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6 de agosto de 2026

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Ex-professor aprende a construir solo e vira produtor de hortaliças

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A pandemia da Covid-19 mudou a vida de muitas pessoas e continua mudando. Assim é com o ex-professor Abrelino Carlos Tenedini, o ‘seo’ Caju, que trocou a sala de aula pelo campo e fez do lugar de descanso da família uma fonte de renda.

É na rodovia estadual MT-251, na Comunidade do Rio dos Peixes, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, que está localizada a Chácara Seu Caju. Adquirida há 15 anos, a propriedade foi o refúgio do produtor e da família quando o mundo se viu em meio a pandemia.

A previsão, segundo ‘seo’ Caju, era ficar no local entre um e dois meses. “Acabamos ficando três anos e aí tinha que desenvolver alguma coisa para subsistência, como renda familiar. Foi aí que comecei esse trabalho. Então a pandemia nos trouxe para a chácara”, conta o produtor ao Senar Transforma desta semana.

Formado em quatro faculdades e com mestrado, o hoje produtor comenta que sempre gostou da terra.

“Então, para mim foi uma questão parece natural. Nós precisávamos criar uma renda e a chácara nos possibilitou ao menos pensar e planejar uma renda”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Conhecimento que transforma

Inicialmente, ‘seo’ Caju mexeu com mudas de plantas, mas diante da mudança da estrutura financeira causada pela pandemia às famílias, migrou para a produção de hortaliças.

Como o solo da chácara é uma piçarra, o produtor pensou na hidroponia. “Mas, quando eu comecei a estudar hidroponia eu vi que não era o que eu queria. Aí eu comecei a buscar conhecimento, informação e falei que ia trabalhar orgânico no solo para ser um diferencial desde o princípio”.

E a busca de conhecimento acabou levando o produtor até o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Senar Mato Grosso, com foco em olericultura.

“O ‘seo’ Caju chegou com esse desafio para a gente de produzir hortaliças numa terra de piçarra. Encontramos a realidade de um solo muito raso, com baixo teor de matéria orgânica, um solo ácido e baixo em nutrientes”, frisa o técnico de campo Fábio Augusto Bardusco.

Segundo o especialista, primeiro foi realizada uma análise de solo na chácara e em seguida buscou-se formas de como construir esse solo para assim, também, conseguirem cumprir o segundo desafio: o de produzir de forma orgânica.

“E aí fomos trabalhar com a compostagem, os microrganismos e os pó de rochas”, salienta Fábio.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Disciplina que transforma a prática

Para construir o solo não basta apenas ter elementos, é preciso disciplina e estar sol a sol transformando em prática essa construção do solo.

De acordo com o produtor, até chegar aos canteiros que possui hoje foi muito trabalho.

“No dia a dia plantei muitos canteiros e arrancava. Plantava, ficava uma, duas semanas e se não desenvolvia eu arrancava. Hoje, quando eu planto a alface, eu a vejo desenvolvendo, ela sadia, com exuberância de força. E, todo esse fato, a força física é o conhecimento. O conhecimento é fantástico”.

A horta do ‘seo’ Caju é uma verdadeira variedade de folhas. Entre elas estão a alface, rúcula, agrião e o almeirão que ele comercializa para restaurantes da comunidade Rio dos Peixes e moradores locais.

“Está produzindo bem. Orientado pelo Fábio do Senar, hoje eu tenho esse conceito com muita gratidão. O solo para mim é um organismo vivo. Hoje eu posso dizer que o solo está equilibrado e produtivo. Você vê que a alface, o almeirão, a couve têm cor e tem saúde”.

Os próximos passos para o futuro é conseguir o selo de produção orgânica para poder ampliar o mercado da produção.

Questionado sobre a geração de renda, o produtor frisa que “está no caminho” e que, além do selo de orgânico, pretende ter uma produção de folhas para o período das chuvas.

“O meu objetivo não é fazer aquela grande produção, mas é fazer uma produção que me dê uma subsistência, qualidade de vida, que eu possa dignamente estar vivendo sem perder a qualidade do meu produto”.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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