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Sustentabilidade

Importância da palhada na eficácia dos herbicidas residuais na soja – MAIS SOJA

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Em culturas produtoras de grãos como a soja, a matocompetição durante o período inicial do estabelecimento da lavoura prejudica o desenvolvimento inicial das plantas, reduzindo o potencial produtivo da cultura. Nesse sentido, além das boas práticas agronômicas que contribuem para o manejo integrado das planta daninhas, o emprego de herbicidas pré-emergentes, também conhecidos como herbicidas residuais, contribui para a redução dos fluxos de emergência das plantas daninhas, reduzindo as infestações iniciais na lavoura.

Os herbicidas pré-emergentes atuam diretamente no banco de sementes do solo, inviabilizando a germinação das sementes em início de processo germinativo. Dependendo das características do herbicida e sistema de produção, os herbicidas pré-emergentes podem ser aplicados na modalidade aplique-plante ou plante-aplique, em que, respectivamente, aplica-se o herbicida antes da semeadura ou realiza-se a semeadura e logo após a aplicação do herbicida.

Estudos demonstram que o emprego dos herbicidas pré-emergentes, associados ou não a prática da dessecação contribui efetivamente para a redução da matocompetição inicial com culturas agrícolas (figura 1), no entanto, para que resultados satisfatórios sejam alcançados, é necessários atentar para os  fatores que interferem na eficiência dos herbicidas pré-emergentes.

Figura 1. Cobertura do solo por espécies daninhas, principalmente buva (Conyza bonariensis), decorrente da dessecação antes da semeadura, aos 25 dias após a semeadura da cultura e antes da aplicação de glifosato em pós-emergência da soja. Esquerda: Glifosato; Direita: Glifosato + S–metolacloro + Diclosulam.
Adaptado: Bianchi (2017)

Dentre os principais fatores que exercem influência sobre a eficiência dos herbicidas pré-emergentes, destacam-se as características físico-químicas do produto, as propriedades físico-químicas e biológicas do solo e as condições ambientais no momento e após a aplicação.

Palhada

Um fator de destaque nesse contexto é a presença de palhada sobre a superfície do solo, especialmente em sistemas de plantio direto, onde há maior acúmulo de palhada. A palhada pode modificar significativamente o comportamento dos herbicidas pré-emergentes, influenciando sua eficiência.

Nesse cenário, a palhada atua como uma barreira física (figura 2) e química, restringindo o contato direto do herbicida com o solo, reduzindo sua capacidade de atingir o banco de sementes e podendo haver adsorção do herbicida à matéria orgânica da palhada, respectivamente, o que reduz sua concentração do herbicida na solução do solo, prejudicando sua ação sobre o banco de sementes. Além disso, herbicidas retidos na palha ficam mais expostos à radiação solar, altas temperaturas e volatilização, o que pode levar à degradação do ingrediente ativo antes que ele atinja o solo.



Figura 2. Palhada sobre a superfície no solo em sistema plantio direto.

Esse efeito é mais pronunciado em herbicidas com alta afinidade por matéria orgânica, ou seja, com elevados valores de Koc, como os inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeia muito longa. Esses produtos frequentemente apresentam problemas de retenção na palha quando utilizados em pré-emergência no plantio direto (Rizzardi, 2022).

A eficiência dos herbicidas pré-emergentes também depende de fatores intrínsecos ao produto, como:

  • Solubilidade em água
  • Lipofilicidade (Kow)
  • Caráter ácido ou básico (pKa)
  • Pressão de vapor (Pv)
  • Potencial de fotodegradação
  • Persistência e mobilidade no solo
  • Coeficientes de adsorção (Kd e Koc)

Entre os herbicidas com maior retenção na palha está a trifluralina, que é fortemente adsorvida e suscetível à fotodegradação, o que compromete seu desempenho em pré-emergência (Santos, 2024). Por outro lado, herbicidas como a atrazina apresentam maior mobilidade e solubilidade, sendo facilmente lixiviados para o solo com chuvas após a aplicação, o que favorece sua eficácia mesmo em áreas cobertas por palhada.

