Sustentabilidade
Importância da palhada na eficácia dos herbicidas residuais na soja – MAIS SOJA

Em culturas produtoras de grãos como a soja, a matocompetição durante o período inicial do estabelecimento da lavoura prejudica o desenvolvimento inicial das plantas, reduzindo o potencial produtivo da cultura. Nesse sentido, além das boas práticas agronômicas que contribuem para o manejo integrado das planta daninhas, o emprego de herbicidas pré-emergentes, também conhecidos como herbicidas residuais, contribui para a redução dos fluxos de emergência das plantas daninhas, reduzindo as infestações iniciais na lavoura.
Os herbicidas pré-emergentes atuam diretamente no banco de sementes do solo, inviabilizando a germinação das sementes em início de processo germinativo. Dependendo das características do herbicida e sistema de produção, os herbicidas pré-emergentes podem ser aplicados na modalidade aplique-plante ou plante-aplique, em que, respectivamente, aplica-se o herbicida antes da semeadura ou realiza-se a semeadura e logo após a aplicação do herbicida.
Estudos demonstram que o emprego dos herbicidas pré-emergentes, associados ou não a prática da dessecação contribui efetivamente para a redução da matocompetição inicial com culturas agrícolas (figura 1), no entanto, para que resultados satisfatórios sejam alcançados, é necessários atentar para os fatores que interferem na eficiência dos herbicidas pré-emergentes.
Figura 1. Cobertura do solo por espécies daninhas, principalmente buva (Conyza bonariensis), decorrente da dessecação antes da semeadura, aos 25 dias após a semeadura da cultura e antes da aplicação de glifosato em pós-emergência da soja. Esquerda: Glifosato; Direita: Glifosato + S–metolacloro + Diclosulam.
Dentre os principais fatores que exercem influência sobre a eficiência dos herbicidas pré-emergentes, destacam-se as características físico-químicas do produto, as propriedades físico-químicas e biológicas do solo e as condições ambientais no momento e após a aplicação.
Palhada
Um fator de destaque nesse contexto é a presença de palhada sobre a superfície do solo, especialmente em sistemas de plantio direto, onde há maior acúmulo de palhada. A palhada pode modificar significativamente o comportamento dos herbicidas pré-emergentes, influenciando sua eficiência.
Nesse cenário, a palhada atua como uma barreira física (figura 2) e química, restringindo o contato direto do herbicida com o solo, reduzindo sua capacidade de atingir o banco de sementes e podendo haver adsorção do herbicida à matéria orgânica da palhada, respectivamente, o que reduz sua concentração do herbicida na solução do solo, prejudicando sua ação sobre o banco de sementes. Além disso, herbicidas retidos na palha ficam mais expostos à radiação solar, altas temperaturas e volatilização, o que pode levar à degradação do ingrediente ativo antes que ele atinja o solo.

Figura 2. Palhada sobre a superfície no solo em sistema plantio direto.

