado. Episódios recentes que afetam corredores de exportação, como bloqueios ou limitações operacionais em rotas estratégicas do Norte, podem impactar indiretamente o fluxo e a organização do transporte de grãos no país.

Impacto direto no custo de produção e comercialização

Para o produtor, o frete é um dos principais componentes do custo final da produção. Em momentos de alta logística, a margem pode ser pressionada, especialmente para quem depende de rotas mais longas até portos exportadores.

Por outro lado, em cenários de forte demanda internacional e preços firmes das commodities, parte desse aumento pode ser absorvido pela valorização do produto, equilibrando o impacto no resultado final da safra.

Tendência segue atrelada ao ritmo da colheita

A expectativa do mercado é que o comportamento dos fretes continue diretamente ligado ao ritmo da colheita e ao volume efetivamente disponível para escoamento nas próximas semanas. Caso o fluxo da safra se intensifique e a oferta de caminhões permaneça limitada, o mercado pode seguir operando em patamares elevados no curto prazo.

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Preços dos fertilizantes começam o ano com alta de até 20%, mostra levantamento

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Foto: Reprodução

Os preços dos fertilizantes começaram o ano em alta, segundo relatório da Stonex. De acordo com o relatório, na última semana de janeiro as cotações da ureia nos portos brasileiros estavam cerca de 10% acima do nível observado no mesmo período de 2025. Já os preços do SSP e do cloreto de potássio (KCl) registraram altas próximas de 20% na mesma comparação anual.

Conforme explica o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, esse movimento de valorização não se restringe ao Brasil. Segundo ele, a alta dos fertilizantes em relação ao início de 2025 também é observada, em maior ou menor grau, em outros mercados, o que indica um fenômeno de caráter global.

“Entre os fatores que sustentam esse patamar mais elevado de preços estão elementos sazonais, como a preparação para as aplicações agrícolas em diversos países, e fatores geopolíticos difíceis de antecipar, como a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã”, realça o analista.

Neste contexto, o Oriente Médio é uma região estratégica para os nitrogenados, e qualquer instabilidade tende a gerar volatilidade e reforçar um viés altista nas cotações.

Nos Estados Unidos, o início do ano marca a retomada das compras para a temporada de primavera, com aumento das importações entre fevereiro e abril, período tradicionalmente mais aquecido. Esse fortalecimento da demanda norte-americana costuma pressionar os preços tanto no mercado doméstico quanto nos países fornecedores.

A China também atravessa um período sensível no primeiro semestre. Conforme levantamento da StoneX, apesar de ser grande produtora, o impacto sazonal sobre as importações é mais limitado, com exceção do KCl, cujas compras tendem a crescer nos primeiros meses do ano. O principal efeito chinês ocorre pelo lado das exportações.

“Em momentos estratégicos, as autoridades costumam restringir as vendas externas para priorizar o abastecimento interno, o que reduz a oferta global e intensifica a disputa por cargas”, destaca Pernías. Para alguns fertilizantes, a expectativa é de que essas restrições se estendam ao menos até meados do segundo semestre de 2026.

Outro fator relevante é a demanda indiana. Caso a Índia anuncie uma nova rodada nas próximas semanas, essa demanda poderá coincidir com um período-chave para mercados como Estados Unidos, Canadá, China e Europa, reforçando o sentimento altista.

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