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6 de agosto de 2026

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Acricorte abre com alertas sobre crise hídrica e reforça chamada por nova mentalidade na pecuária

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O primeiro dia do Acricorte 2025, maior encontro técnico da pecuária de corte do Brasil, foi marcado por alertas contundentes e um convite à mudança de postura por parte dos pecuaristas.

Realizado no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, o evento é promovido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e reuniu mais de mil pessoas no auditório na abertura nesta quinta-feira (10).

Durante a solenidade de abertura, o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, destacou a força da união entre os produtores rurais e os avanços obtidos em pautas relevantes, como a diferenciação da cobrança do Fethab sobre o abate de fêmeas bovinas, que agora aguarda sanção do Governo do Estado.

“É por esta união que conseguimos avançar em pautas importantes, tanto em âmbito estadual como nacional”, declarou.

Outro marco celebrado foi a criação da Associação Nacional da Pecuária (Anapec), que reúne seis entidades representativas do setor. Além da Acrimat, são membros fundadores Acrimasul, Acripará, Assocon, Apron e Anpto. Juntas, essas instituições representam 45% do rebanho bovino brasileiro, o equivalente a 107 milhões de cabeças de gado.

Entre os destaques da programação técnica, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Júlio Palhares, fez um alerta urgente sobre o uso dos recursos hídricos. Segundo ele, Mato Grosso perdeu 291 mil hectares de superfície de água em 2024, uma redução de 34% em relação ao ano anterior, conforme dados do MapBiomas.

A queda no volume hídrico afeta diretamente a produção pecuária, porém, a preocupação com os recursos hídricos ainda não está na rotina do produtor rural. “Não há o hábito de se medir o consumo de água na propriedade, mas o fato de eu ter sido chamado para o Acricorte reflete o que vocês, pecuaristas, estão sentindo na fazenda: estresse hídrico”, afirmou o pesquisador.

Palhares ainda alertou que as regiões com maior estresse hídrico no estado coincidem com aquelas de maior potencial de intensificação da pecuária. “No passado, predominou a atenção hídrica, mas este século demanda ação hídrica, concreta”, reforçou.

Clima instável, política incerta e a urgência da comunicação

Outro palestrante do evento, o meteorologista Luiz Carlos Molion, PhD em Meteorologia, mostrou que nos próximos anos o clima tende a se manter mais seco, mas sem grandes riscos para a produção agropecuária. “Não se preocupem, pois o sistema climático se auto regula”, afirmou. O meteorologista, entretanto, chamou a atenção para a inexatidão nos modelos meteorológicos largamente adotados.

No campo político, o ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, reforçou a importância de os pecuaristas estarem atentos às decisões de Brasília.

“Já tivemos preços tabelados, confisco cambial e hoje se fala em restringir as exportações. Mas foi na abertura comercial que o agro brasileiro se desenvolveu”, salientou Cabrera.

Para Cabrera, a comunicação com o consumidor precisa ser prioridade. “Quem domina a informação, orienta os negócios. Precisamos virar o disco e nos comunicarmos melhor com o consumidor final, falando mais sobre os diferenciais do agro brasileiro e adotando uma nova perspectiva. Acho que faz muito mais sentido, por exemplo, termos um Ministério da Comida, ou do Alimento no Prato, do que da Agricultura”, provocou.

Tecnologia, gestão e sucessão familiar em pauta

A programação do primeiro dia contou ainda com palestras sobre pecuária de precisão, com o diretor da Acrimat e pecuarista, Marco Túlio Duarte Soares, que defendeu o uso de tecnologias como mapeamento genético e ultrassonografia de carcaça para melhorar a produtividade e a imagem do setor.

Encerrando o ciclo de palestras, o advogado Luiz Paulo Jorge Gomes abordou o planejamento patrimonial e sucessório, reforçando que o melhor momento para planejar o futuro da propriedade é enquanto tudo está sob controle.

“Não adianta ir atrás de mágica. O melhor caminho para proteger seu patrimônio é investir no planejamento e pensar desde já sobre como será a sucessão dos negócios rurais”, observou.

O Acricorte segue com programação nesta sexta-feira (11). Esta é a quinta edição do evento, que conta com mais de 75 marcas expositoras na feira comercial montada no local.


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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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