Esse efeito é mais pronunciado em herbicidas com alta afinidade por matéria orgânica, ou seja, com elevados valores de Koc, como os inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeia muito longa. Esses produtos frequentemente apresentam problemas de retenção na palha quando utilizados em pré-emergência no plantio direto (Rizzardi, 2022).
A eficiência dos herbicidas pré-emergentes também depende de fatores intrínsecos ao produto, como:
- Solubilidade em água
- Lipofilicidade (Kow)
- Caráter ácido ou básico (pKa)
- Pressão de vapor (Pv)
- Potencial de fotodegradação
- Persistência e mobilidade no solo
- Coeficientes de adsorção (Kd e Koc)
Entre os herbicidas com maior retenção na palha está a trifluralina, que é fortemente adsorvida e suscetível à fotodegradação, o que compromete seu desempenho em pré-emergência (Santos, 2024). Por outro lado, herbicidas como a atrazina apresentam maior mobilidade e solubilidade, sendo facilmente lixiviados para o solo com chuvas após a aplicação, o que favorece sua eficácia mesmo em áreas cobertas por palhada.
Vale destacar que a adsorção e dessorção dos herbicidas são fortemente influenciadas pelas características do solo, como pH, textura (percentuais de argila, silte e areia), teor de matéria orgânica e capacidade de troca catiônica (CTC). Sendo assim, solos com maior teor de matéria orgânica tendem a reter com mais intensidade herbicidas com Koc elevado, principalmente quando combinados com alta quantidade de palhada seca ou verde (biomassa) na superfície do solo, o que pode comprometer a eficácia da aplicação (Barroso & Murata, 2021).
Portanto, a eficiência dos herbicidas pré-emergentes em áreas com palhada depende de uma avaliação integrada que considere a quantidade e tipo de palhada (seca ou verde), a ocorrência e intensidade de chuvas após a aplicação, e as propriedades físico-químicas do herbicida utilizado (Martins & Bonfada, s. d.).
Referências:
BARROSO, A. A. M.; MURATA, A. T. MATOLOGIA: ESTUDOS SOBRE PLANTAS DANINHAS. Fábrica da Palavra, 2021.
BIANCHI, M. A. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES: COMPLEMENTO DA DESSECAÇÃO E FACILITADOS DO CONTROLE EM PÓS-EMERGÊNCIA DA SOJA. Boletim Técnico CCGL TEC, n. 54, 2017. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/boletim_t%C3%A9cnico_54.pdf >, acesso em: 07/07/2025.
MARTINS, G. A.; BONFADA, L. B. EFICIÊNCIA DOS PRÉ-EMERGENTES E A DINÂMICA DE TRANSPOSIÇÃO NA PALHA. 3 Tentos, s. d. Disponível em: < https://www.3tentos.com.br/triblog/post/187 >, acesso em: 07/07/2025.
RIZZARDI. M. A. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES EM MILHO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES. Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas, 2022. Disponível em: < https://upherb.com.br/int/herbicidas-pre-emergentes-em-milho-algumas-consideracoes >, acesso em: 07/07/2025.
SANTOS, M. S. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/herbicidas-pre-emergentes/ >, acesso em: 07/07/2025.

Sustentabilidade
Manejo da resistência de fungos a fungicidas – MAIS SOJA

O manejo da resistência de patógenos, especialmente de origem fúngica, é um dos principais desafios relacionados ao controle de doenças em culturas como a soja. Embora medidas integradas possam ser empregadas para manejo das doenças em soja, os fungicidas químicos continuam sendo as ferramentas mais utilizadas para o controle de doenças em escala comercial.
Nesse contexto, estratégias de manejo necessitam ser adotadas visando “frear” a evolução dos casos de resistência das doenças aos fungicidas. Considerando a dificuldade em desenvolver e registrar novas moléculas, assegurar a manutenção da eficácia dos fungicidas atuais é crucial para a sustentabilidade do sistema de produção.
Uma das grandes preocupações relacionadas a isso é o desenvolvimento das resistências cruzadas. De acordo com o Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, a resistência cruzada é o fenômeno em que uma população de patógenos que se torna resistente a um fungicida também passa a apresentar resistência a outros produtos que possuem o mesmo modo de ação ou compartilham o mesmo sítio-alvo bioquímico (figura 1).
Figura 1. Representação gráfica de como ocorre a resistência cruzada a fungicidas.
Isso ocorre porque, mesmo sendo moléculas diferentes, esses fungicidas atuam sobre o mesmo processo metabólico, de modo que uma única mutação gênica pode conferir resistência a vários compostos simultaneamente. Esse risco é maior em fungicidas de sítio específico, que atuam em um único alvo, enquanto fungicidas multissítio apresentam menor probabilidade de seleção de resistência, tornando fundamental o conhecimento do modo de ação para estratégias eficazes de manejo (FRAC-BR, 2026).
Estratégias de manejo
De forma prática, o uso dos fungicidas multissítios associada a rotação de modos de ação, é a estratégia mais eficaz de prevenção da resistência aos fungicidas, no entanto, algumas estratégias associadas podem contribuir de forma significativa para reduzir a pressão de seleção sobre indivíduos, bem evolução dos casos de resistência.
Dentre essas estratégias, o FRAC-BR destaca para a cultura da soja, a rotação de moléculas de fungicidas dentro do mesmo grupo químico; a adoção de boas práticas agronômicas como evitar semeaduras tardias, dar preferências por variedades de ciclo precoce, respeitar o vazio sanitário e eliminar plantas voluntárias, evitando a exposição desnecessária dos produtos a altas populações dos patógenos.
Não menos importante, deve-se evitar programas de manejo que priorizem a aplicações curativas, uma vez que favorecem a pressão de seleção contínua e aceleram o desenvolvimento de populações menos sensíveis do patógeno. Além das estratégias supracitadas, a utilização de produtos biológicos também contribui para o manejo da resistência das doenças a fungicidas, considerando que esses compostos apresentam múltiplos modos de ação. No entanto, para maior performance, recomenda-se que os produtos biológicos sejam utilizados preferencialmente de forma associada a fungicidas sítios específicos e multissítios (FRAC-BR, s. d.).
Vale ressaltar que o manejo da resistência de doenças a fungicidas vai além das perdas quantitativas de produtividade, impactando diretamente a viabilidade econômica e a longevidade do sistema produtivo. Diante da elevada complexidade, do custo e do tempo necessários para o desenvolvimento de novas moléculas, preservar a eficácia dos fungicidas disponíveis torna-se uma estratégia indispensável para garantir a sustentabilidade da cultura da soja a médio e longo prazo.
Clique aqui e confira as novas recomendações para o manejo de doenças em soja.