Vale destacar que a adsorção e dessorção dos herbicidas são fortemente influenciadas pelas características do solo, como pH, textura (percentuais de argila, silte e areia), teor de matéria orgânica e capacidade de troca catiônica (CTC). Sendo assim, solos com maior teor de matéria orgânica tendem a reter com mais intensidade herbicidas com Koc elevado, principalmente quando combinados com alta quantidade de palhada seca ou verde (biomassa) na superfície do solo, o que pode comprometer a eficácia da aplicação (Barroso & Murata, 2021).

Portanto, a eficiência dos herbicidas pré-emergentes em áreas com palhada depende de uma avaliação integrada que considere a quantidade e tipo de palhada (seca ou verde), a ocorrência e intensidade de chuvas após a aplicação, e as propriedades físico-químicas do herbicida utilizado (Martins & Bonfada, s. d.).

Referências:

BARROSO, A. A. M.; MURATA, A. T. MATOLOGIA: ESTUDOS SOBRE PLANTAS DANINHAS. Fábrica da Palavra, 2021.

BIANCHI, M. A. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES: COMPLEMENTO DA DESSECAÇÃO E FACILITADOS DO CONTROLE EM PÓS-EMERGÊNCIA DA SOJA. Boletim Técnico CCGL TEC, n. 54, 2017. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/boletim_t%C3%A9cnico_54.pdf >, acesso em: 07/07/2025.

MARTINS, G. A.; BONFADA, L. B. EFICIÊNCIA DOS PRÉ-EMERGENTES E A DINÂMICA DE TRANSPOSIÇÃO NA PALHA. 3 Tentos, s. d. Disponível em: < https://www.3tentos.com.br/triblog/post/187 >, acesso em: 07/07/2025.

RIZZARDI. M. A. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES EM MILHO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES. Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas, 2022. Disponível em: < https://upherb.com.br/int/herbicidas-pre-emergentes-em-milho-algumas-consideracoes >, acesso em: 07/07/2025.

SANTOS, M. S. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/herbicidas-pre-emergentes/ >, acesso em: 07/07/2025.

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Sustentabilidade

TRIGO/CEPEA: Preços apresentam movimentos distintos dentre os estados – MAIS SOJA

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Em janeiro, os preços do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados acompanhados pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, os preços foram influenciados pelas diferentes condições de oferta e demanda. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná as cotações cederam, pressionadas por liquidação de estoques, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os valores estiveram mais firmes. No estado sulista, o bom fluxo das exportações deu suporte aos preços.

Em São Paulo, o movimento de avanço foi verificado pelo terceiro mês consecutivo e foi influenciado pela restrição vendedora. Levantamento do Cepea indica que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.158,92/tonelada em janeiro, recuos de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% em relação a janeiro/25 e o menor patamar real desde março/18 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de dezembro/25).

No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.178,66/t, baixa de 0,4% na comparação mensal e de 15,2% na anual e também a menor desde outubro/23, em termos reais. Já no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.050,89/t em janeiro, a mais elevada em três meses, com avanço mensal de 1,4%, mas queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25/t em janeiro, avanço de 0,4% frente ao de dezembro, porém, recuo de 19,9% em relação a janeiro/25.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Algodão/MT: Semeadura alcança 67,75% da área estimada para este ciclo – MAIS SOJA

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Em fev/26, o Imea divulgou o relatório de Oferta e Demanda do algodão de Mato Grosso para o ciclo 2025/26. Com as estimativas mantidas para o consumo interno do estado em 46,22 mil toneladas e para o fluxo interestadual em 606,43 mil toneladas, a demanda total foi projetada em 2,69 milhões de toneladas, representando aumento de 1,02% em relação à safra 2024/25.

Dentro desse volume, a projeção de exportações ficou estimada em 2,04 milhões de toneladas, retração de 1,67% frente à estimativa anterior. Ao mesmo tempo, com o ajuste
negativo na produção do ciclo, os estoques finais foram projetados em 815,21 mil toneladas, o que corresponde a uma redução de 13,94% no comparativo anual. Desse volume total, 701,42 mil toneladas devem estar comercializadas, porém deverão ser escoadas apenas para o ciclo seguinte.