Referências:
FRAC. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. FRAC-Brasil, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_f591d8b1a2934a109259af440b049052.pdf >, acesso em: 06/05/2026.
FRAC. O QUE É RESISTÊNCIA CRUZADA? Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: FRAC-Brasil, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/o-que-e-resistencia-cruzada >, acesso em: 06/05/2026.

Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Preços sobem impulsionados por exportações e paridade – MAIS SOJA

Os preços do algodão em pluma no mercado interno brasileiro subiram em abril pelo quinto mês consecutivo, atingindo os maiores patamares nominais desde julho de 2025. Segundo o Cepea, o movimento é sustentado, sobretudo, pelo bom desempenho das exportações, que reduziu os estoques domésticos, e pela valorização do petróleo.
De acordo com o Centro de Pesquisas, no mercado doméstico, a liquidez permaneceu limitada, refletindo a combinação de disparidades de preço e/ou qualidade com a postura cautelosa dos agentes. Indústrias priorizam o consumo de estoques e o cumprimento de contratos a termo, enquanto comerciantes concentram-se em negociações “casadas” e aquisições pontuais para atender a programações previamente estabelecidas.
O Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) do algodão em pluma subiu 5,74% no acumulado de abril (de 31 de março a 30 de abril), encerrando a R$ 4,1421/lp no dia 30, o maior valor nominal desde 25 de julho de 2025. Segundo pesquisadores do Cepea, a paridade de exportação também influenciou as altas em abril. A cotação interna ficou, em média, 6,6% acima da paridade no mês, a maior vantagem para o mercado doméstico desde agosto de 2025. Ainda assim, os preços no Brasil permanecem 5,02% inferiores aos de abril de 2025, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de março/26).
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Plantio do milho segunda safra foi concluído em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

O plantio do milho segunda safra 2025/2026 foi concluído em Mato Grosso do Sul, conforme levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc. A área estimada destinada ao cereal é de 2,206 milhões de hectares.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o encerramento da semeadura marca o início de uma nova etapa de acompanhamento das lavouras em campo.“Com o plantio finalizado, o foco agora passa a ser o desenvolvimento das áreas e o comportamento climático nas próximas semanas, fatores que serão determinantes para o potencial produtivo da cultura”, explica.
Atualmente, 72,7% das lavouras de milho no Estado são avaliadas como boas, 16,9% como regulares e 10,4% como ruins. As equipes seguem monitorando, além das condições climáticas, a incidência de pragas e doenças nas principais regiões produtoras.
A estimativa inicial aponta produtividade média de 84,2 sacas por hectare, com produção projetada em 11,139 milhões de toneladas.
Paralelamente ao encerramento do plantio do milho, a área colhida de soja safra 2025/2026 alcançou 99,8% em Mato Grosso do Sul. A região centro está com a colheita concluída, enquanto a região sul registra média de 99,8% e a região norte 99,6%. A área colhida até o momento é de aproximadamente 4,7 milhões de hectares. Com o avanço das amostragens de produtividade, a Aprosoja/MS revisou a média estadual para 61,73 sacas por hectare, índice 19,2% superior ao ciclo anterior.
“Os levantamentos de campo mostram uma safra de soja com resultados consistentes em boa parte do Estado. Mesmo com perdas pontuais em algumas regiões, a produtividade média foi revisada positivamente à medida que as amostras avançaram”.
A expectativa é de produção de 17,759 milhões de toneladas de soja no Estado.
O boletim completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
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