Confira os principais destaques do boletim:
  • PROGRESSO: a semeadura do algodão da safra 2025/26 em Mato Grosso avançou 19,94 p.p. na última semana, atingindo 67,75% até a última sexta-feira (30/01).
  • QUEDA: o preço do óleo de algodão recuou 11,54% em relação à semana passada, influenciado pela menor demanda no mercado, o que reduziu o ritmo das negociações.
  • REDUÇÃO: a paridade dez/26 registrou retração de 2,58% no comparativo semanal, ocasionada pela queda do dólar, em meio à incerteza gerada por movimentos geopolíticos.
O Imea divulgou a nova estimativa para a safra do algodão mato-grossense do ciclo 2025/26.

De acordo com o relatório, a área total de cultivo para a cotonicultura foi estimada em 1,42 milhão de hectares, redução de 0,83 % em relação à estimativa anterior e 8,06% no comparativo com a safra 2024/25.

Conforme apontado desde as primeiras projeções, parte dessa redução está ligada aos elevados custos de produção observados para a safra, o que tem pressionado a margem de rentabilidade do produtor. Considerando a produtividade média para o estado em 290,88 @/ha, a produção de algodão em caroço ficou em 6,21 milhões de toneladas, queda de 0,79% em relação à projeção anterior e redução de 15,13% no comparativo com o consolidado da safra 2024/25. Já a produção de pluma ficou prevista em 2,56 milhões de toneladas, redução de 0,79% ante a projeção anterior e 15,16% ante o estimado da safra passada.

Nesse contexto, o ritmo de semeadura e o comportamento climático ao longo do ciclo da cultura serão determinantes na definição da real produção da temporada.

Fonte: IMEA



 

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Milho/MT: Imea mantém area projetada em 7,39 mi de ha, 1,83% superior à temporada passada – MAIS SOJA

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Em fev/26, o Imea manteve as estimativas para a safra de milho 25/26 em MT frente à divulgação anterior. A área permaneceu projetada em 7,39 mi de ha, 1,83% superior à temporada passada, sustentada pela maior demanda interna pelo cereal, e os avanços nas exportações do estado. Quanto à produtividade, o cenário é de incerteza, uma vez que as condições climáticas ao longo do ciclo serão determinantes para o desempenho final, motivo pelo qual o Instituto manteve como referência a média das últimas três safras, estimada em 116,61 sc/ha, 8,38% inferior ao observado no ciclo anterior, marcado por rendimento recorde.

Ademais, andamento da colheita da soja tem favorecido o progresso na semeadura do milho, que segue acima do registrado na safra passada, contudo a produtividade ainda apresenta incertezas, em função das variáveis ao longo do ciclo. Diante da manutenção da área e do rendimento, a produção de milho para a safra 25/26 em MT ficou estimada em 51,72 mi de t, queda de 6,70% ante a safra 24/25.

Confira os principais destaques do boletim:
  • AUMENTO: com oscilações negativas no dólar norte-americano, a cotação em Chicago subiu 0,89% ante a última semana, e fechou na média de US$ 4,29/bu.
  • REDUÇÃO: com a elevação no nível de oferta regional, em especial no sul do país, a precificação do milho na B3 retraiu 1,76% no comparativo semanal, e ficou na média de R$ 68,71/sc.
  • RECUO: pautado pela manutenção das taxas de juros nos EUA e no Brasil, mantendo o diferencial de juros em favor do real, o dólar Ptax caiu 2,08% em relação à última semana.
Na última semana, o preço médio do milho disponível no estado fechou em R$ 46,66/sc, com recuo de 1,30% ante a semana anterior.

O movimento foi influenciado pela maior oferta no estado e por um mercado mais lento nas últimas semanas. A queda do dólar também reduziu a atratividade das exportações, limitando o suporte das vendas externas aos preços no mercado doméstico. No mercado interno, embora o setor de etanol de milho siga como um importante demandante, as indústrias operam, em sua maioria, com estoques mais confortáveis, o que reduz a necessidade de aquisições mais intensas no curto prazo.

Dessa forma, o ambiente de negócios seguiu menos aquecido, com menor volume de negociações. Para as próximas semanas, o mercado deve seguir atento aos desdobramentos do câmbio, à evolução da demanda industrial e ao avanço da semeadura do milho, que tende a reforçar as expectativas de oferta, fatores que podem influenciar pontualmente a formação dos preços no estado.

Fonte: IMEA



 

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